Jogo esquerdista: A técnica da cenoura

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Última atualização: 15 de junho de 2013 – [Índice de Jogos] [Página Principal]

As crenças utópicas da esquerda são evidentemente delirantes. Coisa digna de hospício. Seja o mundo sem classes dos marxistas ou o governo global da fraternidade universal dos humanistas, estamos falando de coisas sem a menor base científica, e, pior, com todas evidências apontando para o contrário do que eles acreditam.

Mas a leitura de Saul Alinsky me abriu uma nova perspectiva para a questão da utopia. Ela não é uma questão de crença, mas de utilidade. Em suma, fazer as pessoas que você está liderando acreditarem na utopia serve apenas como um motivador para a luta, mesmo que a crença em si seja uma ilusão.

Isso modifica toda a questão. Ao debatermos com um esquerdista, podemos investigar se ele está entre aqueles que sabe que a utopia é uma ilusão programada para motivar adeptos, ou se ele de fato acredita nela.

Essa distinção é vital pois, caso acreditemos que todos os esquerdistas são “delirantes”, podemos “relaxar” em termos mentais, e isso se tornar um fator que nos desmotive a lutar ferrenhamente contra eles, quando na verdade deveria ser o oposto. Ao acharmos todos os nossos inimigos pessoas que vivem “de ilusões”, com certeza deixamos de conhecer o inimigo mais profundamente.

Um alerta importante: mesmo que um esquerdista seja considerado por nós um sujeito esperto que se alimenta da ingenuidade de seus militantes, estes sim os verdadeiros crentes na utopia, podemos taxá-lo de “delirante” perante o público, pois isso seria parte do jogo político. O importante é que nós possamos ridicularizar um líder esquerdista, dizendo que é um iludido e delirante, mesmo que ele seja espertíssimo ao ponto de nem sequer acreditar em sua utopia, apenas fingir que acredita.

Em outras palavras, temos um cenário complexo, onde um esquerdista pode se encaixados em dois perfis: (1) Um usuário de uma utopia, na qual ele não acredita, mas finge que acredita perante suas massas, para obter o benefício dessa sensação de seu povo; (2) Um crente de fato na utopia.

Se alguém me perguntar qual é o mais perigoso, eu não saberia dar uma resposta de bate-pronto, mas apostaria na primeira opção.

Porém, ao refutarmos os esquerdistas, estaremos refutando seus líderes na maior parte do tempo, e divulgando ao público que suas crenças são perigosas, mesmo que sejam crenças que, na maior parte das vezes, ele não possui (apenas finge que possui). Nesse momento, é importante saber distinguir qual o efeito buscado na comunicação. Se é tirar o oponente do debate, é importante tratá-lo como um “crente de fato” na utopia, mesmo que em nossas mentes saibamos (ou ao menos suspeitemos) que se trata de alguém muito mais esperto do que parece, e que apenas simulou uma crença na utopia.

É como o caso de um garoto que carregue várias bombas em seu corpo. Ele poderá ser um inocente que sequer tenha a noção de que existem bombas em seu corpo (apenas acreditou em um terrorista que as colocou lá, achando que era uma carga de damascos), ou ter a plena noção de que são bombas. Se em ambos os casos ele não tiver o detonador em mãos, o perigo é o mesmo nas duas situações.

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11 COMMENTS

  1. « Em suma, fazer as pessoas que você está liderando acreditarem na utopia serve apenas como um motivador para a luta, mesmo que a crença em si seja uma ilusão. »

    Esse trecho foi direto no ponto, e para ilustrar este artigo, bem que você podia ter usado a “clássica” imagem da cenoura na frente do burro, fazendo este puxar a carroça. 🙂

  2. Olá Luciano, venho seguindo alguns de seus textos nos últimos dias. Acho muito interessante o trabalho que você está fazendo. Tenho uma objeção: acho errado falar em “jogo” político. Política não é jogo, é o bem comum, e com isso não se brinca, por isso acho inadequada a palavra ‘jogo’ nesse contexto. Esquerdistas estarem no poder significa tragédias como pessoas na miséria e assassinatos em massa nas ruas – eu não consigo encarar a nossa tarefa de tirá-los de lá como um jogo, é mais uma questão de vida ou morte, de honra, de dever. A esquerda usa esse tipo de expressão porque são uns tarados pelo poder, e pra eles esse negócio de lutar por mais e mais poder é mesmo muito divertido, de uma maneira doentia e lúdica, mas acredito que nós devemos encarar isso com mais seriedade.
    Sobre esse texto em particular.

