Dois erros estratégicos imperdoáveis de Rachel Sheherazade em comentário sobre a guerra de posição nas cédulas

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Aos 0:37, ela rotula os oponentes como “defensores do estado laico”. Na hora em que assisti minha reação imediata foi: “Puta que pariu! Será que há limites para a ingenuidade?”

Ela se coloca contra os violadores do estado laico (os humanistas anti-cristãos), mas os rotula como defensores, sendo que o termo “defensor do estado laico”, se aceito como pertinente a um grupo, já coloca a opinião pública (ao menos daqueles que sabem o que significa estado laico, é claro) a favor do grupo que assume o rótulo. Em resumo, para uma determinada parcela da população (os que já ouviram falar mais ou menos do que é estado laico), Rachel deu o campo e a vitória ao adversário.

Ela deveria ter dito praticamente o oposto, posicionando-se como “defensora do estado laico”, e acusando o procurador e seus amigos esquerdistas como “inimigos do estado laico”, e em seguida feito o restante de seu discurso. Ela poderia usar um argumento assim: “Um estado que aceita uma mensagem ‘Deus seja louvado’, que agrada aos teístas, e a imagem de Marianne, que agrada aos defensores de regimes genocidas desde a Revolução Francesa, é de fato laico e plural quanto às religiões”. Como se vê, não é preciso muito para demonstrar que o outro lado não está a favor do estado laico, mas contra ele.

Em relação ao conceito de estado laico, no quesito conhecimento, estão 3 grupos:

  • Dominam o conceito de estado laico
  • Sabem por cima o conceito de estado laico
  • Não tem a mínima noção do que é estado laico

O primeiro grupo não será afetado, nem o terceiro. Mas quem é da platéia, e pertence ao segundo grupo, irá ficar do lado daquele que se vender como “defensor do estado laico”. Se alguém posicionar o oponente como “defensor do estado laico”, isso é o mesmo que desistir do debate perante a uma parcela significativa da população. Os neo-ateus de Internet, assim como os cristãos que jogam o jogo dos neo-ateus, estão todos no segundo grupo. Por isso, o erro de dar o rótulo “defensor do estado laico” de forma injustificada ao oponente é inaceitável e imperdoável. É o mesmo que fazer um gol contra intencionalmente em jogo decisivo. Assim fica fácil demais para eles!

Outra amostra de erro estratégico de Rachel é quando ela conclui o vídeo dizendo que tirar a mensagem das cédulas é “falta do que fazer”. Nem de longe! Na guerra política, demarcar espaço, através da guerra de posição, é o que HÁ DE MAIS IMPORTANTE a ser feito. Nesta questão, a retirada da mensagem “Deus seja louvado” tem efeito psicológico muito poderoso para o lado deles.

A única coisa a ser feita para resolver este estado de coisas é conscientizar os participantes dos embates políticos. Algo como a Rachel terminar seu discurso, e perguntar: “O que achou de minha performance?”, e um outro responder: “Ridícula, você deu o rótulo de ‘defensor do estado laico’ para o inimigo. Tu é ingênua pra c… Deu até pena de ver!”. E assim, sucessivamente, a conscientização deve ser feita. O estilo “assertivo” de declaração deve ser forte e ousado, pois estamos quebrando ingenuidades imperdoáveis, que tem sido extremamente úteis apenas aos esquerdistas na guerra política.

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13 COMMENTS

  1. Esse lance do “defensores do estado laico” e chamar os neo-ateus de laicistas foi algo que cheguei a comentar no FB.
    E realmente para nós é falta do que fazer mesmo, Mas para os neo-ateus é algo que vai servir para inflar seus egos e satisfazer seus mimos e caprichos. Só se tem que tomar cuidado e não subestimar o adversário ao pensar que “não é nada demais” …

  2. Pessoal, Luciano não está largando o pau na gatinha conservadora Rachel Sheherazade. Ele usou o termo “imperdoável” dentro do contexto de guerra política, conforme os paradigmas adotados neste blog, entendem?
    É claro que Rachel continuará sendo querida por Luciano e continuaremos gostando dela. Aliás, seria muito bom q ela visse esse artigo. Acho q ela agradeceria.

