O PT vai para as cordas… e o PSDB não sabe aproveitar a oportunidade

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Há algum tempo escrevi o texto “Usando as lições de nossas mães para denunciarmos as chantagens emocionais esquerdistas”, e não vejo melhor momento para usar esta técnica do que aquele no qual surge um manifesto governista “irritado” com o fato do julgamento do Mensalão estar sendo usado pelo programa do PSDB na campanha política.

Segundo o manifesto, assinado pelos presidentes dos partidos da base governista, estes

repudiam de forma veemente a ação de dirigentes do PSDB, DEM e PPS que, em nota, tentaram comprometer a honra e a dignidade do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Valendo-se de fantasiosa matéria veiculada pela Revista Veja, pretendem transformar em verdade o amontoado de invencionices colecionado a partir de fontes sem identificação.

A choradeira não poderia começar mais vergonhosa, pois é verdade que a Revista Veja publicou uma matéria com as denúncias de Marcos Valério, com este definindo Lula como o chefe do Mensalão. Suponhamos (a título de caridade) que a reportagem tenha inventado fatos, o que duvido, ainda assim é verdade que foi noticiado na grande imprensa (e a Veja é a revista de maior tiragem do país) algo que conspira escandalosamente contra o ex-presidente Lula. Portanto, os oposicionistas não presidem “transformar em verdade” o fato de que a notícia sobre a acusação de Lula saiu na mídia, pois isso já é verdade. Se por um acaso o PT quiser ir contra a Veja, é esta que deve ser criticada, mas não quem repassou as notícias publicadas por lá. Aliás, conforme se nota na Veja, a honra e a dignidade de Lula já foram para o saco…

O Manifesto prossegue dizendo:

As forças conservadoras revelam-se dispostas a qualquer aventura. Não hesitam em recorrer a práticas golpistas, à calúnia e à difamação, à denúncia sem prova.

Curiosamente, o PSDB de conservador não tem absolutamente nada. Nos Estados Unidos, seriam um partido exatamente igual aos Democratas. Mas o engraçado é ver os governistas reclamando que na propaganda do PSDB existem “práticas golpistas”. Ora, se Lula não está mais no poder, qual o golpe? Que eu saiba, golpes de estado podem ser praticados por pessoas que estão no poder. Até o momento, as próprias fontes petralhas noticiam que Lula está descansando e viajando por aí, não? De qualquer forma, novamente que fique claro: se existirem provas de que a Veja cometeu “calúnia” ou “denúncia sem prova”, esta é uma acusação a ser feita à Veja, e não a quem reproduziu a notícia.

Segue:

Impotentes, tentam fazer política à margem do processo eleitoral, base e fundamento da democracia representativa, que não hesitam em golpear sempre que seus interesses são contrariados

Ué, se a turma da oposição é composta de “impotentes”, então por que tanto esforço governista para tentar proibir que a oposição cite matérias publicadas pela Veja? Aliás, qual parte do processo eleitoral é violado quando notícias da imprensa são citadas? Como se nota, o PT ainda não aprendeu a conviver com a democracia.

Assim foi em 1954, quando inventaram um “mar de lama” para afastar Getúlio Vargas. Assim foi em 1964, quando derrubaram Jango para levar o País a 21 anos de ditadura. O que querem agora é barrar e reverter o processo de mudanças iniciado por Lula, que colocou o Brasil na rota do desenvolvimento com distribuição de renda, incorporando à cidadania milhões de brasileiros marginalizados, e buscou inserção soberana na cena global, após anos de submissão a interesses externos.

O truque aqui agora é apelar ao emocional. Primeiramente, que o “mar de lama” em relação a Getúlio ocorreu mesmo, e, como ele tinha mania de “jogar para a galera”, é claro que o PT está tentando o mesmo recurso do passado. O engraçado é que o “filme” de Getúlio estava tão queimado que o sujeito matou-se. Segundo, em relação ao Jango, o sujeito estava aliado a comunistas extremistas, o que levou um movimento nacional contra a sua presença. O governo do PT tem características de ambos. Tanto o “mar de lama” de Getúlio como a associação com o extremismo de esquerda de Jango, mas os militares estão caladinhos hoje em dia, aceitando coniventemente até atrocidades petralhas como a tal “Comissão da Verdade”. Mais um motivo para ridicularizar o dramalhão acima.

