Serviço público federal tem mais de 100 mil apadrinhados… e Constantino não soube aproveitar a bola alçada na área!

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Fonte: Estado de Minas

O governo federal e o Congresso empregam hoje mais de 100 mil servidores que não passaram por seleção para o cargo que ocupam. Pelo menos 40 mil deles nem chegaram a prestar qualquer tipo de concurso para entrar no serviço público. Os dados são do próprio Executivo, da Câmara e do Senado e chamam mais atenção agora com o novo escândalo envolvendo funcionários de alta patente do governo – todos eles alçados aos cargos por indicação política. É o caso dos irmãos Paulo Vieira e Rubens Vieira, ex-diretores de agências reguladoras; José Weber de Holanda, segundo na hierarquia da Advocacia-Geral da União (AGU); e Rosemary Noronha, ex-chefe de gabinete da Presidência da República em São Paulo. Para cientistas políticos ouvidos pelo Estado de Minas, a meritocracia, que deveria ser priorizada pelos governantes para nomear ocupantes de cargos públicos, fica muitas vezes deixada de lado para dar espaço às negociações e interesses partidários.

No Congresso, são 14.942 cargos ocupados por meio de nomeações livres e que não exigem do funcionário qualquer tipo de graduação ou qualidade técnica comprovada. Segundo os dados da Câmara, até o final de agosto 10.389 servidores trabalhavam na Casa por indicação dos deputados. Cada parlamentar pode indicar até 25 nomes para atuar nos gabinetes como assessores parlamentares, com vencimentos variando entre o salário mínimo e R$ 8 mil. A Câmara ainda reserva 1.394 vagas comissionadas para indicações feitas pelos ocupantes da Mesa Diretora e dos partidos políticos (o número de vagas é proporcional ao tamanho da legendas), com salários entre R$ 2,6 mil e R$ 14 mil. Já no Senado, 3.159 servidores atuam sem ter passado por concursos. Cada senador pode empregar em seus gabinetes cinco assessores técnicos, seis secretários e motorista.

O maior contingente de indicados aos cargos públicos, no entanto, está espalhado pelos órgãos federais e ministérios. Existem hoje 87.245 funcionários comissionados de livre nomeação, grande parte deles com cadeiras garantidas em estatais e órgãos gestores graças a acordos entre partidos e ligações com pessoas influentes dentro das legendas. Desse total, 22.084 ocupam cargos de direção e assessoramento superior, considerados de confiança. Os demais, cerca de 65 mil funcionários, podem até ter passado em alguma seleção, mas não para o cargo que ocupam.

BALCÃO “Infelizmente, no Brasil, a meritocracia não criou raízes profundas no meio institucional. Isso, na prática, significa que o mérito pessoal baseado na qualidade dos serviços prestados acaba ficando de lado e é menos valorizado que as indicações políticas”, explica o analista político Gaudêncio Torquato. Segundo ele, a relação entre ocupantes de cargos públicos e políticos se tornou um verdadeiro ciclo de negócios comum tanto nas instâncias federais quanto nas estaduais e municipais, o que explica muitos dos problemas que se repetem nas administrações. “Com pessoas pouco preparadas tecnicamente para exercer determinadas funções, entram em cena desvios e erros”, afirma Torquato.

Para o analista, não existiriam soluções a curto prazo para resolver os excessivos problemas ligados às pessoas indicadas aos cargos de confiança, uma vez que o modelo de presidencialismo de coalizão fomenta as práticas de negociação entre grupos políticos para chegar ou se manter no poder. “A primeira medida seria que os partidos passassem a adotar um rigor maior no quadro de indicados. Depois, colocar em prática a transparência total dos integrantes, sejam as agendas, reuniões e negociações envolvendo servidores públicos em nível de chefia”, aponta Torquato. Ele acrescenta que a redução das vagas por indicações também deve ser uma meta dos governos, assim como o estímulo de controles mais rigorosos pelos órgãos fiscalizadores.