  3. A lógica de Luciano Ayan continua bobinha, como sempre. Rachel sherazade fez uma ironia aos “defensores do Estado laico”. Mas meu caro Ayan, foi por essa tolice de não querer chutar a barraca dos rótulos, que a direita está levando surra durante quarenta anos. Ao querer agradar aos rótulos que a esquerda impõe, o direitista médio quer ser mais esquerdista na linguagem do que a própria esquerda. O discurso do Estado laico, que na prática é do Estado ateu, naõ tem a menor relevância. Foda-se a nomenclatura do Estado laico. Ela não tem a menor importância. Precisamos sim, denunciar a máscara que está por trás da hegemonia cultural e não colaborar com ela.

    • “Estado laico” = estado que não tomará partido a favor de nenhuma religião em específico. Quem defender o estado laico, portanto, já ganhou o debate. Isso parece bem lógico.

      A questão é que a direita AINDA NÃO DESCOBRIU que os rótulos estão sendo utilizados pela esquerda, pois ela aprendeu a jogar o jogo político, enquanto a direita ainda está engatinhando.

      Além do mais, o estado laico não foi “rótulo imposto pela esquerda”, mas um conceito surgido dentro da cultura ocidental, cristã. Quando você diz que “na prática, o estado laico, é um estado ateu”, é que caiu na camisa de força imposta pela esquerda, pois não existe isso de algo que na verdade é uma coisa, mas “na prática” é outra. Esse é um estratagema schopenhauriano, diga-se, de passagem.

      Se “na prática, estado laico hoje é sinônimo de estado ateu”, é sinal de que no jogo de rótulos, os esquerdistas foram muito mais espertos.

      Ao denunciar o uso fraudulento dos rótulos pela esquerda, eu estou quebrando o jogo do esquerdista na raiz, ao invés de jogar para o lado dele.

      Sua intenção pode até ser positiva, mas resvala em uma ingenuidade de dar pena.

      É como se um sujeito chega e diz “Eu sou dos direitos humanos, portanto quero dizer que a polícia hoje só bate em preto e pobre”, e o direitista diz: “Esse pessoal dos direitos humanos só quer proteger bandido”. A partir daí, o esquerdista já ganhou o debate com uma facilidade de dar pena.

  4. Outra amostra de erro estratégico de Rachel é quando ela conclui o vídeo dizendo que tirar a mensagem das cédulas é “falta do que fazer”. Nem de longe! Na guerra política, demarcar espaço, através da guerra de posição, é o que HÁ DE MAIS IMPORTANTE a ser feito. Nesta questão, a retirada da mensagem “Deus seja louvado” tem efeito psicológico muito poderoso para o lado deles.

    Conde- Luciano Ayan, como estratega político, é um verdadeiro desastre. Rachel, ao afirmar que a retirada do “Deus seja louvado” é algo desocupado que não tem nada por fazer demonstra apenas a desocupação intelectual das pessoas que dizem defender o “Estado laico”. Ou seja, ela mesma demonstra que a ação é despropositada, grosseira, apenas embasada em preconceitos políticos e ideológicos mesquinhos. Pq ela vai dizer que aquela ação é necessariamente importante, quando na prática, ela demonstra a mesquinhez e a pequenez daquela ação?

    • Eu não sei se você percebeu, Conde, mas o termo “Não tem nada melhor para fazer” já foi satirizado várias e várias vezes pelos humanistas nessa questão. Ou seja, eles até já possuem frase de efeito para rebater essa. Basta alguém dizer “Não há nada melhor para fazer?”, que eles retornam com “O MPF deve atender a todas as queixas de violação à constituição”, e aí o míssil lançado pela direita vai pro espaço.

      Como já disse, um estrategista não tem que pensar apenas no ATAQUE, mas sim em como o oponente vai RESPONDER AO SEU ATAQUE. Não adianta você lançar mísseis que serão facilmente interceptados do outro lado.

      Outro erro seu é que ela devia dizer que ou a ação é “nada para fazer” ou “necessariamente importante”. Na verdade, para o seu público, ela não deveria falar nada a respeito. Para si própria, ela poderia ter a noção de quanto a ação é importante para os anti-religiosos. Aqui foi uma falácia do falso dilema.

