Por que mais uma trollagem sofrida pela ATEA nos ajuda a ver por que o neo-ateísmo começou a dar sinais de sua vulnerabilidade?

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Como publiquei ontem, a ATEA sofreu uma trollagem humilhante (e engraçadíssima, para seus oponentes) pois aceitou uma carta falsa de um suposto jovem ateu.

Eis que ontem aparece outra carta por lá que também é falsa. Segue a carta:

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Chinela com cruz embaixo? Um sujeito riscando frases nas cédulas, e depois reclamando de ser demitido por isso? É claro que a AREA foi novamente “vítima” de uma falsa carta. Pergunta: o que deu na cabeça do pessoal da ATEA? Enlouqueceram de vez? Ficaram mais descuidados?

Eu aposto que a ATEA fez uma opção de risco: ao promover uma versão neo-pentecostal do ateísmo, deram a cara a tapa. E acabaram confirmando o que sempre falei a respeito do neo-ateísmo em geral: os argumentos para eles não são utilizados pelo que tem a dizer, mas sim pelo efeito de propaganda que possuem. Portanto, um texto que contenha algo anti-religioso já é publicado logo de cara.

Em outra esfera, é o mesmo processo pelo qual passa o Paulopes, site que publica notícias, sempre distorcidas, que são selecionadas por alguns critérios bem claros: se há algo contra um religioso, é publicada.

Veja um exemplo abaixo:

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Entretanto, essa semana, foi publicada uma notícia sobre cristãos que não desabonava a religião. É esta, publicada no site Acidigital, falando de uma jovem professora cristã que sacrificou sua própria vida para salvar crianças no massacre de Newtown, Connecticut. Abaixo:

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Claro que uma notícia dessas jamais será publicada pelo Paulopes, pois, conforme demonstrado aqui, o neo-ateu só publica algo em relação a um cristão se for negativo. Portanto, se um cristão abusar de uma criança, eles lançam uma notícia, mas se proteger uma criança de um bandido, a omitem.

Tanto a ATEA como o Paulopes, ao aderirem de cabeça aos procedimentos mais baixos possíveis, resolveram atingir um novo público: a patuléia neo-ateísta: são pessoas ingênuas, facilmente coadunáveis, todas vindas da crescente inclusão digital, e que não possuem senso crítico.

Eis que alguém poderia objetar: isso não é bom, em termos estratégicos? À primeira vista, significaria um aumento de número, e aumento de número sempre é bom. Mas isso gera uma série de vulnerabilidades para o “sistema”.

A popularização do ateísmo (feita pelos neo-ateus) tem o risco inerente de atrair aproveitadores e pessoas que farão tudo pela obtenção deste séquito de “novos ateus”. Como surgem de camadas mais populares, e são mais suscetíveis a doutrinação de baixo nível, surge uma nova “camada” de representantes do ateísmo. Estes novos representantes vão atuar nas redes sociais, e escreverão mensagens em notícias do Folha, UOL e Terra, dentre outros. Pode-se contar como um ponto positivo, mas que gera o risco adicional da popularização.

Popularização significa, neste caso, aceitar todos os aspectos negativos vindos da popularização da religião tradicional. O controle sobre o que cada um dos novos adeptos fará é praticamente impossível, e nesse momento surgirão “representações do ateísmo” que podem ser usadas para atacar o ateísmo, se os oponentes souberem aproveitar.

Em minha análise como ateu, entendo que o ateísmo não deveria virar um movimento popular, pois se a religião pode trazer algo em termos de identidade de grupo, coesão social e outros elementos para a população, em diferentes camadas da sociedade, o ateísmo não deveria ter esta serventia. Isto é, o ateísmo deveria ser uma posição de indiferença em relação à religião, mas não o seu substituto.

Embora surja a capitalização política imediata para grupos políticos, a longo prazo para o neo-ateísmo só tem danos a trazer para o ateísmo. Mais ou menos o que Richard Dawkins, ATEA e Paulopes querem dizer é o seguinte:”Sabe aquele rapaz ingênuo, influenciável, de baixa auto-estima e que caiu nas lábias dos pregadores mais aproveitadores da religião tradicional? Traga-o para nós”. Tradução: “traga o lixo do lado de lá para o lado de cá”.