    Não precisamos nos limitar a chamar de delirante um sujeito que finge acreditar numa utopia para se aproveitar de seus militantes. Podemos chamá-lo também de farsante, o que tem o benefício dobrado de desmoralizá-lo também perante os seus próprios militantes.

    • Olá Pedro S.

      Gostei muito de seu post, que me permite um esclarecimento. O termo jogo político, como eu uso, significa atuar de acordo com as técnicas da política. Jogo político no caso significa as disputas, de acordo com as regras dessa disputa.

      Nesse caso, você acha que os esquerdistas no poder significa totalitarismo e miséria, e eu concordo com você. Mas eles só conseguem implementar os programas deles por que tem o poder, e para impedi-los é preciso tirar o poder deles. Ou seja, obter o poder que hoje está com eles.

      Para fazer isso (tirar o poder da esquerda), é preciso jogar o jogo político. Quer dizer, deve-se entrar em um debate falando ao coração da platéia, dizendo a verdade, e desmascarando-os, e, quando já fazemos isso, saímos do debate puramente aristotélico e vamos para a retórica, a persuasão, enfim, o jogo político.

      Neste post eu falo um pouco mais da idéia de que jogarmos o jogo político não significa mentirmos igual a esquerda:

      http://lucianoayan.com/2012/11/11/um-raio-x-das-regras-para-radicais-de-saul-alinksy-pt-2-dos-meios-e-fins/

      Em relação a política ser o “bem comum”, eu acho que isso é questionável.

      Você disse que a esquerda é “ávida pelo poder”. Concordo. Mas ela tem conseguido o poder. Não precisaríamos de direitistas ávidos pelo poder também? Para a balança contrabalançar pelos que acreditam que as idéias da direita são melhores?

      • Concordo completamente que precisamos de gente de direita ávida pelo poder. E daí eu coloco outro ponto: o da motivação. A motivação para a direita tomar o poder deve ser a busca do bem comum, o que eu acho que é plenamente válido. A esquerda emporcalhou demasiadamente a cena política, de modo que as pessoas não acreditam mais nesse conceito de bem comum, acham que política é só uma forma de se aproveitar dos outros, passar a perna e subir na vida, mas eu acredito que “bem comum” é um conceito que corresponde a uma realidade possível. O que quero dizer é que a motivação da direita não é a mesma da esquerda, não é a busca do poder apenas para se locupletar enquanto os outros sofrem na miséria (como é em Cuba, por exemplo).

        Acredito, por exemplo, que menos impostos e menos interferência do Estado, mais liberdades, são coisas que favorecem o bem comum, e isso já está inclusive provado cientificamente pelas correntes de pensamento econômico mais inteligentes e sinceras.

        Eu concordo que a direita tem que participar da vida política. Minha única objeção é com a palavra “jogo”. Sei que você a está usando com um sentido técnico, mas, como você mesmo falou, esse “jogo” envolve uma retórica. Eu considero um “lapso freudiano” quando um esquerdista fala em “jogo” político, porque passa a impressão de que, para essa pessoa, trata-se de uma brincadeira, entende? Como se estivesse jogando um vídeo-game em que tem que derrotar os adversários. Um jogo é uma coisa lúdica que tem um fim em si mesma. A política, para a esquerda, tem um fim em si mesma, o poder pelo poder, mas para a direita não deveria ser assim. Para a direita, o poder deve ter como fim o bem comum, como sempre foi. Não tenho conhecimento aprofundado ainda sobre isso, mas creio que o pensamento filosófico tradicional sempre considerou a política como a busca do bem comum. Acredito que a direita deve se basear nesse tipo de pensamento.

