O pior argumentador neo-ateu de todos os tempos – Parte 2 – A Pollyana neo-ateísta

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filmepollyanna

No texto Uma tática para devastar a apologética neo-ateísta: a tática Prometheus, o blogueiro ultra-neo-ateísta Barros ficou irritado, e depois de algumas baixarias da parte dele, lhe propus um desafio, que segue:

Aí temos que jogar outro jogo: Playgod. Vc faz o papel de Deus e projeta aí um mundo, digamos, em que você seria “menos sádico e menos malévolo”. Você faria um mundo sem mortes? Ou que as mortes tivessem uma data marcada? Aí, as crianças não morreriam. Qual sua proposta, Deus? (o jogo é “Playgod” e já que você julga Deus como “malévolo e sádico”, deve ter uma proposta melhor, não?)

Barros, inocentemente, não percebeu que esse era mais um teste da personalidade dele do que propriamente um desafio, mas, surpreendemente, ele aceitou o desafio:

Em todo caso, aceito seu desafio do Playgod. Vai sair publicado no meu blog Deusilusão, na próxima quarta-feira.

O fato é que hoje é quarta-feira, 16/01, e somente ontem, terça-feira, 15/01, Barros concluiu seu texto onde supostamente venceria o desafio (que ele havia prometido para o dia 09/01), com os posts Brincando de Deus (parte 5),Brincando de Deus (parte 6)Brincando de Deus (fim).

Alguém poderia objetar: e as partes 2, 3 e 4? Acredite, se quiser, essas partes não dizem absolutamente nada, a não ser uma historinha que Barros criou com uma versão que ele inventou do Genesis. Tudo é tão rasteiro, amador e infantil que nem vale a pena comentar.

Por outro lado, a parte 1 da resposta dele, publicada no meio da semana passada, também não falou absolutamente nada do desafio, trazendo uma série inacreditavelmente absurda de erros lógicos (inaceitáveis até para um filósofo mirim que conheceu “O Mundo de Sofia” o ano passado, e isso sob declaração dele próprio – não estou inventando nada). Esta parte 1 já foi destroçada aqui, no post O pior argumentador neo-ateu de todos os tempos!

Vamos ver o que restou nas partes 5, 6 e 7, onde, segundo Barros, ele cria em sua mente um “mundo infinitamente melhor” do que aquele criado pelo Deus dos cristãos:

A maior e melhor prova de que Deus é um personagem de ficção é justamente o livro em que ele “se revela” à humanidade. Na Bíblia, todas as limitações dos seus diversos coautores humanos são repassadas para Deus e para o mundo que ele criou. É somente essa constatação que permite entender não só por que a infinitamente poderosa divindade cristã precisou limitar seu poder supremo de criação e nos deixar um mundo tão mal acabado, como ter ela resolvido “se revelar” através de um meio tão prosaico quanto o da narrativa de suas façanhas, cósmicas e terrenas, que era o mesmo expediente adotado por várias outras divindades de povos muito mais antigos do que aquele que ela escolheu para editar seus livros.

O Barão de Itararé definitivamente era um sábio. Dizia ele que de onde menos se espera, daí mesmo é que não sai nada.

Todo o raciocínio acima é pífio e ridículo, e como sói ocorre nesses casos, a “prova” de que Deus é um personagem de ficção está no fato das “limitações dos coautores humanos”, que seriam “repassadas a Deus”. Mais ou menos é o seguinte: se o ser humano é imperfeito ao observar as características de objeto X (seja o Big Bang, uma abstração, ou qualquer outra coisa), então esse objeto é de ficção.

Como se vê, lógica não é o forte de Barros.

Vamos ver se ele mostra, em argumentos, daqui para a frente por que o mundo é tão “mal acabado”, e por que o mundo dele é, logicamente, melhor. Tentem ser pacientes com o garoto.

O artifício usado pelo crente para não encarar essa verdade nos olhos é até bastante eficaz. Ele lê a palavra do seu Deus da maneira que lhe é mais conveniente. O problema é que, como o que é conveniente pra mim pode não ser conveniente pra você, esse subterfúgio acabou gerando, ao longo dos últimos séculos, cópias e mais cópias de Deus, cada uma com sua parcela de seguidores, cuja prioridade maior parece ser a de convencer os outros de que são os detentores do Deus original. Só isso já bastaria para transformar qualquer paraíso num inferno.

Vamos avaliar este argumento aqui. Segundo ele, várias interpretações de um objeto X, automaticamente conspiram contra este objeto? Mas não deveriam apenas conspirar quanto à dificuldade de interpretação deste objeto, ao invés do objeto em si? Além do mais, ele usa o truque de que várias interpretações da revelações de Deus são vários deuses? Essa rotina já foi refutada anteriormente: Alto número de religiões valida o ateísmo.

O mais engraçado é quando ele solta um “Só isso já bastaria para transformar qualquer paraíso num inferno”. Mas como? Por quais premissas ele chegou nessa conclusão? Simplesmente nenhuma.

