Abatendo vacas sagradas, tanto no curral direitista quanto esquerdista

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A grande diversão garantida pelos novos movimentos de esquerda, como neo ateísmo, feminismo radical e gayzismo, é a estipulação de um novo critério pelo qual podemos valorar crenças e comportamentos do oponente. Não é preciso ser de nenhum grupo diretamente atacado por eles para também se aproveitar deste novo critério.

O critério é o do desrespeito, que impõe o fato de que um comportamento, ou uma crença, devem ser motivo do ridículo, e não há nada que se possa fazer eticamente para fugir isso. O direito à liberdade de expressão torna-se inatacável.

Claro que alguns grupos terão que se acostumar com isso, e como exemplo evidente temos a irritação de islâmicos que não toleram a ridicularização de suas crenças. Logo, se quisermos manter o direito à liberdade de expressão como direito inalienável, teremos que forçar os islâmicos que vivem no Ocidente a suportarem a ridicularização de suas crenças e seus comportamentos, ao invés deles nos forçarem a não desrespeitá-los. Quando Barack Obama diz que os responsáveis pelo vídeo de desrespeito a Maomé devem ser punidos, está  pisando nos princípios defendidos por Voltaire a respeito da liberdade de expressão. É nesse momento que a retórica da esquerda pode ser ferida de morte.

Quando notamos que podemos ridicularizar quaisquer crenças, isso significa que pau que Chico bate em Francisco. Logo, quando um neo ateu lança atos de ridicularização a cristãos, por exemplo, simplesmente estabelece um critério pelo qual os neo ateus e humanistas podem ser ridicularizados em retorno. Quanto um grupo gayzista resolve ridicularizar conservadores (inclusive usando truques como dizer que “conservadores de direita são homofóbicos, e homofóbicos são gays enrustidos”), isso significa que em retorno podemos devolver todas as provocações de volta, e com juros. Feministas radicais ao criticarem o “machismo” mesmo quando observam atitudes naturais de muitos casais tradicionais, abrem o precedente para que elas mesmo possam ser vítimas de doses abundantes de escárnio.

Quando cristãos começaram a reclamar do neo-ateísmo, eu via pelo lado oposto. Se temos uma via, a da liberdade de expressão, e esta via tornou-se um princípio do qual não podemos fugir, não é reclamando dos atos de expressão do oponente que mostramos adaptação ao novo paradigma. Ao contrário, esta adaptação deveria ser mostrada através da visualização de uma nova oportunidade, pois o ataque de um grupo, pelas vias da liberdade de expressão, é a legitimação do direito do uso desta própria liberdade.

Um questionamento vital: qual o resultado disso? Claro que não significa que você deva sair xingando qualquer um que ver pela rua, mas sim entender que você tem um “caso” em mãos para exercer seu direito de liberdade de expressão contra os grupos de que você não gosta. Isso significa que, quando humanistas lutam para tirar o crucifixo das repartições públicas, lute para tirar o símbolo “Ordem e Progresso” da bandeira brasileira também. Quando um neo-ateu disser que rezar é coisa para dementes, diga que crer no homem é coisa de retardados. A via da liberdade de expressão é uma via de mão dupla, mas ela só pode ser plenamente explorada com a conscientização de que a liberdade de expressão é um bem que não pode ser dado a apenas um dos lados da discussão.

Claro que temos que nos apegar ao bom senso. Algum racista poderia querer xingar seu vizinho negro. Mas temos uma lei específica para permitir isso? Claro que não. Mas podemos questionar que se Samuel Jackson diz que “não vota em brancos”, pode-se criar uma tese dizendo que a frase “não voto em pessoas de outra cor que não a minha” está legitimada ou então não pode ser tolerada. Note que estamos problematizando a questão da liberdade de expressão através do uso de um critério. Da mesma forma, se alguém pode ser criticado por ler a Bíblia, por que não pode ser criticado por transar com outra pessoa do mesmo sexo? A maior das oportunidades do aproveitamento da liberdade de expressão reside no fato de que podemos questionar as reformas de senso comum do politicamente correto através do uso de simples comparações como “se ele pode dizer X de mim, por que não posso dizer X dele”?

