Rotina: “Nazismo” e “fascismo” por todos os lados

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Muitas vezes o ser humano precisa tornar a sua história mais emocionante do que ela realmente é, e o mesmo ocorre para alguns grupos políticos, especialmente os esquerdistas.

Em termos ideológicos, os esquerdistas de perfil marxista possuem rivais nos conservadores e libertários, ambos com bons argumentos para demoli-los. Portanto, seriam os seus inimigos naturais, certo? Capaz, a não ser pelo fato deles fantasiarem que existe um “nazismo” e um “fascismo” rondando por aí.

Se tanto o nazismo como o fascismo são movimentos de esquerda, por outro lado ambos possuem um fator histórico inegável: em um dado momento, os dois sistemas foram oponentes do marxismo. (Atenção: ser oponente do marxismo não é o mesmo que deixar de ser esquerdista)

O marxismo é conhecido por sua contagem de corpos, o que também pode ser atribuído ao nazismo e o fascismo. Este último, no entanto, é mais modesto. Já o nazismo, este sim, chega perto do marxismo, embora em termos de morticínio este ainda leve folgada vantagem.

Ora, se é para arrumar um inimigo, que seja um “inimigo malvado”. A partir daí, marxistas começam a propagar que a maioria de seus oponentes são “nazistas” ou “fascistas”. Se há luta por leis para restringir a imigração ilegal na Europa, isso será chamado de “retorno do nazismo”. Assim como se alguém resolve pedir uma punição mais dura a um criminoso, será tachado de “fascista”.

Há estágios em que as rotulagens chegam a beira do ridículo, como pode ser visto nesta crítica do filme “Os Reis da Rua”, estrelado por Keanu Reeves:

Os Donos da Rua pode formar uma dupla com Tropa de Elite, ao menos por abordar o mesmo universo dos policiais que, investidos da máxima autoridade, tornam-se tão ou mais criminosos do que os bandidos. A diferença é que Tropa de Elite, mesmo parecendo fascista a alguns, não é, retratando com clareza o enlouquecimento de seu protagonista (Wagner Moura). Os Reis da Rua faz o elogio desse tipo de policiais, tornando-se nitidamente fascista.

Outro filme, “Valente”, estrelado por Jodie Foster, teve uma crítica de Paulo Camargo com o seguinte título: “Valente e o fascismo no cinema”. A ultra-marxista Lola Aronovich diz: “Bom, ou “Valente” pertence à outra época, ou o fascismo tá voltando com tudo.”. Tudo isso por que o personagem de Jodie Foster se vinga de pessoas que a agrediram e mataram seu namorado.

Em relação ao nazismo, nos comentários ao texto de Renato Roval, da Revista Forum, pode-se encontrar o seguinte:

O que o PSDB fez com o povo pobre do bairro do Pinheirinho, destruindo suas casas e os alojando em campos de concentração, é a mesma coisa que os Judeus fizeram com os palestinos, e os nazistas com os judeus. O PSDB é o partido da elite branca paulistana, católica, hipócrita, que tem nojo de pobre. É o partido nazista paulistano sim.

Ou seja, tal qual os nazistas, fascistas estão em todos os lugares.

Como se isso não fosse o suficiente, a mera aparição no telejornal de alguns skinheads que são conhecidos somente por serem um grupo de rejeitados sociais, servirá para que marxistas gritem: “O nazismo está de novo em fase de incubação”.

Justiça seja feita, é verdade que a maioria dos skinheads são nazistas, e de fato defendem a ideologia de Hitler. Muitos deles tem o Mein Kampf como sua obra de cabeceira. Mas estes não possuem representavidade alguma e nem sequer estão alinhados com os principais partidos do poder. (Enquanto os marxistas estão alinhados em grande parte com o PT)

Em todos os casos, é importante notar que isso não passa do jogo de rotulagem (como já mostrado na rotina “Seu, seu fascista”), mas elevado ao estado da arte, com a tentativa de se criar uma fantasias na qual inimigos imaginários dos comunistas, os nazistas e fascistas, ainda rondam por aí a ponto de constituir uma ameaça. Na verdade, a maior ameaça em termos de ideologia genocida é o marxismo, e este sim constitui uma força política atual.

Por isso, o ideal é desmascará-los perante a platéia, explicando o que de fato significa o fascismo e o nazismo, e sempre demonstrando que são os marxistas que estão por todos os lugares, não os nazistas e fascistas, que hoje, felizmente, não fedem nem cheiram.

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4 COMMENTS

  1. Luciano, já que estamos falando de Nazismo e Fascismo, queria te dar uma sugestão. De vez em quando, poste alguma coisa interessante de autores que mostram como esses dois regimes são de esquerda. Eu estou lendo um livro chamado “O Caminho da Servidão”, de Friedrich Hayek. É um livro maravilhoso e que mostra de maneira muito clara a relação entre fascismo, nazismo e socialismo (todos tem uma raiz comum: o forte intervencionismo estatal). Há um livro que gostaria muito de ler, mas não encontro traduzido para o português. Chama-se: “Leftism Revisited: From Sade and Marx to Hittler and Pol Pot”, de Erick von Kuehnelt-Leddihn’s. Pela sinopse, parece ser um bom livro. Há outros autores cujos livros parecem ter um bom conteúdo sobre o assunto também (mas que são difícies de encontrar) como: Anthony James Gregor, Erik Voegelin, Jonah Goldbert, Ludwig von Mises, Robert Gelately, Richard Overy.