      Mas enfim, você acha que tirar Deus seja louvado das cédulas é “falta do que fazer”?

    • Segue, Conde, o que o Bule Voador já respondeu em relaçao ao míssil ‘tem mais o que fazer’: ““A Justiça deveria se preocupar com coisas mais importantes. Enquanto está aí dando piti por causa de uma frase besta, a corrupção e o desmatamento grassam por aí.” – Essa é uma falácia de falsa dicotomia, que parte da premissa de que não seria possível a Justiça brasileira ao mesmo tempo fazer valer o respeito à laicidade constitucional e atender a denúncias de corrupção e crimes ambientais. Nada, nada mesmo, impede que o Poder Judiciário vá tomar providências contra a corrupção e o desmatamento ao mesmo tempo em que está reivindicando a supressão do DSL das notas de real.”

      • LH, provavelmente esta resposta vai fazer “pouco sentido” pra você, MAS ela talvez signifique algo para o Conde Loppeux e outros religiosos *pròpriamente-ditos* { não gosto quando você emprega a expressão “religião tradicional”, pois para mim, Tradição é com T maiúsculo e se situa acima e além das religiões, porém deixemos de lado esta “bizantinice” 🙂 , por enquanto 😉 }. Segundo Julius Evola e outros autores, o poder do “sagrado” em relação ao poder do “profano” vem decaindo gradual e sistematicamente ao longo da História, em parte porque as próprias lideranças religiosas, por *puro desleixo* vamos assim dizer, vêm perdendo o contato com a fonte do “poder espiritual”, do qual o poder “temporal” seria uma simples conseqüência. Tentando traduzir tudo isto em terminologia “psicológica” 😛 , a direita política deveria se preocupar menos em estudar/aprender-com as técnicas da esquerda, e se preocupar mais com a obtenção e manutenção do *estado de espírito adequado para os combates*. Se a pessoa está com o “espírito desarmado”, por assim dizer, dificilmente ela vai conseguir fazer a ação correta na ocasião propícia — e eu acrescento que, em muitos casos, a ação correta pode sim significar ação *direta* 😉 e jogar “sujo”. 😉 Não sei se você já assistiu ao filme “The Mechanic”, estrelado pelo Charles Bronson, mas nele tem uma cena em que um mestre de artes marciais não hesitou em dars uns corretivos num aluno que “partiu para a apelação” — e eu penso que essa cena poderia servir como um “despertador” para a direita desorientada. 🙂

      • JMK, eu concordo contigo que deve existir a busca do estado de espírito adequado (é a conscientização dos truques deles), como a preparação para o jogo (as técnicas/rotinas do oponente). Eu foco mais no jogo, mas, como já disse antes, é preciso de vários perfis para a batalha política. Ah, e esse filme estrelado por Charles Bronson é ótimo. O remake recente, com Statham, também é bem legal. Abs, LH. 🙂

  5. essa situação da crítica do luciano a sherazade parece que deixou o conde irritado e sua resposta foi emocional, uma pena, já que é um dos grandes articulistas de direita, junto com o próprio luciano,…

    as criticas do luciano são válidas sim na medida em que o termo “estado laico” está sendo usado de forma desvirtuada, então eles nao são defendores da laicidade uma ova, mas hipócritas que se escondem atrás de falsos rótulos… isso precisa ser dito!

    Vou dar minha experiencia pessoal: faço meu trabalho de formiguinha no grande fórum infestado de esquerdistas… e foi justamente no debate usando essa estratégia, atacando isso e mostrando que os laicistas são deturpadores do Estado Laico, inimigos dele, porque “tirar a marianne maçonica” ou “o lema da bandeira”, eles não querem, passei a atacar o humanismo, o positivismo e aí eles vieram de lá pra DEFENDER.

    Ficando na defensiva, rodaram, comparando essas ideologias com o Cristianismo, eles ficaram contra a parede e eu passei pra fase das pilhérias… só não fui mas fundo que lá tem expulsão, resultado: os caras ficaram caladinhos com o rabo entre as pernas!

    p.s. é claro que a sherazade usou a expressão “defensores do Estado Laico” ironicamente, isso é perceptível em seu tom do voz, mas é muito pouco para quem não conhece a fundo o conceito…

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