David Pizarro e sua falsa meta-política

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Fonte: Blog do Mensalão (citando o The Globe and Mail – 15/03/2010)

Na batalha pela opinião pública, emoções são uma grande arma. Existem poucas estratégias melhores do que fazer as pessoas sentirem que seus posicionamentos são os corretos. A ideia de que manipular as emoções dos outros pode ser uma estratégia persuasiva efetiva está longe de ser nova, mas nos últimos anos, pesquisas confirmaram isso. Nós sabemos que  junto com ações motivadoras, emoções podem influenciar nossos pensamentos, decisões, ações e até nossas memórias. Porque muitas de nossas emoções podem ser provocadas de modo fácil e confiável, apelos emocionais estão entre as formas de persuasão mais eficientes.

Isto é angustiante para aqueles que por ventura ficaram no lado errado de uma campanha emocional de sucesso. Nos Estados Unidos, muitos liberais se tornaram frustrados com o surpreendente uso efetivo de apelos emocionais pelos Republicanos na última década. Eles viram como o medo pode motivar a aprovação de leis de segurança nacional que beiram o Orwelliano ou a divulgação de desinformação sobre a reforma dos planos de saúde, e como a linguagem do nojo pode ser usada para justificar a discriminação.

Em ambos os lados de debates como aquele, há uma suspeita de que emoções estão atuando em um papel perigoso e que força erros sistemáticos na formação do julgamento político público. E eles estão certos – uma grande variedade de descobertas recentes estão nos mostrando o quanto emoções parecem influenciar julgamentos nos domínios político e moral.

Medo, por exemplo, é uma emoção que motiva precauções com segurança e leva a uma percepção elevada de risco – muito útil quando se deseja evitar predadores. Mas como nossa resposta ao medo não está calibrada para as complexidades do nosso mundo social moderno, ele continua a influenciar nossos julgamentos. Medo faz os indivíduos tenderem a endossar medidas de segurança em detrimento de outras liberdades importantes, e encoraja o suporte a políticas conservadoras em geral. Um estudo mostrou que sempre que haviam avisos sobre terrorismo emitidos pelo governo, o público apoiou o presidente George W. Bush de forma contundente.

Em uma linha similar, nojo – uma emoção que nos protege de ingerir substâncias que nos causam danos à saúde – também porta um papel em julgamentos políticos. Indivíduos que ficam facilmente enojados no dia-a-dia têm maior tendência a serem politicamente conservadores, e têm maior tendência de se opor ao casamento gay. Deixar as pessoas enjoados em laboratório (com um odor fétido) deixou as pessoas mais homofóbicas. Infelizmente, uma emoção que servia para nos manter longe de comida ruim está afetando milhões de pessoas politicamente.

Não precisa nem dizer, nós temos boas razões para ficarmos alertas com as emoções. Mas como nós abordamos o problema? Uma maneira é tentar tirar nossas emoções de cena completamente. Mas isto é um equívoco.

Primeiro, isto é inconsistente com o que sabemos sobre psicologia humana. Um agente racional livre de emoções (como o Spock do Star Trek) simplesmente não é possível. Emoções são uma parte tão profunda de nossa psicologia e de nossa fisiologia que quando nossos sistemas emocionais sofrem danos, nossa habilidade de engajar em pensamentos racionais sofrem da mesma forma. E sem a motivação que nossas emoções fornecem, nós poucos nos importaríamos em fazer alguma coisa.

E segundo, nós parecemos valorizar profundamente a presença de certas emoções nos outros. Nós nos importamos se os outros sentem as emoções certas nas horas certas. Quando nossos líderes tentam ser muito desapaixonados, eles correm o risco de parecerem menos humanos. Isto foi visto nas eleições presidenciais americanas de 1988, quando Michael Dukakis foi perguntado se ele se posicionaria a favor da pena de morte caso sua esposa fosse estuprada e assassinada. Ele respondeu “Não”, e depois se colocou na defensiva. Muitos viram este momento como o prego no caixão de sua campanha. Nós queremos que nossos líderes compartilhem de nossas emoções porque isso sinaliza que ele compartilha nossas prioridades. É por esse motivo que Barack Obama foi muito mais efetivo como um candidato passional do que ele tem sido como presidente professoral.

