Bertrand Russell e seus ensaios crédulos – Pt. 3 – O anti-realista

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Os dois textos anteriores da série “Bertrand Russell e seus ensaios crédulos” já entregaram o ouro (Pt. 1 – A filosofia da projeção de paraíso e Pt. 2 -Paraísos artificiais):  qualquer filósofo que for mais ou menos pragmático, e também realista, irá resultar na antipatia dele. Também pudera. Diante de sistemas céticos em relação ao idealismo ingênuo do britânico, toda sua obra direcionada ao humanismo empalidece de horror.

Como não poderia deixar de ser, ele já começa com uma avaliação irrealista do cenário filosófico:

Desde o fim da Idade Média a filosofia vem declinando, sempre em importância social e política. Guilherme de Occam, um dos maiores filósofos medievais, foi contratado pelo imperador para escrever panfletos contra o Papa; naqueles tempos muitas questões palpitantes ligavam-se a querelas escolares.

É verdade que Occam se alinhou ao imperador Luís da Baviera e, endossado por este, escreveu vários textos contra o Papa. Mas pinçar um exemplo para definir que em uma dada época a filosofia tinha mais importância social e política que hoje é fugir da realidade, a qual mostra exatamente o oposto. São muitos filósofos surgidos após o iluminismo, entre os quais está Russell, que tem suas obras mais como instrumentos de engenharia social do que outra coisa. E ele não é uma exceção, mas parte de uma tendência que incluía Kant, Hegel e Gramsci. E, claro, como não poderia deixar de ser, Marx. Enfim, filósofos sempre se alinharam ao poder, mas nunca como após o iluminismo. Podemos sugerir, então, que Russell tenta uma encenação para esconder suas culpas.

A respeito de um artigo de William James, de 1884, no qual este atacava a filosofia de Hegel, Russell disse que James vinha de um tempo no qual “os filósofos não tinham aprendido que havia relação entre temperamento e opinião”. Nisso, ele está correto, entretanto, mesmo com seus parcos conhecimentos, James foi muito mais realista a respeito das possibilidades humanas do que Russell. Isso se explica pelo fato de que Russell vive em negação, e, ao mesmo tempo em que é obrigado a reconhecer a submissão do homem aos seus desejos, tenta desenvolver uma fórmula pela qual os desejos humanos são controlados, sem que haja sequer uma motivação para este controle.

Russell se incomoda com o pragmatismo de James, especialmente pelo fato de que este último adotou uma visão muito realista da experiência humana em relação as suas crenças. Em A Vontade de Crer, James simplesmente entendeu o óbvio: (1) há situações em que o ser humano se encontra com uma opção genuína, e (2) esta opção genuína pode em muitos casos não ser passível do teste empírico, e (3) nestes casos, é lícito optar por tomar uma decisão em relação a esta opção genuína. Isso é bastante diferente de afirmar que estas opções devem “ser chamadas de verdadeiras”, que resume a crítica ensandecida feita por Russell a ele. Em resumo, se alguém acredita que sua esposa o ama, esta é uma opção genuína, mas que não pode ser provada como absolutamente verdadeira aos outros (e em muitos casos, nem a si próprio, pois temos que dar a chance ao engano), mas é preciso tomar uma decisão. Outro exemplo é quanto a motivação para mudanças organizacionais. Questões como “Devemos acreditar neste gestor em sua iniciativa de mudança?” são opções genuínas, mas opções são lícitas mesmo que não consigamos prová-las como verdadeiras por métodos mais explícitos. Essa é a essência da defesa de James, que Russell, motivado por suas paixões humanistas e sua ideologia utópica, não conseguiu apreender. Esta visão, antes de ser dogmática, é completamente realista.