Quando eu falo sobre Nietzsche e Schopenhauer (na essência das idéias deles, e não na superfície) como estas leitores de ATEA ou Paulopes, todos eles fazem cara de paisagem. Não duram segundos em um debate com alguém que conheça os tradicionais guias de falácias e as agendas do oponente.

Para estes, a realidade é nua e crua: quando a ATEA é “trollada”, assim como pode ser feito com o Paulopes, não são eles em si as vítimas da ridicularização, mas sim seus leitores. E estes leitores merecem ser objeto de ridículo, por caírem nas mãos de neo-ateus aproveitadores de sua ingenuidade.

Esta “queda de nível” da ATEA e do Paulopes são estratégias pensadas do lado deles. Mas são estratégias que carregam vulnerabilidades, que residem exatamente na queda de nível proporcionada por eles, como também no baixo nível intelectual de seu novo “exército”.

Essas brechas, se aproveitadas, podem constituir fontes muito interessantes de capitalizações políticas para qualquer oponente do neo-ateísmo. Em outras palavras, a popularização do ateísmo vai gerar oportunidades para seus inimigos.

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35 COMMENTS

      • Hummm, não seria interessante ou oportuno adicionar uma “nota de esclarecimento” na página about-2, resumindo bem-resumidamente 🙂 tua trajetória intelectual desde o neo-agnosticismo, passando pelo teísmo “semi-católico” 🙂 , até chegar ao ateísmo agnóstico ?

        Sei que você já escreveu sobre isso em textos como o “De volta dos mortos”, mas essa informação ficou meio que perdida para os que visitam o teu blog pela primeira vez.

      • Lembro que você tinha dúvida sobre isso, pois definiam agnóstico como algo mas CRAIG se não me engano definia como outra coisa. A que conclusão chegou ?

        (Acho que era assim: diferenciavam o agnosticismo do ateísmo, enquanto que Craig falava do Ateísmo Agnosticista e que a diferença entre um e outro, é que o Ateu ATEU nega que Deus exista e ainda afirmar ter como argumentar isso!)

        Todo agnóstico é ateu?

      • Mais ou menos, Saga.

        Assim como o teísmo, o ateísmo pode ser forte ou fraco. Forte depende de provar que Deus nao existe, e o fraco não. Mesma coisa para o ateísmo.

        Qualquer opção (teísmo, ou ateísmo) pode se mesclar ao agnosticismo ou gnosticismo.

        Eu sou ateu agnóstico, pois não sei se Deus existe ou não, e não vejo como provar que ele não existe, portanto, eu apenas não tenho a crença em Deus. Não preciso prová-la como falsa.

        Um teísta também poderá agir como eu.

        Ateísmo agnóstico existe tanto quanto um teísmo agnóstico, mas a maioria dos agnósticos se definem como ateus pois confundem ateísmo fraco com agnosticismo.

        Veja a diferrença, de novo

        – teísmo fraco: não acredita que Deus exista
        – agnosticismo: acha que a questão da existência de Deus não é passível de prova, e sempre ficará em aberto

        Abs,

        LH

    • Como voce definiria alguem que não sabe se Deus existe, nao acredita nem desacredita em sua existencia, mas “torce” para que ele exista (por algum motivo particular)? Seria um agnostico tbm?

  1. Prezado Luciano,

    Então, eu estava em seu site, “neo-ateísmo, um delírio”, lendo sobre refutações a alegações ou posições assumidas por ateus em debates. Infelizmente, quando cheguei neste site dei de cara com o texto sobre desarmamento, e enveredei por um debate que de fato não me interessa.

    O que me trouxe aqui foi outra coisa. Uma evidência da existência do Absoluto filosófico seria a existência de normas morais absolutas, portanto objetivas e universais. Se tais normas morais fundamentais existem, então deve existir um Absoluto, pois que do contingente/material (espécie animal, ainda que racional) não pode ser derivado o universal/imaterial. Enfim, do relativo não poderia decorrer o absoluto, então uma norma moral absoluta, noções morais relativas ao bem e mal, ao certo e ao errado, só poderiam se originar do Absoluto. Em suma, se existe um conceito de certo e de errado que seja universal, ele derivaria do Absoluto.