Mas há uma outra estratégia que parece igualmente arriscada: abraçar com todo o coração o apelo emocional. Se o outro lado utiliza-o, logicamente, devemos usá-lo ainda mais.

Nessa linha de raciocínio, eu fui questionado várias vezes como os liberais podem usar o nojo da mesma forma que os conservadores. Isto me preocupa. Primeiro, que uma estratégia assim irá simplesmente fazer as pessoas racionais no outro lado do debate a levantar os braços para cima frustrados.

Mas mais importante, apesar de não podermos ser criaturas sem emoções, somos capazes da racionalidade. E apesar de ser verdade que pessoas racionais possam ter divergências profundas, eu continuo acreditando que o discurso racional é nossa melhor chance de chegar a um consenso. O que precisamos é de debates acalorados – do tipo de participação engajada no discurso político capaz de usar apelos emocionais para suportar argumentos racionais. Mas talvez eu esteja sendo muito otimista.

David Pizarro (professor assistente de psicologia na Universidade de Cornell. Este artigo faz parte da divulgação Simpósio Walter Gordon de Políticas Públicas 2010 oferecido pelo Colégio Massey e pela Escola de Políticas Públicas e Governança da Universidade de Toronto – Canadá)

Meus comentários

Eis que, depois de uma série de chiliques e lamúrias humanistas, o Blog do Mensalão publica algo mais consistente (embora cheio de truques, é claro).

Seja lá como for, para entender o texto é preciso compreender que os esquerdistas norte-americanos usam o truque de se auto-rotularem como “liberais”, exatamente para conquistarem emoções positivas, o que, portanto, já configura o autor David Pizarro como um executor da estratégia que simuladamente critica.

Segundo Pizarro, os esquerdistas “se tornaram frustrados com o surpreendente uso efetivo de apelos emocionais pelos Republicanos na última década”, mas podemos dizer que o cerne da ideologia esquerdista é a manipulação emocional, desde os tempos da Revolução Francesa. O discurso de Marx, com pregação de ódio contra os burgueses, ao mesmo tempo em que simulava estar do lado dos proletariados, era a execução desta estratégia. Ou seja, se Pizarro critica o uso efetivo de apelos emocionais pelos Republicanos na última década, pode-se de forma muito mais convincente criticar os apelos emocionais dos esquerdistas nos últimos 300 anos. Enfim, desde o surgimento do esquerdismo.

Quando Pizarro afirma que “medo faz os indivíduos tenderem a endossar medidas de segurança em detrimento de outras liberdades importantes, e encoraja o suporte a políticas conservadoras em geral”, está obviamente enrolando o leitor, pois o medo também é usado com extrema eficiência pelos esquerdistas. No passado, quando muitos ainda acreditavam na lorota esquerdista de que o fascismo era de direita (quando na verdade era de esquerda), este era um efetivo apelo ao medo praticado por qualquer esquerdista que se preze. Quando eles dizem que os conservadores cristãos “querem implementar uma teocracia e queimar os cientistas na fogueira”, também estão usando o apelo ao medo.

Segundo Pizarro, o “nojo” também seria uma emoção de pessoas que tem “maior tendência a serem politicamente conservadoras, e têm maior tendência de se opor ao casamento gay”, mas o curioso é que o nojo também é uma sensação explorada pelos esquerdistas contra os padres, por exemplo. Hoje raramente pode ser encontrado um conservador com tanto nojo de um gayzista como um esquerdista com nojo de um padre. Aliás, o que é o neo-ateísmo, tão investigado por este blog, senão uma tática esquerdista para gerar tamanho nojo dos religiosos quanto nazistas o fizeram para gerar nojo dos judeus nos primórdios da Alemanha Nazista?