      • Pedro,
        Deixe-me analisar alguns pontos.
        A motivação para a direita tomar o poder deve ser a busca do bem comum, o que eu acho que é plenamente válido. A esquerda emporcalhou demasiadamente a cena política, de modo que as pessoas não acreditam mais nesse conceito de bem comum, acham que política é só uma forma de se aproveitar dos outros, passar a perna e subir na vida, mas eu acredito que “bem comum” é um conceito que corresponde a uma realidade possível.
        Mas veja só.
        Se você conseguir implementar sua proposta (que é a minha também), por exemplo, de redução de impostos, aqueles que querem os impostos altos sairão perdendo. Veja que não há o “bem comum”. Suponha que consigamos reduzir a maioridade penal. Os esquerdistas ficarão fulos de raiva. De novo, não há o “bem comum”. Logicamente, o “bem comum” não é possível.
        O que quero dizer é que a motivação da direita não é a mesma da esquerda, não é a busca do poder apenas para se locupletar enquanto os outros sofrem na miséria (como é em Cuba, por exemplo).
        Mas Cuba é apenas um exemplo. Na Suécia, há mais grana que aqui, e os esquerdistas venceram por lá. A questão é. Se os direitistas suecos abaixarem os impostos, os esquerdistas perdem. O “bem comum” sai de cena.
        Acredito, por exemplo, que menos impostos e menos interferência do Estado, mais liberdades, são coisas que favorecem o bem comum, e isso já está inclusive provado cientificamente pelas correntes de pensamento econômico mais inteligentes e sinceras.
        Acho que menos impostos e menos interferência do estado são coisas que favorecem aquelas pessoas que possuem personalidade adequada a essa filosofia, e DEVEMOS CONVENCER o povo disso. Veja que o esquerdista irá dizer exatamente o mesmo, que a ideologia dele é pro “bem comum”. Em suma, “bem comum” virou um rótulo. A questão é: como convencer o povo de que o “bem comum” nosso é melhor que o “bem comum” do esquerdista?
        Eu concordo que a direita tem que participar da vida política. Minha única objeção é com a palavra “jogo”. Sei que você a está usando com um sentido técnico, mas, como você mesmo falou, esse “jogo” envolve uma retórica. Eu considero um “lapso freudiano” quando um esquerdista fala em “jogo” político, porque passa a impressão de que, para essa pessoa, trata-se de uma brincadeira, entende? Como se estivesse jogando um vídeo-game em que tem que derrotar os adversários.
        Eu uso o termo “jogo” para não esquecermos que este “jogo” tem regras, e que, se estas regras não forem seguidas, perdemos. Na verdade, isso explica por que a esquerda está levando franca vantagem no ocidente, não? Eles entram em campo para derrotar os oponentes, mas a direita ainda entra em conflito com termos como “combate”, “guerra política” e daí por diante.
        Um jogo é uma coisa lúdica que tem um fim em si mesma. A política, para a esquerda, tem um fim em si mesma, o poder pelo poder, mas para a direita não deveria ser assim. Para a direita, o poder deve ter como fim o bem comum, como sempre foi. Não tenho conhecimento aprofundado ainda sobre isso, mas creio que o pensamento filosófico tradicional sempre considerou a política como a busca do bem comum. Acredito que a direita deve se basear nesse tipo de pensamento.
        Veja, o “pensamento” do “bem comum” é bom, pois veja no texto que lhe indiquei:
        “Você deve fazer o que puder com o que tiver em mãos e adorná-lo com tons morais; Os objetivos devem ser verbalizados em termos gerais como “Liberdade, Igualdade e Fraternidade”, “Do bem estar comum”, “Busca da felicidade”, ou “Pão e paz”.”
        Ou seja, se você usar o termo “bem comum”, incisivamente, na guerra política, ou nos jogos políticos, já é um ponto a teu favor. Mas, se os esquerdistas “jogarem” melhor, eles vão levar.
        A política é um lugar onde se fala a uma população muito mista, a maioria destes incultos, que tem preocupações diversas no dia-a-dia. Essa população (o eleitorado, a opinião pública, as organizações) não dão a mínima para filosofia e vivem por auto-interesse. A pergunta é: qual a solução?
        A meu ver a única é dominar os jogos políticos tal qual a esquerda, mesmo que tenhamos nossos freios éticos.

