Minha tese sobre a funcionalidade política do neo-ateísmo está provada: Votos dos religiosos políticos foram decisivos para a eleição de Obama

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Barack+Obama

Fonte: Paulopes

O Gallup chegou a uma revelação inesperada aos examinar os dados das eleições presidenciais norte-americanas deste ano: 70% dos nones votaram em Barack Obama, dando assim uma valiosa contribuição para a reeleição do candidato.

Nones é o nome que a Pew Research Center deu ao grupo de pessoas não religiosas (entre as quais ateus e agnósticos) e as que se declaram crentes ou espirituais, mas não estão afiliadas a nenhuma denominação.

O instituto de pesquisa apurou que 67% dos nones votaram no democrata Obama, e 26% no republicano Mitt Romney.

Os votos dos evangélicos favoreceram Romney na proporção de 56% contra 41%. Em relação ao eleitorado católico, a relação foi de 7 pontos percentuais a favor de Obama, 52% a 45%. Para o candidato à reeleição, portanto, os nones fizeram a diferença.

Os nones se situam na faixa do eleitorado mais jovens. São mais liberais do que seus pais e tendem a votar no Partido Democrata. Eles representam 20% da população americana, com perspectiva de se tornarem mais abrangentes. Estima-se que, dos eleitores deste ano, 12% eram de nones ou de “não filiados a nenhuma religião”.

Na avaliação de Gregory Smith, do Fórum Pew sobre Religião e Vida Pública, a influência dos nones na política americana é “uma evolução notável”, porque se trata de um grupo de eleitores com senso crítico mais apurado.

Daqui para frente, segundo Smith, os políticos estarão mais atentos a essa nova força política, o que servirá de contrapartida à tradicional influência dos líderes religiosos, que representam o segmento mais conservador da sociedade americana.

Meus comentários

Quando eu comecei a investigar o neo-ateísmo (ainda em 2008), desde o começo tratei-o como um movimento político. Na época, alguns me diziam que eles eram um bando de “ingênuos” ou “modinhas”. Enquanto isso, eu dizia: “há uma funcionalidade política nisso tudo que vocês não estão percebendo…”

Claro que a constatação base não é minha, mas de Chesterton, ao notar que o ser humano, ao não crer em Deus, tende a crer em qualquer coisa. Eu não concordo com Chesterton, por causa dos pontos fora da curva (como eu, que não creio na religião tradicional e muito menos na religião política), mas elaboraria melhor sua constatação: o ser humano, por sua tendência a crer em algo (e buscar um ponto de referência, que lhe dê um sentido para a vida), aumenta as suas chances de crer no homem (crer no governo global, no estado inchado, na “humanidade unida” ou qualquer bobagem do tipo) caso não possua a crença em Deus.

O neo-ateísmo, ao lutar pela extrema rejeição à religião tradicional, quer também obsessivamente aumentar a taxa de pessoas que não creiam nela. A cada índice que mostra um aumento do número de ateus, eles comemoram como se fosse a vitória em um campeonato. É claro que há caroço nesse angu. Um ateu tradicional tende a não dar a mínima se alguém vira ateu ou não, mas os neo-ateus, pelo contrário, são “pregadores de ateísmo”, e querem aumentar a taxa daqueles que não crêem em religiões como cristianismo, islamismo ou judaísmo.

Essa é a pergunta darwinista: qual o ‘cui bono?’ de todo esse empreendimento? Minha tese diz que, se uma pessoa tem maiores chances de crer na religião política ao abandonar a religião tradicional, e se a religião política é um empreendimento para gerar poder (à custa de uma série de funcionais), há um ‘cui bono?’ muito claro no neo-ateísmo: aumentar a taxa de pessoas que creiam na religião política, e, com isso, dar poder aos beneficiários que dependem desta crença.

Prestem atenção: eu não estou dizendo que ateísmo é similar ao esquerdismo, mas sim que a ausência de uma crença em Deus aumenta as chances de alguém crer no homem. Isso não significa que todo ateu irá crer no homem, e nem que todo teísta irá deixar de crer no homem (há alguns teístas que caíram no engodo do humanismo, nazismo e do marxismo, por exemplo). O que estou falando é de “aumento de chances”, e, em termos políticos, isso faz diferença.

É exatamente por isso que eu, como ateu, não faço a menor questão de ter uma sociedade de ateus. Pois sei que se os teístas tem “defeitos de fábrica”, ateístas também os possuem. E, caso os “defeitos de fábrica” da maioria dos ateus se materializem (e há uma boa chance disso ocorrer), em muitos casos teremos alguém que não apenas virou um ateísta, mas também um humanista, ou marxista ou nazista, em suma, um religioso político.

Na matéria acima, o que são os “nones”? São os que não pertencem à religião tradicional. Relembrando minha tese: “um ateu tem mais chances de cair na religião política do que um teísta, pois a tendência do ser humano é crer em algo, na maioria dos casos, e, se alguém não crê em Deus, vai buscar sua referência e crença cosmológica, com ênfase em sentido da vida, para seguir a uma entidade, em outro lugar. Essa crença substitutiva é a religião política”.

O que a pesquisa acima mostra? Veja: “70% dos nones votaram em Barack Obama”, isto é, 70% estão do lado da religião política, de culto ao estado (Obama é um inchador de estado, assim como os europeus que estão levando a Europa à bancarrota). Q.E.D.

Agora, espero que não continuem mais achando ao verem discursos da ATEA ou do Paulopes estão assistindo “pessoas ingênuas”. Não, estão assistindo a um jogo político que tem uma funcionalidade muito clara. Barack Obama, por exemplo, está rindo à toa, enquanto a direita não perceber a serventia dos neo-ateus.

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