Fechando o caso a favor do ceticismo político e do duelo cético

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Muitas vezes quando sou questionado em relação ao meu desrespeito com alguns filósofos do passado e ideólogos do presente, sinto que ainda alguns não entenderam os motivos para esta abordagem aqui defendida, e tenho que, de uma vez por todas, deixar claro que meu estilo é proposital. É uma abordagem deliberada, que visa implementar as melhores práticas da auditoria e investigação de fraudes no mundo corporativo ao mundo filosófico, político e ideológico. Foi aí que surgiram meus paradigmas do ceticismo político e do duelo cético.

Tudo começou de forma aparentemente trivial, quando um neo-agnóstico (eu, na época influenciado por Robert Anton Wilson) acompanhou uma série de embates virtuais, nos quais leitores de Carl Sagan levavam extrema vantagem sobre um grupo de projetistas astrais. Curiosamente, com o tempo descobri que estes mesmos “céticos” eram extremamente crédulos em relação a outras crenças. Tempos depois, fui duelar com neo-ateus, nos tempos em que eu era teísta. Estes neo-ateus se declaravam como “adeptos da razão e da ciência, para nos tirar de um mundo de trevas”. Mas foi só uma investigação aprofundada para notar que ali também havia uma série de credulidades, irracionalidades e um uso extremamente deturpado da ciência. Em resumo: adeptos de Carl Sagan se auto-alegavam céticos mas eram extremamente crédulos em relação a crenças absurdas, enquanto os neo-ateus, que alegavam serem defensores da razão e da ciência, ignoravam a primeira e deturpavam a segunda (seria melhor rotulá-los, então, de inimigos da razão e da ciência).

A contrário da maioria dos debatedores no território virtual, eu jamais esperava algo de meus oponentes, e preferia ficar mapeando os padrões de discurso, uma influência da experiência com bases de conhecimento para gestão da segurança da informação. Administradores de segurança em TI costumam usar o IDS (Intrusion Detection System), que chega a monitorar automaticamente padrões de atividades maliciosas. Estes padrões são modelos de eventos que estão em uma base de conhecimento. Em outra divisão da Segurança da Informação, há o estudo da Engenharia Social com foco no uso da influência para obtenção de vantagens no meio corporativo. O mero uso deste mindset já muda totalmente a perspectiva na hora de se avaliar atividades suspeitas que venham de qualquer fonte. Com os ideólogos de esquerda (o meu objeto de análise, principalmente depois que expandi a análise do neo-ateísmo para todo o esquerdismo) eu não podia agir de forma diferente.

Entretanto, como eu poderia usar um insight poderosíssimo do mundo corporativo para demolir toda a (ilusória) noção de ceticismo que tínhamos no passado? Foi até simples demais. Basta perceber como as auto-rotulagens funcionam no mundo corporativo. Se alguém disser “Eu tenho certificado PMP”, não vai demorar para um superior lhe questionar: “Opa, interessante, qual o número?”. Se for mentira, de cara temos alguém que entra em maus lençóis. Se alguém disser: “Eu sou um adepto dos resultados”, não raro ouvirá em retorno  “Muito bom, muito bom mesmo, vou avaliar seus indicadores e voltamos a falar”. Claro que se os indicadores não forem animadores, a expressão “eu sou um adepto dos resultados” vai por água abaixo. No mundo corporativo isso é tão natural (mais ainda por auditores, em qualquer instância) que já está no DNA de qualquer um que tenha atuado em empresas grandes. Já no mundo filosófico, especialmente o acadêmico, e, por consequência, no ambiente ideológico e político, a coisa parecia sempre funcionar de forma exatamente oposta. Alguém dizia “estou do lado da razão”, e o oponente não checava. Outro afirmava “a ciência me norteia a todo momento”, e, para variar, era uma afirmação que não passava por checagem. Não demorou para que eu mapeasse cinco rotinas, as quais, executadas consecutivamente podem trazer um poder que raros místicos tinham no passado. Em suma, a capacidade de dominar a mente dos incautos, convencendo-os de um poder que na verdade não se possui. Só que a mera crença do ingênuo já é o que o “mago” ambiciona. As cinco rotinas são:

