O mapeamento de rotinas como o método mais fundamental do ceticismo político

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Se minha tese do ceticismo político estiver correta (e ela ainda não foi refutada), o ser humano não é um animal focado na busca da razão objetiva, mas na razão pragmática. Traduz-se disto que não existe um tribunal mental na mente das pessoas, e sim um neo-córtex que busca tomar as melhores decisões com base em auto-interesse, ou seja, busca de sobrevivência.

Politicamente, isso leva ao risco de que muitos ideólogos e filósofos lancem suas ideias não pelo seu valor de verdade, mas pelo benefício que estas ideias podem prover. Para eles próprios. E os grupos que eles apóiam.

Quando um humanista define-se como “adepto da razão”, isso não significa que ele seja um adepto da razão de fato, mas alguém que obtem o benefício psicológico, perante a plateia, de ser reconhecido como alguém “da razão”. Basta estudarmos as ideias deles, e veremos que o número de falácias os qualificaria muito mais adequadamente como pessoas crédulas e irracionais.

Humanistas e esquerdistas alcançaram o estado da arte no uso da mentira em suas capitalizações políticas. Olavo de Carvalho nos disse que quando encarássemos um esquerdista (e eu amplio o espectro para humanistas também) pela frente, não veríamos alguém disposto a debater. Veríamos alguém focado especialmente em fraudar o debate para obter o benefício pessoal (ou grupal) destas fraudes. Eu investiguei a alegação de Carvalho e de fato descobri que, se víssemos o discurso esquerdista/humanista desta forma, conseguiríamos identificar as fraudes e mapeá-las, criando uma base de conhecimento sobre elas. (Momento no qual decidi trazer minha experiência de criação de bases de conhecimento para conscientização sobre fraudes corporativas)

À medida que assistimos à qualquer forma de verbalização e comunicação da parte deles, seja em livros, palestras, aulas, vídeos no YouTube ou atuação em redes sociais, existem dois focos principais de atuação: refutação do que eles afirmarem, e ou aquisição de conhecimento sobre as rotinas que eles estão usando. Meu foco escolhido é o mapeamento de suas rotinas.

Quando a rotina é mapeada, pode ser descrita, com exemplos, associada à uma estratégia, e, em seguida, se for o caso, refutada. E não existem apenas as rotinas inerentemente falsas como um todo. Há rotinas que se baseiam em citações de fatos, mas podem ter esses fatos verdadeiros usados dentro de um argumento falso. Assim como há rotinas baseadas em fatos, dentro de um contexto verdadeiro (ou até dentro de um argumento verdadeiro), e citadas em sequencia, de acordo com a teoria do agendamento, para maquiar a realidade.

Vamos a exemplos de cada 1 dos 3 casos:

  1. Rotina completamente falsa, com argumentos e fatos mentirosos: Religiosos não aceitam ser criticados, em comparação com ateus (Esta rotina é claramente fraudulenta, pois baseia-se em uma falsa informação sobre religiosos, além de uma outra falsa informação, sobre ateus. O fato é que tanto ateus como teístas não toleram ser criticados em suas crenças de valor fundamental, aparentemente na mesma proporção)
  2. Rotina falsa, juntando argumentos/fatos falsos e verdadeiros: A Igreja Católica fez uma concordata com os nazistas, e isso mostra sua responsabilidade no nazismo. (Neste caso há um fato corretamente citado, mas um outro falso, no que é tradicionalmente um argumento falacioso. Este tipo de rotina é mais crítica, pois por misturar informações verdadeiras e falsas, tem maior chance de enganar o outro)
  3. Rotina com fatos e argumentos verdadeiros, mas implementada via agendamento: Um pastor foi pego abusando de sua fiel, além de extorquir dinheiro dela, e isto é imoral. (Existindo um exemplo, e eles existem, é claro que toda a informação acima é verdadeira. Entretanto, se forem publicadas mais notícias de pastores que façam isso em relação a outros tipos de profissionais que façam algo similar, temos o caso de agendamento de notícias, o que falsifica a percepção da realidade. Um exemplo está no noticiamento de pedofilia na Igreja Católica, mas a omissão de notícias em relação a pedofilia praticada por outros profissionais)

Quando autores como Richard Dawkins, Sam Harris, Emir Sader e qualquer outro humanista/esquerdista vão escrever um livro, palestra ou emitir um discurso, basicamente, estes focarão em suas agendas, pensarão nas estratégias que adotarão, utilizando todas as rotinas, dos 3 tipos acima, necessárias para obtenção de seus resultados.

Ao começar a mapear as rotinas destes autores (ao invés de usar a refutação parágrafo a parágrafo), mudei completamente a perspectiva de análise do material neo-ateísta, e posteriormente de todo material esquerdista.

