Mais uma vez a ignorância dissimulada (ou não) de jornalistas em relação a um assunto urgente pode gerar consequências: se antes era o Foro de São Paulo, agora é a Ley de Medios

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Fonte: Portal Comunique-se

O Partido dos Trabalhadores divulgou na noite da última sexta-feira, 7, a resolução de apoio à decisão do governo argentino de tentar colocar em vigor a chamada “Ley de Medios”, que, implantada, obrigará grandes grupos de comunicação, como o Clarín, a se desfazerem de concessões de emissoras de rádios e TVs. Para o PT, a posição do país vizinho impede o monopólio no setor e amplifica a liberdade de imprensa.

Na resolução, a legenda defende que alguma lei parecida seja criada no Brasil, além de defender que o ato está previsto na Constituição de 1988.  O PT ainda acusa parte da imprensa nacional de ser contra as mudanças. “Ao contrário do que afirmam setores da mídia brasileira, a nova legislação argentina contribui para ampliar a liberdade de expressão e aprofundar as transformações democráticas e sociais implementadas pelos governos Nestor e Cristina Kirchner”.

Apesar do PT, partido que está à frente do governo federal desde 2003, demonstrar o interesse de criar uma lei dos meios de comunicação, jornalistas brasileiros que cobrem política e internacional desconhecem o tema. Para abordar o assunto, o Comunique-se entrou em contato com 20 jornalistas que atuam nessas duas áreas. No entanto, 18 desses profissionais afirmaram que não estão acompanhando o desenrolar da “Ley de Medios” e não têm opinião formada sobre como determinação similar pode interferir, ou não, na liberdade de imprensa no Brasil.

Editor de ‘Mundo’ do jornal gaúcho Zero Hora, Luiz Antônio Araújo foi um dos dois jornalistas procurados pela reportagem que comentaram a “Ley de Medios”, que só não passou a valer desde a última sexta devido à ordem judicial que prorrogou o tempo para que os veículos se adaptem às novas exigências. O profissional do ZH argumentou que a postura do governo de Cristina tem como objetivo principal não democratizar a comunicação, mas atingir a imprensa que sempre se mostrou crítica.

“Existe um histórico bastante extenso de conflito entre o governo argentino e as empresas de comunicação. É impossível entender a lei da mídia separadamente desse conflito. Seguramente o governo tenta atingir os interesses dos grupos que operam em mais de uma plataforma e que se colocam como oposição ao governo”, disse Araújo. Ele também comentou que dificilmente lei parecida existirá no Brasil, mas salientou que há outras formas de o governo nacional cercear a liberdade de expressão. Como exemplo, o editor do Zero Hora citou o caso do Estadão, que em 2009, por decisão judicial, foi proibido de relacionar o nome de Fernando Sarney, filho do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), em notícias sobre a Operação Boi Barrica da Polícia Federal.

Colunista da Folha de S. Paulo e da Bandnews FM, Ruy Castro também se opõe a “Ley de Medios”. Ao sustentar argumentação parecida com a de Araújo, o jornalista afirmou que a decisão argentina fará a imprensa se tornar refém do governo. “Sou completamente contra [a lei dos meios]. Isso é uma jogada de governos calhordas querendo cercear a democracia”, enfatizou. Questionado sobre a postura do PT, ele respondeu que o governo brasileiro “deve ficar quieto e respeitar a liberdade de expressão”.

*Com Nathália Carvalho e Anderson Scardoelli.

Meus comentários

Este artigo do Portal Comunique-se é assustador, mas, ao mesmo tempo, revelador de um padrão que já vimos antes.

Quem acompanhava o True Outspeak, de Olavo de Carvalho, sabia que muitos jornalistas ignoravam as denúncias que ele fazia a respeito do Foro de São Paulo. Resultado: hoje muitos precisam reconhecer que o Foro de São Paulo existe, é um fato, pois não há como negar. Mas por que não investigaram antes, uns 10 a 15 anos atrás?

Um esclarecimento popular a respeito de como funciona a Ley de Medios, mecanismo pelo qual Cristina Kirchner implementou a ditadura na Argentina, poderia ajudar-nos na precaução contra tais sanhas totalitárias da esquerda. Mesmo assim, os jornalistas em geral fazem o mesmo que fizeram em relação ao Foro de São Paulo. Chafurdam na mais completa ignorância a respeito do assunto.

Quando Edmund Burke disse “para que o mal triunfe, é apenas necessário que os bons não façam nada”, ele acertou, mas provavelmente não pensou que a mídia iria ditar os rumos no futuro. Por isso, uma extensão do pensamento de Burke seria: “para que o mal triunfe, é necessário que os bons não façam nada, e mais importante ainda é que os bons não conheçam os truques do oponente”.

Por isso, é justo suspeitarmos que há muitos jornalista de esquerda fazendo campanhas como “ah, não se importe com isso” ou “melhor deixar pra lá, isso não é importante”, pois sabem a importância da ignorância de muitos em relação aos objetivos do partidão.

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