Russell absorve dois méritos no pragmatismo. Primeiro, perceber que a verdade passível de ser atingida é “apenas humana, falível, e mutável, como tudo que é humano”. Segundo, destacar  que “sua relação com os fatos não tem a simplicidade esquemática que a lógica imagina”. Neste ponto, as crenças não seriam determinadas como verdadeiras ou falsas, mas úteis ou inúteis, e sempre envolvidas em névoas de “verdade ou falsidade”. Daí as pessoas que se outorgariam como “detentoras da verdade” seriam mais facilmente percebidas como pouco dignas de crédito, e isso aumentaria a pressão sobre elas. Em relação a essas vantagens, não posso discordar de Russell. Ele afirma que “bom vinho não precisa de letreiro, e boa moral não precisa de cochichos”. Mas de que adianta surgir com tais constatações para jogá-las ao lixo em seguida?

Por outro lado, existiriam dois pontos de crítica que poderiam ser feitos ao pragmatismo: (1) Não haveria critérios para validar uma idéia como a outra, (2) Idéias absurdas poderiam ser usadas para implementar o totalitarismo.  Russell visualizaria parte destes aspectos, ao dizer que, na prática “o pragmatismo tem um lado mais sinistro”:

A verdade, diz ele [James], é o que vale a pena em matéria de crença. Ora, uma crença pode valer pela aplicação do código penal. No século XVII, o catolicismo valeu nos países católicos e o protestantismo nos países protestantes. Gente enérgica pode fabricar a “verdade” apossando-se do governo e perseguindo os que opinam de modo diferente. São as conseqüências de um exagero em que caiu o pragmatismo.

No fim das contas, vemos que Russell desandou para uma análise puramente emocional do pragmatismo, e o próprio trecho acima mostra que ele recorreu a uma falácia do espantalho para atacar algo de que ele não gosta. Basicamente, ele fez o seguinte: “X é útil por causa disso e daquilo, entretanto X pode ser deturpado e ampliado para além de seu escopo, e esse é um aspecto sinistro de X”. O fato é que qualquer ideologia pode ser deturpada, e não é essa possibilidade de deturpação que deveria ser utilizada para criticar a ideologia, mas sim a ideologia em si. A lógica nos pede que se estamos tratando de X, devemos nos ater a X, e não somente ao que pode ser feito de X para criticá-lo, isto é, se vamos criticar o que pode ser feito de X, a crítica deveria ser feita ao potencial de deturpação do ser humano em relação a X, e não a X em si. Se o pragmatismo pode ser condenável, qual seria a crítica especifica em relação a ele? Este é o grande ponto de derrapagem desta análise russelliana.

É verdade que o pragmatismo pode ser usado como sustentação para aniquilação de valores morais, e, em cima de uma deturpação destes conceitos, facilitar a implementação de qualquer idéia nova para dar sustentação a tiranias, mas isso pode ser feito em relação a quase todas as idéias. Mas não é isso que tornaria a abordagem de James falsa, e é nisso que Russell deveria focar, pois a frase com a qual ele iniciou seu livro foi: “É indesejável acreditar numa proposição quando não há a menor base para supô-la verdadeira”. Só que mudar o foco do assunto de X para a extrapolação indevida de X é exatamente fugir da verdade do que diz respeito a discutir o pragmatismo, especialmente em suas versões originais conforme propostas por Charles Peirce e William James. Notem que mesmo que eu não esteja endossando o pragmatismo por completo, quero entender por que Russell rejeitou o pragmatismo de forma tão irracional, ao invés de fazer criticas justificadas a ele.

Mas vejam que lástima é essa constatação:

A teoria do pragmático deriva-se da técnica do propagandista que, dizendo repetidamente que as suas pílulas valem um guinéu a caixa, faz com que o povo se disponha a pagar seis pence por elas, e assim torna a sua asserção mais próxima da verdade do que se fosse feita com menos confiança. Tais exemplos de verdade manufaturada são interessantes, porém o seu âmbito é muito limitado. Exagerando seu objetivo, as pessoas são levadas pela orgia da propaganda, que afinal é conduzida a fim abrupto pelos fatos reais, sob forma de guerra, peste e fome. A história recente da Europa é uma lição objetiva da falsidade do pragmatismo neste plano.

