Rótulo: Delírio (crente em um, propagador de um; var.: delirante)

2
73

SelfDelusion (1)

Última atualização: 08 de janeiro de 2013 – [Índice de Rotinas][Página Principal]

Alguém já tentou elencar os maiores ganchos que impulsionaram o livro “Deus, um Delírio”, de Richard Dawkins? Se você pensou no uso estratégico da expressão “delírio” entre eles, acertou.

Rótulos como “delírio” (atribuido à crença de alguém) ou “delirante” (atribuído a uma pessoa) irão automaticamente significar, na mente da patuléia, que aquele rotulado é alguém que possui uma crença falsa, mesmo que esta crença já tenha sido desmascarada por evidências, já que o significado de delírio é uma crença falsa (e, se é falsa, já teria sido provada como inválida).

Mais ainda: no imaginário popular, a expressão delírio é normalmente associada à pessoas insanas.

Por tudo isso, o rótulo é poderosíssimo, e acusar o oponente de crente em um delírio, ou delirante em si, é fulminante.

Obviamente o rotulado poderá tentar contra-argumentar, dizendo que “sua crença não é um delírio”, argumentando logicamente e provando que sua crença não é falsa. Mas de nada adiantará, pois o efeito psicológico do uso da expressão “delírio” é devastador.

Por isso, a única forma de retrucar essa rotulagem é apontando que a crença do oponente é um delírio ainda maior, e demonstrando que ele ganha também no quesito de ser um delirante.

Anúncios

2 COMMENTS

  1. Alister McGrath ´percebeu isso e deu ao seu livro o título “O Delírio de Dawkins”, em que enumera e desmascara algumas das falácias do fanfarrão.

Deixe uma resposta