Por que na investigação do neo-ateísmo, é melhor ir atrás do psicopata mestre ao invés dos “copycats”?

10
82

Sam.Harris.on.The.Daily.Show.avi_000384817

Em prol do empreendimento de mapeamento de rotinas neo-ateístas, resolvi pegar o livro “A Morte da Fé”, de Sam Harris (lançado em 2004) e mapear algumas rotinas por lá.

Eis que surgiu uma epifania: a arquitetura das rotinas contidas no livro, e a forma como elas são encadeadas, mostram uma capacidade de mentir inacreditável de Sam Harris. Ele é realmente um fenômeno na arte de mentir sobre os oponentes! Richard Dawkins, mesmo com toda a sua encenação, não passa de um “copycat” de Harris. Aliás, “Deus, um Delírio” saiu em 2006, dois anos após o livro de Harris.

As mentiras de Harris não estão apenas em “A Morte da Fé”, como também em “Carta a uma nação cristã” e “The Moral Landscape”. Recentemente, me precipitei ao elogiar “O Livre Arbítrio”, mas é por que havia lido-o até o capítulo 4. Mas dali para a frente novamente é um show de empilhamento de mentiras uma atrás da outra.

Não surpreende que o novo trabalho de Harris, recém-lançado, é um ensaio de 26 páginas entitulado “Lying” (tradução: “Mentir”):

is__Kindle_Store20111120195936-vi

Não li “Lying”, mas duvido que o modus operandi de Harris mude. O próprio título é provavelmente uma gozação que ele faz com aqueles que o seguem.

No mundo dos psicopatas, o “copycat” é um psicopata que segue os passos de um outro psicopata que o ensinou. Alguém que ele admira. Neste caso, Sam Harris é como um psicopata mestre, e os demais neo-ateus, incluindo Richard Dawkins, são seus “copycats”. Mas o psicopata mestre sempre está à frente de seus “copycats”.

Relembremos antes um filme de psicopatas com Sigourney Weaver e Holly Hunter, entitulado “Copycat”:

@

No filme, para entender a mente do psicopata que era um “copycat” dos outros, a idéia da policial interpretada por Holly Hunter, ajudada pela psiquiatra interpretada por Sigourney Weaver, foi entender a mente dos psicopatas que o inspiraram.

Hoje em dia, focamos demais em Richard Dawkins (o que não está errado), mas nos esquecemos de que Sam Harris é a fonte de todas as fraudes intelectuais que os neo-ateus praticam. (Atenção: não abandonem as refutações a Dawkins. O que estou dizendo aqui é que ele é um pé-rapado perto de Harris. As refutações a Dawkins são úteis pela fama que o criador da memética possui. Mas em termos de criação de base de conhecimento de fraudes, Harris é a fonte primal.)

Neste debate abaixo, Sam Harris tenta projetar sua psicopatia em seus inimigos, os religiosos tradicionais. Vejam:

@

Abaixo, a resposta de William Lane Craig para as mentiras que acabou de ouvir:

@

Mas Craig, que consegue refutar facilmente Harris (e a questão não é sobre a existência ou não de Deus, então eu, como ateu, não tenho problema em apoiar a resposta de Craig), ainda não está preparado para desvendar a mente de um psicopata.

Este é o empreendimento que proponho: investigar Sam Harris como se investiga a mente de um psicopata, e isso exige um detalhamento e postura muito mais minuciosa, especialmente pelo fato de que as tendências genocidas de Harris dependem das mentiras que ele propaga, e suas armas são não só as mentiras, como o concatenamento delas em uma sequência que seus interlocutores não percebam.

Se acham que eu exagero, então observem as rotinas, todas fraudulentas, que eu mapeei hoje nas páginas 7 a 21 do livro “A Morte da Fé”, agora a pouco (e todas essas rotinas serão detalhadas, e para cada uma delas haverá um post, o que espero concluir em uma ou duas semanas):

  • A crença literal na criação atrasa o conhecimento científico
  • Um religioso interpreta a Bíblia de forma “moderada” para não sair matando
  • A religião “moderada” só existe por pressão externa
  • O religioso aceita tudo na Bíblia sem questionar (como extensão desta fraude, John Loftus criou o seu OTF, já refutado aqui: ver posts 1 e 2)
  • Para ser coerente, o religioso não deveria usar tecnologia
  • O fundamentalismo radical é a versão correta das escrituras (qualquer uma)
  • A religião breca a busca da “verdadeira ética e moral”
  • A religião leva à crença no martírio, e daí aos homens-bomba
  • As nações e grupos surgiram por causa da religião, e podem desaparecer sem a religião
  • Um religioso não pode tolerar a dissidência
  • Os religiosos não aceitam discutir a religião
  • Muitos intelectuais exoneram a religião e aceitam culpar a política pelas barbáries
  • A fé religiosa aumenta a desumanidade das pessoas
  • Como algumas das afirmações da religião não são provadas, deve-se escolher o ateísmo
  • Os cristãos na verdade não lêem a Bíblia

A quantidade de fraudes intelectuais foi tamanha que eu não resisti e disse a mim mesmo: “Eu preciso escrever este post. Eureka! A chave é Sam Harris”. (Justiça seja feita: leitores como Natã e Acauã já me disseram para prestar mais atenção em Sam Harris do que em Richard Dawkins)

Como se isso não fosse suficiente, o primeiro capítulo de “A Morte da Fé” também já inspirou as seguintes rotinas mapeadas anteriormente, e já esmagadas:

Com certeza, é mais de uma fraude intelectual por página. Nem “Deus, um Delírio”, de Richard Dawkins, e “Deus não é grande”, de Christopher Hitchens, possuem tamanha metralhadora de fraudes. Pois, como eu já disse, ambos são meros “copycats” de um mestre.