  3. “Suponha que consigamos reduzir a maioridade penal. Os esquerdistas ficarão fulos de raiva.”

    Bem comum não precisa ser algo que agrade a todos. Os assaltantes, os assassinos, os pretendentes a tiranos, todas essas pessoas necessariamente devem sair perdendo em nome do bem comum.

    “Acho que menos impostos e menos interferência do estado são coisas que favorecem aquelas pessoas que possuem personalidade adequada a essa filosofia, e DEVEMOS CONVENCER o povo disso.”

    Nós temos uma aliada poderosa, que é a verdade. A esquerda precisa de muitos truques justamente porque a ideologia deles é falsa. Nós temos a verdade de que a educação no Brasil não serve para nada. A verdade de que a saúde pública é uma piada demente. A verdade de que as estradas estão todas esburacadas. É só gritar: o rei está nu! Por exemplo, temos a simples verdade de que, com menos impostos, os produtos do dia-a-dia seriam muito mais baratos. Nem precisa ter uma personalidade empreendedora para se beneficiar de preços mais baratos. E pra que esses impostos todos? Pra educação, saúde? Não, mas para uma casta de servidores públicos e políticos viverem uma vida de nobreza, praticamente sem trabalhar e sem contribuir para nada. Apenas prometem mais saúde, mais educação, mais habitação, mas nunca cumprem as promessas, porque são promessas falsas, vazias, impossíveis, imorais.

    “Eles entram em campo para derrotar os oponentes, mas a direita ainda entra em conflito com termos como “combate”, “guerra política” e daí por diante.”

    Na verdade, com os termos “combate” e “guerra cultural” eu não tenho problema nenhum, pois eles refletem a seriedade do problema. Não gosto quando falam em “jogo”, porque, como disse, tirar essas pessoas do poder não é uma brincadeira, mas é uma questão de vida ou morte.

    “A política é um lugar onde se fala a uma população muito mista, a maioria destes incultos, que tem preocupações diversas no dia-a-dia. Essa população (o eleitorado, a opinião pública, as organizações) não dão a mínima para filosofia e vivem por auto-interesse. A pergunta é: qual a solução?
    A meu ver a única é dominar os jogos políticos tal qual a esquerda, mesmo que tenhamos nossos freios éticos”

    A esquerda precisa mentir, e todos esses truques políticos que eles usam decorrem da ideologia falsa que eles precisam disseminar. Nós precisamos estudar e buscar a verdade. A esmagadora maioria da população entende a verdade de que “não há almoço de graça”, por exemplo. Só que não tem ninguém que fale isso publicamente! Todos acham que o eleitorado só vota em quem promete saúde, educação, habitação, bolsa-família, etc., etc. Mas o detalhe é que essas promessas vazias cansam, as pessoas são inteligentes sim, eventualmente percebem que tudo isso é furado. É só mostrar que enquanto o Sr. Lula promete o paraíso na terra, o filho dele vira um bilionário da noite pro dia! Concordo em estudar, adaptar e usar os jogos políticos da esquerda e acho isso muito importante, mas não é a única solução: acredito no poder da verdade, da justiça, da moralidade, que são coisas reais, e não meros rótulos ideológicos usados para enganar trouxa com discurso. A esquerda roubou tudo isso, e é necessário desmascará-los e resgatar o sentido real dessas coisas. As pessoas da direita precisam de mais coragem, de realmente darem a vida pelo bem comum, pelo país!