Um exemplo claro é da criminalização do nazismo. Obviamente, eu acho o nazismo desprezível, assim como acho desprezíveis todas as religiões políticas. Pelo fato do nazismo defender um estado inchado e acreditar no “surgimento do novo homem”, é qualificado por mim como ideologia nociva. Mas o que o nazismo tem que o marxismo não tem? Em ambos temos incitação ao ódio, projetos de reforma da sociedade, uso de bodes expiatórios, propostas de quebra de princípios fundamentais de sociabilidade e, como agravante, uma grande contagem de mortos. Nesse caso, o marxismo ganha de lavada. Sendo assim, por que a suástica é proibida enquanto a foice e o martelo são liberados? Isso deve ser ferrenhamente questionado. Se um símbolo é criminalizado, o outro deve ser também. Mas se um é liberado, então o outro deve sê-lo também. (Detalhe: o nazismo, embora seja de esquerda, é erroneamente rotulado de sistema de direita por esquerdistas, o que serve para explicar por que símbolos nazistas são proibidos enquanto símbolos marxistas são liberados)

A liberdade de expressão não deveria ser utilizada para criar cenários como uma hipotética escola onde “se Bruno bater em Pedro, vai para a diretoria, mas se Pedro bater em Bruno, tudo bem”. Liberdade de expressão não pode ser utilizada como via de mão única, mas sim como uma ferramenta para que os grupos políticos, filosóficos, ideológicos ou culturais atuantes possam atuar dentro de certos limites de bom senso. O benefício de um grupo sobre o outro a partir da liberdade de expressão como via de mão única é abjeto.

Enfim, a proposta aqui é o uso incisivo do uso da liberdade de expressão, aproveitando-se desse princípio sempre que possível, sem quebrar qualquer tipo de lei, mas, se estas leis existirem, e não forem equânimes para quaisquer grupos em disputa (independente do lado em que se esteja), os próprios critérios para “deixar Bruno bater em Pedro, mas não deixar Pedro bater em Bruno” devem ser questionados.

Quando Hegel criou sua dialética, em que tensões podiam ser aplicadas a praticamente qualquer idéia, isso não foi feito para ser aproveitado apenas por esquerdistas, muito pelo contrário. A dialética de Hegel é considerada devastadora, pelo fato de ter sido utilizada apenas por um lado do duelo político. (Outro ponto de atenção: não confunda o uso da dialética de Hegel, que pode ser válido, com o fato de achar que ela será usada para conduzir a sociedade a um futuro inexorável através de um “devir”, o que, como este blog sempre demonstrou, é uma superstição)

Essa é a grande tragédia do movimento conservador de direita atual, incapaz de aprender com os novos paradigmas estabelecidos pelo oponente. E um desses paradigmas (que estou tratando aqui) é o da plena liberdade de expressão, junto com o direito de abatimento de vacas sagradas (ou seja, derrubada de proteção a temas que não podem ser discutidos) de seus oponentes.

O curral da direita já foi invadido há muito tempo por esquerdistas, que abateram todas as vacas sagradas que viviam por lá. Grotescamente, as vacas sagradas que vivem no curral da esquerda estão cada vez mais gordinhas, com as bochechas até róseas. Por que não abatê-las também?

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3 COMMENTS

  1. Bem lembrada a “injustiça” 😀 cometida contra a suástica em relação à “dupla dinâmica” Foice-e-Martelo.
    Lembrando mais uma vez que, antes de ser adotada e corrompida pelo nazismo, a suástica sempre foi um símbolo religioso *hindu* 😉

    E a pergunta que não quer calar: sabendo-se que a contra-paranóica “caça aos nazistas” é patrocinada primariamente pelos sionistas, e que o comunismo mundial possui uma significativa porcentagem de judeus, ¿ é procedente concluir que o sionismo também é um movimento de esquerda ? 🙂

    Nota: eu sinceramente sou da opinião de que o Estado de Israel “ressuscitado” é coisa do Diabo, especialmente porque ele é um projeto *maçônico* MUITO ANTIGO -.-

  2. SIM, PODEMOS INICIAR OS EXORCISMOS ÀS ELEIÇÕES PRÓXIMAS…
    SUA RESIDENCIA = PONTO DE ENCONTROS DE GAYS E LÉSBICAS; O PT AUXILIA, QUE TAL?
    Se v concorda com a niilista ideologia comunista do PT, como aborto, ódio ao cristianismo, especialmente da Igreja católica etc., como exemplo a homosexualização das escolas infantis pela “ideologia do gênero”: de perverter seu filho a juntar-se a gays e sua filha a lésbicas e os doutrinar no materialismo geral, eis aí a oportunidade de votar nos candidatos do PT e dar aquela “forcinha” e coincidir no título!
    Para alcançarem os objetivos de poder dominante recorrerm a casuísmos quaisquer, são-no por genética, Assim como em S Paulo o Lula se juntou ao conhecidíssimo Maluf, lá em Belo Horizonte- MG, Lula se aliou ao famoso Newton Cardoso, acusado de dar rasteira em cobra e nó em goteira, agora da coligação com o PT, do candidato Patrus, 13, muitos dizem ser o número do azar. Pelo menos o PT é um azarão!
    Se votar no PT, dentre mais, aguarde os resultados acima! Quem sabe, em breve luzinha vermelha à entrada de sua casa!

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