O aumento das negociações envolvendo cargos de confiança  é apontado pelo cientista político Rudá Ricci como um dos principais problemas enfrentados pela administração pública nos dias de hoje. Segunde ele, a prática que se tornou mais comum a partir de 2002 com a chegada de Luiz Inácio Lula da Silva ao poder e com a busca por uma ampla coalizão para governar, está cada vez mais disseminada pelos municípios brasileiros. “Desde que Lula assumiu, a composição governamental se tornou prioridade e muitos partidos receberam cargos como forma de participar do poder. Até mesmo grupos de oposição. E isso exige muita concessão política. Nessas eleições tivemos vários casos em que as negociações começaram logo depois dos resultados das urnas. Quem perde com isso somos nós eleitores”, lembra Rudá.

Marcelo da Fonseca

Meus comentários

O vídeo acima mostra um desempenho lamentável do libertário Rodrigo Constantino contra o político esquerdista Ciro Gomes. Ingênuo, Constantino não estava preparado para o fato de ter que duelar com alguém que depende do estado inchado exatamente para manter o poder. É claro que Gomes tem estratagemas diversos, para a manutenção do status quo do estado inchado, enquanto Constantino não estava preparado para o jogo político.

Um exemplo de como Gomes poderia ter sido demolido é com uma análise do aparelhamento estatal com os cargos públicos apadrinhados.

Basta considerar a eliminação de 80% dos cargos apadrinhados, com a substituição dos 20% restantes por concursados, considerando o gasto de R$ 35.000,oo por ano para cada cargo (aliás, estou chutando por baixo, pois quem já viu os custos anuais de funcionários, sabe que este é o custo para analistas júniores).:

  • X = 100.000 cargos a R$ 35.000/ano cada = R$ 3.500.000.000,00 (ou seja, 3 bilhões e meio – e olhem que o Ciro Gomes disse que a redução não poderia chegar nem à casa do bilhão)
  • Y = 20.000 cargos a R$ 35.000/ano cada = R$ 700.000.000,00 (700 milhões de reais)
  • X – Y = R$ 2.800.000.000,00 (economia anual de R$ 2,8 bilhões somente com a eliminação de 80% dos cargos apadrinhados)

E essa é apenas uma das oportunidades de redução de custos!

Enfim, o estado é inchado, pois seu inchamento atende aos interesses daqueles que querem se aproveitar das “oportunidades” que o estado inchado dá. Uma pena que Constantino não tenha tido a agilidade de raciocínio de expor Ciro Gomes como um desonesto, que depende do estado inchado para obter poder.

É em momentos assim que vejo os libertários como um bando de crianças ingênuas, que ainda não sabem jogar as regras do jogo político. O negócio, é claro, é dar sucessivos puxões de orelhas neles.

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13 COMMENTS

  1. Tive pena do Constantino nesse debate. Não por demérito intelectual dele, mas por imaturidade no debate político — o que é natural, já que ele não é dessa área. Debater com Ciro Gomes não é fácil: como todo bom mentiroso, Ciro se vale de diversas táticas para inventar falácias e fazer o seu discursos parecer “mais realista”, enquanto joga o discurso do oponente para o campo das “inconsistências”, do “fanatismo ideológico”. Não fosse o bastante, todos sabemos como o Ciro Gomes é, além de tudo, grosseiro e mal educado. Ao ser minimamente confrontado, não se furta de interromper as falas alheias, de aumentar o tom de voz inadvertidamente, de intimidar o oponente (nesse programa, num dado momento, o Ciro perguntou indignado e agressivo “do que o Constantino estaria rindo”, enquanto ele falava, sendo que o próprio Ciro não se cansa de rir debochadamente ao enfrentar seus oponentes), etc. É complicado.

  2. É melhor você tomar cuidado com suas críticas ao Constantino. Ele vive dando surras no Olavo de Carvalho. Cuidado para não ser o próximo.

    OBS: Ele não é libertário, é liberal apenas.