Um belo truque de Pizarro ocorre quando ele declara que foi “questionado várias vezes como os liberais podem usar o nojo da mesma forma que os conservadores”. O engraçado é que é impossível os esquerdistas usarem as emoções de medo e nojo contra os conservadores mais do que já fazem, pois basicamente é isso que eles fazem o tempo todo.

Pizarro conclui declarando o seguinte: “eu continuo acreditando que o discurso racional é nossa melhor chance de chegar a um consenso”. Pena que seu texto seja uma evidência que esmaga toda sua encenação, pois tudo o que o autor esquerdista faz é usar emoções a seu favor, tentando fazer o leitor de esquerda aumentar seu ódio dos conservadores. Na perspectiva da análise de discurso, Pizarro nada mais faz que executar auto-apresentação positiva e outro-apresentação negativa o tempo todo, mesmo fingindo que está tentando “sair do jogo político”.

Mas quem assume um dos lados do jogo político, obviamente já é parte da guerra cultural, e, exatamente por isso, de uma forma muito mais realista, este blog defende que trucagens como a de Pizarro sejam neutralizadas à partida. Ao invés de acreditarmos em auto-rotulagens e truques de encenação para simulação de uma imparcialidade que não se possui, entendemos um fato já aventado por Aristóteles há muito tempo: o homem é um animal político. Como tal, naturalmente, devemos ser céticos em relação à tentativas de apelo emocional de qualquer tipo, especialmente aquelas que visam a conquista da platéia com truques de rotulagem e manipulação das emoções. Ao suspeitar deste tipo de abordagem, este blog adquiriu uma personalidade particular.

Pizarro é como aquele típico jogador de futebol que diz estar lutando pela “ética no esporte”, reclamando dos erros do juiz, apenas quando o juiz erra contra o seu time, é claro. Quando o juiz errar a favor do seu time, ele dirá, com um sorriso no rosto: “a atuação do juiz foi impecável”. Quando ele alega que talvez “esteja sendo muito otimista”, na verdade ele está sendo muito estrategista. Isso, é claro, até o dia em que seu texto é visto por um investigador de fraudes intelectuais. Foi o que ocorreu agora.

Sendo que Pizarro executa truques a todo momento, o que há de tão interessante em seu texto? Tecnicamente, há o reconhecimento de que as emoções (e as manipulações delas) são armas fundamentais na guerra política, e são utilizadas com eficiência para a obtenção de resultados. E, em uma abordagem que posso denominar de falsa meta-política (a simulação de que se está fora do jogo político, fingindo agir de forma imparcial, exatamente para implementar uma forma mais sofisticada de jogo), vemos que o jogo político é inevitável.

Essa é a grande diferença vista na perspectiva do ceticismo político aqui defendido. Enquanto Pizarro luta para fazer auto-venda o máximo que conseguir, este blog diz que você não deve acreditar em auto-venda de qualquer tipo, e investigue seu adversário o máximo, achando os erros dele, pois o seu adversário só vai achar erros em você, mas jamais nele. Entender isso é entender a essência de métodos como ceticismo político e o duelo cético, aqui defendidos. Essa é a única forma de ceticismo coerente com o entendimento do que o ser humano de fato é.

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9 COMMENTS

  1. Bruno Almeida já ficou indignado:

    “Bem, aconteceu EXATAMENTE como previ: Pizarro seria tomado como m esquerdista. Afinal, ele foi citado aqui, por mim, então só pode ser esquerdista. Óbvio!