    • Pedro
      Os assaltantes, os assassinos, os pretendentes a tiranos, todas essas pessoas necessariamente devem sair perdendo em nome do bem comum.
      Sim, mas nem todos os da esquerda são pretendentes a tiranos, muitos são pessoas que acreditam em alguns ideais.
      Nós temos uma aliada poderosa, que é a verdade. A esquerda precisa de muitos truques justamente porque a ideologia deles é falsa. Nós temos a verdade de que a educação no Brasil não serve para nada. A verdade de que a saúde pública é uma piada demente. A verdade de que as estradas estão todas esburacadas. É só gritar: o rei está nu!
      Você tem uma denúncia a fazer a respeito do estado atual das coisas, mas, se você não for OUVIDO pelo público (incluindo a massa), de nada adiantará você estar do lado da verdade. Veja: eu defendo que usemos a verdade, e sempre falei isso aqui. O que eu digo é que, sem jogarmos de acordo com as regras do jogo político, a derrota é garantida sempre.
      Por exemplo, temos a simples verdade de que, com menos impostos, os produtos do dia-a-dia seriam muito mais baratos. Nem precisa ter uma personalidade empreendedora para se beneficiar de preços mais baratos. E pra que esses impostos todos? Pra educação, saúde? Não, mas para uma casta de servidores públicos e políticos viverem uma vida de nobreza, praticamente sem trabalhar e sem contribuir para nada. Apenas prometem mais saúde, mais educação, mais habitação, mas nunca cumprem as promessas, porque são promessas falsas, vazias, impossíveis, imorais.
      Sim, você está apontando os fatos, mas ninguém da classe média baixa para baixo vai te ouvir, e essa é a maior parte do eleitorado. Primeiro por que eles acreditam na idéia de que os ricos devem pagar mais impostos, e, segundo, por que eles não percebem que o imposto cobrado das classes mais altas, especialmente os empresários, é “cobrado” diretamente deles, pois estes custos extras dos industrais e empresários são embutidos nos preços. Tente explicar isso para o chapeiro da lanchonete, e ele não vai nem te ouvir. Veja: você tem um ideal, que é o mesmo que eu tenho, mas a própria verdade que você diz depende de um conhecimento prévio de economia que quase ninguém vai ter. No que eu pergunto: no embate político, de que isso terá adiantado? O que eu digo é que não se deve esquecer os ideais, mas também elaborar propostas que sejam claras, e que possam atender às várias camadas da população. Isso sim seria mais próximo do bem comum.
      Na verdade, com os termos “combate” e “guerra cultural” eu não tenho problema nenhum, pois eles refletem a seriedade do problema. Não gosto quando falam em “jogo”, porque, como disse, tirar essas pessoas do poder não é uma brincadeira, mas é uma questão de vida ou morte.
      Veja, eu vou repensar a idéia do termo “jogo”, embora eu não consiga encontrar um outro que o substitua. Um exemplo do uso do termo jogos políticos para a política corporativa: http://www.jogospoliticos.com.br/
      O uso do termo jogos, quando são esclarecidos os pontos (e os jogos incluem a conquista da cabeça-campo-de-guerra da população para a guerra de posição), mesmo que pareça “informal”, não tira a seriedade da luta pelo poder, mas a desnuda de uma forma facilmente assimilável. Aliás, eu já usei o termo jogo de forma mais informal, para o jogo de rótulos,mas o empreendimento é seríssimo: http://lucianoayan.com/2012/06/14/tornando-a-guerra-politica-mais-divertida-uma-introducao-ao-jogo-de-rotulos/
