Um desserviço intelectual e político aos negros

4
269

@

Fonte: Mídia Sem Máscara (autor: Leonardo Bruno)

Toda vez que ouço falar de racismo, vitimização negra, dos males da escravidão e de outras ladainhas que são repetidas à exaustão para justificar as cotas raciais, lembro-me da minha família, pois ela é a face do Brasil profundo, mestiço, pacífico, que a esquerda almeja destruir.

Toda pregação ideológica que retrata um Brasil perverso, odiento dos negros e segregacionista racial, ainda que de forma “disfarçada”, e todas as estatísticas a respeito de uma suposta divisão de raças parecem-me fictícios, forjados e forçados. Faço parte de uma família em que metade de seus membros é branca e a outra metade é parda, negra, mulata, índia e mestiça. E entre nós diferenças de cor são completamente insignificantes.

O Pará também é uma sociedade de mestiços. A grande maioria da população é parda e indígena, descendente de portugueses e nativos da terra. E não me consta que essas supostas diferenças econômicas alardeadas pelo IBGE sejam visíveis por aqui. Das altas esferas da política, passando pela magistratura e pela livre empresa, os mestiços, mulatos, negros e pardos existem.

Sou branco e tenho primas mulatas e negras, além de primos loiros. Sei de alguma ancestralidade holandesa, portuguesa, índia e africana não muito distante no meu sangue. E tenho perfeita consciência de que essa estrutura familiar só seria possível se o segregacionismo não existisse. Ou se a mestiçagem e o convívio pacífico entre as raças fossem a regra, e não a exceção. Se, na prática, o racismo fosse acidental ou inócuo.

Ainda me recordo de como eu escandalizava certo professor do meu curso de direito, ao defender esta realidade tão elementar e óbvia de nossa sociedade. Formado nos cânones da USP e cheio de arremedo de idéias marxistas, era a encarnação da moda politicamente correta. Nos seus delírios intelectualóides, a miscigenação era apenas uma arma para escamotear o racismo de nossa sociedade. E para isso era necessário alimentar e contrapor uma identidade racial negra contra a opressão branca. Em suma, ele repetia as macaquices da ideologia do affirmative action norte-americano, com a diferença de que negros e brancos deviam ser separados, porém, desiguais. Cotais raciais não são basicamente isso?

Como a miscigenação pode ser segregacionista se, por definição, ela integra com a mistura e o convívio social das distinções étnicas? Presume-se que uma sociedade dita “racista” queira sustentar uma “pureza” de raça contra indivíduos fora dos seus padrões grupais de identidade. Nunca houve no Brasil algo parecido com o que ocorreu nos EUA, quando bairros e escolas eram divididos pela cor da pele dos indivíduos. A miscigenação no Brasil foi esmagadora e predominante. Tal acontecimento, característico e peculiar de nossa cultura, amenizou o racismo, tornando-o sem qualquer força orgânica ou estrutural na sociedade.

Quando escutava as idéias deste professor pernóstico, pensava cá com meus botões: já vimos esse filme antes com a tal “identidade racial”.O regime nazista e o apartheid da África do Sul são exemplos nada célebres da idolatria da raça; são histórias das quais jamais se deve esquecer.

Já fui muitas vezes acusado de racismo por ser inimigo das cotas raciais. É como se eu, tendo a pele branca, representasse a encarnação da raça ariana malvada e exploradora das pessoas de cor ou um arquétipo moderno da escravocracia. Percebe-se aí a demência do discurso. Ser “racista” no Brasil é combater a divisão de pessoas por raças. Os militantes negros, que pregam ódio racial a granel, distinções legais da cor da pele ou da origem étnica, defendem “compensações raciais”, “dívidas históricas”, nunca racismo e discriminação. Na mitologia da “negritude”, negros nunca são racistas. Ou melhor, até quando são racistas, continuam sendo bonzinhos, coitadinhos, eternas vítimas da história.

Recentemente assisti a um vídeo publicado no Youtube por uma tal “Renajune”, Rede Nacional da Juventude Negra, um obscuro grupelho esquerdista que prega o culto fanatizado da auto-afirmação racial. O mais surpreendente é que a gravação acabou por revelar tudo aquilo que eu denunciava sobre a ideologia do affirmative action e do racismo negro: a exploração dos sentimentos de inferioridade de certos indivíduos, para inocular o ódio racial gratuito dentro de uma população mestiça.

Uma moça negra, espumando raiva pela boca, dizia que o problema das cotas “não é uma conversa sobre você”. Você quem, cara escura? A mentecapta responde: os brancos.Para ela, o problema das cotas não é uma questão que envolve brancos ou mestiços, mas só negros.

