Através da engenharia social, vejam como é fácil implementar discriminação religiosa oficial sobre um membro do parlamento britânico

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Fonte: Candango Conservador

NOVA IORQUE, 16 de novembro (C-FAM) Será que um candidato que adota os ensinos da Igreja Católica sobre questões tais como aborto e homossexualidade pode trabalhar como comissário de saúde na Europa? Tais opiniões existem como uma de muitas perspectivas dentro de um continente cheio de opiniões diversas, ou são incompatíveis com os “valores europeus”? Essas perguntas comprovaram ser mais amplas envolvendo a audiência de 13 de novembro no Parlamento Europeu que avaliou Tonio Borg, nomeado de Malta para Comissário de Saúde e Políticas do Consumidor.

Durante sua audiência de três horas, o Dr. Borg foi questionado acerca de suas opiniões sobre o aborto, e ele declarou firmemente que esse é um assunto fora da jurisdição das instituições europeias, devendo ser decidido pelos próprios países membros com base no princípio de subsidiariedade. Ele disse: “Não interferirei nessas escolhas, independente de minha convicção pessoal, pois se eu for aprovado, serei um comissário europeu. Não serei o comissário de Malta, serei o comissário europeu nomeado por Malta”.

Quando foi pressionado na questão da discriminação na base da orientação sexual, Borg negou categoricamente ter feito comentários pejorativos contra os homossexuais, algo de que seus inimigos o acusaram. Borg apontou para o fato de que a discriminação com base no sexo ou orientação sexual é proibida no Artigo 21 da Carta de Direitos Humanos Fundamentais. Ele insistiu várias vezes: “Traçarei meu curso na cara de direitos humanos”.

Borg resumiu sua postura sobre a questão do aborto declarando: “Em outras questões relativas ao aborto e outros temas, há assuntos que devem ser decididos exclusivamente pelos países membros. Ao responder às questões dos que querem liberalizar essa prática e daqueles que querem restringir essa prática, essa tem sido a resposta padrão, e será meu padrão também”.

No fim da audiência, Borg foi elogiado pelo presidente do comitê por sua “qualificação e personalidade”, e foi descrito como tendo mostrado um “desempenho firme” num artigo na revista Voz Europeia. Contudo, as garantias de Borg de que ele seria fiel aos tratados existentes e respeitaria as leis dos países membros não foram suficientes para aplacar alguns críticos, inclusive representantes do Partido Verde que divulgaram uma declaração que dizia: “Não confiamos nele para ir além do mínimo estrito e realmente defender a Carta de Direitos Fundamentais, em vez de simplesmente ser-lhe obediente”.

Desde seu anúncio, ficou evidente que a polêmica em torno da nomeação de Borg não tem como causa falta de competência ou qualificação, mas em vez disso suas opiniões religiosas pessoais, que ele prometeu que não o impedirão de cumprir as obrigações do novo cargo. Entre os críticos mais duros de Borg estava a holandesa Sophia in ‘t Veld, membro do Parlamento Europeu. Ela declarou: “Tonio Borg disse que não abandonará suas opiniões, e estou muito oposto a elas — a Europa dele não é a minha Europa”. Um observador apontou para o fato de que por esse padrão, o mero fato de ser um cristão com compromisso seria base suficiente para desqualificar uma pessoa de trabalhar na Comissão Europeia.

Na terça-feira, 14, alguns dos partidos de linha esquerdista do Parlamento divulgaram declarações que diziam que eles votariam para se opor à entrada de Borg na comissão, embora o maior partido indicasse seu apoio a ele e outros, inclusive o segundo maior partido, ainda não tenham chegado a um consenso.

A nomeação de Borg ocorre depois da recente renúncia de John Dalli, também de Malta. Se confirmado, ele ocupará o cargo de Comissário de Saúde e Políticas do Consumidor até 2014. O Parlamento Europeu inteiro votará a nomeação de Borg na próxima quarta-feira em Estrasburgo.

Tradução: Julio Severo (Fonte:  C-FAM)

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Foi fácil até demais. A esquerda consegue lançar em um debate público a idéia de que alguém “se for religioso tradicional, deve ser mais questionado que a média para assumir um cargo público”. Isso não tem outro nome senão discriminação formal.

Sophia in ‘t Veld disse “Tonio Borg disse que não abandonará suas opiniões, e estou muito oposto a elas — a Europa dele não é a minha Europa”. Tonio Borg deveria formalmente questionar: “Você está formalmente afirmando que, por causa de minhas convicções religiosas, eu não posso assumir a função?”. Se a pessoa partir para o “veja bem”, deve-se demolir moralmente o oponente por não ter capacidade de responder a questão direta. Se a pessoa disser “sim”, automaticamente deve ser lançado um processo por discriminação.

Uma coisa é criticar as idéias de alguém, outra é causar prejuízo profissional a alguém apenas pelo fato dessa pessoa ter convicções religiosas protegidas na constituição (assim como o ateísmo é protegido). Entretanto, Borg ficou na defensiva e mais uma vez os anti-religiosos pontuaram positivamente. Essa é a arte da engenharia social: um ataque não respondido à altura garante a vitória do ofensor.

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