Agora vamos a primeira “proposta” de Barros:

E por falar em Inferno, esse seria o primeiro retoque que eu faria na obra dessa criatura perfeita, eterna, imutável, onipotente, onisciente e onipresente que quer posar de “boazinha”, mas que ameaça com a possibilidade de castigos indizíveis, durante toda a eternidade, aqueles que, nesse jogo de esconde-esconde, não fingirem que sabem onde ele se meteu. Sim, porque Deus, na sua infinita perfeição e sabedoria, achou que se esconder seria a melhor maneira de convencer as pessoas de que ele não é uma invenção da cabeça delas.

Confesso que os chiliques acima ficaram até engraçados, no estilo daquelas birrinhas de crianças de 7 anos. Ele começa o parágrafo falando em “por falar em inferno, esse seria o primeiro retoque…”, mas passa o restante inteiro do parágrafo com estratagemas muito bobos, que só podem ser discutidos com crianças de 10 anos de idade no máximo. Em suma, ele que vá provocar as crianças no parquinho da escola com o parágrafo acima, mas não direcionar seu texto para pessoas que já passaram dos 13 anos. O parágrafo acima simplesmente não faz o menor sentido.

Vejamos se deste mato sai coelho:

O crente, mais uma vez, precisa recorrer a um estratagema para manter sua ilusão. Quando alguém manda um e-mail mostrando uma paisagem belíssima, com montanhas nevadas e um céu azul ao fundo; ou um grupo de crianças brincando num gramado verde com animaizinhos fofinhos; ou uma família feliz e bem de vida lendo a Bíblia no seu amplo apartamento de classe média-alta, em tudo isso ele vê a presença de Deus, e com esses exemplos ele endossa as invejáveis qualidades do seu Criador.

Mas que porra é essa? Este blog não defende nem a apologética teísta e nem a apologética neo-ateísta. Portanto, ele deveria escrever suas trovinhas direcionadas a alguém que está refutando os argumentos do seu lado, sem querer endossar o argumento do outro lado. Tivesse ele sequer lido com atenção (dica ao Barros: contenha sua emoção, tente relevar o quanto você depende emocionalmente do humanismo, e comece a ler o que os oponentes de debate escrevem, com isso você poupará tempo seu e de seus oponentes de debate) veria que ninguém aqui está provando “ilusão alguma”, mas sim estudando a coerência lógica de um discurso.

Vamos aos fatos: eu não acredito em Deus, seja em visão literal ou metafórica. Mas acho que os crentes religiosos são coerentes ao descrevê-lo. Por outro lado, os neo-ateus, que não acreditam em Deus como eu não acredito, levam a questão pro lado emocional, e ao invés de discutirem partem para chantagens emocionais dignas de crianças mal acostumadas e mimadas. A discussão geralmente descamba para um empilhamento de falácias uma atrás da outra, e exatamente por isso desafiei Barros.

O fato de que alguns religiosos vêem em aspectos diferentes da realidade as manifestações que atribuem a Deus ainda não serve para provar que o “mundo é ruim, que Deus é mal, e que Deus, conforme visão de Barros, se fosse Deus, seria melhor”.

Vamos que vamos:

Mas é fato que nem tudo serve como exemplo, e é sempre necessário pensar numa desculpa para as guerras, fome, pestes, injustiças e toda sorte de desgraças que circundam tão de perto aquela paisagem belíssima, as crianças na grama e a família feliz em seu prédio de apenas um apartamento por andar.

Já não bastasse o discursinho esquerdista de “oprimidos e opressores”, o sujeito ainda acha que é preciso pensar em uma “desculpa” para “guerras, fome, pestes, injustiças e toda sorte de desgraças”. Tivesse ele estudado logicamente o objeto sob discussão, teria sabido que a premissa do julgamento sobre Deus, envolve um mundo em que existe bem e mal, conforme descrição clara do que é cada um.

Segundo ele: o mundo seria “bom” se não existisse o “mal”. Mas espere, se não existisse “mal”, como ele poderia definir o que é bom ou mal?

Agora a cereja do bolo:

Mas eis que pessoas extremamente mal resolvidas quanto à sua religiosidade me propuseram o desafio de imaginar como seria o mundo se eu mesmo o tivesse criado. Espicaçadas em sua fé enrustida a ponto de se proclamarem “ateus de verdade” (os ateus de mentira seriam os neoateus, aqueles que só leem Richard Dawkins e querem pegar em armas para exterminar todos os crentes do mundo), elas não aceitaram me ler falando mal da “Criação”, pois, para elas, eu não poderia conceber nada melhor […] Daí eu aceitei o desafio de criar um mundo melhor do que o do Deus deles.