      Vou dar um outro exemplo. Chega o esquerdista e diz “Demóstenes foi pego em corrupção, a direita está nua”. Qual o jogo? Ele tenta imputar a toda direita as culpas do Demóstenes. Mais de uma vez eu já vi quem é de direita caindo no jogo. Eu, ciente do jogo, reverti o quadro e disse “Nós, da direita, somos a favor de punir nossos culpados, vocês, da esquerda, defendem os seus culpados, no caso do Mensalão”. Isso é uma reversão que funciona. É uma jogada como em um tabuleiro de xadrez. (Aliás, eu poderia até substituir jogos políticos, por “movimentos”, aí teríamos um framework com estratégia, táticas, rotinas e movimentos, mas preciso pensar mais a respeito).
      A esquerda precisa mentir, e todos esses truques políticos que eles usam decorrem da ideologia falsa que eles precisam disseminar. Nós precisamos estudar e buscar a verdade. A esmagadora maioria da população entende a verdade de que “não há almoço de graça”, por exemplo. Só que não tem ninguém que fale isso publicamente! Todos acham que o eleitorado só vota em quem promete saúde, educação, habitação, bolsa-família, etc., etc.
      Eu acho que tem quem fale isso publicamente, mas o cérebro da população já está “desligado” para o discurso da direita. Aliás, esta é a estratégia gramsciana. Vá em locais onde muitos são beneficiados por bolsa-família e veja que o PT ganha de baciada por lá. E não adianta nenhum discurso para mudar isso.
      Mas o detalhe é que essas promessas vazias cansam, as pessoas são inteligentes sim, eventualmente percebem que tudo isso é furado. É só mostrar que enquanto o Sr. Lula promete o paraíso na terra, o filho dele vira um bilionário da noite pro dia!
      E você acha que os eleitores do PT ligam para as denúncias de corrupção? Eu duvido que liguem. O fato é que a maioria das pessoas não ligam para essas questões, e pensam no dia de hoje, no máximo no dia de amanhã. Leia Apoiando Hitler, de Robert Gellatelly, e veja como a população alemã estava ciente do genocídio de judeu. Basta prometer pão e circo, e ser incisivo, que o povo acredita. A questão é: como derrotar isso? Há várias formas. Um exemplo é esperar a falência de um ou mais estados inchados, e depois tachar os esquerdistas de culpa disso. Essa é uma verdade, mas tem que ser dita em termos políticos, não como se estivéssemos em um debate acadêmico.
      Concordo em estudar, adaptar e usar os jogos políticos da esquerda e acho isso muito importante, mas não é a única solução: acredito no poder da verdade, da justiça, da moralidade, que são coisas reais, e não meros rótulos ideológicos usados para enganar trouxa com discurso. A esquerda roubou tudo isso, e é necessário desmascará-los e resgatar o sentido real dessas coisas.
      Mas o próprio desmascaramento público de alguém, chamando essa pessoa de desonesta e safada (quando for aplicável) é o que defino como uma das partes essenciais do jogo político.
      As pessoas da direita precisam de mais coragem, de realmente darem a vida pelo bem comum, pelo país!
      Eu acho que coragem até existe, mas acho que é preciso de mais conscientização de como funciona toda a estrutura da disputa política, da guerra política, ou até, em menor escala, dos jogos políticos.
      O tema é interessante e devo escrever algo a esse respeito em breve em um post.