  1. Cético universal: O uso do termo cético, sem o uso do objeto referenciado, para convencer a platéia de que esta pessoa tem um pensamento crítico em relação a todas idéias que aceita. O objetivo desta rotina é tentar convencer a platéia de que se é mais confiável.
  2. Auto-cético: Sequência do truque anterior, no qual alguém tenta convencer a platéia de que as suas idéias  aceitas já foram auto-validadas. Novamente, o objetivo é convencer a platéia a acreditar no que você diz?Isso porque o truque embute a idéia de que você já fez a validação das idéias. Elementar, meu caro.
  3. Cético verdadeiro, contra os falsos: Rotina utilizada para que alguém se defenda caso seja desmascarado nos dois truques acima. O truque envolve repetir incansavelmente a noção de que se é um “verdadeiro cético”, e o falso, que está questionando seu ceticismo, é um “falso cético”.
  4. Dono da razão: Agora, o rótulo já muda um pouco, e o truque é definir-se, novamente por repetição, que “está do lado da razão”, e os seus oponentes ideológicos “contra a razão”. O truque baseia-se em ser percebido pela platéia como alguém mais confiável, e, portanto, é apenas uma variação dos 3 anteriores.
  5. Representante da ciência: Aqui, basicamente, o foco é em se auto-declarar representante da ciência, como também simular que “está do lado dela”, e seus oponentes “contra a ciência”. O truque envolve simular âncoras positivas nos ouvintes, que inconscientemente associarão o propagador da rotina às maravilhas da tecnologia.

Qualquer positivista ou humanista que se preze tem que dominar as cinco rotinas acima e encontrar formas de sempre embutir nos seus textos uma ou mais delas. Autores mais tarimbados nestes truques, como Carl Sagan, Bertrand Russell e Richard Dawkins, são (ou foram, no caso dos que já morreram) capazes de criar simulações de livros inteiros com ênfase no aproveitamento destas rotinas.

No mundo corporativo, o uso de rotinas similares resultaria em ridicularização de seu praticante, caso os rótulos não fossem comprovados. No mundo filosófico, sempre resultaram em poder. Eis então que cheguei à conclusão de que esquecemos o objetivo primal do ceticismo original, que era justamente eliminar o apelo à autoridade que pajés e sacerdotes utilizavam. Um dizia controlar os poderes da natureza, e dominava assim a mente dos incautos. Um outro dizia que era o enviado de Deus, e assim fazia a patuleia se rebaixar a seus pés. Positivistas e humanistas estão há 300 anos basicamente fazendo o mesmo que os antigos pajés faziam, usando para isso uma falsa concepção de ceticismo que eles mesmos implementaram na massa.

Foi muito simples para eles implementarem essa falsa concepção de ceticismo. Bastaria que eles ficassem questionando a religião tradicional e/ou o paranormal o tempo todo (de forma esforçadíssima, não podemos negar), para criar no inconsciente coletivo a noção de que o ceticismo se resumia a questionar Deus e a existência do sobrenatural. Ao usurparem o rótulo “cético” (com o uso de verbos não especificados, de acordo com a rotina Cético Universal) era exatamente isso o que estavam fazendo. Tendo convencido a platéia (e seus adversários) de que estavam sendo “os céticos, contra crédulos”, e também sendo “donos da razão” e “representantes da ciência”, conseguiam, enfim, ganhar qualquer debate de que participavam, não pelos seus argumentos, mas pela conquista da mente dos incautos. Enfim, os novos pajés são os humanistas. (Hoje em dia fala-se pouco em positivismo e muito em humanismo, que assimilou todas as rotinas dos positivistas, portanto prefiro tratá-los todos por “humanistas”, sejam eles leitores de Sam Harris ou Auguste Comte)

Então o que este blogueiro resolveu fazer? Nada mais nada menos que retomar o princípio original do ceticismo, que era o questionamento à autoridade, para enfim eliminar certos dogmatismos da frente. Logo, se alguém tenta ganhar o jogo por rotulagem, de imediato este deve ser questionado. “A ciência diz que eu estou certo em minhas idéias” é uma frase que automaticamente deve ser investigada, tanto quanto “Uma revelação divina me disse que você deve se entregar a mim”.

Foi quando redefini o termo ceticismo político, em uma abordagem totalmente da qual Bertrand Russell fez em “Ensaios Céticos”. Ele próprio um usuário das cinco rotinas mencionadas aqui, dizia que tinha “um ceticismo contra políticos”, e defendia que uma série de “peritos” deveria conduzir a sociedade. Obviamente, uma teoria que não passa no crivo cético de qualquer um que queira investigá-la criticamente. Russell tentava ainda convencer a platéia de que estaria “fora do jogo político”, quando na verdade a simulação de imparcialidade é naturalmente um truque para obtenção de vantagem política. Portanto, minha definição de ceticismo político trata de um tipo de ceticismo em direção à quaisquer alegações políticas, sendo que uma alegação é política quando, se aceita, ela é capaz de gerar vantagem para alguém (ou algum grupo) que a propaga.