    Pois bem. Um ateu, necessariamente materialista, procura refutar a alegação de que existem noções de certo e de errado ou máximas morais absolutas, afirmando que estas, na verdade, não existem. Assume, forçosamente, uma posição relativista ou historicista (relativismo histórico), e procuram demonstrar sua alegação mostrando como, ao longo da história das sociedades, as noções de certo e de errado variaram. Por exemplo, a máxima moral “não matar” é negada enquanto norma absoluta, pois que teriam existido sociedades em que o ato de matar era considerado “certo” ou “bom” (por exemplo, tribos indígenas canibais, astecas etc).

    Eu gostaria de saber se você poderia contribuir para a construção de uma refutação desta tese, a do relativismo moral.

    Saudações

    • Sidarta
      O que me trouxe aqui foi outra coisa. Uma evidência da existência do Absoluto filosófico seria a existência de normas morais absolutas, portanto objetivas e universais.
      Eu não creio em normas morais absolutas e universais. Deixo isso para os que acreditam em Deus, pois somente eles poderão acreditar nestas normas morais absolutas.
      Um ateu, necessariamente materialista, procura refutar a alegação de que existem noções de certo e de errado ou máximas morais absolutas, afirmando que estas, na verdade, não existem. Assume, forçosamente, uma posição relativista ou historicista (relativismo histórico), e procuram demonstrar sua alegação mostrando como, ao longo da história das sociedades, as noções de certo e de errado variaram. Por exemplo, a máxima moral “não matar” é negada enquanto norma absoluta, pois que teriam existido sociedades em que o ato de matar era considerado “certo” ou “bom” (por exemplo, tribos indígenas canibais, astecas etc). Eu gostaria de saber se você poderia contribuir para a construção de uma refutação desta tese, a do relativismo moral.
      Eu não quero refutar a tese do relativismo moral, mas também não quero estabelecer um relativismo moral. Eu sou um ateu agnóstico, portanto, em relação a existir ou não valores morais objetivos, eu fico na dúvida.
      Abs,

      LH

    • « Um ateu, necessariamente materialista »

      Eu fui ateu desde 1983 até 2010, e durante esse intervalo, eu nunca fui materialista.
      Atualmente, depois de um breve período de “agnosticismo dextrógyro” ( seja lá o que isto signifique 😛 ), eu já não tenho mais um bom rótulo para me auto-definir, porém continuo sendo um não-materialista. 😉 O problema da grande maioria dos auto-nomeados “céticos” é que eles não estabelecem qualquer diferença entre um mero “fantasma” e um princípio qualitativamente “exterior” ao Universo. 😉

      • JMK, eu me refiro ao materialismo filosófico. Por exemplo, neo-ateístas como Dawkins e Atkins são confessadamente materialistas, e nem poderiam ser outra coisa, sob pena de incoerência.

      • JMK, eu não precisaria provar isso, justamente por não ser materialista, e portanto por acreditar que o universo NÃO É de natureza inteiramente material.

        Mas para o materialismo, tudo no universo possui uma natureza material, inclusive o pensamento, que seria um mero reflexo ou epifenômeno da matéria (orgânica, do ser físico com capacidade de pensar).

        Se para o ateu não existem ideias, pensamentos ou abstrações que tenham outra origem que não seja a matéria (não existiria, portanto, um Deus ou um Absoluto, pois que tais coisas seriam meras criações do cérebro enquanto massa orgânica), um ateu que não é materialista (digamos, um ateu idealista, ou “espiritualista”) é uma contradição em termos, você não acha?

        Saudações.

