Eis então que José Dirceu retoma a arquitetura para a implementação da ditadura no Brasil através da censura à imprensa

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Fonte: Exame

São Paulo – O ex-ministro José Dirceu, condenado por corrupção ativa no julgamento do mensalão, pelo Supremo Tribunal Federal (STF), defendeu nesta segunda-feira, em seu blog, a regulamentação da mídia no Brasil como uma das três prioridades do PT para 2013, ao lado da reforma política e da “desconstrução da farsa do mensalão”. Dirceu citou entrevista coletiva concedida na última quarta-feira (31) pelo presidente nacional do PT, deputado estadual Rui Falcão, a correspondentes de jornais estrangeiros no Brasil, com a defesa dessa bandeira.

“O partido faz muito bem em eleger esta regulação como uma das principais metas a serem conquistadas em 2013, ao lado da reforma política tão imprescindível ao País e da luta para desconstituir a farsa do mensalão”, avaliou o petista que, em seguida, elogiou Falcão por ter apresentado o plano primeiramente aos correspondentes. “É bom que o Rui tenha falado a correspondentes estrangeiros, porque sabemos que a mídia nacional fará de tudo para ignorar a questão da regulamentação. À exceção dos momentos em que virá com o noticiário enviesado de sempre, para dizer que regulamentação é censura e ameaça à liberdade de imprensa”, afirmou o ex-ministro no blog.

Dirceu apresentou ainda a estratégia do partido para levar a cabo a regulamentação: “O partido vai se posicionar, defender, tomar iniciativas, ocupar todas as tribunas que lhe forem possíveis, manter o assunto em evidência e priorizá-lo”, explicou. Ele deixou claro, porém, que a regulamentação “depende do Congresso, e não do partido”.

Dirceu recorreu a uma fala de Falcão para explicar o porquê que a regulamentação da mídia não é censura. “Rui insistiu que a regulamentação defendida pelo partido não tem nada a ver com censura como a grande e velha mídia costuma e vai querer continuar confundindo. ‘Não é censura, nada a ver. É ampliar a liberdade de expressão, não restringi-la'”, concluiu Dirceu em seu blog.

Meus comentários

José Dirceu, como bom gramsciano que é, tenta manipular as palavras para esconder as provas incontestáveis de que o PT tem obsessão pelo poder totalitário. A punição dele e de Genoíno no julgamento do Mensalão parece tê-los alertado de que somente a censura pode evitar que fatos desse tipo ocorram. Nada mais justificável, em termos de precaução petista, principalmente com o fato de Marcos Valério estar negociando seu abrandamento de pena, em troca de algumas informações sobre mais culpados do Mensalão. Se isso tende a virar notícia, é preciso abafar. Eis então que Dirceu quer gerenciar riscos, e para fazê-lo ele precisa controlar a mídia.

J. R. Guzzo escreveu tempos atrás em um texto da Veja, entitulado “Só com censura”, o seguinte:

Para o seu próprio sossego pessoal, o ex-presidente Lula, seus fãs mais extremados e os chefes do PT deveriam pôr na cabeça, o mais rápido possível, um fato que está acima de qualquer discussão: só existe um meio que realmente funciona, não mais que um, para governos mandarem na imprensa, e esse meio se chama censura. Infelizmente para todos eles, essa é uma arma de uso privativo das ditaduras — e nem Lula, nem o PT, nem os “movimentos sociais” que imaginam comandar têm qualquer possibilidade concreta de criar uma ditadura no Brasil de hoje.

Isso é o que se chama “cantar vitória antes da hora”. Quem tem esperanças de viver em um país democrático não deve jamais achar que a luta pela liberdade significa favas contadas. Enquanto Guzzo entra em clima de “já ganhou”, Dirceu entende que o juiz ainda não apitou o fim do jogo. Mais ainda, Dirceu já está usando uma estratégia que, se não for destrinchada pelos oponentes e gerar profunda conscientização dos que não querem o controle da mídia, vai dar certo.

Reparem nas palavras de Dirceu: “Não é censura, nada a ver. É ampliar a liberdade de expressão, não restringi-la”.

Não é preciso investigar muito para saber que o truque linguístico que o PT elaborou para implementar a censura tem alguns passos facilmente mapeáveis:

  1. Definir vários grupos sociais e ONG’s aliados com o governo
  2. Propor um mecanismo de controle de mídia, com um conselho no qual os grupos definidos em (1) participarão
  3. Ressignificar esses grupos definidos em (1) como “a sociedade”
  4. Repetir, em bate estaca, o lema “se a sociedade participa do conselho, então é liberdade de expressão ao invés da censura”

Essa é a estratégia que José Dirceu já deixou escapar em poucas palavras, e que, se não for devidamente demolida pelos opositores, vai com certeza dar resultados, pois foi planejada para funcionar. Olhando por uma perspectiva “seca” e desapaixonada: é simplesmente uma tacada de mestre! Portanto, ao invés de gente como Guzzo achar que “o PT não vai conseguir implementar a censura”, sugiro uma outra postura, a de que a “censura imposta pelo PT é inevitável, a não ser que a estratégia delineada pelos petistas seja denunciada à opinião pública, da forma mais dura e contundente possível”.

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