Atenção: meu paradigma não substitui o ceticismo filosófico pelo ceticismo político. O ceticismo político apenas surge como um paradigma adicional para não nos deixar esquecer de que o objetivo original do ceticismo é o questionamento a autoridade, especialmente a falsa autoridade. Aquilo que pode parecer um “preciosismo” à primeira vista é na verdade a preocupação com um uso intencionalmente deturpado de termos como ceticismo, razão e ciência para a conquista da mente da platéia e, consequentemente, a conquista do poder.

Todas as ideologias revolucionárias foram criadas por pessoas que usavam as cinco rotinas (ou ao menos a maioria delas) em seus textos. Se o cérebro da platéia já havia sido “desligado” após o uso em ritmo bate-estaca das rotinas, o resto ficaria fácil para eles. No advento do Iluminismo, após a estipulação de ideólogos que usavam os cinco truques como os principais membros da elite filosófica, a implantação de teorias absurdas como “poder global” ou “ditadura do proletariado” foi uma questão de tempo. Ora, se alguém já se “auto-valida”, como suas idéias podiam estar erradas? Foi aí que surgiu a religião política. Truques novos surgiam dia após dia, e não demorou para que aquilo que chamamos de mundo filosófico se tornasse, em sua maior parte, um cenário para execução de truques de ilusão, com técnicas de ressignificação dignas da PNL, recursos de hipnose e tudo o mais. Nada mais previsível, pois o ceticismo, que deveríamos utilizar como um “escudo” contra esses truques, já havia sido gravado na mente do público como algo a ser usado somente contra o sobrenatural.

Um exemplo claro do que ocorria era o fato de alguém poder dizer que “o homem é bom, a sociedade o corrompe” e que “a história inexoravelmente terá um fim, com o fim do sofrimento humano”, idéias ridículas, sem passar por questionamentos incisivos (ou, se passassem, os seus questionadores sequer eram ouvidos), pois estes mesmos alegadores já tinham convencido a platéia de que eram “céticos, contra crédulos”. Logo, só podiam questionar, não serem questionados – eles nem afirmavam que não podiam ser questionados, mas a percepção de “ceticismo universal” que implantavam na patuleia já lhes dava este poder de não serem colocados sob um crivo cético. Eis então que criou-se um novo tipo de diversão, baseada nesta regra: “Basta criar qualquer promessa a ser realizada (no futuro), para obtenção de poder (no presente), pois o senso crítico da patuléia está desligado em direção a você. Não se esqueça de passar uma parte do tempo questionando quiromancia e horóscopo para ser reconhecido como ‘um cético, contra crédulos’ ou alguém do lado da razão e da ciência”.

Já deu para notar que estou plenamente justificado a usar um paradigma que nos lembre deste tipo de truque psicológico o tempo todo, e o ceticismo político, em sua abordagem nua e crua do ceticismo, não nos deixa esquecer disso. Todo o tempo seus oponentes tentarão tirar vantagem de você, e é você que deve questioná-los, já que eles não farão isso. Por que fariam? Se eles estão obtendo a vantagem em cima de você com o aceite das idéias deles, é você que deve colocá-los na parede. Se você não o fizer, terá que assistir a tomada de poder de seus oponentes políticos, e, pior, agora não poderá mais alegar “nossa, que surpresa” pois eu te expliquei exatamente o que acontece.

Novamente ressalto que este meu paradigma de análise só pôde surgir, é claro, por causa das influências do ceticismo corporativo, onde visualizamos o ser humano como ele realmente é, ao invés de um ser humano idealizado, que não tem nada a ver com o ser humano de fato. Quase todos os ideólogos e filósofos que estão doidos para obter poder totalitário ou dar este poder aos seus protetores e financiadores lhe dirão exatamente o oposto: “Sendo o homem puro e bom, buscador da verdade e da razão suprema, juntos chegaremos lá”. São estas ingenuidades (simuladas ou não, e aposto no primeiro caso) que tem dado um poder tremendo a adeptos da mentalidade revolucionária. Mas, como já mostrei, elas partem de um ser humano idealizado. No mundo corporativo, se víssemos consultores ignorando a essência humana já os chamaríamos de picaretas, de imediato.

