Truques, estratagemas e falácias em um texto do Bule Voador contra o conservador de direita Marco Rubio

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O site Bule Voador, com o texto “Forbes, os Estados Unidos, o Bule, o Brasil e a Idade da Terra”, publicou um truque feito por esquerdistas norte-americanos contra Marco Rubio, um possíveis nomes para a candidatura republicana à presidência em 2016.

Alex Knapp, editor de “ciência”, tecnologia  e cultura da Forbes, disse que um “entendimento básico de ciência tem tudo a ver com economia”. Ele publicou um artigo dizendo “Por que Marco Rubio precisa saber que a Terra tem bilhões de anos”.  Em uma entrevista concedida à GQ, Rubio disse, em resposta à questão “Quantos anos o senhor acha que a Terra tem?”:

“Eu não sou um cientista, rapaz. Eu posso dizer a você o que a história diz, posso dizer o que a Bíblia diz, mas eu acho que isso é uma disputa entre os teólogos e eu acho que isso não tem nada a ver com o PIB ou o crescimento econômico dos Estados Unidos. Eu acho que a idade do Universo não tem absolutamente nada a ver com a forma como a nossa economia vai crescer.”

Em seguida, Knapp lança o seguinte argumento: “grande parte da nossa economia depende absolutamente de cientistas estarem certos sobre leis do Universo.” O texto do Bule afirma:

Ele afirma que se a idade do Universo é de apenas 9.000 anos de idade como pensam Rubio e tantos outros, incluindo o seu colega Paul Broun (ironicamente sentado no Comitê de Ciência e Tecnologia), se criacionistas estão certos e a enorme maioria dos físicos errados, “então temos um problema real”.

Segundo Knapp, “Praticamente toda a tecnologia moderna baseia-se na ótica de alguma maneira.”  Diz o texto do Bule:

“O fato da luz no vácuo ter uma velocidade constante de 299.792.458 metros por segundo, apesar de certa fumaça não confirmada (dizer “fiasco italiano” seria uma enorme injustiça) em Setembro deste ano de que a coisa poderia não ser bem assim, é bem estabelecido. “Mas a velocidade da luz não poderia ser constante se o universo tivesse apenas 9.000 anos. Deveria ser muito maior”.”

A conclusão do esquerdista:

“Em um Universo de 9.000 anos, nosso entendimento de física fundamental que permite que tenhamos Internet, DVDs, cirurgia a laser e tantas outras coisas estaria completamente furado.” Conclui ele: “As consequências poderiam ser drásticas, dada a nossa dependência de ótica para o nosso crescimento econômico.”

Outra afirmação de Knapp é sobre a radioatividade:

“Cientistas atualmente acreditam que a Terra tem cerca de 4,54 bilhões de anos por causa do decaimento de substâncias radioativas a taxas geralmente muito estáveis.”  Mais do texto do Bule: “Em uma Terra de poucos (6?, 9?) milhares de anos ao invés de mais de 4 bilhões, “as taxas de decaimento radioativo deveriam estar sujeitas à uma rápida aceleração, em circunstâncias completamente desconhecidas. Isso representaria um enorme perigo com usinas nucleares”. Não é um erro pequeno, é uma diferença de mais de 50.600.000 % (isso mesmo, mais de cinquenta milhões porcento!)”

Mais encenações:

Se o nosso entendimento de energia nuclear estiver tão errado, estamos realmente em maus lençóis: “Poderíamos sofrer um colapso inesperado a qualquer momento devido a circunstâncias atualmente imprevisíveis”. Idem para armas nucleares, equipamentos de diagnóstico hospitalar e tratamentos radioativos contra o câncer. Se tudo o que sabemos sobre ótica e radiação estiver errado, isso, obviamente, seria um grande impacto econômico na nossa sociedade. E olha que nem entramos no mérito do “entendimento bíblico” de Biologia.

A conclusão, como sempre, é o estratagema típico de leitores do Mundo Assombrado pelos Demônios:

Políticos não precisam ser experts em ciência, mas como Carl Sagan dizia, “o analfabetismo científico” é um problema a ser combatido em nossa sociedade. Seria bom que nossos representantes tivessem um entendimento mínimo de como funciona o mundo, pelo menos uma alfabetização “funcional” em ciência. Sem isso fica complicado opinar sobre questões importantes como pesquisa com células tronco, transgênicos, crimes cibernéticos, nanotecnologia. Chega a ser utópico exigir isso de uma turma que acredita que nossa moral deve ser a mesma moral de tribos nômades de dois mil anos atrás, mas é necessário.

Agora é o momento de analisar os truques.

