É por isso que população de país comunista tem mais é que se f… mesmo: Descendentes de líderes chineses formam elite que usa poder para enriquecer

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Ajuda bem-vinda. Parente de Zhou Enlai, ex-premier chinês, recebe auxílio para chegar a restaurante em Beidaihe, balneário onde a elite do Partido Comunista se reúne (The New York Times/11-7-2012)
Ajuda bem-vinda. Parente de Zhou Enlai, ex-premier chinês, recebe auxílio para chegar a restaurante em Beidaihe, balneário onde a elite do Partido Comunista se reúne (The New York Times/11-7-2012)

Fonte: Globo

PEQUIM – Na China comunista pós-Mao Tsé-tung, uns são mais iguais que outros. Levantamento divulgado pela agência Bloomberg mostra que um grupo de 103 pessoas formado por descendentes dos chamados Oito Imortais — os líderes que comandaram a abertura do país ao capitalismo — constitui uma elite cujos privilégios e costumes remetem às aristocracias monárquicas, num misto de poder e dinheiro que gerou um estilo de vida inimaginável para o cidadão médio chinês.

Quase sempre colocando o Estado a seu serviço, esta restrita rede continua a se valer de suas conexões para acumular ainda mais influência e bens. Desta estrutura nasceram os chamados “principezinhos”, descendentes dos Imortais que ocupam postos-chave dentro e fora da burocracia de Pequim. É diante deste panorama que as tensões populares resultantes da grande desigualdade em território chinês ganharam em força e frequência nos últimos anos, no maior desafio para o futuro presidente, Xi Jinping.

Entre os Oito Imortais se destacam Deng Xiaoping, líder político da China entre 1978 e 1992, o grande arquiteto das mudanças que abriram a economia do país e contribuíram para a redução da pobreza; Bo Yibo, vice-premier durante quatro mandatos e pai de Bo Xilai, expulso da cúpula do Partido Comunista Chinês sob acusação de corrupção após a pressão pública surgida com o envolvimento de sua mulher no assassinato de um empresário inglês; e Wang Zhen, herói militar cujos filhos ajudaram a criar algumas das maiores companhias estatais chinesas. Em comum entre os oito, o fato de terem sido, junto com suas famílias, os maiores beneficiados pelas reformas ocorridas nas últimas décadas; e de terem em seus descendentes pessoas com gosto pela educação no exterior e pela iniciativa privada.

De acordo com os dados obtidos pela Bloomberg, pelo menos 30 representantes dos clãs estudaram nos Estados Unidos ou na Europa, 11 deles em instituições de elite, como as universidades de Harvard e Stanford. Da mesma forma, 34 moraram, trabalharam ou compraram propriedades nos EUA, enquanto 43 se tornaram executivos em negócios privados. Para o professor Joseph Fewsmith, da Universidade de Boston, os EUA foram um porto seguro para os que foram perseguidos durante os anos da Revolução Cultural (1966-1976):

— O coelho esperto tem três tocas — diz Fewsmith, estudioso da elite chinesa, citando um provérbio do país. — Eles podem diversificar seus ativos, obter educação de qualidade e garantir uma terceira saída caso tudo dê errado.

Ganhos com a abertura

Durante as quase quatro décadas de poder dos Imortais, mais de 600 milhões de chineses deixaram de ser pobres; 100 milhões trocaram suas bicicletas por carros; a população passou a comer seis vezes mais carne que em 1976; e a China se tornou a segunda maior economia do mundo. Mas os benefícios reservados à maioria param aí. Coube aos filhos dos Imortais controlar, nos anos 1980, os então recém-criados conglomerados estatais; na década seguinte, o mesmo grupo abocanhou o mercado imobiliário e domou a fome do país por carvão e aço. Hoje, os netos dos Imortais trabalham em fundos de participação no contexto da integração da China à economia global.