    Por que estou sugerindo isso? Bem, uma das características principais do marxismo cultural que tenho visto é a sua capacidade fenomenal de bitolar as pessoas. Todo mundo conhece Marx e suas ideias básicas (mesmo que nunca tenham lido “O Capital” ou “O Manifesto do Partido Comunista”. Mas quem é que conhece autores como: Edmund Burke Russel Kirk, Eugen von Brohn-Bawerk, Thomas Sowell, Milton Friedman, Walter E. Williams (e mais os que eu já citei há pouco)? Por isso, acho que seria legal o seu blog divulgar um pouco do pensamento desses caras, que sustentam, ao meu ver, o verdadeiro pensamento de direita: crítica ao intervencionismo, crítica ao coletivismo, ceticismo ao homem e à utopias de mundo perfeito, defesa das liberdades individuais e do cumprimento das leis e etc.

    Fica a sugestão (mais que isso, o pedido).

    Abraços.

    • Davi, excelentes sugestões as tuas.

      Vou comprar esse “O Caminho da Servidão”, do Hayek, e esse do Erick von Kuehnelt-Leddihn.(este último vi por $3.99 na Amazon no formato Kindle)

      Quanto a Jonah Goldberg, Robert Gelately e Richard Overy, gosto destes autores. Recentemente li o “Apoiando Hitler”, do Robert Gellatelly, que traz informações interessantíssimas sobre como se faz uma campanha de pânico moral às claras, assim como os neo ateus tem feito em relação aos religiosos tradicionais.

      Em relação a Eugen von Brohn-Bawerk e Thomas Sowell, vou buscar conhecer as obras deles.

      Também pretendo aos poucos refutar alguns textos de esquerdistas jurássicos na fonte, como Rousseau, Voltaire e outros.

      A você, também recomendo o material de John Gray, que possui uma forma de denúncia ao pensamento utópico que acho sensacional.

      Abs,

      LH

  2. [OFF]
    Luciano, queria fazer uma consulta contigo.
    Tipo, não se se vc acompanhou, mas durante a greve das universidades, o governo negociou com vários sindicatos de professores, APRUMA, POIFES, o outro não lembro. A discussão não estava com um sentido muito bom, até que, ou por terem se vendido ou serem muito burros (é sério, a proposta do governo foi horrível), o POIFES aceitou o acordo. O que ocorreu? A greve simplesmente acabou. Apesar de SOMENTE o POIFES ter aceitado, e ele corresponder a menos de 5% dos professores em greve, o governo considerou as negociações terminadas. Em outras palavras, o POIFES virou um bode espiatório pra que o governo pudesse dizer: negociamos, vocês aceitaram, acabou. O resto dos professores tentou manter a greve, mas ela acabou no momento em que o POIFES baixou a cabeça.

    Eu acredito que estamos tendo algo semelhante hoje. Mas não se trata de professores, e sim de guerra política. Tivemos, em pouco tempo, um vídeo zoando o Maomé. Teve repercussão terrível, com os muçulmanos matando uma galerinha por causa disso. Os franceses liberaram uma charge também tirando sarro do Maomé. Resultado? Umas 20 filiais da empresa estão quase fechando, temporariamente, sob riscos de retaliação. A primeira vista, pode parecer um simples joguinho de “zoamos todas as religiões”, mas será que não há uma ligação com o evento descrito no primeiro parágrafo? É bem possível que eles utilizem dessas retaliações dos muçulmanos pra pregar a anti-religião, um dos pontos fundamentais para que a agenda esquerdista progrida. É possível que eles continuem espetando o vespeiro, pra causar retaliações, e mostrar que a religião é “má” e deve ser “destruída” pelo “estado laico”. Por isso liberaram tanto esse povo por aí: pra que eles possam expressar toda a sua maldade religiosa contra a liberdade de expressão, e ironicamente, contra o estado laico.

    É possível que isso esteja acontecendo mesmo ou eu estou pirando demais aqui?

    • Dalton,

      Eu concordo com sua hipótese. A meu ver, hoje temos um conflito de religiões. Cristianismo (se dando mal sempre), Islamismo (se dando bem em alguns momentos) e o Humanismo, no geral, se aproveitando e levando a maioria das batalhas, por pregar uma suposta “independência” de dogmas (o que, como já denunciei aqui, não passa de truque). Portanto, essa idéia deles zoarem Maomé o máximo que conseguirem ver o circo pegar fogo para, enfim, ter uma causa “contra a religião” como um todo, é bem crível.

      Abs,

      LH

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