      • Tentando ajudar o Luciano na tarefa de esclarecimento…

        Os LÍDERES da esquerda *não* alimentam (muitas) ilusões a respeito da natureza humana, enquanto que a grande maioria dos direitistas (sejam líderes ou não) ainda alimenta, infelizmente.
        Pode ser muito desconfortável ( e para mim, ainda é ) encarar a sensação de que a grande maioria das pessoas, durante a maior parte do tempo, não é basicamente diferente de uma ferramenta ou de uma máquina, muito previsível e potencialmente manipulável, porém mais cedo ou mais tarde, nós, os que “dormem menos” (Gurdjieff foi um safado, porém disse umas grandes verdades), temos de aprender a lidar com esse fato da vida.

        Para ser honesto, existe uma terceira opção, mas eu tenho certeza de que ela desagrada tanto a direita quando a esquerda, de modo que eu, um “ponto fora do espaço” 🙂 , vou ser prudente e não vou mencionar as idéias que “não interessam a ninguém”. 😉

      • -“Sim, mas nem todos os da esquerda são pretendentes a tiranos, muitos são pessoas que acreditam em alguns ideais.”
        -Acredito que uma das armas mais fortes contra esses ideais é a religião, que também é um ideal, só que muito mais consistente.

        -“Você tem uma denúncia a fazer a respeito do estado atual das coisas, mas, se você não for OUVIDO pelo público (incluindo a massa), de nada adiantará você estar do lado da verdade. Veja: eu defendo que usemos a verdade, e sempre falei isso aqui. O que eu digo é que, sem jogarmos de acordo com as regras do jogo político, a derrota é garantida sempre.”
        -Não concordo quando você diz que não adianta nada estar do lado da verdade se eu não for ouvido. Mesmo sem ser ouvido, alguém que rejeita a esquerda já é uma vitória. Concordo que temos que usar os truques políticos, mas não acho que a nossa derrota é garantida sempre que não o usemos. Pelo contrário, eu acredito que nós estamos destinados à vitória eventualmente. Como essa vitória vai acontecer, eu não sei e acho que ninguém sabe sozinho. Acredito que no momento atual estamos “acumulando forças”, o trabalho atual não é com as massas, mas é um trabalho de angariar simpatias, militantes, divulgar as ideias e os pensadores de direita, e esperar crescermos, e enquanto isso, estudar o que for preciso estudar para vencer no futuro, como você está fazendo.

        -“Sim, você está apontando os fatos, mas ninguém da classe média baixa para baixo vai te ouvir, e essa é a maior parte do eleitorado.”
        -Não concordo que ninguém de classe média baixa seja capaz de entender os argumentos que eu coloquei. Algumas pessoas vão entender sim. Não acho que precisemos da maioria agora. Precisamos crescer ainda, só isso. Acho que o momento ainda não é o de “atacar”, mas de acumular forças, estudar, angariar mais militantes, incentivar mais e mais pessoas a se decidirem a darem a vida pela nossa causa.

        -“Veja: você tem um ideal, que é o mesmo que eu tenho, mas a própria verdade que você diz depende de um conhecimento prévio de economia que quase ninguém vai ter. No que eu pergunto: no embate político, de que isso terá adiantado? O que eu digo é que não se deve esquecer os ideais, mas também elaborar propostas que sejam claras, e que possam atender às várias camadas da população. Isso sim seria mais próximo do bem comum.”
        -Não acho que as minhas ideias econômicas sejam apenas um ideal: acredito que estão mais próximas de fatos. E esse conhecimento econômico é muito importante para elaborar as propostas de que você fala. A nossa vantagem é justamente essa: os nossos “ideais” são verdadeiros! A economia liberal realmente cria mais prosperidade. A moralidade cristã realmente cria uma sociedade mais justa e harmoniosa. O pensamento e a filosofia tradicionais realmente deixam as pessoas mais inteligentes. Essa é uma vantagem que nós temos que usar a nosso favor.

        -“Veja, eu vou repensar a idéia do termo “jogo”, embora eu não consiga encontrar um outro que o substitua.”
        -Por que não “combate” ou “guerra”?

        -“Eu acho que tem quem fale isso publicamente, mas o cérebro da população já está “desligado” para o discurso da direita. Aliás, esta é a estratégia gramsciana. Vá em locais onde muitos são beneficiados por bolsa-família e veja que o PT ganha de baciada por lá. E não adianta nenhum discurso para mudar isso.”
        -Não vejo ninguém na mídia de massa falando de princípios liberais na economia, em redução de impostos, na necessidade de empreendedorismo, redução da intervenção do Estado, etc. Acabou, ninguém fala mais nisso. E você tem razão: mesmo que falassem, a maioria das pessoas está mesmo “desligada” para essas ideias. Mas nem tanto: veja, por exemplo, a última eleição para o DCE na UnB, em que a chapa liberal venceu. Acredito que vai chegar um ponto em que a verdade de que a esquerda no poder só causa miséria vai ficar tão evidente que o nosso trabalho vai ser mais fácil, como você falou sobre a falência dos Estados inchados (como já está acontecendo na Europa).

        -“E você acha que os eleitores do PT ligam para as denúncias de corrupção? Eu duvido que liguem.”
        -Acho que as denúncias de corrupção são importantes, porque nunca tivemos tanta corrupção. Não convencem todos, mas convencem algumas pessoas, e nos ajudam a crescer. E podemos usar o fato dos eleitores do PT não ligarem para a corrupção ao nosso favor, dizendo: “veja como são alienados e imorais esses eleitores do PT, que repetidamente votam em candidatos que só roubam. Quando não são idiotas, são uns ignorantes, mesquinhos, interesseiros, etc.” Já que não dá pra convencê-los, então acho que devemos atacá-los.

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