Ela erra feio. Quando os direitos da população são divididos em”raças” privilegiadas ou em categorias arbitrárias inventadas por um governo, a questão envolve todos os brasileiros. Onde está o princípio legal de que todos são iguais perante a lei? Lamentavelmente esta regra constitucional não existe mais. Alguns são, por assim dizer, mais “iguais” do que outros. O STF jogou para o ralo a Constituição Brasileira. Jogou também para o buraco a vocação mestiça de nossa sociedade, para criar uma nova ordem racista, imposta pelo Estado.

A senhorita revoltada continua no vídeo: “Queridos estudantes brancos, de classe média, que faz cursinho pré-vestibular particular… (sic)” .  Estudantes brancos, pelo fato de serem brancos, agora foram elevados à categoria de pessoas ricas? Não existem brancos pobres? Não existem brancos que estudam em escolas públicas? Na lógica odiosa da mocinha, pessoas brancas sempre são riquinhas. Claro que ela ignora o fato elementar de que boa parte dos brancos brasileiros descende de imigrantes pobres do começo do século XX, que foram substituir justamente a mão de obra negra liberta das senzalas, dos cafezais e mesmo das cidades.

Ela também deve ignorar que uma boa parte das elites negras da África, cujos países foram exportadores de escravos para o Brasil, é descendente de traficantes. Claro que ninguém se lembra deste mero detalhe. Ou melhor, ninguém cobra “dívidas históricas”. No geral, o militante negro médio consegue ser ignorante até na história da África. Só consegue decorar slogans políticos e chavões, como se fosse uma ovelhinha no pasto. Todavia, no seu imaginário, há apenas uma única versão da história, a mais falsa, mais primitiva e vazia de todas: os filhos da Europa são sempre maus.No mundinho maniqueu da moça, a realidade brasileira se divide em brancos malvados e ricos e negros coitadinhos e explorados. Até os brancos pobres sumiram dos subúrbios e das favelas. Dentro da legislação que está em vigor, eles podem ser considerados cidadãos de segunda classe.

A miscigenação simplesmente foi revogada da memória. Ainda que os  negros representem uma minoria, na linguagem afro-racista brasileira, os mestiços foram engolidos pela “negritude”, ou simplesmente desapareceram.

E se algumas pessoas brancas forem realmente ricas e pagam um cursinho pré-vestibular privado? Qual é o problema? Estas pessoas não trabalharam, acumularam rendas e pagaram para dar o que há de melhor aos seus filhos? Desde quando pagar algo melhor extraído seu bolso constitui privilégio? Os brancos de classe média que colocam filhos nas escolas privadas pagam não somente a educação para seus filhos, mas também para os filhos dos pobres, sejam eles brancos ou negros, simplesmente porque a classe média não está isenta de impostos.

Porém, a mocinha enragé provoca: “quando você esperneia pela mensalidade gasta durante todo o ano, com as mensalidades do cursinho, que agora se vê, foi inútil, eu não me comovo…”

É óbvio que ela não se comove. Não sabe o que é o trabalho. No máximo, choraminga as dores da cor de sua pele, porque faz parte de uma geração que aderiu ao discurso-mor da incompetência e do fracasso institucionalizado. Precisa de eterna tutela estatal, tal como um sentimento nostálgico de servir a algum senhor de engenho paternalista e acolhedor. Estudar? Para quê? Procurar bons cursos? Por quê? O Estado pode dar uma boquinha na universidade, sem que ela use os dois neurônios! O Estado pode tratá-la pela mesma categoria dos incapazes intelectuais ou retardados mentais. Não importa. O movimento negro aceita esse epíteto de inferioridade, para usurpar o direito dos outros brasileiros.

Na prática, os brancos malvados da classe média são demonizados por serem eficientes, laboriosos e trabalhadores. Enquanto a chorosa e raivosa negrinha reivindica justamente um privilégio que nenhum branco brasileiro até então exigiu: vagas privilegiadas nas escolas, universidades ou mercado de trabalho. A mocinha ainda se orgulha de trapacear, sem esforço, sem mérito, sem custo. Ou melhor, com o custo pago por qualquer cidadão “malvado” não categorizado como “afro”. Um estranho caso de patifaria e vigarice travestido de sentimento de injustiça.

O vídeo apenas poderia ser apenas idiota. Na realidade foi chocante. Colocaram uma jovenzinha desbocada e boçal para representar uma caricatura nada agradável dos negros. Uma cena ridícula, que poderia perfeitamente ser usada até mesmo contra eles, já que revela um discurso invejoso e cheio de ressentimentos abjetos. Imagina se essa negra fosse uma mocinha branca da classe média? Que tipinho insuportável não seria?