Como sempre, Russell mistura algumas asserções interessantes com outras delirantes. É claro que a preocupação com a retórica ao invés da dialética é justificável, mas exatamente por isso deve-se questionar qualquer um que utilize estes recursos, incluindo o próprio Bertrand Russell. É exatamente por isso que proponho que, ao invés de renegar a natureza humana, passemos a avaliar o ser humano da forma que ele é. E, neste ponto, o pragmatismo original nada mais faz do que reconhecer essa falibilidade humana. Neste aspecto, o pragmatismo traz uma influência importante, que é o fato de que não podemos definir, por exemplo, que um religioso tradicional é insano por acreditar em Deus, pois esta seria uma opção genuína, e, ao mesmo tempo, não passível de ser provada como falsa (e nem como verdadeira), por métodos empíricos. Não sendo passível desta avaliação, não podemos defini-la como falsa, e nem definir que uma pessoa está “terminantemente errada” ao tomar uma decisão baseada nela. A aplicação prática deste princípio nos levaria a entender ao mesmo tempo o direito de alguém manifestar sua crença, como também nutrir o dever moral de não tentá-la impor aos outros, pois ele não consegue demonstrá-la como factual em cima de outras crenças, e, mesmo assim, é justificável que ele a mantenha exatamente por ser uma opção genuína, que é uma para a qual ele deverá tomar uma decisão. Esta idéia pragmática deveria ser a base de um  estado de fato laico. É claro que sempre surgirão problemas, como as questões da eutanásia, do aborto, da pena de morte, que em vários momentos irão se conflitar com as crenças ideológicas, políticas, filosóficas e religiosas, e é aí que o debate será mais político do que dialético. Se temos duas verdades incontestáveis, (1) a impossibilidade de se alcançar a verdade sobre todas as questões, e (2) o uso do discurso como forma de propaganda, vendendo ao público opções genuínas não testáveis como verdades últimas, o pragmatismo, ao invés de ser culpado por este estado de coisas, nos alerta exatamente para nos defendermos disso.

O uso de opções genuínas como se fossem verdades absolutas não é um resultado do pragmatismo, mas de sua negação, pois se o pragmatismo define que existem opções genuínas e que ao mesmo tempo não são passíveis de serem demonstradas como verdade de forma absoluta, ele está nos alertando do risco destas opções serem impostas como verdade absoluta. Ou seja, se vamos impor ao povo opções genuínas e não testáveis (e aqui podemos incluir qualquer religião tradicional, mas especialmente a religião política), devemos estar preparados para isso. Entender como o ser humano reage à opções genuínas não-testáveis e as assume como verdade é um mérito do pragmatismo, e, por outro lado, defender que o ser humano pode tratar suas opções genuínas não-testáveis da mesma forma que trata as opções meramente triviais, é partir do pressuposto que os seres humanos podem agir de uma forma que não estão biologicamente preparados para fazê-lo. E esta é a premissa de Russel!

O uso de ideologias para a implementação da tirania acaba sendo tão rejeitado por James quanto endossado por Russell, pois todo o empreendimento deste em suas páginas envolve a estipulação de uma crença injustificada sua (a crença no governo global) de forma que ela seja assumida como verdadeira pelos outros. Se ao invés disso, Russell se limitasse a crer em sua utopia, criando uma versão dela que não afetasse a vida dos demais, não haveria problemas, mas o fato é que sua crença afeta a vida daqueles que não crêem em seu humanismo. E é o uso da propaganda para tirar a liberdade de outros, através da transformação de uma opção genuína não-testável em uma verdade absoluta, a que se resume a totalidade do empreendimento de Russell.

É exatamente por isso que todos os filósofos realistas, sejam eles pragmáticos ou não, são oponentes do filósofo inglês. O entendimento do ser humano em suas paixões e irracionalidades, sendo incapaz de fugir destas contingências mesmo quando se utiliza a razão para amplificar a satisfação de seus desejos, implode de forma terminal toda a expectativa de Russell. Ao saber disso, marotamente, ele trata o pragmatismo por aquilo que ele não  é (um fator de estabelecimento de opções genuínas não-testáveis como verdades a serem impostas ao demais). E, ao mesmo tendo, sabendo que toda a característica que ele tenta atribuir ao pragmatismo na verdade está em sua ideologia cientificista, faz uma encenação para transferir suas culpas ao outro.