    Tem gente que vai quebrar a cara feio quando descobrir que existem artigos científicos provando a tese de que conservadores são pessoas com mais nojo, em geral. Mas fazer o que, tem gente que argumenta por plausibilidade e tem gente que argumenta com fatos observados de forma empírica. E assim caminha a humanidade…”

    • O Bruno realmente tem problemas seríssimos de lógica. O fato é que David Pizarro não foi reconhecido como esquerdista pelo fato de ser citado no blog do Bruno, mas sim pelo fato de fingir que os esquerdistas “pensavam em fazer” algo que já faziam há muito tempo, e eu citei exemplos claríssimos. O Bruno foi incapaz de refutar estes exemplos.
      Bruno alega que existem “artigos científicos provando a tese de que conservadores são pessoas com mais nojo”, mas temos que saber se estes artigos surgem da área de ciencias naturais ou ciencias humanas. Neste último caso, a chace de viés é fortíssima, e portanto o mero artigo científico não significa prova de nada.
      É fácil demais fraudar um artigo “científico”, e muito mais fácil tê-lo aprovado, se a alegação vêm de um grupo que tem hegemonia acadêmica (lembremos da estratégia gramsciana).
      Vamos a um exemplo. Suponhamos que eu cite como “mudanças” 8 propostas que são da esquerda, mas não da direita. Exemplo: “apoio ao casamento gay” ou “apoio ao aborto”. Eu não tenho nada contra ambos, mas sei que os conservadores reagem a essas mudanças.Entretanto, “reduzir os impostos de 30% para 15%” também é uma mudança. Só que em um questionário, o “cientista” de esquerda não elencará esta mudança da direita, apenas as 8 mudanças da esquerda. Ficará fácil para o esquerdista apontar “os conservadores são mais contra mudanças que os esquerdistas”. Eis então um modelo de fraude descoberto.
      Deve ser terrível para a mente do Bruno notar que ele duela com alguém que investiga fraudes corporativas o tempo todo e descobre modelos de como as fraudes ocorrem. Ele realmente vai ter muitas decepções pela frente.

      • Diferente do que o Bruno e outros “adoradores da Ciência” pensam, o meio acadêmico é demasiadamente influenciado por interesses pessoais, paixões, e disputas por verbas e financiamentos, conforme nos alertou Peter Berger, autor do livro “Invitation to Sociology” na década de 1960. Muito antes disso, já existia o impiedoso texto “The higher learning in America”, de Thorstein Veblen.

        Luciano, será que algum dia vão te convidar para fazer auditorias numa USP da vida, por exemplo? 😛

      • Olha, se eu fizer auditoria na USP, vou achar muita coisa. Na verdade, o meio acadêmico hoje deve ser investigado. Tecnicamente, só dá para confiar naquilo que é neutro e diretamente testável. O resto merece investigação séria.

      • E aqui vai *mais uma* obra que desmascara o mundo da atividade científica — embora eu já soubesse da existência desse livro há mais de 20 anos, somente hoje é que eu arranjei vontade de ler o mesmo, fazer o quê? =^.^=

        “The Double Helix”, de James D. Watson, o próprio 😉

        http://en.wikipedia.org/wiki/The_Double_Helix

        OBS.: o verbete na Wikipedia é só uma referência pouco confiável,
        nada substitui ler o maldito 🙂 PDF.

  2. Bruno: “Vejam o nível ao Conde chegou. Ele diz que FAZER adoçante COM as células é a mesma coisa que TESTAR adoçante NAS células. Então, se é a mesma coisa, qualquer pessoa que afirme uma ou outra coisa está dizendo a verdade! Porque estou mentindo se para ele é tudo a mesma coisa? E outra, quem olhar o meu texto original, vai entender a questão e me dará razão. Em momento algum eu disse que a Pepsi fez algo correto ou não, eu só apóio a tese de que o Olavo noticiou de forma errada: do jeito que ele colocou, a PEPSI estaria sim fazendo algo absurdo, mas o que ela realmente fez é discutível e fica a carga do freguês fazer qualquer julgamento.” “A Pepsi nunca usou células humanas para FAZER adoçante, como o Olavo disse. A Pepsi usava as células para TESTAR novos adoçantes, o que faz toda a diferença.”
    Conde: “Vc tem uma mania patológica de mentir e distorcer a realidade. Testar novos adoçantes é o que, imbecil? Não é lançar novos adoçantes no mercado? Não é criar, a partir das células, novos gostos e sabores? Essa é a sua “refutação” à afirmação do Olavo? Que grande mentiroso e covarde vc é, não é mesmo? Embusteiro, vigarista, homenzinho visivelmente inculto, desonesto, embusteiro e charlatão.”
    Bem feito para o Bruno, mentiroso de esquerda merece ser desmascarado mesmo.