      • Não é contradição. Você, como tantos outros, coloca o “não-material” no mesmo nível de algo que se situaria acima e além do próprio Universo. Admitir que o Universo é sub-dividido em vários tipos de espaço-tempo, onde o tempo e o espaço podem “trocar de lugar”, mudar de sinal, permitir uma entropia negativa, e substituir os monopólos elétricos por monopólos magnéticos, ¿ tem alguma coisa a ver com a existência de um Deus absoluto e pessoal, ou de uma “moral objetiva” ? 🙂 E caso você não tenha reparado, estes modelos que eu proponho nada têm a ver com as charlatanices “quânticas” de Fritjot Capra e companhia. 😉

        “Assuming good-faith”, vou considerar que os teus erros conceituais se devem principalmente a um desconhecimento das armadilhas lingüísticas que limitam e desencaminham tanto a filosofia quanto as Ciências (inclusive a Matemática). Para citar algo que aprendi com meu professor de Engenharia de Produção, você se deixou enganar pelas *condicionantes FICTÍCIAS*. 😉

      • JMK, mas todos estes fenômenos cuja existência você sugeriu (monopólios elétricos, magnéticos etc) não continuam sendo fenômenos próprios do mundo físico? Você não me fez ver nenhum erro conceitual até aqui. Você é que parece ter um entendimento confuso da noção de matéria.

        Veja o que diz: “Você, como tantos outros, coloca o “não-material” no mesmo nível de algo que se situaria acima e além do próprio Universo. ”

        Então me explique como algo não-material (ou não físico) pode existir ou ser parte do universo físico? Não te parece uma contradição isso?

        Um ateu não-materialista é alguém que não acredita na existência de Deus ou do Absoluto filosófico, mas ao mesmo tempo quer acreditar que existem coisas que não sejam derivadas do universo físico (material). Assim sendo, eu te perguntaria, quando você foi um “ateu não-materialista”: de onde se originam os elementos não-materiais que existem? Não podem ser da matéria/mundo físico (pois isso seria afirmar o monismo materialista), e também não pode ser de um ente metafísico. De onde, então?

        saudações

      • Só um off-topic. Como o Sidarta fez várias piadinhas no post anterior, seu post foi excluído. Aqui esquerdista tem que postar como LORDE INGLÊS, ou seja, sem fazer piadinhas, com extremo respeito, pois a participação de um esquerdista aqui é um privilégio, e não um direito.

        Entretanto, o post deletado de Sidarta foi útil para ele gerasse conhecimento de rotinas dos esquerdistas.

        Vejam o que mapeeei:

        Rotinas do Sidarta
        – Conservadores de direita querem inexistência do estado (mentira, querem sua redução)
        – Quem salvou o país da crise de 1929 foram os esquerdistas (mentira, o New Deal apenas ajudou a amenizar os efeitos da crise – sem ele, a recuperação poderia ser até mais rápida)
        – Quem causou a crise de 2008 foram os capitalistas (mentira, pois na verdade a cultura assistencialista levou ao endividamento absurdo de pessoas que não podiam pagar – aliás, o capitalismo já desenvolveu métodos para evitar tais crises posteriormente, e os esquerdistas não fizeram nada a esse respeito)
        – Omissão do fato de que o inchamento do estado causou a crise europeia, esta sim, muito mais crítica e longa. Tudo culpa da esquerda.
        – Republicanos defendem redução de impostos, pois isso lhes dá liberdade para empreender seu capital da melhor forma (qual o problema disso? Invejinha? Rancor?)
        – Empresários lutaram com o “nazismo”, por isso ele não é de esquerda (mas quem disse que esquerdismo foi feito para usuários do esquerdismo não lucrarem? O cara confunde a promessinha futura, a cenourinha, com o que o esquerdismo é.)
        – Nazistas não gostam de comunistas, portanto são de direita (mas quem disse que marxismo é única forma de esquerda? O truque de Sidarta é tão estúpido quanto dizer que “não gosta de cristianismo, não gosta de religião” hehehe)
        – Rotina bem divertida: “Você vê esquerdistas em todos os lugares”. (Ué, se o esquerdismo é facilmente identificável por seus corolários, e está presente em todos os países, bastando para isso ver o nível de impostos pagos atualmente no Ocidente, então qual o problema de identificá-lo? Na época do início do Iluminismo, a religião também estava em todos os lugares, em termos político. E?)

        Nota-se que esquerdista é útil para gerar conhecimento dos truques deles enquanto discursa, motivo pelo qual a participação do Sidarta é tolerada aqui, DESDE QUE, com uma educação perfeita.

        Para usar de ironias, piadinhas e sarcasmo, faça isso em território esquerdista (exemplo: fórum da Carta Capital), não na casa do oponente.

