Rotina: Não são os empresários que criam o emprego, mas a demanda

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Vários adeptos da direita defendem que os impostos para as empresas (inclusive as grandes) sejam reduzidos, pois a saúde das empresas significaria uma maior empregabilidade para as pessoas que lá trabalham, assim como aumento do potencial de geração de emprego destas mesmas empresas. O raciocínio da direita é bastante lógico e coerente, embora a esquerda, que considera-se composta de “defensores de pobres”, defenda seu exato oposto.

Segundo a premissa da esquerda, que não faz sentido algum, como os empresários ganham mais, devem ser punidos por isso, pagando impostos excessivos para que o dinheiro seja revertido ao estado, o qual investiria nos pobres. Para reforçar o argumento, esquerdistas debruçam-se em um truque facilmente encontrado em qualquer uma de suas cartilhas: “não são os empresários que criam o emprego, mas a demanda”.

Nota-se que o cúmulo da estupidez é alcançado nesta argumentação, pois seria o mesmo que afirmar que não é o guerreiro da tribo que mata o leão que os ameaça, mas a própria necessidade de proteção. O fato é que mesmo existindo uma necessidade (instintiva) de auto-preservação humana, isso de nada valerá se não surgir alguém que se determine a lutar contra o leão. Da mesma forma para os empregos, se há demanda, isso não significa que todos queiram correr riscos para estabelecer uma empresa, e, enfim, deixarem de ser assalariados para se tornarem empregadores. Aliás, uma observação do mundo corporativo nos mostra que a maioria absoluta prefere o conforto de um emprego (onde sua força de trabalho é vendida) ao invés de correr riscos e criar sua própria empresa. É por isso que eu gostaria de achar algo que prestasse neste tipo de retórica esquerdista (de culpar os empregadores), mas não há um traço de honestidade intelectual no discurso que justifique minha caridade.

O argumento esquerdista conseqüente é ainda mais cretino pois ele omite o fato de que impostos cobrados em cima das empresas são replicados nos preços dos produtos que caem na mão do consumidor, ou seja, a taxação excessiva proposta em cima dos grandes empresários é paga, no fim das contas, pelo pobre.

Voltando à rotina “Não são os empresários que criam o emprego, mas a demanda”, para refutá-la é fácil demais. Se o esquerdista for um assalariado, demonstre uma demanda existente na sociedade e pergunte o motivo pelo qual ele não a aproveita. Ele dirá que “não quer”, se quiser fugir. Então questione-o de volta: “Mesmo que você não queira, nenhum de seus conhecidos quer aproveitar a demanda?” Ele provavelmente vai desconversar, e você poderá aproveitar o momento para apontar para a platéia que não basta haver a demanda, mas sim a disposição de pessoas em correrem riscos para atender à demanda. Ao se correr riscos, surgem os negócios e, consequentemente, os empregos. Caso ele responda à primeira pergunta dizendo que “quer”, então retruque: “Por que não faz, então?”. Isso por si só explicará muita coisa.

Quando a explicação é feita usando a linguagem simples, não é muito difícil mostrar que os esquerdistas são muito mais inimigos dos pobres do que “defensores” deles, pois querem atacar seus empregadores, usando taxações extras, que serão novamente cobradas do povo em retorno.

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5 COMMENTS

  1. Nesse caso, o que dizer do capital especulativo, que não atende demandas produtivas nem gera empregos? Essa característica justifica uma sobre-taxação sobre os ganhos daí provenientes?

    • Não, o capital especulativo tem uma importância indireta para o sistema produtivo, ele promove a realocação eficiente dos riscos, facilita a obtenção de credito e melhora a liquidez do mercado.

  2. Luciano, a julgar pela atual conjuntura política, a elite esquerdista quer tudo, menos a revolução socialista. Do jeito que está, eles(a elite) são os mais beneficiados.
    O argumento que você refutou é usado pelos idiotas úteis, prejudicando, como você mesmo demonstrou, os mais pobres. Eu só não entendo o porquê de tantos professores universitários defenderem este argumento falacioso(o da esquerda), sendo que, eles(os professores) estão entre os prejudicados.
    Por exemplo, um fiscal da fazenda de MT, ganha em torno de R$20.000,00(R$14.000,00 mais uma verba de R$6.000,00) possuindo apenas graduação para tanto. Um professor Dr. ganha mais ou menos 7.000,00 e no final de carreira(professor titular) ganha ainda menos que o fiscal(algo em torno de 18.000,00).
    Pergunta: há mais demanda para fiscal ou para professor? Claramente é para professor, todavia, o fiscal, é mais valorizado pelo próprio governo. E meus professores ainda ficam defendendo o governo.
    Pode ser que o exemplo do fiscal não seja o mais adequado, pois, o governo têm que pagar bem para quem “fiscaliza” a cobrança dos impostos(se já há corrupção com um salário desse, imagina se fosse menor). Entretanto não deixa de ser intrigante ver professores doutores defenderem um ideologia que lhes “exclui”. Não sei se há algum estudo sobre isso(o porquê das diferenças salarias), mas, uma coisa é certa: nesta greve de mais de 120 dias, a tal sociedade civil(criada pela esquerda), não moveu uma palha em favor dos professores.

  3. Ótimo texto Luciano. Curiosamente complementou, um texto que publiquei anteontem sobre os principais erros de Marx. Nele eu dou uma pincelada sobre a crença na natureza boa do ser humano, mas foco mais na acusação da burguesia como inimiga da sociedade.

    http://mundoanalista.blogspot.com.br/2012/10/os-principais-erros-de-marx.html

    O que acho mais interessante (e que não entra na cabeça do esquerdista) é que quanto mais empresas houver, e quanto menos impostos elas pagarem, mais competição haverá. Quanto mais competição, menos hegemonia. Quanto menos hegemonia, mais os empresários terão que achar um equilíbrio entre o preço final do produto, o salário dos funcionários e o lucro da empresa. Se houver desequilíbrio em qualquer desses aspectos, o empresário perde para a concorrência em alguma disputa.

    Já em um Estado de orientação esquerdista, onde o empresário é visto como inimigo, só os mais ricos sobrevivem à hostilidade; se tornam mais poderosos, criam hegemonias e podem fazer o que quiserem com relação a preços, salário dos funcionários e lucro. Ou seja, a exploração será maior.

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