O sujeito já começa com duas rotinas básicas: Um ateu que não reza pela cartilha do neo-ateísmo apenas finge que é ateu e Ateus e católicos não podem concordar em suas críticas aos neo-ateus. O objetivo é claro: como ele sabe que a argumentação dele é digna do primário, tenta usar psicologia inversa para que um outro ateu não o conteste. Daí chama este outro ateu de um exemplo de “pessoas extremamente mal resolvidas quanto à sua religiosidade”. Pelo contrário, eu sou ateu e não dependo de ficar mentindo sobre religiosos o dia inteiro. Este é um problema do Barros. Ele é que tem que procurar tratamento. Eu consigo conviver com religiosos e discutir numa boa com eles, o que ele jamais conseguirá.

A demência de Barros fica evidente quando ele afirma o seguinte sobre a minha pessoa: “Espicaçadas em sua fé enrustida a ponto de se proclamarem “ateus de verdade” (os ateus de mentira seriam os neoateus, aqueles que só leem Richard Dawkins e querem pegar em armas para exterminar todos os crentes do mundo)”.

Esperem aí: este blogueiro jamais utilizou a expressão “ateus de verdade”, entretanto ele afirma que eu fiz isso. Quando o sujeito se aflige tanto ao ver seu humanismo despedaçado a ponto de mentir sobre o oponente em território aberto, é sinal de que não tem mais nada a perder. Aliás, eu afirmei exatamente o oposto do que ele disse que eu afirmei: eu sempre afirmei que ateus podem ser tanto humanistas como não-humanistas, e eu sou não-humanista e o Barros é um humanista, e ambos somos ateus. Assim como um teísta neo-pentecostal é um teísta tanto quanto um católico. Não é preciso de uma lógica muito profunda para entender isso.

Curiosamente, ele mente também sobre o que eu afirmei. Eu não fiz juízo de valor sobre o que ele iria propor como melhor, mas sim o desafiei para ver o que ia sair dali. A minha aposta é que a proposta de “mundo melhor” dele seria extremamente contraditória e infantilóide, e exatamente por isso fiz o desafio. Se Barros entendeu esse desafio como uma “tentativa de provar a existência do Deus cristão”, está muito mais traumatizado pela existência dos cristãos do que pensa, e isso não é um problema que eu resolva. É coisa de psiquiatra. Ele precisa desenvolver estrutura emocional para ver o mundo como ele é, os argumentos do oponente como eles são, e enfrentar as questões do mundo como elas são apresentadas, ao invés de como ele as monta em sua cabeça, sem nenhuma conexão com a realidade.

Até agora, Barros simplesmente se “esqueceu” do desafio, e misturou delírios, interpretações erradas, projeções de neuroses e coisas do tipo, tornando todo o seu empreendimento a manifestação de um fracasso.

Vamos ver como ele segue:

Como eu sou infinitamente imperfeito, acredito que qualquer — eu disse “qualquer” — melhoria que eu venha a implementar no mundo à nossa volta já seria o suficiente pra ganhar o desafio, visto que o autor original seria um ser perfeito, eterno, sabe-tudo e tal. Eu comecei, então, abolindo o Inferno, porque eu, se tivesse filhos, tenho certeza que poderia educá-los bem o suficiente sem precisar recorrer a ameaças de tortura eterna.

O reconhecimento de que alguém é “infinitamente imperfeito” não deriva em que qualquer “melhoria” implementada seja o suficiente para ganhar o desafio. Na verdade, ele deveria provar que a “melhoria” garantiria que o mundo fosse melhor, tornando-o, como criador, menos “sádico e malvado”.

A primeira proposta dele é a abolição do inferno, dizendo que ele foi criado, segundo dizem as escrituras religiosas, para servir como “ameaças de tortura eterna”, mas nem de longe seria essa a intenção. O inferno, aliás, existe pela manifestação do livre arbítrio de criaturas conscientes, que seriam anjos e homens, segundo a teologia cristã.

Enfim, o inferno existe como uma opção relacionada ao livre arbítrio, mas em seu “mundo melhor”, Barros não quer dar sequer o direito de escolha. Ao limitar o direito de escolha, o mundo de Barros com certeza é o pior dos mundos, e nesse ponto não é diferente de nenhum cenário de horror marxista. Mas vamos prosseguir, para ver onde isso vai dar:

Se eu estivesse prestes a criar um mundo para os meus filhos, como ele seria? Bem que poderia ser muito parecido com esse; mas esqueça os terremotos, vulcões, furacões, tornados, tsunamis, tempestades solares, meteoritos, efeito estufa, secas, pragas, enchentes, eras glaciais. Num mundo criado de acordo com a minha vontade, essas coisas só existiriam no cinema, que era para onde as pessoas iriam se quisessem ver como seria um mundo sem um ser supremo que as amasse.

Isso não faz o menor sentido. Um mundo sem uma natureza incerta seria melhor por qual motivo? A natureza repleta de incertezas torna a vida algo totalmente não-previsível, por isso alguém vive sem saber o dia em que vai morrer e de que forma vai morrer. Mas, em direção oposta, Barros propõe um mundo sem incertezas negativas, que poderiam causar dano, criando um cenário onde a vida existe, mas não pode ser terminada a não ser de forma programada. Notem que não estou fazendo juízo de valor sobre o mundo atual em termos de prová-lo como um “mundo bom”, mas sim mostrando que não há um argumento em prol de que o “mundo que Barros criaria se fosse Deus” seria melhor.

