Os choramingos de humanistas contra Rachel Sheherazade, incapazes de se adaptarem ao conceito de debate público

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Em relação ao vídeo acima, mesmo que eu não concorde com tudo (como por exemplo, aos 6 minutos, afirmar que a religião foi “feita” para criar divisões, quando na verdade a religião política é que foi criada para uso político – mesmo que a religião tradicional também seja usada politicamente quando necessário), ele serve bem para ilustrar mais um vídeo sobre as sandices do Bule Voador.  Agora, vamos ao texto de mais um neo-ateu do Bule sobre a questão da guerra de posição nas cédulas…

Fonte: Bule Voador

As recentes declarações da apresentadora de telejornais do SBT, Rachel Sheherazade, sobre a decisão da justiça em manter a tal frase religiosa nas cédulas de nossa moeda me fez ver como é fácil falar para uma audiência sem precisar se preocupar muito com a solidez do que se defende.

Abundam na TV aberta brasileira programas que têm como característica um ou outro momento em que o(a) apresentador(a) resolve emitir sua opinião sobre determinado assunto, muitas vezes no calor da emoção motivada por alguma notícia. Vêm logo à cabeça as aberrações travestidas de programa jornalístico policial (do tipo do Brasil Urgente da Band, apresentado pelo Datena, mas há muitos outros em outras emissoras e espalhados por todo o país). Entretanto, esses não são os únicos; desde que o âncora Boris Casoy (não sei quem havia antes dele, minha idade televisiva só me permite ir a um passado restrito) começou a declarar que esta ou aquela notícia é “uma vergonha”, vez ou outra aparecem novos(as) apresentadores(as) que tomam para si a tarefa de comentar com suas próprias opiniões alguns fatos marcantes.

Particularmente não tenho tantos problemas quanto a isso; como não acredito que haja total imparcialidade em qualquer um dos telejornais da TV aberta, pelo menos naqueles em que os(as) apresentadores(as) emitem suas opiniões temos uma quebra da monotonia da simples narração das notícias, além de dar ao telespectador uma visão mais próxima do posicionamento ideológico do(a) jornalista sobre determinado assunto, coisa que é mais comum na mídia impressa, principalmente em colunas e editoriais de jornais e revistas.

Todavia, há um problema sério quanto a isso. Um(a) apresentador(a) de telejornal fala sozinho(a) para milhões de pessoas; naquele momento em que ele ou ela está emitindo sua opinião, que pode estar carregada de preconceitos, inverdades e equívocos, não há contraponto ao que pensa, em outras palavras, não há debate. E dada a qualidade geral da educação da maioria da população brasileira, pode-se dizer que tais opiniões têm grandes chances de serem consumidas sem qualquer crítica ou questionamento.

Falar é muito fácil, difícil mesmo é discutir. Não é por acaso que se dá mais importância na TV aberta a esses formatos declarativos do que a programas de debates que apresentem de forma equitativa as várias posições que podem existir para um mesmo tema. Basta comparar como é mais frequente vermos esses formatos de telejornais ou até programas de entrevistas com apenas um convidado (ou convidados que basicamente concordam uns com os outros) do que verdadeiros debates em que todas as possibilidades de posicionamento (ou pelo menos grande parte delas) são colocadas na mesa para argumentação e contra-argumentação.

Uma pena, pois quando se trata de ideias a troca é geralmente mais interessante do que o simples consumo.

Autor: Alex Rodrigues

Meus comentários

Esse chororô é ao mesmo tempo patético como também totalmente irracional. O debate público (do qual já falei aqui) não depende de que os debates ocorram “real-time”. Na verdade, depois de Gramsci, ocorrem a partir de vários intelectuais orgânicos que atuam em direção à massa.

Dessa forma, quando Dawkins lançou Deus, um Delírio, ele trouxe um material que tinha 20 ou 30 fraudes por capítulo, no mínimo, e já era uma parte do “debate”. Claro que como era um livro, Dawkins não abriu espaço à opinião divergente. E por que Alex Rodrigues não saiu chorando por causa dessa falta de espaço para os adversários de Dawkins?

Da mesma maneira, se um neo-ateu não é obrigado a dar espaço para um inimigo seu em um espaço que ele ocupe e é de sua posse, por que uma apresentadora cristã como Rachel Sheherazade deveria dar espaço aos oponentes?

Alex Rodrigues se apequena tanto em sua solicitação estapafúrdia que perde todo e qualquer senso de realidade. Em suma: em guerra política, adversários não tem que dar espaço ao inimigo. Pelo contrário, cada um que conquiste o seu espaço.

Assim, da mesma maneira que um oponente de Dawkins deve ter a dignidade para não reclamar do autor neo-ateu ter usado seu espaço para pregar sua agenda, sem dar espaço ao oponente (assim como Bill Maher faz quando entra no palco ou em seu programa de TV), por que Rachel deveria dar espaço ao adversário?

Dica ao Alex Rodrigues: tenha um pouco mais de dignidade.

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4 COMMENTS

  1. “como não acredito que haja total imparcialidade em qualquer um dos telejornais da TV aberta”

    Isso é ingenuidade ou o quê? Ele acredita que exista UM telejornal imparcial? Gostaria de saber qual é, pra eu assistir… Fala sério!

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