        Abs e obrigado pelas idéias de rotinas mapeadas,

        LH

      • JMK, eu tiro isso de qualquer das formas filosóficas do materialismo: materialismo cosmológico, materialismo antropológico e materialismo histórico.

        E você, de onde tira a ideia de que é possível um ateísmo não-materialista? Se for da própria cachola não vale, a menos que seja bem fundamentada argumentativamente.

        Em suma, o materialismo é uma concepção filosófica monista. Ou seja, no caso materialista, tudo é matéria (mundo físico). Magnetismo, para citar um de seus palpites, também entra como fenômeno físico. E o pensamento abstrato não passa de reflexo deste mesmo mundo físico, da matéria. Basta lembrar o economicismo marxista, que fala que as formas de consciência são, em última análise, derivadas da dimensão material da existência.

        Até qualquer dia.

      • Sidarta, é inútil discutir com quem não presta atenção no que o outro lado diz. Eu te falei sobre as “armadilhas lingüísticas” e as limitações FICTÍCIAS. Você é incapaz de se livrar tanto das primeiras quanto das segundas. O Luciano já demonstrou muito bem tua “vocação” esquerdista, de modo que, do mato onde você mora é que não pode sair cachorro. :-)Tua ardorosa defesa da suposta “coerência interna” do *ateísmo (“necessariamente”) materialista* é tão ideológica quanto o próprio — na medida em que, por ideologia, entende-se um ideário que se mantém “coerente” POR CAUSA da omissão (deliberada ou não) de certas informações ou evidências. 😉

        Quanto à minha cachola, é bom saber que eu tenho uma que funciona muito bem, e que não sofre do “complexo de vira-lata”. A tua só é capaz de papagaiar o que os “mestres” disseram, sem um pingo de senso crítico. 🙂

      • ################
        JMK: “Sidarta, é inútil discutir com quem não presta atenção no que o outro lado diz. Eu te falei sobre as “armadilhas lingüísticas” e as limitações FICTÍCIAS. ”
        ################

        Não, não falou. Apenas mencionou estes termos: “armadilhas linguísticas” e “limitações fictícias”, e mais nada. Qual seria a “armadilha linguística” ou a “limitação fictícia” em que eu estaria incorrendo?

        Se você não conhece a filosofia materialista, seus ramos etc, deveria ter dito desde logo, em vez de ficar tergiversando, citando, em uma conversa que se pretendia filosófica, o que disse um professor de engenharia de produção (!). Mas se você prefere considerar que é ou foi isso (“ateu”) e não aquilo (“materialista”), sem saber porque é incoerente, deixemos assim.

        Até.

      • Só uma coisa, o caoísmo é plenamente compatível tanto com o ateísmo como com a espiritualidade:

        http://mercadoresdamorte.blogspot.com.br/2007/12/principia-catica.html

        A thelema, de Crowley, também é compatível com qualquer coisa, incluindo ateísmo também.

        E até o satanismo de LaVey pode levar a variantes espiritualistas. E o satanismo é basicamente ateísta.

        é um tema meio complexo para este blog, mas quem sabe depois dos projetos políticos (até o fim de 2015), eu não aborde o assunto em mais detalhes 😉

        Abs,

        LH

        P.S. – Em tempo, o sujeito diz em um post “me perdoe o meu sarcasmo”, como se isso fizesse diferença. O post naturalmente não foi publicado, pois aqui esquerdista tem privilégio, e não direito, e tem que se adequar às regras.

        P.S.2 – Em nenhum momento em disse que nazismo, marxismo e o esquerdismo do partido democrata eram iguais, mas sim que compartilham o mesmo “core” de crenças, pois fazem todos parte da religião política. Mas mentir o tempo todo sobre o oponente é o que esquerdistas fazem melhor.

      • Este reply demorou um pouco, pois eu não sabia se a última trollada do Sidarta merecia ser lida ou não. 🙂 Mas enfim…

        Já que o Luciano mencionou Crowley, aqui vai uma frase de que o dito-cujo gostava muito
        (em resposta à pergunta
        “Qual seria a “armadilha linguística” ou a “limitação fictícia” em que eu estaria incorrendo?”
        feita pelo Sidarta):

        «Se você precisa perguntar, então ainda não está pronto para saber».