Valendo-me da minha perfeição, eu teria criado o ser humano perfeito. E de uma vez só, como, aliás, era o que se achava que Deus tinha feito. Nada de deixar tudo à mercê de um processo evolutivo que levaria bilhões de anos e infestaria seu DNA de erros e mutações sem fim, que teriam como consequência previsível o surgimento de todo tipo de doenças e disfunções que só causariam sofrimento desnecessário. Não que haja sofrimentos necessários, mas, talvez, sofrimentos inevitáveis, como o da rejeição de um amor não correspondido, ou o provocado pela ausência de alguém que foi embora ou faleceu.

Eu não sei de onde ele tirou o “sofrimento desnecessário”. O sofrimento seria “desnecessário” em comparação com o quê? Segundo ele, provavelmente seria com a “ausência de sofrimento”. Mas na ausência de sofrimento, como o homem sequer teria parâmetros para avaliar o que é uma sensação boa? O engraçado é quando ele cria “sofrimentos necessários” (mais uma vez ele não define o “necessário em comparação a qualquer coisa”), que seriam coisas como “rejeição de um amor não correspondido” ou “provocado pela ausência de alguém que foi embora ou faleceu”. Mas esperem. Se o amor é um mecanismo evolutivo que surgiu para que os animais se procriassem, e eles se procriam por uma luta pela sobrevivência de seus genes em um mundo incerto (e lembrem-se: o “mundo melhor” de Barros não contém incertezas negativas), qual o sentido para inclusive existir o “amor”?

No meu mundo as pessoas viveriam duzentos anos, e só morreriam de velhice. Recorrendo aos meus poderes supremos, eu jamais permitiria que ninguém sofresse um acidente, um machucado, um arranhão que fosse. Ninguém se afogaria, ninguém seria atropelado ou assassinado. Todas as pessoas do mundo me conheceriam e saberiam da minha presença, porque eu estaria dentro da mente de cada uma, fazendo com que elas se enxergassem como um todo, como parte de algo infinitamente maior chamado humanidade, vendo a si mesmos em cada um de seus semelhantes.

O termo “morte por velhice” sempre foi considerado arbitrário cientificamente. Na verdade, as pessoas morrem por algum tipo de insuficiência, falência de órgãos, mal funcionamento de algum órgão, ou mesmo alguma violência, dentre outros motivos. Entretanto, se todos vivessem duzentos anos, e morressem de “velhice”, isso significa que todos já saberiam a data de sua morte? Que coisa detestável! Para piorar, estes seres não teriam que lutar pela sobrevivência, não adquirindo, portanto, nenhum prazer para viver, já que viveriam em um mundo sem incertezas negativas. Ele é explícito ao dizer que no mundo dele não existiriam incertezas negativas, isto é, qualquer evento incerto (segundo a gestão de governança, seria um risco) que poderia causar consequências negativas. Olhem agora o que ele fala de como os humanos se sentiriam neste novo mundo: “parte de algo infinitamente maior chamado humanidade, vendo a si mesmos em cada um de seus semelhantes”, o que parece uma visão do paraíso divino dos cristãos. Ora, se este paraíso divino já existiria, para que deveria ser criado um mundo físico igual a ele? Notem que a quantidade de absurdos no texto de Barros é tão grande que só precisamos apontar as inconsistencias no modelo proposto.

Mais abjeto é o momento abaixo:

E se, por algum motivo impensado, uma pessoa levantasse a mão para outra, eu apareceria a tempo de impedir que essa mão baixasse. Quando um carro perdesse os freios, ou um avião perdesse a força das turbinas, eu surgiria do nada para evitar uma catástrofe. E se um vaso despencasse de um prédio, eu o conduziria suavemente até a calçada, ante os olhares agradecidos dos transeuntes, já tão acostumados a me ver apelar para a minha onipresença e onipotência de forma a nunca deixar que nada de mal acontecesse a ninguém.

Como se percebe, não poderia faltar a proibição ao livre arbítrio. Como se não bastasse a criação de um mundo físico, onde as pessoas viveriam uma taxa fixa de anos, sabendo exatamente a data de sua morte, ele oficializa que seu mundo não poderia ter livre arbítrio. Além disso, ele propõe que um “mundo melhor”, de um “Deus justo” deveria ter um Deus aparecendo para garantir que nada de errado acontecesse com nenhum cidadão. Ora, se é para apelar, por que não criar um mundo onde nada de errado pudesse acontecer jamais, para sequer necessitar intervenção? É, o mundo proposto por Barros é nonsense.

