Papa pede coragem contra agnosticismo (e eu acho que deveria ser humanismo) intolerante… e os neo-ateus reclamam mostrando sua intolerância

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Fonte: Paulopes

O papa Bento 16 pediu ontem (6) aos bispos que tenham “coragem” para enfrentar o “agnosticismo intolerante” que tem se manifestado em vários países.

Em uma homilia para 10.000 pessoas na Basílica de São Pedro, no Vaticano, o papa rejeitou o argumento de que a Igreja deve se restringir às questões de seus fieis, deixando de interferir na discussão dos temas mais gerais, do interesse da coletividade, não só, portando, dos católicos.

Em diversos países, tem se fortalecido a opinião de que a Igreja Católica não deve tentar impor às sociedades preceitos bíblicos que condenam o casamento de homossexuais e aborto, entre outros exemplos.

Para essa corrente de pensamento, a religião pertence ao âmbito privado, e não público.

Para o papa, isso demonstra que o “agnosticismo reinante hoje tem seus próprios dogmas e é extremamente intolerante em relação a qualquer coisa que possa questioná-lo”.

De acordo com o papa, a “mentalidade prevalecente” desse agnosticismo tem de ser combatida pelos membros da Igreja, de maneira urgente e corajosa.
Meus comentários

Como sempre, Paulopes mente em sua notícia. A Igreja Católica não quer impor à sociedade os preceitos bíblicos, mas sim a liberdade para viver sua religião. Isso significa, por exemplo, terem o direito de achar que o homossexualismo é lamentável. Ou lutar no âmbito político contra o aborto. (Mesmo que eles saibam que esta é uma batalha perdida)

Paulopes argumenta dizendo que “a religião pertence ao âmbito privado, e não público”, em clara confusão do que significa estado laico. Pensando bem, ele não faz confusão, mas uma fraude. Não há nenhum princípio do estado laico que proíba a manifestação pública da religiosidade cristã, assim como não há nenhum princípio que proíba a manifestação pública do ateísmo. Pelo mesmo princípio da liberdade individual, não há uma base lógica para proibir a manifestação pública da homossexualidade (desde, é claro, que sejam seguidas as boas normas de pudor, como evitar fazer sexo em público, e o respeito à propriedade privada dos outros). Um gay pode dizer que acha “repulsivo” o casamento heterossexual, assim como um heterossexual pode achar “repulsivo” o casamento homossexual.

Logo, não faz sentido dizer que “religião se resume ao âmbito privado”, e o Papa, que as vezes dá algumas pisadas na bola (como por exemplo em sua ridícula crítica ao capitalismo na Missa de Ano Novo – e mesmo que eu ache esse discurso do Papa contra o capitalismo vergonhoso, não peço que ele o mantenha em “âmbito privado”) está certíssimo em lutar contra pessoas que dizem que a religião não pode se manifestar a não ser em âmbito privado. A lógica humanista (que o Papa erradamente confundiu com agnosticismo intolerante) é totalitária, e deve ser combatida.

Pelos comentários da turminha que lê o Paulopes, mais uma vez tentam fingir que não existe intolerância contra a religião, e portanto alegam que não faz sentido o Papa protestar contra a intolerância direcionada ao catolicismo. Só que o mero fato dos neo-ateus tentarem esconder seus crimes de ódio contra a religião já é um sintoma da periculosidade do humanismo atual.

Os neo-ateus (que são humanistas) se indignam tanto com a crítica do Papa ao humanismo intolerante quanto os nazistas se incomodavam com as menções de judeus à intolerância dos nazistas contra eles (*). Para entender melhor esse comportamento, recomendo a leitura de “LTI – A Linguagem do Terceiro Reich”, de Victor Klemperer, e “Apoiando Hitler: Consentimento e Coerção na Alemanha Nazista”, de Robert Gellately, onde esse padrão de até se indignar com as críticas do grupo atacado à intolerância do outro (que normalmente alega não
ser intolerante) é esmiuçado em detalhes.

(*) Notem que isso não é a falácia Ad Hitlerum, pois é o mapeamento de um comportamento. Neste caso, a Alemanha Nazista é utilizada aqui como um experimento de engenharia social, que utilizou os mesmos padrões que os neo-ateus usam hoje em dia. Estudando o Cambodja, a Rússia e a China, em suas fases de comunismo genocida, eu provavelmente encontraria os mesmos padrões. Mas escolhi avaliar a Alemanha Nazista por ter mais livros que falam em específico da engenharia social por lá. Portanto, de novo: se alguém vier com choradeira dizendo que este post é um Ad Hitlerum, que vá catar coquinho na descida.

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3 COMMENTS

  1. O que eu acho interessante é que esse povo defende um suposto ‘estado laico’, mas querem relegar a religião ao âmbito privado. Você não pode manifestar suas opiniões se for religioso (a não ser que seja ateu, e além disso, militante).
    Eita liberdade boa!

  2. Uma nota sobre a tal “ridícula crítica ao capitalismo na Missa de Ano Novo” feita pelo Papa:

    Não sou conhecedor de italiano (idioma no qual a homilia foi feita), mas sei que o adjetivo utilizado foi “sregolato” (http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/homilies/2013/documents/hf_ben-xvi_hom_20130101_world-day-peace_it.html).

    Nas definições que vi pela internet, vi que esse adjetivo significa imoderado, excessivo, selvagem, irregular, desregrado, e se isso é verdade, não vejo nada demais no que foi dito. Repito: não sou conhecedor de italiano, e aqui alguém que conheça pode esclarecer melhor.

    Portanto, aparentemente não há nada demais no que foi dito. É o mesmo discurso de sempre, que existe desde o princípio do cristianismo: cada um que deixe a avareza de lado e distribua o que tem. Ou seja: caridade.

    Portanto, o apelo é à consciência de cada um, e não um pedido de regulação do capitalismo, como pode parecer no texto traduzido (pelo próprio Vaticano, diga-se, que pelo jeito tá totalmente infiltrado de comunas).

    Abraço!

  3. Criticar o capitalismo em determinados casos até eu critico. Posso achar ruim o calor do sol ao meio dia, mas não digo que o sol deve ser extinto e substituído por uma outra fonte de calor qualquer. Com o capitalismo é a mesma coisa.

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