Vamos aos fatos: o ser humano é suscetível às suas paixões, e, portanto, não pode remodelar a si próprio. Será sempre refém destas suas paixões, e conhecer essa limitação é algo que deve nos servir para alertar em relação àqueles que tentem impor suas verdades subjetivas como verdades absolutas. Isso não significa que todas as opiniões tenham o mesmo valor de evidência, mas sim que, quando existir a tentativa de alguém impor sua verdade subjetiva como a estipulação de um fato (o que não é o mesmo que todos os fatos sejam o mesmo que verdades subjetivas), devemos estar preparados para este risco. A conclusão é inevitável: o pragmatismo, conforme tratado por James, nos prepara para a situação onde seres humanos, movidos por suas paixões, tentarão nos convencer de que são os portadores de uma razão desapaixonada.

Agora, vejamos os fatos relacionados ao cientificismo de Russell. Ele parte do princípio que o ser humano é dominado por suas paixões, e, portanto, deve se submeter a uma elite de pessoas que dominam suas paixões, o que significa que ele já se embreta à partida. Isso é o que Olavo de Carvalho define como paralaxe cognitiva (*). Sendo uma paralaxe cognitiva, não é difícil descobrir que Russell tenta nos vender um raciocínio fraudulento, e se incomoda terrivelmente por que pessoas como James nos lembram o quanto ele é fraudulento.

A posição de Russell é similar ao do hacker desejando invadir uma rede de computadores, mas descobre que os arquitetos de segurança da informação da organização alvo estão implementando regras mais estritas que bloqueariam qualquer invasão. Incomodado, este hacker lança uma campanha de forma a tentar vender a idéia de que tais vulnerabilidades de rede não são vulnerabilidades de fato, para tentar convencer os arquitetos de segurança a não investir em contra-medidas. Técnicas de confusão serão lançadas a todo momento para tentar demover os especialistas em segurança a abandonar seus controles. Tudo, é claro, tem um objetivo final: o afrouxamento dos mecanismos de segurança para que a rede seja posteriormente invadida.

É  a isso que podemos resumir toda a ira de Russell contra qualquer análise realista de como o ser humano funciona. Ao sabermos que o ser humano não pode executar o auto-controle de suas emoções como Russell propõe, estamos aos poucos implementando um “firewall” contra as invasões de rede, isto é, nos preparando para entender como picaretas aquelas pessoas que, mesmo sendo emocionais e movidas por auto-interesse, tentarão nos convencer de que são desapaixonadas e motivas por uma “razão universal”. Sem essa crença na “razão universal” (surgida a partir de uma crença bizarra e injustificada inicializada com Kant e propagada por Russell), aos poucos criamos mais dificuldades para aqueles que desejam usufruir do totalitarismo.  A indignação de Russell contra James, e contra todo o pragmatismo, pode ser rastreada ao fato de que o pragmatismo, com sua visão realista da espécie humana, prejudica seriamente as esperanças totalitárias dele e aqueles a quem ele apóia.

Enfim, o que podemos fazer com o pragmatismo para incomodar Russell e todos os cientificistas de forma doloridíssima para eles? Para início, entender que a crença humanista de que o homem vai controlar suas emoções e auto-interesse para enfim criar a felicidade universal é pior do que qualquer crença da religião tradicional no que diz respeito a evidências, pois, se faltam evidências para muitas crenças da religião tradicional, para a crença humanista temos evidências em contrário – todas as vezes em que o poder totalitário foi dado a um grupo, emoções e auto-interesse humanos não foram controlados, mas amplificados. Mas poder-se-ia criar uma visão mística, sem tanta atuação política, para a crença de Russell, já que poderíamos considerá-la uma opção genuína para ele, mesmo com ausência de evidências (e até evidências em contrário). Algo como se fosse um Prozac humanista, algo para causar uma sensação agradável no adepto e nada mais. Isso nos faria tolerar sua crença, desde que ela não fosse imposta aos outros. E ainda respeitaríamos o direito dele continuar tendo sua crença, desde que sempre possamos esclarecer à opinião pública o risco de sua opção genuína não validada ser assumida como uma verdade absoluta. Pensando bem, Russell tem motivos para odiar qualquer abordagem filosófica realista. E devemos conhecer estes motivos, especialmente nos próximos dois capítulos analisados, “Máquinas e Emoções” e “Behaviorismo e Valores”.