Segue:

Eu não iria interferir no livre-arbítrio da minha criação, exceto se essa prerrogativa fosse usada para ferir ou prejudicar seu semelhante. Mas isso seria uma raríssima exceção. Como eles veriam o outro como a si mesmos, não haveria crimes nem ofensas, nem motivo algum pelo qual matar ou morrer, como diz uma certa canção. Ninguém em sã consciência usaria de seu livre-arbítrio para ferir-se ou prejudicar a si mesmo. E eles teriam suas consciências sãs, porque seria a consciência herdada de seu Criador. Além do mais, eles seriam todos sãos. Nada de câncer, AVC, epilepsia, Alzheimer, cegueira, surdez, loucura, autismo, gripe, infarto, AIDS, cáries, torcicolo, dor de barriga, bicho-de-pé.

Em outras palavras, ele diz que um mundo melhor seria um mundo onde o criador tivesse “inserido uma consciência em suas pessoas”. Ressalto de novo: livre arbítrio é coisa de que ele nao gosta. Mesmo assim ele se contradiz ao dizer que “não iria interferir no livre-arbítrio” de sua criação, mas na mesma frase ele diz que esse livre arbítrio não poderia existir se ele fosse usado para “ferir ou prejudicar seu semelhante”. Em resumo: no mundo dele não há livre arbítrio! E ele ainda tem a cara de pau de propagandear isso como se fosse a coisa mais linda do mundo. Aliás, ausência de doenças seria apenas mais uma variação do mundo sem incertezas negativas, ou seja, um mundo previsível.

Abolidos a dor, o sofrimento, as doenças do corpo e da mente, a indiferença e o desamor de cada um por seu semelhante, todos os hospitais, presídios, quartéis, delegacias e manicômios seriam transformados em praças; cada farmácia, numa sorveteria. As pessoas se importariam umas com as outras, e se ajudariam mutuamente como um irmão ajuda outro irmão. E todos cuidariam do planeta e do seu futuro coletivo como quem cuida de um jardim. Um jardim livre de pecados, de serpentes, e de qualquer maldição.

O que torna tudo mais divertido em tudo isso que Barros escreveu é que ele conclui sua proposta de um mundo melhor com uma descrição do paraíso bíblico em uma versão que se conta tradicionalmente para as crianças de 7 anos. Tudo fica evidente quando ele diz que “todos os hospitais, presídios, quartéis, delegacias e manicômios seriam transformados em praças; cada farmácia, numa sorveteria”. Confesso que me deu muita pena de Barros neste momento! Para qual público ele escreve? 

Quando ele diz que o jardim seria “livre de pecados”, obviamente seria livre do livre arbítrio também, pois seria livre de ações que resultassem em escolhas, as quais poderiam ser negativas ou não. Também é engraçadíssimo (de forma involuntária) quando ele diz que “todos cuidariam do planeta e do seu futuro coletivo”, mas esperem: se ele já teria garantido a priori que nenhum efeito negativo incerto pudesse ocorrer, para que as pessoas precisariam cuidar do planeta e do futuro? Ele nao revisou seu texto adequadamente, e notem que ele teve quase 10 dias para isso.

Sinceramente, estou desapontado com tamanha inocência demonstrada em um texto neo-ateu. Este blog é feito para pessoas prontas para a guerra política, não para ingênuos projetando fantasias e traumas. Ninguem em sã consciência forneceria uma descrição tão ingênua para descrever tão pouco,  e expor ao mundo suas fragilidades emocionais como fez Barros.

Deixemos as infantilidades de Barros de lado, vejamos o que ele propõe, sendo X o mundo atual, segundo os cristãos criado por Deus, e Y, o mundo novo, que seria criado por Barros caso ele fosse Deus:

  1. X tem uma explicação para existir, pois é uma alternativa ao mundo espiritual descrito pelos cristãos (e, curiosamente, o mundo espiritual dos cristãos é muito parecido com o mundo físico descrito em Y). Por outro lado, Y não tem nenhum motivo para existir.
  2. Em X a morte é incerta, ou seja, não sabemos quando vamos morrer. Em Y, todos sabem a data em que vão morrer.
  3. Em X existe o livre arbítrio, em Y não existe.
  4. Em X há um valor para o prazer, pois temos a dor. Em Y, não há valor algum para o prazer, pois sequer existiria dor.
  5. Em X há um motivo para o amor romântico, pois seria a perpetuação de genes. Em Y, não há motivo algum para isso, pois não existiriam genes a serem perpetuados.
  6. X é coerente com nossa realidade, ao menos. Y não faz nenhum sentido lógico, e possui várias contradições inerentes. Notem que isso não prova que X foi criado por Deus, mas sim que a alternativa Y é muito mais incoerente que X.
  7. E o mais fulminante de todos: X é um mundo onde bem e mal podem ser visualizados e comparados, mas Y é um mundo onde sequer teríamos esta noção.