  3. Bruno tentando mostrar que é imparcial:

    “Olha o Bruno usando truques de novo:
    “Provavelmente – do verbo quase certeza, esse post irá gerar um pouco de controvérsia por defender um ponto de vista aparentemente liberal. Como esse blog é antes de mais nada sobre ateísmo, os maiores opositores ao conteúdo daqui são conservadores ferrenhos. E conservadores mais extremados, assim com marxistas mais extremados ou assim como qualquer outro ideologista mais extremado, se ofende com qualquer crítica que recebe.
    Mas o negócio é o seguinte: esse texto está aqui porque eu gosto de outros trabalhos deste autor e porque achei que a ideia central dele está bem próxima a uma ideia que defendo: a de que a razão não é uma obrigação e de que devemos levar em conta as nossas emoções quando julgamos nossas próprias ideias – e não esperar que ninguém aja ou discurse de maneira puramente racional.
    Contudo, os exemplos usados neste texto são todos políticos. Devemos tomar um certo cuidado, pois a ideia de que não podemos agir de modo puramente racional não pertence ao campo de estudos políticos. Essa ideia pertence mais à teoria da mente e à psicologia. E os exemplos políticos dele estão bem neutros. Se alguém se condoer com o fato dele apontar o uso de certas emoções como armas políticas dos republicanos, peço que esses “alguéns” se lembrem que ele criticou a postura fria de uma candidato a presidente democrata e que ele disse que o Obama foi um bom candidato por ter feito uma campanha passional, mas que seu governo não tem tido muito êxito.
    Por fim, ele defende uma ideia bem interessante: a de que um lado do debate não pode apelar às emoções da mesma forma que o outro lado, ou só porque o outro lado assim o fez. Vamos falar sério, se ele fosse esquerdista, ele jamais recomendaria os liberais a não usarem esse tipo de estratégia, ele seria o primeiro a encorajar, certo? E não, ele não insinua que os liberais não fazem apelo a emoções; na verdade, ele dá um puxão de orelha nos liberais que querem aprender como usar o nojo. Por fim, ele diz que se os liberais agirem assim, irão simplesmente frustrar a parcela mais inteligente dos republicanos. Ou seja, ele disse que existem republicanos racionais! Que esquerdista diria algo assim?
    E tem mais uma: pouco me interessa se o que veio primeiro foi o ovo ou a galinha, ou se quem começou a abusar das emoções na política foi um lado ou o outro. Ambos os lados juram que foi o outro… patético. O que me interessa é: qual lado vai abrir mão primeiro? Tá, eu sei, tô sendo otimista, mas fazer o que? Esse negócio é contagioso.””