***

(*) A parte abaixo foi extraída de uma ótima análise feita pelo Snowball sobre a paralaxe cognitiva:

Um dos conceitos mais interessantes estudados por Olavo de Carvalho é, sem dúvida, é o da paralaxe cognitiva. Olavo o define como “afastamento entre o eixo da construção teórica e o eixo da experiência real anunciado pelo indivíduo”, que teria se expandido após a Modernidade. Antes, os filósofosos antigos e medievais (na maioria) acreditavam que estavam dentro de uma realidade ou cosmos racionalmente ordenado, sem poder observá-lo de fora ou modificá-lo, na base, de acordo com suas vontades ou visões de mundo. A paralaxe é, na definição, como uma distorção de percepção que acaba por destruir a capacidade de conciliar a verdade factual e a teoria reflexiva, muitas vezes até intencionalmente, como em Marx e Epicuro…

Nos debates, eu uso uma “suavização” do conceito de paralaxe cognitiva, que demonstra a contradição entre dois princípios ou entre o princípio e a ação que o indivíduo anuncia. É mais ou menos como seguir o seguinte modelo:

(1) Não entre;
(2) Entrada aqui;
(2) é a negação direta de (1). E mesmo assim, o sujeito bate no peito e grita por todos os cantos as duas idéias ao mesmo tempo.

Onde podemos encontrar isso no neo-ateísmo? Em muitos lugares, para falar a verdade. Se verificarmos o discurso dos neo-ateus militantes na internet, vemos tanto a contradição interna do pensamento como contradição entre a ação e teoria. Um exemplo claro disso seria o seguinte:

(1) Ateus não se importam com a crença dos outros, como os religiosos;
(2) Milito o dia todo para converter às pessoas ao humanismo e termos um mundo melhor;

Ora, se “ateus não se importam” e mesmo assim ele, ateu, passa militando o dia todo? Está na cara que é só um self-selling grupal, escondido pela paralaxe cognitiva. Neo-ateus também gostam muito de atacar a moralidade dos religiosos…. mesmo tendo que admitir uma moralidade subjetiva!

(1) Ateus são mais morais que religiosos, pois não fazem as coisas certas por interesse (“ir pro Céu”);
(2) Não existe moralidade objetiva e absoluta, sendo ela apenas fruto de pressões sociobiológicas;
..

Alguns outros exemplos, no pensamento humanista em geral:

(1) A ação dos indivíduos é explicada pelas influências correntes ideológicas e sociais dentro de um sistema de materialismo histórico baseado no conflito de classes;
(2) Os crimes de Stálin não podem ser debitados na conta de sua ideologia de esquerda, pois foram causados unicamente pela maldade inata desde homem;
Ou ainda:

(1) O conhecimento só é válido se obtido pelo método científico (ou empírico);
(2) O conhecimento obtido em (1) é válido, mesmo não sendo obtido pelo método científico;

(1) Não existe verdade absoluta;
(2) A frase acima, para ser verdade, não pode comportar excessões;
(3) Logo, a frase (1) é uma verdade absoluta, que, conforme (1), não existe.

E assim vai.

Para identificar um caso de paralaxe cognitiva, fique atento se a alegação do adversário não entra em contradições com os próprios princípios teóricos que ele carrega, em geral, ou que sustentam a própria frase específica. Conferir se a idéia enunciado é sustentável em si pelos valores do outro debatedor mesma é uma refutação ex concessis, conforme definida por Schopenhauer no livro Dialética Erística e, como disse Olavo de Carvalho nos comentários,“se o argumento pretende ser filosófico, mais lícito ainda é exigir que tenha coerência com o quadro geral das idéias do interlocutor”. (pág. 216, Comentários Suplementares).

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