Segundo os números compilados pela Bloomberg, 26 herdeiros assumiram altos cargos em companhias estatais que dominam a economia. Três deles — Wang Jun, filho de Wang Zhen; He Ping, genro de Deng Xiaoping; e Chen Yuan, filho de Chen Yun, o responsável pela política econômica nos anos 1980 — lideraram ou ainda estão à frente de empresas públicas cujos ativos somavam US$ 1,6 trilhão em 2011, o que equivale a mais de um quinto do PIB chinês. Como resultado de tal poderio, as famílias consolidaram fortunas privadas à medida que a China avançava rumo à economia de mercado.

O apetite dos descendentes dos Imortais não poupa nem a própria história recente chinesa. Dois dos filhos de Wang Zhen planejam construir em um vale próximo a Nanniwan, onde o pai salvou o exército de Mao Tsé-tung da fome, um empreendimento turístico de US$ 1,6 bilhão, misto de resort e atrações que remetem à época da revolução. Um dos filhos, Wang Jun, hoje com 71 anos, foi um dos responsáveis pela criação de duas estatais de peso: Citic, de investimentos, e China Poly, da área de defesa.

— Nós nunca esqueceremos a amizade do povo de Nanniwan. Temos a responsabilidade de contribuir com seu crescimento econômico — disse Jun, há dois anos, quando anunciou o empreendimento.

Desejos crescentes

A região, no entanto, ainda acumula casas de um cômodo e sem calefação. Os moradores, antes esperançosos, pensam se o projeto vai seguir adiante, trazendo moradias mais modernas e novos empregos:

— A fama de Nanniwan não ajudou muito seus moradores — disse Hui Yanjun, que vive na região. — No passado, todos os trabalhadores eram iguais, comiam e viviam juntos, fossem soldados ou líderes. Agora, é diferente.

Em uma entrevista concedida à Bloomberg em um clube de golfe na cidade de Shenzhen, Wang Jun afirmou que a China de hoje cumpre com as esperanças da geração de seu pai:

— O Partido Comunista queria que todas as pessoas fossem ricas, para que suas vidas melhorassem. Durante a revolução, se elas estivessem satisfeitas depois de comer e tivessem roupas suficientes para se manter aquecidas, ficariam muito satisfeitas. Mas agora os desejos das pessoas só crescem.

Meus comentários

Existem dois tipos de pessoas da direita: aqueles que tentam resolver os problemas do mundo, como os neo-conservadores a la Fukuyama, e os que tentam resolver os problemas possíveis, geralmente em seu território (sua nação). Eu pertenço ao segundo grupo.

Quem está no primeiro grupo fica pensando no dia em que a China deixará de ter uma população de escravos do estado. Eu já penso de forma oposta: os chineses deixarão de ser vítimas desse tipo de desaforo no dia em que fizerem por merecer.

É quase como a antiga campanha publicitária do Ford Fusion: “Quem dirige o novo Ford Fusion fez por merecer”.

Da mesma forma, uma população que sofre nas mãos de um regime comunista, que premia uma pequena elite dona do estado à custa dos contribuintes, fez por merecer.

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1 COMMENT

  1. As diferenças dos comunistas com a livre iniciativa resume-se no: tomar dos outros, dar para o deus-Estado e para o grupo seleto de deuses que doravante dirigirá o deus-Estado; parente inclusos.
    No caso, formam a nova elite socialista, ultra predadora para si e participantes do esquema, e sabem investir pesado na midia para dissimularem todos os erros, e não são poucos.
    Taí o PT com sua ultra corrupção, uma por detrás da outra, desde que assumiram o poder; a mídia montada no intuito por meio do marxismo cultural de laboratorios de engenharia social, setor chave para subversão.
    Procure na net e verá de como agem nos bastidores, sob o DECÁLOGO DE LÊNIN, os 10 mandamentos dos comunistas e CARTA QUE FIDEL CASTRO ENVIOU AO PRESIDENTE CHÁVEZ DE COMO IMPLANTAR O COMUNISMO NA VENEZUELA e terá todos os subsídios de como “falam uma e praticam outra” muito diferente.
    E verá de como agem satanicamente.

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