Não há uma linha sequer que não seja composta de algum estratagema, ou rotina, ou mesmo truques de hipnose. Basicamente, as informações científicas de Knapp são coerentes, e não são elas que estou refutando, mas sim a mentira desavergonhada de dizer que tais detalhes afetam o PIB ou o crescimento econômico.

Na verdade, não faz diferença alguma para estudos econômicos achar que a Terra tem 4,37 bilhões de anos ou 9.000 anos. Simplesmente por que poder-se ia dizer que as leis científicas atualmente vigentes “passaram a valer” a partir de 9.000 anos para cá. Em suma, imagine que o mundo de amanhã dependa do passado. É verdade, ele depende. Mas se, como em uma Matrix, entendermos que o mundo foi criado ontem, a partir de um programa de computador, as mesmas regras continuariam valendo, só que a partir de um ponto de início diferente.

Não é preciso pensar muito para notar que Knapp “força” a barra, para fingir que teríamos comportamentos diferentes na hipótese da Terra com 9.000 anos, mas tanto ele como os leitores do Bule sabe que estão mentindo. Não haveria comportamento diferente de qualquer tipo, pois a premissa é a de que os comportamentos são exatamente os mesmos. Outro exemplo para mostrar a dimensão do truque: imagine que eu diga que a Mariane surgiu criada por engenharia genética e apareceu hoje, com 28 anos e gostosíssima, com todos os órgãos funcionais como uma mulher que surgiu pelo processo tradicional, ou seja, gerada a partir de interação sexual dos pais. Não adiantaria nada alguém inventar que a mulher de 28 anos não pode “funcionar normalmente”, por não ter passado por um ciclo de vida tradicional, quando a premissa diz exatamente o oposto. Estamos tratando de uma mulher criada a partir de material genético e que surgiu hoje! E, a partir daí, funcionaria como uma mulher de 28 anos normal.

Qualquer um que saiba o básico de argumentação, nota que Knapp tentou ignorar as premissas da outra parte, para inventar que “e economia funcionaria de maneira diferente” se a Terra tivesse 9.000 anos, mas, a verdade é exatamente a oposta: se a Terra tivesse 9.000 anos, ou então surgido semana passada, mas com todas as suas leis científicas valendo (apenas haveria uma data de início para o “setup” dessas leis, e o “setup” permaneceria sendo um mistério), nada mudaria.

Notem que não estou afirmando a validade do criacionismo, pois eu sou um darwinista. Mas sim demonstrando que a crença de Marco Rubio, embora facilmente criticável, não tem nada a ver com “funcionamento da economia” ou não. Tudo não passou de um truque psicológico, focado em uma série de encenações, feitas tantas por Knapp como o pessoal do Bule. A estratégia é simular que o oponente da esquerda é um sujeito que “tem idéias retrógradas” (e que, por isso, tem que ter extirpado do debate público), e que “por causa de seu parco conhecimento científico, vai prejudicar a economia”. O truque é puramente político, extremamente desonesto.

Por outro lado, é preciso que Rubio refute este tipo de discurso em tom extremamente forte, sem medo de chamar seus oponentes de mentirosos e fraudadores intelectuais, pois isso é o que eles são. Como agravante (e que poderia ser usado contra os esquerdistas), Rubio tomou a única atitude intelectualmente honesta do debate. Ele simplesmente reconheceu que sua crença era uma questão pessoal, e que deveria ser objeto de debates, e que não interferiria em economia. Ele simplesmente apontou os fatos, ao contrário de Knapp. Não podemos esquecer que as idéias esquerdistas estão levando os Estados Unidos e toda a Europa à bancarrota, mostrando que o tal “conhecimento científico de economia”, que eles alegam ter, não passa de um conto da carochinha.

Os republicanos só tem duas opções, e se fugirem delas, já conseguiram comprometer a candidatura de Rubio: (1) Demonstrar em público que os esquerdistas estão fraudando as categorias do debate, e mentindo sobre a opinião pessoal de Rubio em relação à idade da Terra e sua “influência negativa da economia”, assim como mentindo em termos filosoficamente, e daí por diante. Seria o desmascaramento dos truques. (2) Abandonar o criacionismo, e daí tirar esse pretexto desonesto da esquerda.  Não consigo ver qualquer outra opção válida em termos políticos, mas, se alguém tiver outra sugestão, poste aqui.

O que fica claro é que a esquerda jamais gostou de ciência de fato, apenas usam rótulos para capitalização política. Tentar confundir questões sobre a idade da terra com os fatores econômicos, simulando falso entendimento em relação ao que o oponente diz, mostra que para eles o truque “representante da ciência” não passa de um jogo. Mesmo assim, tem funcionado que é uma beleza em termos políticos. Já passou da hora da direita parar de cair em armações tão manjadas.

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