Eu poderia citar muitos e muitos outros pontos de inconsistência, incoerência e fragilidade do mundo Y, proposto por Barros, mas o mero fato da inexistência de livre arbítrio (que eu nao creio existir em forma absoluta, diga-se, como pode ser vista aqui) e do fato de todos saberem exatamente a data em que vão morrer já são o suficiente para tornar o mundo proposto por Barros praticamente um inferno.

Mas esses apontamentos só servem para mostrar que Barros se empolgou sem motivo, pois o que realmente importa é: em qual momento do texto, Barros PROVOU que X é melhor que Y? Em momento algum sequer, significando que ele perdeu o desafio.

Fica a seguinte lição para ele e seus leitores neo-ateus. Os teístas, mesmo que não consigam provar a existência de Deus, gastaram muito tutano elaborando suas escrituras (que, segundo eles, foram obtidas por revelações), mas vivem em busca de uma resposta honesta às questões últimas. Por outro lado, os neo-ateus apelam à chantagens emocionais, dizendo que “Deus é um sádico” por existir o “mal no mundo”. O problema é que os neo-ateus nem sequer entendem o mundo em que estão, e a funcionalidade (para os cristãos, oriunda de Deus, para os darwinistas, oriunda do processo evolutivo) das coisas ao nosso redor.

Por fim uma constatação cruel, mas que eu não poderia deixar passar: qualquer cristão que queira ridicularizar Barros poderá fazê-lo, pois dirão “que este mundo já existe, e é o paraíso divino, que muitos conhecerão após a morte”. Não que isso prove a existência do paraíso divino, mas serve para mostrar que os traumas anti-religiosos de Barros são muito mais profundos e doloridos do que parece. O mundo perfeito, para ele, é o paraíso divino, mas que teria que existir de forma física. O motivo para isso, como em tudo que ele escreve, não fica claro.

Disse ele no post inicial: “Vou mostrar a ele, e a quem mais quiser ver, que eu, se fosse onipotente e onisciente, seria capaz de fazer o que nenhum Deus conseguiu: Criar um mundo perfeito.” Uma pena, pois eu esperava muito mais de um desafiador que agiu de maneira tão confiante no início. Enfim, Barros não é apenas o pior argumentador neo-ateu que já passou pela caixa de comentários deste blog. É também o mais infantil.

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16 COMMENTS

  1. Refutação de Luciano à barros, feita de forma responsável e competente.
    Não vejo como complementar, pois creio que tudo foi respondido tim-tim por tim-tim, ponto à ponto.

  2. Como gosto de ler pensadores, postarei um pensamento de Mário de Sá-Carneiro – “Feliz como uma crisnça”. Achei a “cara” do Barros:

    “Oh! A idade venturosa da infância! Onde há outra mais feliz e mais tranquila, mais sorridente – isto é, mais egoísta?… Em volta de nós podem suceder as piores catástrofes. Se elas nos não arrancam nem os brinquedos nem os bolos, não nos atingem de forma alguma… não as compreendemos sequer…
    Quando muito, correm-nos lágrimas vendo chorar as nossas mães (família). No entanto, é só ainda vagamente que percebemos a dor humana. Por isso as nossas lágrimas secam depressa diante dos brinquedos. E se o quadro em que nos agitamos é risonho, a infância tansforma-se-nos então num jardim maravilhoso. Para as crianças felizes, só para elas, existe realmente um céu – o ceú dos seus primeiros anos. ”

    E Luciano: EXCELENTE! Um mundo onde cada ser respeite seu próximo, este é um mundo perfeito.

    Beijoo!

  3. O Barros enlouqueceu

    Esse post aqui http://deusilusao.com/2013/01/16/o-diario-de-um-ateu-quarta-feira-16-de-janeiro-de-2013/

    “Querido Diário.

    Hoje de manhã recebi um e-mail de um leitor do meu blog Deusilusão chamado Fernando. Qual não foi a minha surpresa ao ver a foto acima, anexa à mensagem! Eu passei uma semana escrevendo textos para “vencer um desafio” proposto por alguém que, até então, eu achava que fosse um ateu com uma pequena crise de identidade, e acabo descobrindo que ele era mesmo um católico disfarçado.

    Que vergonha a minha! Foi como se um amigo me enviasse a imagem escaneada da identidade da garota com quem eu fiquei na balada na noite anterior, e lá eu descobrisse o verdadeiro nome dela: Ademir.

    Minha vergonha maior é por não ter percebido no blog dele textos carregados de preconceito aos gays — lá tem até uma tag chamada “Gayzismo” — , apologias a empresários de Deus como o Silas Malafaia, e atitudes claramente preconceituosas como, por exemplo, a que ele demonstrou em relação aos cantores Michel Teló e Cláudia Leite, cujo estilo musical não pode ser enquadrado no que se resolveu chamar de MPB, muito embora eles cantem Músicas extremamente Populares do Brasil. Mas, enfim. Ponto, parágrafo.

