O discurso de um covarde e conivente: Dom Odilo Scherer diz que está preocupado com “intervenção judicial” na PUC, após renúncia de reitora

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Fonte: Folha de S. Paulo

Dois dias após a Justiça determinar que os atos de Anna Cintra como reitora da PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo) não têm validade, a professora se afastou ontem do cargo.

Segundo a Fundação São Paulo, que administra a instituição, Anna Cintra alegou que irá respeitar a decisão judicial.

Na quarta-feira, o juiz Anderson Cortez Mendes ainda estipulou multa de R$ 10 mil por cada ato feito por Anna Cintra como reitora e decidiu que o cargo deveria ser ocupado interinamente pelo professor Marcos Tarciso Masetto.

A medida foi tomada após o Centro Acadêmico 22 de Agosto, da faculdade de direito, notificar o juiz que a decisão anterior –que suspendeu a nomeação da nova reitora– não estava sendo cumprida.

Horas antes do anúncio de Anna Cintra, dom Odilo Pedro Scherer, 63, arcebispo de São Paulo e grão-chanceler da PUC disse que é preocupante que a Justiça se manifeste em relação à escolha do reitor.

“Parece que é um precedente preocupante que a Justiça se proponha a nomear o reitor interino de uma instituição que tem plena autonomia para se governar”, disse.

“A PUC tem mecanismos para resolver sua crise sem precisar de intervenção, contanto que esses mecanismos sejam plenamente levados à sério”, completou dom Odilo Scherer.

Em nota, a Fundação São Paulo afirmou que os estudantes que entraram com o recurso estão “violando as normas internas da universidade”. “Vamos lutar na Justiça para repor e fazer valer o estado de direito na PUC. Anna Cintra é a reitora, ela foi empossada e está trabalhando”, disse o cardeal.

Meus comentários

Ou Dom Odilo Scherer é um baita de um fingido ou então tem uma ingenuidade doentia que o incapacita ao convívio social seguro. Aposto na primeira opção, pois caso a segunda fosse verdadeira dificilmente ele teria chegado ao cargo onde chegou.

Quando ele diz que é preocupante “a justiça se manifestar” em relação à escolha de reitor, ele provavelmente está gozando com a cara do leitor, pois isso tudo só foi possível por que ele e a turminha dele contrataram uma série de professores marxistas. Foram estes professores marxistas que doutrinaram seus alunos para “tomarem” a escola de assalto, via judicialização de suas demandas.

Em suma, quem deveria ter garantido a ausência de professores marxistas em suas fileiras era Dom Odilo Scherer, que agora vem à imprensa fazer pose de “santinho”.

Ele deve ser desmascarado perante o público por sua culpa direta em toda a situação. É somente assim, apontando os responsáveis pela entrega injustificada de posições na guerra política contra a esquerda, que conseguimos obter algum resultado.

Enquanto existirem aqueles que, do lado da direita, jogam para a esquerda, é óbvio que tudo fica fácil para os esquerdistas.

Seria melhor que Dom Odilo Scherer viesse a público para pedir desculpas pelo que ele construiu, ao invés de simular lamentações dissimuladas para ocultar sua responsabilidade no estado atual das coisas.

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6 COMMENTS

  1. Entendo que a esquerda já levou essa mas, à rigor, o judiciário pode interferir na decisão do Dom Odilo? Não está previsto que a escolha do reitor cabe exclusivamente ao Arcebispo?

  2. Apesar de eu não estar a par em mínimos detalhes deste lamentável episódio da PUC-SP, penso que a questão não envolver exatamente o marxismo, marxistas poderiam até ter envolvimento, mas me parece que quem começou esse “motim” foi um professor de direito, oque me faz questionar este esquerdismo que está sendo combatido, penso que é muito mais um combate do liberalismo contra o comunitarismo [a Igreja católica sempre foi e sempre será comunitarista (teoria política que é mais fortemente sustentada por Alasdair MacIntyre filósofo neo aristotelico], o que é obviamente diferente de comunismo e socialismo).

    Por quê pelo que entendi sobre a nomeação da reitora o que é questionado é a suposta intervenção do grão chanceler, Dom Odilo Scherer ao nomear a reitora, o que é na verdade algo no mínimo rísivel já que o sistema de nomeação do reitor tem como procedimento padrão uma eleição de nomes que é escolhido pelo grão chanceler ou seja em nada foi violado o estatuto da universidade.

    No entanto a questão é que como o antigo grão chanceler sempre escolhia o mais votado, isto se tornou como que uma tradição. curioso é que fora de ambientes religiosos a tradição é sempre objeto de suspeita e neste caso que poderia ser perfeitamente suspeito, ela foi aceita sem delongas.

    Vale lembrar que os Marxistas também defendem a intervenção do estado e no mais das vezes gerando regimes totalitários (vide China e cuba) enquanto que o comunitarismo é um herdeiro da racionalidade da pólis grega e forte defensor da ética das virtudes do qual o cristianismo é herdeiro (MacIntyre mostra isso magistralmente em dois capitulos dedicados a Santo Agostinho e Santo Tomás no seu livro: “Justiça de quem? qual racionalidade” publicado em português pela Loyola. A ideia primordial do comunitarismo é redistribuir o poder político em pequenas comunidades de modo a que através da ética das virtudes o poder não seja fonte de autoritarismo, mas de um governo mais próximo do modelo familiar onde a amizade (valor ético-político extremamente importante para antiguidade clássica. Basta lembrar o Livro VIII da Ética Nicomachea.) desempenha papel fundamental como argamassa do composito social. Por isso acredito que a ideia de democracia vendida pelo discurso que se opõe a decisão do grão chanceler é na verdade um discurso típico da direita liberal que imagina uma democracia em que basta apenas a decisão do voto (soma majoritária da escolha) sem a suposta ( na verdade mentirosa, porque o estatuto da universidade admite esta intervenção como legitima e não como tirana ou totalitária) intervenção do grão chanceler.

    • Brener,

      Por favor, esse discurso do comunitarismo eu já conheço, e não era o fato aqui. As racionalizações comunistas e maxistas eu também já conheço. Não vou refutá-las, pois já o fiz suficientemente neste blog.

      A questão é: a estratégia gramsciana prevê um grupo de professores marxistas mantendo a doutrinação de alunos. Se estes alunos se revoltaram, a pedido de professores marxistas, é culpa daqueles que colocaram os professores marxistas lá.

      Toda a ação na PUC-SP é política, pois os marxistas querem manter seu poder psicológico lá dentro. Até o Ghiraldelli, que normalmente bandeia para a esquerda, denunciou o totalitarismo da ação marxista na PUC-SP.

      Abs,

      LH

  3. Esse canalha é o responsável pela eleição de Fernando Haddad em São Paulo!

    Sem dúvida é a primeira opção: é um comunista travestido de católico, um inimigo infiltrado, um mestre do disfarce!

    Ele quer essa crise!

    • Perfeita colocação! Responsabilizar Dom Odilo pela escolha de professores que lá lecionam há décadas é absurdo, mesmo porque não é o arcebispo quem escolhe os professores e sim o reitor.

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