Felizmente, sei que isso não é real. Recordo-me das negras fora dos estereótipos afro-militantes. Minhas primas negras são uns anjinhos. Amáveis, carinhosas, educadas, pessoas felizes. Até as mulheres africanas que conheci na minha faculdade de direito, naturais de Cabo Verde, eram simpáticas e agradáveis. Muitas delas tinham relações amistosas de namoro com homens brancos.

Recordo-me também das minhas origens. Lá por volta dos anos 50, na casa da minha avó paterna trabalhavam duas senhoras, uma negra e outra mulata, que realizavam serviços domésticos. Uma era cozinheira e tinha casa própria. E outra vivia na casa da minha família. Elas eram bem recebidas, recebiam salário e se alimentavam de graça, dividindo o alimento com uma numerosa prole de 13 filhos. Elas fizeram parte do meio onde meu pai viveu toda sua infância e adolescência. Era uma relação de lealdade entre patrão e empregado digna dos códigos de cavalaria. Cada um se ajudava e fazia sua parte. Os laços de amizade eram tão fortes, que o filho da mulata visitava a casa da antiga patroa de sua mãe. Virou soldado da PM.

Não pensemos que a família Oliveira era de classe média ou constituía uma hierarquia opressiva. Nem poderíamos dizer que ela era totalmente “branca”. Ela poderia ser bem remediada em relação ao resto dos moradores de sua vizinhança. Contudo, era bem pobre e a vida naqueles tempos era difícil. Os níveis sociais eram bem marcados. Muitos anos depois, esta senhora que morava na casa de meus avós faleceu. E foi sepultada no mesmo túmulo de meus avós.

Casos assim neste imenso país são mais comuns do que se imagina. A solidariedade familiar suplanta as diferenças de classe e de raça. No entanto, a intelligentsia de esquerda falsifica deliberadamente a realidade para a luta de classes, transmutada em luta de raças. O socialismo de gabinete dos intelectuais perverte a compreensão da realidade.

A histérica jovenzinha negra, que sente desprezo em qualquer pessoa de pele mais clara, é a expressão mais clara do racismo ideológico que vai se estabelecendo no país. Esse racismo tem apoio oficial do governo, do Judiciário, da intelectualidade e de uma boa parte da imprensa. Uma grande e maligna força conspira contra o Brasil profundo.

O movimento negro é um desserviço aos negros inteligentes. É também, um desserviço ao país. Na prática, não passa de uma categoria neonazista de sinais trocados. Troquem o judeu pelo homem branco como objeto de rancor, que tudo dá no mesmo. Só faltam inventar uma suástica africana. Em suma, é uma completa estupidez.

Meus comentários

O texto de Leonardo Bruno, entitulado “Um Desserviço Intelectual aos Negros”,  é quase todo irrepreensível.

Quero somente fazer um comentário que não refuta o que Leonardo Bruno disse, apenas vê a questão de uma outra perspectiva. Segundo o texto Os seis papéis essenciais para obtenção de resultados na guerra política, vejo que existe uma diferença entre eu e Leonardo. Ele é um intelectual, na mais pura acepção da palavra, muito mais que um intelectual orgânico. E, neste texto, agiu como um investigador de fraudes intelectuais.

Aqui eu farei um papel que gosto mais, o de analista tático (embora eu saiba que também executo o de investigador de fraudes, mas Leonardo já fez isso de forma tão completa, que não tenho mais o que dizer sobre as fraudes da “militante da Renajune”). Aqui, verei a questão na ótica do jogo.

E, neste caso, todo o vídeo não é uma completa estupidez, mas uma série de lances táticos, alguns competentes, outros sofríveis.

Segundo as regras de Saul Alinsky, ela polarizou a questão, portanto, dividiu o mundo entre “brancos ricos” e “negros pobres”. Obviamente, ela sabe que não fala para todos os negros, mas para aqueles que caíram no discurso da esquerda. Mesmo assim, ela finge que fala “por todos” os negros. Novamente, uma capitalização.

Outro truque evidente que ela utiliza é mostrar uma suposta arrogância e até o discurso de “isso não é com você”, o que serve mais como mensagem de apoio ao seu grupo, que vive remoendo ódio. Tecnicamente, ela não fala para o “branco rico” (mesmo que o discurso seja simuladamente em direção a ele), mas sim para o seu grupo  que já comprou a idéia esquerdista de que “existe uma dívida histórica” a ser cobradas pelos “negros oprimidos”.

