Como se cara de pau não tivesse limites, a tragédia de Newtown está sendo usada para capitalização política pela esquerda na questão do “controle de armas de fogo”

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Como tem sido noticiado pela mídia, os Estados Unidos estão em choque por causa de mais um massacre escolar. Veja a notícia “Massacre em escola primária choca os EUA”:

Um jovem atirador matou 26 pessoas, incluindo 20 crianças pequenas, em uma escola do ensino fundamental da cidade de Newtown, em Connecticut, em mais um massacre com armas de fogo que choca os Estados Unidos.

O atirador teria sido morto na operação policial. Ele também teria matado o pai em casa e a mãe na escola, onde ela trabalhava. O diretor e a psicóloga do colégio estariam entre as vítimas fatais.

A emissora NBC noticiou que o assassino morto era Adam Lanza, de 20 anos, a quem a polícia teria confundido com o irmão mais velho, Ryan Lanza, de 24, cuja carteira de identidade ele estava portando no momento em que invadiu a escola.

O irmão sobrevivente foi levado sob custódia e estava sendo interrogado, segundo várias emissoras de TV. No entanto, não houve confirmação imediata da polícia sobre a identidade do assassino.

O porta-voz da polícia, tenente Paul Vance, disse à imprensa que o atirador matou 20 crianças e seis adultos, além de alguém que morava com ele, na Escola Fundamental Sandy Hook, em Newtown, Connecticut.

O massacre começou por volta das 09H30 local e “ocorreu em duas salas”, o que sugere que as crianças ficaram encurraladas no local e foram alvo fácil do atirador, disse Vance. Na escola Sandy Hook estudavam cerca de 600 crianças, com entre cinco e 12 anos, incluindo vários filhos de brasileiros.

O consulado do Brasil em Connecticut revelou que fez contatos com várias famílias e que não há informação sobre vítimas brasileiras.

Além do banho de sangue na escola, outro corpo foi encontrado em uma residência em Newtown, pequena e pitoresca cidade a nordeste de Nova York, elevando o número total de mortos até agora a 28, contando com o próprio assassino, morto na cena do crime.

Segundo a imprensa local, o atirador utilizou ao menos duas armas, uma pistola Glock e um fuzil Sig Saeur para cometer o massacre na pacata cidade de Newtown, onde na última década havia ocorrido apenas um homicídio.

O presidente americano, Barack Obama, chorou ao revelar que sente uma “tristeza opressiva” pelo massacre em Connecticut, um “crime abominável”, e prometeu adotar medidas “significativas” para impedir tragédias envolvendo armas de fogo.

“A maioria daqueles que morreram hoje eram crianças, lindas criancinhas com idades entre 5 e 10 anos”, disse Obama na Casa Branca. “Elas tinham a vida toda pela frente, aniversários, formaturas, casamentos, seus próprios filhos”.

Durante o discurso, Obama fez várias pausas e respirou profundamente, algumas vezes enxugando as lágrimas que insistiam em rolar.

“Entre os falecidos estão ainda professores, homens e mulheres que devotaram suas vidas a ajudar nossas crianças a realizar seus sonhos. Nossos corações estão partidos hoje por causa dos pais e avós, dos irmãos e irmãs daquelas crianças pequenas e pelas famílias daqueles que estão perdidos”.

“Como país, já passamos demais por coisas assim”, disse Obama sobre massacres anteriores no Colorado, no Oregon e no Wisconsin. “Estas localidades são nossas, essas crianças são nossas (…). Precisamos nos unir e tomar medidas significativas para evitar que mais tragédias como estas, independente de questões políticas”.

O presidente ordenou que a bandeira americana fique a meio-mastro na Casa Branca, nos prédios federais e nos complexos militares em memória das vítimas do massacre.

“Um dos policiais disse que uma das piores coisas que ele já viu em toda a sua carreira, mas foi quando contaram a todos aqueles pais esperando pela saída dos filhos”, declarou à emissora WCBS news uma enfermeira local, que correu para o local da tragédia.

“Eles pensavam que as crianças ainda estavam vivas, sabe. Eram 20 pais que acabaram de receber a notícia de que seus filhos estavam mortos. Foi horrível”, contou.

Testemunhas descreveram o massacre como um intenso tiroteio, com talvez 100 tiros disparados, e contaram ter visto um corredor sujo de sangue.

“Estava no ginásio na hora. Ouvimos muitos estrondos e achamos que fosse o zelador desmontando coisas. Ouvimos gritos. E então, fomos para a parede e nos sentamos”, contou um menino à emissora WCBS.

“Foi então que a polícia entrou. Tipo, ele ainda está aqui? Então ele correu. E aí alguém gritou para encontrar um lugar mais seguro, então fomos para o banheiro do ginásio e sentamos lá por um tempo”, acrescentou, enquanto seus pais se aproximavam, atordoados.

“Então a polícia, tipo, bateu na porta, e estavam evacuando as pessoas, estávamos evacuando as pessoas. Nós corremos”, acrescentou.

“Havia polícia em cada porta nos conduzindo por aqui, por ali. Rápido, rápido, venham. Nós corremos até a brigada de incêndio. Havia um homem que derrubado no chão, com algemas”, acrescentou.

Após o massacre, uma grande força policial se dirigiu para a vizinhança, enquanto outras escolas da região foram fechadas.