Antes eu lia um capítulo de Dawkins, encontrava absurdos e já ia refutando. Hoje eu foco no entendimento da estratégia de cada capítulo (ou texto, ou discurso), com base na agenda do autor, e fico fazendo anotações do lado, em relação às rotinas mapeadas ou identificadas – o “mapear” é para notícias novas, e “identificar” significa notar que no texto há uma rotina mapeada anteriormente. No primeiro caso, crio logo em seguida os verbetes, para cada rotina. Por isso tenho uma lista enorme de rotinas, e todo dia ao menos uma rotina é publicada.

Um dos objetivos futuros é pegar o livro “Deus, um Delírio” (cuja refutação havia sido publicada quase completamente aqui, mas sob a perspectiva anterior, que hoje acho contra-produtiva), e rastrear seu conteúdo para todas as rotinas da seção Rotinas neo-ateístas, que surgiram a partir do mapeamento do livro. E depois colocá-las em sequencia, citando um exemplo ou outro conforme necessário.

Atualmente, os seguintes livros estão sob esse processo de mapeamento:

  • Christopher Hitchens – The Portable Atheist e God Is not Great
  • Sam Harris – The Moral Landscape, Free Will (para as rotinas destes, criarei uma sub-seção chamada “Apologética humanista em ênfase em nova moral”) e The End of Faith
  • Michael Onfray – Tratado de Ateologia
  • Bertrand Russell – Ensaios Céticos (também terá muito a ver com a apologética humanista)
  • Victor Stenger – The New Atheism
  • John Loftus – The End of Christianity

Este é o framework, em sua aplicação específica para as investigações sobre neo-ateus e humanistas (que serão priorizadas em 2013):

  1. Compreender o máximo que for possível a agenda do outro lado
  2. Entender as estratégias que eles executam, e isso inclui as estratégia de demonização, de transferência de culpas, ridicularização, falsa dicotomia ciência x religião, todo o jogo de rótulos e demais
  3. Mapear a rotina que atende a (2), a qual deve estar alinhada com (1)
  4. Entender o tipo de rotina, caso seja falsa, de acordo com os 3 tipos de rotinas mapeados anteriormente
  5. Descrever em detalhes como a rotina serve, encontrar sua fraude e/ou erro lógico, e expor esse erro, de preferência dando explicações e dicas adicionais de como proceder aos leitores.

A forma de visualizarmos toda a situação é básica: toda interação do neo-ateu/humanista com o público é uma verbalização. E as rotinas que eles usam devem ser refutadas.

Para ajudar vocês neste empreendimento, eu mapeio as rotinas que eles usam, de acordo com a agenda deles, e a estratégia executada.

A meu ver este é o modelo a ser executado, para solucionar um dos problemas mais graves de muitos daqueles que se opõem ao neo-ateísmo: tratar com dignidade aquilo que não tem dignidade. A meu ver essa sempre foi uma postura ingênua e contraprodutiva.

O mapeamento de rotinas (e o consequente aproveitamento desses mapeamentos por qualquer um que queira) elimina todas nossas ingenuidades, de forma progressiva, e gera resultados.

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3 COMMENTS

  1. Luciano, não valeria a pena dar uma continuada na abordagem sobre aquele caso de estupro coletivo na Índia que gerou toda aquela comoção que conhecemos? Por que digo isso? Porque hoje no Estadão saíram dois textos no Aliás: o primeiro é uma entrevista com a feminista indiana Vandana Shiva e você pode observar que usam dois rótulos de “oprimido”, um atribuído às mulheres e outro ao meio ambiente. Este aqui serve para ver a quantas anda a tentativa de se aproveitar politicamente da violência sofrida por Jyoti Singh Pandey. O outro é da antropóloga Débora Diniz e tem perspectiva eminentemente ocidental e distante da coisa toda. Note inclusive aqui aquele repúdio automatizado à pena de morte que marxistas culturais do Ocidente costumam ter. No segundo texto você verá muito aquela tentativa de crença inerente de que o ser humano é bom, bem como a tentativa de dizer que o pai da moça, ao dizer que não foi culpa dela, seria.

    Em ambos os textos há quase um caça-palavras em que veremos palavras-clichê como “patriarcalismo” e derivados, mais outros conhecidos. Fica-me nítida a impressão de que estamos lidando com rotina com características de falsa com argumentos falsos e verdadeiros ou verdadeira implantada via agendamento.

    • Onde está “bem como a tentativa de dizer que o pai da moça, ao dizer que não foi culpa dela, seria.”, leia-se “seria exceção à regra”, quando me parece que o pai em questão está simplesmente com a opinião mais racional possível a respeito da história e simplesmente se ateve aos fatos.

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