No blog da Renajune, um anônimo disse que é a classe média que financia a universidade pública, e portanto esta mesma classe que ela critica cederia as vagas para os cotistas. É claro que ela ficou revoltada, e respondeu, com um português “maravilhoso”:

POis é enqunto vc´s nos reservam a merda da escola publica e os seus salarios da mesma materia prima e guardam para s´a educação qualificadora. Nós estamos aqui para tirar suas vagas mesmo, alias suas não nossas pq seus escravocratas ladrões, nos fizeram trabalhar e até hoje não pagaram… Eo que estamos pedindo é pouco perto da divida real. Então acho melhor vc sentar a ver a nossa vitoria chegar seu covarde que nem se identificou!!!

Notaram que os truques não mudam? Ou seja, o sujeito hoje virou um “escavocrata ladrão”. Portanto, ele “fez ela trabalhar até hoje e não pagou”. Por fim, o discurso para empolgar sua massa: “Melhor você [o branco rico] sentar e ver a nossa vitória”.

Como se nota, ela não está interessada sequer em comunicação, mas em frases de efeito. Enquanto Leonardo Bruno argumenta, ela foca nos truques psicológicos. Ela escolheu a via da guerra política, e usa táticas conforme sua conveniência.

Revendo as táticas de Alinsky, a primeira regra é “Poder não é apenas o que você tem, mas o que o inimigo pensa que você tem”, e isso pode ser visto no vídeo. Ao dizer que “vai conseguir a vitória” e que “o branco rico não tem mais o que fazer”, ela quer implementar um poder que seu grupo político (lembrando: ela não representa os negros, apenas simula isso) não tem. (Na verdade, as cotas criarão até problemas para negros no mercado de trabalho, pois a percepção popular será “Ele é cotista?”, o que poderá causar até discriminações a eles)

A regra 13 para táticas, “Escolha o alvo, congele-o, personalize-o e polarize-o”, é a principal de seu arsenal, pois divide um mundo entre “brancos ricos, opressores” e “pobres negros, oprimidos”, e daí comunica que seu oponente nem sequer merece ser ouvido no debate.

Em suma, taticamente, o vídeo é interessante, mas ela também quebrou a seguinte regra, a de número 10: “Se você produzir um efeito excessivamente negativo e profundo no oponente isso poderá se voltar contra você.”

Ao tentar se mostrar agressiva demais contra os brancos, não conseguiu todo o apoio do grupo “movimento negro de esquerda” que ela simulou apoiar, tanto que um vídeo desse seria alardeado facilmente por vários blogs de esquerda, mas até um militante neo-ateu de esquerda, Clarion, postou contra ela:


@

Anúncios

4 COMMENTS

  1. Po, ninguém me deve nada. A sociedade é feita de ricos e pobres, a escravidão tem grande parcela de culpa dos próprios negros, enfim. Aliás, o governo claramente me chama de burro e incapaz ao dizer que eu preciso de cota pra me igualar aos brancos. Usar racismo pra resolver racismo não dá mesmo. Não costumo me orgulhar das coisas que faço, mas nessa questão me orgulho de ter passado no vestiba tradicional.

    Mas eu concordo que, se ela tivesse pisado um pouco no freio, seria apoiada pela galera da esquerda.

  2. Vale lembrar que o texto lido no primeiro vídeo é de autoria de Tâmara Freire Cardoso, que faz parte do Blogueiras Feministas. Logo, de onde veio isso vem muito mais coisa. Quem quiser que pesquise mais a respeito e digo que o que pesquisei é de assustar pelo grau de fanatização religiosa política.

  3. Dando uma olhada no blog da Renajune, eis que vi esta postagem de um poema de ódio aos brancos:

    Devorarei a tua carne
    Devorarei pela minha carne
    Pela carne arrancada a chicotadas

    Devorarei tuas entranhas
    Devorarei sim, essas porcas entranhas
    Por sequestrar meu povo à terras estranhas

    Devorarei a tua alma
    Omissa
    Quando fez a minha gente submissa

    Comerei teus olhos cegos
    Egos,
    Covardes
    Falsos ternos
    Não me nego

    Escalpelarei-te
    Estriparei-te
    Estuprarei-te
    Minhas mulheres ainda lembra…

    De suas crianças
    quero apenas as consciências
    Que é a unica parte que ainda tem pureza…
    Talvez…

  4. Cidadão, essa informação que você mostrou é muito importante.

    Os brancos devem acionar a Justiça urgentemente. Isso mostra que a tal Renajune prega claramente o ódio aos brancos. Isso é crime racial.

    Dá cadeia.

Deixe uma resposta