    • Ué, quem mandou o Constantino perder de forma tão ridícula para o Ciro Gomes em debate? Além do mais, se o Constantino fosse me atacar com os mesmos argumentos que usou contra o Olavo, a coisa aí que piora de vez para ele… Mas não creio que ele teria essa intenção, além de minha crítica ser uma análise nua e crua do debate. Pergunta: quem você acha que controlou o frame no debate? Ciro ou Constantino?

      • Quem controlou o frame, seja lá o que isso for, não sei, porém, sei que o Ciro teve mais argumentos que o Constantino. O Constantino parecia muito mais um apologista de livre mercado e do ´´Estado mínimo“ e o Ciro não é só bom de debate. Ele é político profissional, teve cargo no governo FHC e conhecia os números melhor que o Constantino. Aí não ia adiantar ele ficar só com a retórica e a pregação liberal… seria o mesmo que você, que tem muitos textos sobre técnicas de debate, querer debater com um historiador especializado em escravidão contemporânea durante a década de 80 no Pará. Se você fosse debater com o Ciro, seria muito pior, visto que os conhecimentos em Economia que o Constantino tem, você não tem. Não basta só a forma, é preciso ter conteúdo!!!

      • Aí é que você se engana. O Constantino errou de fato pois ele entrou como um apologista de livre mercado, mas devia ter INVESTIGADO seu adversário (aliás, o paradigma que defendo é o da investigação dos adversários, ao invés de entrar com “pureza de alma” em debates). Outro ponto é que se eu fosse debater com um investigador de escravidão contemporânea durante a década de 80 no Pará eu ouviria o que ele tem a dizer e avaliaria os fatos. Aliás, pq eu entraria em debate sobre “escravidão contemporÂnea no Pará”? Que eu saiba, lançamos teses em áreas onde somos especializados e NÃO O INVERSO.

        Se eu fosse debater com o Ciro e fosse defender uma tese contrária a tese, eu faria isso com NÚMEROS em mãos. Aí não é só questão de economia, como o Constantino tem, mas sim o uso do raciocínio investigativo. Portanto, o Rodrigo ter entrado em arena e afirmado que poderia reduzir o estado e se apequenar diante do questionamento do Ciro Gomes é UM ERRO LAMENTÁVEL.

        Eu não cometeria este erro, pois, se não tivesse como ir para o duelo, NÃO ABRIRIA FOGO. Pô, para isso não é preciso de conhecimento em economia, psicologia ou letras… bastaria ler Sun Tzu! 🙂

  3. Você está correto! E o Sun Tzu, gosto muito dele. Li duas vezes A Arte da Guerra e em algumas coisas me lembra muito o Gramsci. Dois ótimos estrategistas.

    • Corrigindo: é o Gramsci que algumas vezes se parece com o Sun Tzu — êste nasceu muito antes do infame bandido italianeiro. 😉

      LH — não se esqueça da prometida “refutação a Hegel”. Precisando, podemos fazer uma vaquinha para triplicar o teu estoque de Red Bull. 😀

  4. Esse Felipe Marcondes só pode estar de brincadeira. Está mais que óbvio que quem foi surrado foi o Constantino, que foi dar uma de espertão e criticou alguém que ele desconhece completamente, existe a resposta de Olavo onde ele o humilhou por a+b. Exatamente igual esse vídeo, foi querer jogar um chavão sem argumento, acabou sendo espancado pelo Ciro Gomes.

  5. É, pessoal, eu já conhecia o blogue do Rodrigo Constantino e ele sempre me pareceu um daqueles bonequinhos burgueses criado em condomínio de luxo e que repete chavões pequeno-burgueses e ideias já refutadas pelo Manifesto Comunista. O que não significa que ele não escreva bem de vez em quando, como quando ele chamou para o voto no Serra em 2010 (“Serra ou Dilma? A Escolha de Sofia”, http://rodrigoconstantino.blogspot.com.br/2009/12/serra-ou-dilma-escolha-de-sofia.html), mas no geral é conversa de quem nunca pegou um ônibus na vida. Até esperava que ele ia passar vergonha, mas não a esse ponto.

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