Alguém ainda poderia objetar: “Mas defender isso não é defender o verdadeiro ceticismo!”, no que eu pergunto: “E o que é o verdadeiro ceticismo?”. A resposta tende a ser algo assim: “É quando alguém se questiona, livre de dogmas e quaisquer pré-concepções, qualquer idéia”. Eu, obviamente, sou fulminante: “Me dê exemplos de pessoas assim”. Claro que todas as tentativas dele vão fracassar, especialmente aquelas nas quais tentar convencer a platéia de que ele próprio é este “verdadeiro cético”. Para saber que estes “céticos independentes e verdadeiros, em alguns casos até universais” são um conto da carochinha, basta estudarmos uma série de armadilhas mentais que acometem a espécie humana. Encontrarmos coisas como efeito backfire, pensamento de grupo, viés emocional, auto-engano e coisas do tipo… na totalidade da espécie humana. O “validador independente” não existe. Ora, se este “cético verdadeiro” não existe de fato, vamos então nos contentar com os “céticos que existem de verdade”, que são apenas os céticos relacionados a temas específicos. Logo, um ateu é um cético quanto a Deus, mas poderá ser crédulo em relação a outras ideologias, um teísta é crédulo em relação a Deus, mas cético em relação ao discurso ateu, e assim por diante. Ceticismo e credulidade deixam de ser termos para utilização absoluta, e tornam-se relativos, assim como expressões do tipo “fazedor”, “consultor”, “médico”, pois se alguém é “fazedor”, é por que faz alguma coisa (especifique o que é, oras), se é consultor é por que se especializou em algumas áreas de conhecimento (diga quais, por que não?), e se é médico é por que também tem uma especialização (e dá para ver no diploma dele claramente qual é).

Outro ponto a meu favor neste tratamento ao ceticismo é que o tal “cético absoluto” ou “verdadeiro cético independente” só pode existir a partir de uma declaração de alguém a respeito de seu estado mental. Ou seja, as “dúvidas independentes, isentas de paixão”, conforme pedia Bertrand Russell, não existem senão em um plano mental, e teremos que acreditar na palavra de alguém que declare ter estes pensamentos. Entretanto, podemos observar uma única parte do ceticismo, e esta é o questionamento dele resultante. Quer dizer, mesmo que alguém declare que “é um cético de forma absoluta”, o máximo que podemos observar a partir desta pessoa é o questionamento (seja feito em vídeo, post, por forma oral ou escrita, tanto faz) que surge a partir de um estímulo para realizar este questionamento. E este questionamento nunca será absoluto, mas direcionado às questões de interesse para o questionador. Logo, eu parto do reconhecimento que existe uma parte observável empiricamente do ceticismo, e esta parte é apenas o questionamento dele resultante. Isto tem implicações devastadoras para qualquer autor que alegue que “defende uma vida de dúvidas ao invés de certezas”, pois estas tais “dúvidas eternas” não poderão ser alegadas. Este tipo de postura, ridicularizada por mim com extrema facilidade, é o que chamo de ceticismo idealista, oposto do ceticismo realista, que é o proposto por mim. No primeiro, ainda se acredita que o ser humano “pode dominar suas paixões para entrar em um estado de puro questionamento” ou “direcionar sua vida pelo que a ciência define como válido”, mas a mera investigação da vida de qualquer pessoa que alegue isso provará o contrário, ou seja, que estamos diante de um ser dominado por suas paixões, com o são todos os exemplares do animal humano. No segundo, defendido por mim, a única coisa relevante é o questionamento resultante de alguém que usa o ceticismo, e, portanto, este não precisará provar “suas dúvidas sobre tudo” a existirem em sua mente, já que sabemos cientificamente que este estado de imparcialidade absoluta é uma ilusão.

Este tipo de conclusão também gera algumas implicações que a primeira vista podem parecer preocupantes, como o fato de que as coisas podem parecer “instáveis” na questão da busca da “verdade universal” ou qualquer coisa do tipo. Eu discordo completamente, e vou apresentar meu argumento para isso, a partir da tese do duelo cético.

Minha tese parte das seguintes premissas:

  1. Devemos sempre partir do que o ser humano de fato é, se quisermos fazer qualquer teorização razoável a respeito dele
  2. O ser humano é ao mesmo tempo falível, como também busca vantagens sempre que puder
  3. Não existe imparcialidade absoluta, ou qualquer método que possa afirmar essa imparcialidade de forma ao menos razoavelmente confiável
  4. Nem mesmo o “ceticismo independente” ou “ceticismo puro” existe, e pessoas que dizem “estar do lado da razão absoluta” também não 
  5. Essas contingências não podem ser mudadas pela ação humana
  6. Além destas contingências, temos uma série de armadilhas mentais, de forma que até alguns que se definem como “julgadores imparciais” não são capazes de perceber as armadilhas mentais nas quais se embreta sempre