    Tão logo eu me recupere desse choque, prometo fazer uma crítica desvinculada de qualquer sentimento antirreligioso (do qual ele acusa pessoas como eu) acerca da “refutação” que essa pessoa fez dos meus textos. ”

    Inacreditável que ele não leu o post do Luciano escrito há mais de um ano http://lucianoayan.com/2011/12/05/de-volta-dos-mortos/

    O novo argumento do Barros diz que alguém que foi católico um dia nunca poderá abandonar a crença em Deus.

    Qual o problema dele com a razão?

    • O nível dele realmente é muito baixo. Ele não consegue concatenar simplesmente o menor raciocínio lógico. Segundo ele, se alguém já foi católico um dia, então o será eternamente. Não direcionarei mais nenhum texto a ele, pois ele não tem nível intelectual sequer para ser citado aqui. Mas falarei do colapso mental que acomete os neo-ateus quando eles se defrontam com um ateu que não é humanista. Simplesmente, a mente deles “trava” e não consegue sequer entender o mundo que os rodeia. Isso tambem tem a ver com a tese que sustenta as minhas teses do ceticismo político e do duelo cético, falando que o homem é um animal linguístico, e, por causa de distorções de linguagem, perde toda e qualquer capacidade de compreensão de mundo. Por isso, Barros e seus leitores, mesmo que tenham sido alfabetizados, aparentam retardo mental, pois estão presos em dissonâncias cognitivas por causa de falhas linguísticas de que eles foram vítimas.

      Se um sujeito apresenta um argumento dizendo que uma pessoa nao pode ser ateu por ser sido teísta um dia, é expulso de qualquer aula de lógica básica.

      Abs,

      LH

  4. Eu gostaria de saber se o Blog do Mensalão endossa todos os delírios do Barros. Se aprovar o que Barros escreve, então está provado que ele é muito crédulo.

    • Minha tese do duelo cético prevê que a maioria do que Barros disser será automaticamente endossado por Marco Suriani. Mas como é uma tese, ela pode ser falseada.

  5. Parei de ler na décima segunda citação, não tenho paciencia pra tanta imbecilidade desse Barros :D, de filosofia e lógica… meu amigo… essa aí este ai não entende *pacas…. kkkkk

  6. ” Uma pena, pois eu esperava muito mais de um desafiador que agiu de maneira tão confiante no início.”
    Luciano, ninguém em sã consciência aceitaria um desafio desses nem mesmo que tivesse 200 anos para escrever a respeito. O desafio foi ganho no exato momento em que o tal Barros o aceitou. Méritos seus perceber que o ego do cara não o permitiria ver a armadilha fatal na qual ele estava caindo.

  7. A grande questão desses amadores da filosofia atual é a seguinte: eles querem uma disputa para ver quem está certo, quem é melhor, quem leu mais livros de filosofia barata que encontraram pelas bancas de revistas e isso dentro da essência da religião é a própria religião. O ateísmo virou religião, querem a todo custo converter, puxar para o outro lado. Sou um descrente total livro-me desta palavra ateísmo, carrega o mesmo significado é óbvio, mas pra mim soa diferente. “Se você fosse deus…” são coisas infantis, está me parecendo briga de criancinhas mimadas. Não se pode ser algo que não existe. “Deus, deus é isso, deus é aquilo, deus fez isso, deus fez aquilo…” tomam deus como um ser em si, não passa de substantivo coletivo para representar uma corja de ídolos. A pergunta seria “se você fosse um ou algum deus…”. Se vão brigar briguem por algo que tenha sentido, briguem pela erradicação da miséria humana, briguem pelo direito a liberdade de criação, pelo direito a liberdade de crença seja ela qual for, briguem pelos seus direitos como cidadãos, briguem pelo fim da impunidade e corrupção, briguem, briguem, briguem, mas não por bobagens e sim por algo que tenha um grau de seriedade acima desse que vcs estão discutindo. Isso é pura bobagem. Seguia o blog do Barros, mas depois dessa sinceramente.

  8. “E se, por algum motivo impensado, uma pessoa levantasse a mão para outra, eu apareceria a tempo de impedir que essa mão baixasse”.

    Motivo IMPENSADO?! Peraí, se ele estava bancando Deus onisciente, não haveria NADA de IMPENSADO que ele deixasse passar em sua criação sem autorização. Que ato falho…

    “E se um vaso despencasse de um prédio, eu o conduziria suavemente até a calçada, ante os olhares agradecidos dos transeuntes, já tão acostumados a me ver apelar para a minha onipresença e onipotência de forma a nunca deixar que nada de mal acontecesse a ninguém”.

    No mundo “perfeito” de Barros, vasos tem a permissão de caírem em janelas, pondo risco PREMEDITADO em terceiros – e isso em m mundo “ausente” de quaisquer possibilidades daninhas – APENAS para que “deus Barros” possa exercer seu poder para arrancar “ohs” e “ahs” dos transeuntes SEMPRE. O Super-Homem é beeeemmmmm mais modesto e eficiente – e mais credível.