        Fala sério — o sujeito acredita piamente que “o material não pode interagir com o não-material”, e ainda pergunta “¿ qual é a bobagem que eu estaria aceitando como fato inquestionável ?”

        Se o não-material pode interagir com o material, então ele é tão “matemátizável” quanto este último, ponto. Foi isto o que eu quis dizer com “fisicalidade não é o mesmo que materialidade”.

        Enfim, chega de dar corda para filosofeiros que pensam que a Ciência que não está a serviço da agenda anti-religião “não é Ciência”. 😉

      • Só mais uma coisa — o pequeno Buda afirmou que ele mesmo “não é” materialista. Será que eu sou o único aqui que acha que esse Sidarta é apenas mais um caso de
        NEO-ATEU que se apresenta como (ou pensa que é) “budista”?

    • É aí que está. Os caras mentem na cara dura mesmo. É por isso que a única diferença entre um esquerdista de perfil marxista e um neo-ateísta é a área de especialização. O método é o mesmo. Mentir o quanto for possível.

  2. LH escreveu:

    « é um tema meio complexo para este blog, mas quem sabe depois dos projetos políticos (até o fim de 2015), eu não aborde o assunto em mais detalhes »

    Enquanto 2016 não chega, vejamos se eu consigo adiantar uns pontos que eu considero importantes…

    Uma das armadilhas a que me referi nos comentários anteriores é justamente os possíveis significados de “matéria” e “material”. Se por matéria entende-se “tudo que existe” (segundo a definição grosseira do Sidarta), então não podemos falar de *ANTI-matéria* 😉 Bom, pelo menos em minha opinião, se está “tudo bem” usar a expressão DIA para significar tanto “um período de 24 horas” quanto “a parte naturalmente iluminada desse período”, não está nada bem usar a palavra MATÉRIA para designar tanto o “tudo que existe” quanto “somente o tipo (*aparentemente*) mais comum de energia condensada”. Pois bem, quem não é materialista, então:

    1) afirma que “nem tudo é matéria” (portanto o significados “amplo” ou “genérico” da palavra MATÉRIA automaticamente vai pra lata de lixo);
    2) rejeita o DOGMA de que “matéria só interage com matéria”.

    Se algum outro leitor por acaso pensar que os dois pontos acima são “necessariamente incompatíveis” com uma postura ateísta, faça-nos o favor de tentar explicar os POR QUÊs =^.^=

  3. Luciano, esta tática da ATEA e do Paulopes não seria uma tentativa de fazer o ateísmo (neste caso creio eu que seja o neo-ateísmo) ganhar mais força politicamente?

    Para que algo que a população deseja aconteça, como por exemplo, o aumento do salário mínimo, é necessário que grande parte da população demonstre seu desejo para os políticos de que o salário mínimo aumente. Claro que toda proposta envolverá estudos, análises, previsões, etc indicando se este desejo é válido para a população e o quanto isto pode afetar positiva ou negativamente o Estado (assim acredito eu, ainda não me aprofundei demais no tema para escrever isso com convicção), este seria outro processo.

    Tendo o neo-ateísmo uma parcela da população maior, ela será ouvida com “mais facilidade” pelos políticos, estando estes mais propensos a acatar com seus desejos e levando ao congresso mais ideias, propostas e requisições advindas da população neo-ateísta tornando mais possível o seu idealizado “Mundo Perfeito”.

    Enfim, depois de ler seu texto e as trolagens que a ATEA levou, foi o que eu concluí.

    • Sim, Rafael, este é o benefício da estratégia, que carrega em contrapartida os riscos que apontei. Quando a religião alcançou a maioria, foi exatamente aí que surgiu sua vulnerabilidade também, pois com muitos adeptos, há muitas oportunidades de alguém fazer algo condenável e ser de uma religião. Os oponentes aproveitaram. Hoje o neo-ateísmo vai pelo mesmo caminho, e resta aos oponentes aproveitarem a oportunidade.

      Abs,

      LH

    • Vi que vc colocou “mundo perfeito” entre aspas, mas eu diria mais “tornando mais possível a obtenção de beneficios, enquanto vendem ao público a idéia de que estão ‘construindo o mundo perfeito'”.

      Aí é que está o truque.

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