Além do mais, a tal “rota do desenvolvimento” foi um processo iniciado pelo PSDB e, se Lula deu sequência no projeto anterior, não há motivos para choradeira. Que se punam os criminosos do PT, e caso a oposição assuma, que dê sequência ao projeto que originalmente era até deles. Neste caso, seria o PSDB dando sequência ao plano de crescimento estabelecido por eles. Como se nota, se qualquer mérito alegado por Lula para o PT pode ser compartilhado com o governo anterior, não há motivos para, por causa dos alegados méritos, proibir qualquer investigação sobre o Mensalão, ou até mesmo proibir a citação de notícias sobre o caso.

Os partidos da oposição tentam apenas confundir a opinião pública. Quando pressionam a mais alta Corte do País, o STF, estão preocupados em fazer da ação penal 470 um julgamento político, para golpear a democracia e reverter as conquistas que marcaram a gestão do presidente Lula .

Como poderiam os partidos de oposição pressionarem o Supremo Tribunal Federal? Ora, se esta instituição é parte do governo (que está em posse do PT), seria mais lúcido suspeitarmos de pressão vinda do governo, não? Aliás, é exatamente isso o que tem acontecido, com sucessivos atos de coação do governo contra ministros do STF, como no caso de uma recente nota desaforada de Dilma contra o Ministro Joaquim Barbosa.

Em suma, o PT acusa o PSDB de “golpe” por citar as notícias publicadas sobre o Mensalão. Segundo o PT, o PSDB quer “golpear a democracia” ao divulgar tais notícias. E daí diz que a intenção é “reverter as conquistas que marcaram a gestão do presidente Lula”. A pergunta que fica no ar é: qual a relação entre punir um ex-presidente e “reverter conquistas” que tenham surgido neste mandato?

O tom da nota (assinada por Rui Falcão, do PT, Eduardo Campos, do PSB, Valdir Raupp, do PMDB, Renato Rabelo, do PCdoB, Carlos Lupi, do PDT, e Marcos Pereira, do PRB) é gravíssimo, pois demonstra que os petralhas odeiam a liberdade de imprensa, e até a liberdade de um partido divulgar o material publicado por uma publicação de grande porte. Enfim, em momento de “raivinha” por causa das denúncias que humilham o ex-presidente, o PT e sua base governista cometeram um ato falho e confessaram, sem querer, suas visões totalitárias.

Lembrando a tese deste blog: o esquerdismo profissional (muito além do que os funcionais tem o direito de perceber) se resume a um objetivo de tomada de poder de forma absoluta, através de um discurso populista, apelando o máximo possível para a chantagem emocional. Ao tentar comparar a punição a mensaleiros com “reversão de conquistas sociais” (o que seria logicamente inviável, pois todos os acusados, mesmo se incluirmos Lula entre eles, não fazem parte do governo atual), tentaram criar a chuva seca. Em resumo: apelaram de verdade.

A conclusão, é claro, só poderia ser vergonhosa, com a seguinte frase:

A mesquinharia será, mais uma vez, rejeitada pelo povo.

O que seria mesquinharia? Divulgar as notícias que falam do caso Mensalão? Estaria o PT dizendo que “o povo” não quer essas notícias? É nesses momentos que faltam alguns engenheiros sociais bons para auxiliar a oposição (que, mesmo sendo também de esquerda, é bem deficiente em termos de estratégia), para usar essa frase para desmoralizar definitivamente toda a base governista.

Esta frase associando o desejo de notícias pelo Julgamento do Mensalão à “mesquinharia”, deveria ser usada pela oposição para demonstrar à população que o PT ignora o povo quando este quer punir a corrupção. E ao mesmo tempo não deixar de tratar todo o discurso do manifesto como um ato de chantagem emocional, ao tentar dizer que punir criminosos que já saíram do governo causaria “reversão de conquistas” (que, aliás, foram iniciadas pelo PSDB).

Conclusão: o PT está nas cordas. Pena que o PSDB seja muito ruim ao aplicar golpes (epa, epa… estamos falando de golpes legítimos em uma luta de boxe política) quando o adversário está nas cordas.

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