    • Nota-se que Bruno e eu estamos em oposição em relação ao ceticismo.
      Ele diz que “devemos levar em conta as nossas emoções quando julgamos nossas próprias ideias”, mas isso não significa que ele “julgará as próprias idéias” de forma racional. O grande truque dos auto-céticos é fingir que se “auto-questiona”. O problema é que o auto-questionamento nunca é observado. Por isso é uma boa idéia sermos “críticos em relação a idéias que aceitamos” mas não que “devemos” fazer isso. Fazemos se quisermos, conforme nossa conveniência. Entretanto, se quisermos alguma qualidade no debate, “devemos” questionar “as idéias de nosso oponente”, pois este tende a aceitar suas idéias por CONVENIÊNCIA, ao invés do valor de verdade nelas.
      Notaram a diferença absoluta entre minha filosofia e a do Bruno?
      Eu reconheço como o ser humano é, e ele parte de um ser humano idealizado, para fingir que é um destes seres humanos. Ao contrário, eu esmago este tipo de credulidade com exemplos mostrando que as pessoas só questionam suas próprias idéias quando é conveniente para elas, e que, ao invés de confiarmos em “auto-julgamentos”, devemos priorizar o questionamento aos oponentes.
      Bruno também diz que “a ideia de que não podemos agir de modo puramente racional não pertence ao campo de estudos políticos”, e segundo ele pertence à teoria da mente e a psicologia. Não importa, pois os estudos políticos tratam desta questão há muito mais tempo também. Portanto, saber usar as emoções da patuleia é uma arte política, goste o Bruno ou não.
      Bruno tenta dizer que Pizarro tem “exemplos políticos” que seriam “bem neutros”. Vejam as provas dele:
      1 – Ele criticou Dukakis (ué, mas o próprio David Horowitz critica republicanos por serem ingênuos politicamente também)
      2 – Ele diz que Obama foi bom candidato por ter feito uma campanha passional e o governo não teria tanto êxito (o que impede que um esquerdista critique Obama? Aliás, vários petistas extremos criticam o PT no governo, isso os torna de direita?)
      3 – Ele disse que há pessoas inteligentes do outro lado (sim, dizer que há “pessoa inteligentes com idéias erradas” do outro lado é uma tática política, como Michael Shermer faz, isso não torna alguém neutro)
      Notem o que Bruno diz: “Vamos falar sério, se ele fosse esquerdista, ele jamais recomendaria os liberais a não usarem esse tipo de estratégia, ele seria o primeiro a encorajar, certo? E não, ele não insinua que os liberais não fazem apelo a emoções; na verdade, ele dá um puxão de orelha nos liberais que querem aprender como usar o nojo. Por fim, ele diz que se os liberais agirem assim, irão simplesmente frustrar a parcela mais inteligente dos republicanos. Ou seja, ele disse que existem republicanos racionais! Que esquerdista diria algo assim?”
      Na boa, ele está achando que participa de duelos céticos com ingênuos? O truque de “se ele fosse X, jamais faria Y” é uma tática constante do debate dele, e nunca se coaduna com a realidade. O fato que se alguém é X, pode fazer Y sendo que Y é parte de uma estratégia para aumentar a credibilidade do discurso. As provas de Bruno para a “neutralidade” de Pizarro são todas patéticas, inconclusivas, e não refutam nenhuma das provas para a ausência de neutralidade dele que eu trouxe.
      Bruno por fim tenta mais um discurso em que finge ser neutro, dizendo “O que me interessa é: qual lado vai abrir mão primeiro? Tá, eu sei, tô sendo otimista, mas fazer o que? Esse negócio é contagioso.”
      Não, ele não está sendo otimista, está sendo mentiroso. Quem quer que leia qualquer material escrito por Bruno verá que ele prega uma agenda política humanista claríssima, mas gasta metade do tempo encenando que “luta pela neutralidade”. Como este truque já foi mapeado por este blog, resta a ele tentar encenar com mais ênfase, mas geralmente ele mete os pés pelas mãos, e torna-se facilmente refutável.
      O mais irônico é que a postura dele dá um alicerce fortíssimo para uma das teses deste blog:
      1 – não adianta confiar em auto-validação independente dos oponentes
      2 – ela não ocorrerá, e mesmo que eles defendam em público essa noção, cairão em contradição muito fácil
      3 – por isso, precisamos de um framework focado em questionar as alegações políticas da outra parte

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