Um leitor certa vez me perguntou: “Como você acha tão fácil as fraudes dos neo-ateus?”. Eu disse: “É por que investigo os textos dele como um investigador de fraudes faria”. Espero melhorar meu desempenho, pois agora a postura é mais do que a de um investigador de fraudes, mas de um investigador de fraudes observando todos os movimentos de um psicopata.

Agora sim, a leitura investigativa de “A Morte da Fé”, assim como de todos os outros livros de Harris, ficará muito, mas muito mais divertida.

Anúncios

10 COMMENTS

  1. Muito bom, meus parabéns. Gostei muito da resposta do Craig. Para um ateu jugar a religião como algo ruim ele preciso possuir uma base moral que não pode existir sem a existência de Deus.

  2. Maravilha! Agora teremos toda a atenção que Harris sempre mereceu. E justamente na melhor fase do Luciano.

    2013 promete!

    Aliás, feliz ano novo (mesmo que atrasado) para todos os leitores!

  3. Faça com ele o mesmo que fez com dawkins: Monte refutações a suas principais obras(quem sabe uma refutação desse seu novo ensaio não seria uma boa ideía). A divulgação da refutação e quem sabe traduções não seriam má idéia.

  4. Luciano, ainda assim eu penso que o Sam Harris é sem dúvidas o mais fraco dos “Four Horsemen”… Toda a sua argumentação se baseia em uma fraquíssima superposição entre neurologia e filosofia, facilmente refutável por qualquer indivíduo com entendimento filosófico mínimo. Ao meu ver o único que ainda usa alguma inteligência em suas críticas é o Dennett… Prova da sua habilidade é que ele raramente debate, sabendo que será derrotado na maioria das vezes 🙂 🙂 🙂

    • Sam Harris é o mais fraco em argumentação para debates,, mas é o mais avançado em técnicas de controle da massa, montagem de chavões e o maior representante da estratégia de ridicularização de crenças. Seus argumentos visam o público ”rasteiro” e o facilmente influenciável pela idéia de militância. Apesar de não tanto popular como Dawkins, dá pra ver que ele é direcionado justamente ao público iniciante e inexperiente, voltado para a mobilização das massas e criação de rebanho .

      • Eu acredito que Harris é o mais avançado em técnicas de controle da massa. Sobre montagem de chavões acho q é o Dawkins e o maior representante da estratégia de ridicularização de crenças na minha opinião era Christopher Hitchens.

  5. Luciano, vc já assistiu o documentário “Expulso: Inteligência não é permitida” (Expelled: Expelled: No Intelligence Allowed)?
    Por volta de 1 hora e 28 minutos, um patético Dawkins entra em cena. Hesitante, em determinado momento parece que os seus neurônios entraram em curto-circuito: ele fica com uma cara abobalhada durante quase um minuto tentando encontrar uma resposta. Dawkins chega a flertar com o design inteligente, aí tangencia quando responde sobre a origem da vida dizendo que extraterrestres podem ter semeados os germes da vida em nosso planeta. O que não responde nada porque nesse caso os extraterrestres seriam apenas transportadores…

    Também é interessante e esclarecedor o comentário do geneticista de Harvard, Richard Lewontin: “Nós ficamos do lado da ciência, apesar do patente absurdo de algumas de suas construções, apesar de seu fracasso para cumprir muitas de suas extravagantes promessas em relação à saúde e à vida, apesar da tolerância da comunidade científica em prol de teorias certamente não comprovadas, porque nós temos um compromisso prévio, um compromisso com o materialismo. Não é que os métodos e instituições da ciência de algum modo compelem-nos a aceitar uma explicação material dos fenômenos do mundo, mas, ao contrário, somos forçados por nossa prévia adesão à concepção materialista do universo a criar um aparato de investigação e um conjunto de conceitos que produzam explicações materialistas, não importa quão contraditórias, quão enganosas e quão mitificadas para os não iniciados. Além disso, para nós o materialismo é absoluto; não podemos permitir que o ‘Pé Divino’ entre por nossa porta… somos forçados, por nossa adesão apriorística às causas materiais, a criar um aparato de investigação e um sistema conceitual que produzam explicações materialistas”. (Richard Lewontin, Billions and Billions of Demons, New York Review of Books, 09 de janeiro de 1997).

Deixe uma resposta