Estes pontos todos, juntos com uma análise do discurso atual, nos mostram que, se a qualidade do debate caiu, é exatamente por falta de ceticismo (que agora não é mais vendido como “ceticismo absoluto”, não se perca) dos oponentes de cada lado do discurso. Como?! Muito simples. Se já sabemos que o ser humano busca vantagens, e ao mesmo tempo encontra maravilhosas oportunidades para levar vantagens a partir da exploração das armadilhas mentais existentes em todas as pessoas, ficar confiando que “cada lado de um embate se auto-validará” é uma estupidez sem limites. Logo, proponho que o lado oponente de qualquer questão política (que sempre tem dois lados, é claro) dedique-se a descobrir todo e qualquer truque que porventura o adversario realize, especializando-se nessa prática, sem esperar que o outro aja honestamente. Se agir honestamente, ótimo. Mas será uma questão de sorte. Isso que eu defendo não é para apenas um dos lados, mas para qualquer um. Em suma, esta é a mensagem que eu lanço para um adversário político: “Você não precisa confiar em mim, pois eu não confio em você; se você desmascarar qualquer mentira que eu fizer, é o seu trabalho, pois a qualquer truque que você tentar eu vou desmascarar”. A criação de uma cultura de seres preparados para pensar desta forma, como em uma expansão do ceticismo corporativo, é o que defenso na tese do duelo cético. O duelo cético passa a ser a única forma de se melhorar a qualidade do debate, pois os dois lados estão prontos para “atirar”.

Notem que não há auto-venda de qualquer tipo nisso, pois se alguém me achar “crédulo no Fritjof Capra” (aliás, não sou, pois humanista místico para mim consegue ser ainda mais ridículo que humanista secular, como se isso fosse possível), tanto faz como tanto fez. Se me achar um “cético falso”, isso não significa absolutamente nada. É o mesmo que alguém dizer “você diz mentiras”, ouvindo uma resposta como: “sim, todos dizem”. Neste caso, dá para retornar com a expressão: “Mas neste momento, qual mentira estou dizendo?”. É a este tipo de reação automática a qualquer tentativa de auto-venda e obtenção de autoridade moral que eu defino como o resultado da aplicação dos paradigmas que defendo aqui. Por isso, não tenho pudores ao dizer que defendo o retorno às origens do ceticismo, baseado no questionamento à autoridade, através da conscientização de que o ceticismo, para ser efetivo, precisa considerar o que o ser humano realmente é, ao invés de um ser humano idealizado. Sem falsas promessas, pode-se, enfim, fazer algo que preste do ceticismo. Seja o leitor tanto amigo como inimigo.

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6 COMMENTS

  1. Olá luciano, seu texto está coerente com o que você pensa por que você trabalha sua mente constantemente com essas suas ideologias, e assim você consegue nunca ser induzido por uma opinião contrária a sua. Foi o que percebi e isso é muito bom, mas se não foi desculpe, longe de mim estabelecer qualquer confirmação absoluta. Mais aí eu te pergunto??? Você com essas explicações, está propondo à pessoas um pensamento universal de uma realidade não percebida por muitas dessas pessoas, para que estas deixem de serem escravas de pensamentos alheios???? É isso???? Um abraço.

    • Le-augusto

      Quem lê este blog verá algumas mudanças de paradigma que eu sofri ao longo do tempo. VEja:

      – Eu já cheguei a rejeitar o darwinismo, e hoje o tomo como paradigma base
      – Eu era oponente de neo-ateus, hoje sou inspirado por eles em termos de metodologia
      – Eu era teísta, virei ateu

      Assim, eu posso ser influenciado por informações contrárias às minhas.

      Enfim, o que proponho é uma forma de nos precavermos contra EMBUSTES DELIBERADOS vindos de outra parte. Em relação a pensamento universal, eu não cheguei a pensar nisso.

      Abs,

      LH

      • Com essas suas explicações Luciano pude entender melhor sua proposta. Agora deixa eu fazer uma brincadeira com você rsrsrsrs, como você disse ter sofrido mudanças de paradigma ao longo do tempo, como exemplo; irei apenas usar a ultima opção, mas poderia ser qualquer uma das anteriores: Eu era teísta, virei ateu
        Aí, você disse que pode ser influenciado por informações contrárias às suas.
        Sendo assim eu te pergunto; com suas declarações posso pressupor que você mude novamente de ateu para teísta, dependendo do tempo e estudo que você possa ter ao longo de suas convivências argumentativas em relação a esses assuntos(ateu/teísta).??? É isso???

      • Sim. Eu diria que voce pode pressupor que eu estou APTO a mudar de paradigma (inclusive de ateu para teísta) se entender que há uma argumentação que me leve a isso. Eu não diria que VOU mudar de paradigma. Apenas que eu POSSO fazer isso diante de novos argumentos que sejam convincentes.

        Abs,

        LH

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