O pseudo-vampiro, a garota alvo, o esquerdismo e o humanismo

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vampiros

Estive conversando com uma leitora deste blog no Facebook, dia desses, e durante a conversa tive uma epifania: finalmente encontrei uma parábola para fechar a questão da atuação deste blog em relação aos humanistas e esquerdistas.

São os humanistas iguais aos esquerdistas? É possível um humanista não ser um esquerdista? Humanismo e o neo-ateísmo são iguais? Por que as vezes escrevo “humanistas ou esquerdistas”?

Não, esquerdismo e humanismo  não são a mesma coisa, mesmo que intimamente relacionados. Reconheço parte de culpa nesta confusão, mas vou arrumar as coisas agora.

Voltemos à parábola do vampiro sedutor e a garota empolgada, que já usei mais de uma vez.

Basicamente, imagine que exista um sujeito que queira conquistar uma garota, convencendo-a de que ele é um vampiro que existe há 600 anos, e que teria o poder para protegê-la de todos os perigos. A garota é fã da série Crepúsculo, e adora toda a mitologia vampírica.

O problema é que dificilmente a garota irá cair nos “xavecos” dele, pois ela não acredita em vampiros. O máximo que ela faz é gostar de livros de vampiros, o que não significa acreditar na existência factual de pessoas que se transformam em morcegos.

Ele combina um jogo com dois amigos, que a conhecem. Ambos devem executar algumas técnicas de manipulação psicológica com um único objetivo: fazê-la acreditar que vampiros existem. E, depois de uma série de estimulações contraditórias, ela começa a achar que vampiros existem.

Com a ajuda dos dois amigos, ele enfim consegue convencê-la de que é um vampiro, começando aí um processo de sedução, obtendo sucesso semanas depois.

Claro que ele não teria chance alguma se ela não acreditasse na possibilidade dos vampiros existirem. Realizem a situação em que ele afirmaria a ela: “Ei, que tal conhecer um sujeito experiente, de 600 anos?”. Com certeza ela riria em sua cara. Mas quando ela já tinha embutida em sua mente a ideia de que vampiros existem, obviamente as chances dela aceitá-lo como sendo um vampiro aumentaram exponencialmente.

Tivemos dois passos aqui: (1) Ela acreditar que vampiros existem, (2) Ela acreditar que o sujeito em si era um vampiro.

E o que isso tem a ver com a relação entre humanismo e esquerdismo? Simplesmente tudo. Revisando a história acima, (1) é o humanismo e (2) o esquerdismo.

Vejamos. Para acreditar em qualquer manifestação do esquerdismo (marxismo, fascismo, social democracia, estado de bem estar social, nazismo), é preciso antes ter crido no humanismo.

O humanismo é a crença em que o ser humano irá, por sua ação política, modificar suas contingências para criar um mundo melhor e planejado para um acordo universal. O esquerdismo, por sua vez, traz uma proposta para alcançar esse mundo.

Sem o humanismo, não há esquerdismo. E sem a garota acreditar que vampiros existem, não existe uma forma dele convencê-la de que é um vampiro.

É possível que o humanismo não derive em esquerdismo, embora isso seja bem raro, mas não é possível que o esquerdismo exista sem o humanismo. Em outras palavras, alguém somente será convencido a adotar um paradigma esquerdista se já tiver um programa humanista inserido em seu sistema límbico profundo.

Por isso, quando cito “humanismo e esquerdismo” como objetos centrais de minha refutação (baseada no ataque à religião política), estou sendo mais coerente do que afirmar “humanismo, ou seja, o esquerdismo”. (Eu também poderia escrever “humanismo puro ou humanismo já completado com esquerdismo”, mas apenas tornaria as coisas complicadas)

Há uma relação lógica entre humanismo e esquerdismo, e tratá-los como entidades separadas, de acordo com suas nuances, é muito mais proveitoso.

Particularmente eu gasto a maior parte do tempo atacando o humanismo sozinho (até por que o neo-ateísmo é apenas uma variação do humanismo), pois entendo-o como uma crença de suporte, que, se atacada, deixa de dar sustentação à crença suportada.

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5 COMMENTS

  1. Luciano, eu entendi a sua explicação, mas fiquei com uma dúvida. Você diz que:

    “O humanismo é a crença em que o ser humano irá, por sua ação política, modificar suas contingências para criar um mundo melhor e planejado para um acordo universal. O esquerdismo, por sua vez, traz uma proposta para alcançar esse mundo”.

    Mas se uma pessoa tem essa crença, ela já não é, por definição, uma esquerdista? Ok, ela pode até não ter muita ideia de como alcançar esse ideal, mas no fim das contas ela agirá como uma esquerdista (ainda que de maneira geral, sem ser adepta de uma ideologia específica), se achando uma heroína por fazer pregações contra a religião e acreditando que os homens certos no poder (como se isso existisse) poderão fazer as coisas mudarem. Também será estatista por natureza.

    Então, não poderíamos dizer aqui que todo humanista é esquerdista (ainda que humanismo e esquerdismo não sejam as mesmas coisas)? Ou dá para ser humanista e não ser esquerdista?

    • Davi, eu concordo que TODO esquerdista é humanista, mas nem todo humanista é esquerdista, isso por que o ser humano domina a capacidade de dissonância cognitiva e poderá entrar em duplipensar. Já o esquerdismo fugir de ser humanismo é logicamente impossível, assim como é impossível logicamente o sujeito tentar convencer a garota de que ele é um vampiro, se ele nao assumir a idéia de que vampiros existem (ao menos, é claro, que ele esteja fingindo).

  2. Acho q devemos diferenciar esquerdistas de esquerdopatas,os esquerditas são os marinheiros de primeira viagem influenciados pela propaganda humanista imposta pelos esquerdopatas na mídia incluindo principalmente a net,ou seja,os leigos começam como humanistas depois convertem-se ao esquerdismo e finalmente tornan-se esquerdopatas.Acho q assim se configura a evolução da esquerdopatia hehe…

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