Chega a hora do Ceticismo corporativo

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Quando um autor escreve, precisa manter sua coerência, e se ater aos seus objetivos. Às vezes, é muito fácil perder a direção, e fugir do tema. Recentemente, em fase de revisão do meu livro, tive que remover um capítulo inteiro, pois acredito que ele estaria mais coerente em uma obra posterior (que já está também em planejamento).

Da mesma maneira, quando se escreve um blog temático (como este), também é preciso manter a coerência. Embora o título do blog seja “Luciano Ayan”, não devo usá-lo, por exemplo, para postar uma piada engraçada que recebi por email e que não tenha nada a ver com debates políticos e denunciação ao esquerdismo.

Por essa auto-exigência por coerência, no decorrer do tempo tive que deixar de publicar uns 5 ou 6 textos planejados mostrando a dinâmica social do ambiente corporativo. E o que vem a ser isso? Basicamente, significa estudar os jogos políticos que ocorrem no ambiente corporativo, seus modelos, seus métodos e em como eles são facilmente visualizáveis nos animais humanos que rodeiam as empresas. Ou seja, todos os funcionários.

Uma questão é: para que publicar este novo blog?

Antes de tudo, este aqui segue sendo o meu principal blog, para o qual tenho feito atualizações diárias e não vejo motivos para que essa frequência diminua. Eu tenho mania de “narrar” meus textos enquanto estou no trânsito, e como os congestionamentos não diminuem aqui em São Paulo, sempre tem coisa nova. Os posts para o novo blog (para o qual revelarei o link no final de semana, e o domínio já está registrado) serão muito menos frequentes do que neste aqui. Mas estes posts serão extremamente relevantes, embora pertençam a um outro tema.

Explico. Hoje em dia abordo três paradigmas neste blog (Ceticismo político, Investigação da Religião Política e Dinâmica Social da Guerra Política), e em breve apresentarei um quarto, que justifica os outros três: a Análise Comparativa do Ambiente Corporativo. Isto significa não apenas entender propostas filosóficas, discursos ideológicos, recursos linguísticos, e alegações de qualquer tipo da mesma maneira que um Auditor de Investigação de Fraudes faria em uma organização, como também estabelecer de forma metodológica um sistema de pensamento para avaliarmos toda nossa atividade intelectual.

Mais ou menos é assim. Imagine que alguém alegue que “é possível existir uma razão absoluta para decidir as questões”. Como isso funcionaria no ambiente corporativo? Uma mera análise serve para termos ótimos exemplos de que tal proposta não tem sentido algum e não trata o ser humano como ele realmente é. Ao contrário, todo meu sistema de pensamento se baseia em avaliar o ser humano como ele é, não como alguns desejariam que fosse. Exatamente como fazemos no ambiente corporativo.

Este tipo de análise (comparando a investigação cética da religião política e de quaisquer alegações do tipo com o mesmo tom que faríamos nas grandes organizações) será como sempre feita no presente blog. Mas no outro, trarei histórias e fatos do ambiente corporativo, que poderão vez por outra serem citados por aqui. Entretanto, quem não gostar de debates políticos, poderá acessar o outro blog sem problemas, pois lá não farei referências ao discurso de questões polêmicas como direito ao aborto, liberação de drogas, casamento gay e tolerância ao crime. No outro blog, falarei do mundo corporativo e só.

Para se ter uma idéia dos textos que trarei lá (e que não foram publicados aqui), seguem exemplos de títulos de posts:

  • O mito da carreira Y
  • O mito do RH amigo
  • Q.I. não faz a diferença? Claro que faz… (e neste, falarei do quociente de inteligência mesmo)
  • Quanto mais se sobe, mais se joga
  • Como reclamações de “cansaço” em tons adequados podem impressionar alguns gerentes

Quer dizer, é paulada do início ao fim.

Se aqui no meu blog principal, você perde a esperança no ser humano e deixa de crer em ilusões relacionadas às questões do debate público, no novo blog manterei o mesmo tom, mas com foco no ambiente corporativo.

Por exemplo, se Rousseau falasse “O homem é bom, a sociedade é que o corrompe” no ambiente corporativo, poderíamos botá-lo para fora pelo fato de ser ingênuo. (Aliás, em cargos mais altos a ingenuidade é condenável, ao invés de “bonitinha”)

Com o novo blog, darei exemplos de como o ser humano funciona no ambiente corporativo, em mais um fator que é muito inspirador para o que é publicado aqui. No ambiente corporativo (e não falo de empresas públicas ou academias, que estão fora da análise), falo de pessoas que tem que lutar todos os dias por sua sobrevivência na empresa. É neste momento (de pressão), onde vemos a real natureza do ser humano.

Uma pergunta é: será que podemos avaliar o cotidiano do que ocorre nas empresas para enfim avaliar como funcionam todos os jogos políticos de larga escala? A resposta é um sonoro sim! Ao ler os textos do novo blog, junto aos deste aqui, lhe permitirei tirar quaisquer dúvidas.

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8 COMMENTS

    • Com certeza, avisarei aqui sim.

      Confesso que nunca me aprofundei para conhecer o calvinismo, mas vou avaliá-lo com mais cuidado. (Não para me “converter”, claro, mas para conhecer mesmo)

      Abs,

      LH

  1. Trabalho em uma empresa pública e gostaria muito que houvesse uma auditoria nos seus moldes por lá… Mas como isso nunca vai acontecer, deixa eu acordar do meu sonho e ir trabalhar… =/

  2. Opa,gostei muito dessa sua ideia!

    Gosto muito quando você fala sobre Dinâmica Social.E pelo que percebi esse novo blog irá tratar muito do assunto,correto?
    E por falar nisso,você já terminou a série “A verdade nua e crua”?
    Abraços!

    • Exatamente, o blog novo terá muito sobre dinâmica social. E ao mesmo tempo pretendo retomar os textos da série “A Verdade Nua e Crua”, que se subdividem em duas partes, a primeira falando do método da dinâmica social (para o qual já fiz 3 textos, e deve ter mais uns 5 ou 6), e a segunda, mais longa, explicando várias características e componentes do animal humano sob esta ótica. Devo retomar a série em breve.

      Abraços,

      LH

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