Inversão de valores ao estado da arte: rappers ex-presidiários defendem PCC como grupo “legítimo” de resistência… e tudo parece normal!

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Fonte: UOL

Um fez música mandando “salve” para integrantes do PCC. Outro foi convidado várias vezes para entrar para a facção, mas negou em nome do rap. Respectivamente, os rappers Cascão e Dexter são ex-presidiários e testemunhas do surgimento do Primeiro Comando da Capital.

Os dois falaram com o UOL sobre a atual onda de violência no Estado de São Paulo, trazendo o ponto de vista de quem vive na periferia e sente na pele o clima de tensão.

Cerca de 100 policiais foram mortos desde o começo do ano em ataques atribuídos ao grupo criminoso que nasceu nas penitenciárias. Muitos apontam o estopim do conflito o dia 28 de maio, quando uma ação da Polícia Militar terminou com seis homens mortos, supostamente todos integrantes do PCC.

Revide não demorou, e grupos de extermínio passaram a agir nos subúrbios da Grande São Paulo, levando pânico à sociedade civil. Resultado: o número de homicídios dolosos (com intenção de matar) em 2012 ultrapassou os de 2011 no final de outubro.

“Eu tenho medo quando vejo viaturas. A polícia do meu país não me traz segurança alguma”, afirma Dexter, 39 anos, 13 deles atrás das grades, o que o transforma em alvo potencial de quem sai à noite em carros escuros atrás de quem tem passagem por prisões.

Por seu lado, Cascão tem 40 anos de vida, 15 no crime e oito na cadeia. Começou a compor música na prisão, após receber apoio de Mano Brown, líder dos Racionais MCs, o grupo mais famoso do gênero.

Neste ano, Cascão, que lidera o grupo Trilha Sonora do Gueto, lançou a música “Fala que é Nóis“, em que faz uma ode ao PCC (confira vídeo abaixo). “Os atentado é pra mostrar que o comando é de verdade/O sistema tá ligado que o comando tá crescendo/Que a cada dia mais armado, nóis não tá podendo/Se cansamo de ficar vendo a polícia matar”, é um dos trechos da letra.

Além disso, Cascão cita vários líderes da facção na música. “São caras que eu conheço. Quando eu escrevi a letra, eles autorizaram que eu colocasse os nomes. Muitos até pediram”, conta o rapper. Ele diz que tem cautela durante estes dias de violência na Grande São Paulo.

Para Cascão, o PCC é um Hamas (agremiação política palestina) que nasceu nos presídios. “São pessoas que lutam contra as patifarias do sistema”, afirmou.

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Dexter, compara a facção ao MST (Movimento Sem-Terra). “São formas de organização do povo, para reivindicar direitos”, disse o artista que desenvolve vários projetos sociais junto a comunidade carcerária.

Tanto Cascão como Dexter defendem que o PCC ajudou a pacificar as penitenciárias e os bairros periféricos. Os dois opinam isso a partir da experiência de vida atrás e fora das grades.

Os dois rappers dão a visão da periferia de um tema que preocupa a população paulistana: o ressurgimento do conflito entre a facção PCC e as forças públicas, com muitas baixas de gente inocente no meio das execuções, atentados e chacinas.

Confira abaixo a entrevista com três PMs aposentados que se elegeram para a Câmara Municipal de São Paulo. Apelidados de integrantes da “bancada da bala”, Conte Lopes (PTB), Paulo Telhada (PSDB) e Álvaro Camilo (PSD) debateram sobre a onda de violência e deram o ponto de vista da polícia.

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Meus comentários

A normalidade com que é visto o o apoio ao PCC pelos dois rappers ex-presidiários, junto com a falta de apoio à polícia, mostra que definitivamente os valores estão invertidos.

Enquanto isso, se a crítica de criminosos a policiais é legítima, a crítica de heterossexuais a gays não é. Ocorre que, em nossa sociedade, não há mais padrões para definirmos quais são as manifestações de liberdade de expressão aceitáveis.

Se a estratégia gramsciana pode ter um indicador de sucesso, é esse: a absoluta falta de senso de proporções da patuléia para julgar se até elementos como liberdade de expressão são bons ou ruins, e em quais contextos a liberdade de expressão é legítima ou não.

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