A tragédia em Connecticut é a segunda maior em número de óbitos em instituições de ensino do país, depois do massacre de 2007 na universidade Virginia Tech, que deixou 32 mortos.

O massacre na Escola de Ensino Médio de Columbine, em 1999, deixou 15 mortos, abrindo um debate feroz, porém inconclusivo, sobre a legislação branda de controle de armas nos Estados Unidos.

Massacres são uma ocorrência frequente em espaços públicos nos Estados Unidos, e só costumam terminar quando o atirador é morto ou se suicida.

No acontecimento recente de mais notoriedade, em julho deste ano, James Holmes, um jovem de 24 anos, teria matado 12 pessoas e ferido outras 58 quando abriu fogo contra a sessão de meia-noite do último filme de Batman em um cinema de Aurora, Colorado.

Apesar destas tragédias, o apoio a leis mais duras para o porte de armas é controverso, com muitos americanos contrários a restrições àquilo que consideram um direito constitucional de manter armas de fogo potentes em casa.

Já de acordo com o The Huffington Post, o prefeito de Nova York, Michael Bloombergh (foto), resolveu fazer o previsto em termo de comportamento esquerdista: capitalizar politicamente. Sim, eu sei, a política é um elemento de nossas vidas e não deveríamos ignorá-lo, tanto que eu defendo uma forma de pensarmos politicamente o tempo todo. Mesmo assim, há certas condutas que devem ser denunciadas, como uma mentira tão cafajeste (a culpa é da “falta de controle de armas”) em um momento trágico como esse.

Bloombergh pede que “ações imediatas” (além das “ações significativas” propostas por Obama) sejam tomadas em relação ao controle de armas, que sempre é uma demanda dos esquerdistas – aliás, historicamente, esquerdistas sempre lutaram para tirar o direito de posse de armas do cidadão comum (que paga os seus impostos e trabalha), para dá-los ao estado e aos criminosos. Em seu tradicional truque de simulação de falso apartidarismo (e a simulação de falso acordo), Obama também usa o discurso no qual essas ações são apresentadas como “além da política”. Que ele tenha feito isso com uma encenação de choro, digna de um sociopata, também não nos surpreende.

Uma pena que a direita não saiba responder à desonestidades desse tipo, pois temos dois fatores que deveriam ser apontados para o eleitor. O primeiro é o comportamento imundo de usar tragédias para benefício político, de uma maneira descarada (que os esquerdistas ao menos tivessem um pouco de discrição, mas já não conseguem fazer isso). O segundo, mais grave, é mentir para a população fingindo que o controle de armas não deixaria que massacres do tipo ocorressem.

Simples assim: quem pretende matar pessoas, sabe que está cometendo um crime pelo qual assume os riscos de ser punido criminalmente. Para isso, uma pessoa que quer assassinar os outros em uma escola precisará de uma arma. Se os cidadãos honestos não puderem portar armas, é claro que o assassino escolar vai conseguir sua arma com os criminosos, no mercado negro. Razão: o crime de posse ilegal de arma é irrelevante, perto do crime de assassinato.

A única medida aceitável seria a punição mais severa aos criminosos, ao invés do controle de armas para os cidadãos honestos. Entretanto, enquanto pedem o controle de armas (que continuarão a circular no mercado negro), os esquerdistas lutam para que as penas aos criminosos sejam as mais brandas possíveis. Ora, se o intuito é refrear a violência, por que incentivam o crime pedindo penas brandas? É nessa contradição que vemos que o esquerdista jamais se preocupou com as vítimas do crime, mas com seu projeto de desarmamento da sociedade civil. A investigação dos ideólogos da esquerda mais radicais (que hoje em dia ditam o projeto dos esquerdistas simuladamente moderados) sempre mostrou que o objetivo era a retirada de poder de fogo da população comum, para que este poder residisse no estado e nos criminosos.

Os esquerdistas deveriam ser duramente questionados por isso. Ao mesmo tempo em que incentivam a prática de violência, fazem um teatrinho em cima do massacre de Newtown.

Uma outra estratégia essencial é expor ao público suas contradições, para testar a coerência entre discurso e comportamento deles. Por exemplo, assumir a hipótese de que o esquerdista quer “controlar a violência”, e então desafiá-lo: “Se você quer controlar a violência, por que não fazemos um acordo? Permitimos as armas para o cidadão comum, mas aumentamos em 10 anos todas as penas de crimes cometidos à mão armada. Topa?”.

Fico imaginando que rotinas o esquerdista arrumaria para se livrar deste questionamento, pois nele estou:

  • Demonstrando que quero punir o uso indevido das armas (pelos criminosos, obviamente)
  • Me posicionando do lado do povo que vive sob o risco de violência, ao criar leis que restrinjam a violência pelos criminosos, mas não a defesa do cidadão comum
  • Focando no uso indevido das armas (crime contra o cidadão comum), ao invés do uso devido (proteção pessoal)

Feito isso, é só chegar e apontar o dedo no rosto de gente como Bloombergh e Obama e usar um tom firme para apresentá-los à platéia da forma que eles realmente são: inimigos do povo, amigos dos criminosos, chantagistas emocionais e desonestos intelectualmente.

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2 COMMENTS

  1. Muito bom o texto. Fica claro que desarmamento é uma babaquice. Não entendo os esquerdistas. Para eles, eu não tenho o direito de me defender, mas tenho o direito de matar meu filho(aborto). Isto não tem sentido.

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