    “Ninguém em sã consciência usaria de seu livre-arbítrio para ferir-se ou prejudicar a si mesmo”.

    Ou seja masoquistas e sadomasoquistas consentidos: no mundo de Barros, o “deus barrão”, vocês não tem vez. SOFRAM POR OBRIGAÇÃO por não terem o direito à escolha de sofrerem por prazer!

    O mundo “perfeito” do Barrento é assim: uma criação sob punhos de BARRO na qual motivos IMPENSADOS existem para intervenções com finalidades de inflação de EGO para um deus “barrão”.

    PENA DE UM ESTRUME COMO ESSE É O CARALHO LUCIANO! BARROS TEM MAIS É QUE SER ESCULHAMBADO ATÉ O ESMAGAMENTO – ou até abandonar a estupidez de verdade, o que ele continuamente dá provas de não ter vontade para assim fazê-lo. Ele só estará recebendo merecidamente o que ele pede!

    • Putz hahahahaha…. Eu não sou de ir consultar blogs ruins, mas fiz questão de ver esse. (Até por que eu previ que, independente da qualidade do argumento, Dalila ou Mensalão iriam em apoio de qualquer argumentador ruim neo-ateu, pois a tese do duelo cético diz que nenhum grupo que está obtendo paga política é ‘treinado’ para achar erros lógicos nos discursos dos seus, por isso a dependência de crítica é do oponente da idéia)

      Essa eu fiz questão de ir lá ler. Algumas partes fantásticas do texto da Dalila

      Um mundo melhor do que o atual: dançando segundo a música de quem propôs o desafio, um mundo sem esquerdistas/humanistas! Um mundo em que todas as pessoas tivessem consciência do caráter trágico da condição humana, da incompatibilidade intrínseca de alguns dos valores que mais prezamos e da impossibilidade de superarmos por nós mesmos este conflito!
      Pronto, resolvido o desafio!

      Mesmo com a ironiazinha, sempre as propostas de “mundo melhor” dos esquerdistas envolvem a limitação da escolha humana hehehe. Dentro de todo esquerdista, há um totalitário. Sempre.

      Quanto à pretensa refutação de sua proposta de um mundo melhor, parei de ler logo nas primeiras linhas, ao me deparar com esta obra-prima do nonsense:
      “…a ‘prova’ de que Deus é um personagem de ficção está no fato das ‘limitações dos coautores humanos’, que seriam “repassadas a Deus”. Mais ou menos é o seguinte: se o ser humano é imperfeito ao observar as características de objeto X (seja o Big Bang, uma abstração, ou qualquer outra coisa), então esse objeto é de ficção.”
      Ele próprio jura por Deus, com a mão sobre a Bíblia, que é ateu (e certamente acredita que sua descrença é devida aos efeitos noéticos do pecado). Na qualidade de ateu, deus para ele se resume a, na melhor das hipóteses, uma idealização abstrata (e na pior, justamente a um personagem antropomorfico da literatura da Idade do Bronze. Ops, usei uma rotina que ele já mapeou.). E no entanto, sua natureza de abstração (ou de personagem de uma obra de ficção) não lhe basta para que ele o considere fictício! Talvez ele seja um platonista, e deus e as infindáveis miríades de formas ideais (unicórnio-cor-de-rosa, monstro-do-espaguete-voador, papai noel, fada do dente, saci pererê, a raiz quadrada de 2, a relação de igualdade, o Estado mínimo, a regra número x de não-sei-quem Alinsky, etc. etc.) povoem o clímax de suas contemplações intelectuais.

      Hahahaha… E olhem que Dalila diz estudar filosofia. Deve estar cabulando aulas. Provavelmente ele fingiu não entender o que eu escrevi, ou o humanismo lhe causa tanta emoção negativa que ele roda a baiana quando entra em debate.

      O que eu disse é exatamente o oposto do que ele afirma. Eu afirmei que a possibilidade de realizarmos abstração sobre algo não é o suficiente para provar que algo é inerentemente fictício. E ele quer dizer que eu disse que algo que é capaz de ser passível de abstração automaticamente existe! Neo-ateu e esquerdistas são iguais: surgem com paralaxes cognitivas quando estão em debate.

      Mas vamos explicar a psicose de Dalila. Um ateu não precisa dizer que algo é automaticamente fictício por não ter existência empírica, pois isso seria um salto indutivo e uma fraude intelectual. De novo: um ateu não precisa cometer fraudes intelectuais contra teístas o tempo todo para ser ateu. Ateísmo é não acreditar em Deus e só. Para Dalila, descrer em Deus depende da prática obsessiva de fraudes intelectuais contra teístas. Eu sou veementemente contra isso e provo logicamente que ser ateu não depende de mentir contra teístas.

      Aliás, como existiria ciência sem a própria abstração para entender e resolver problemas?

      Quando ele diz “sua natureza de abstração (ou de personagem de uma obra de ficção) não lhe basta para que ele o considere fictício”, ele tenta dizer que a “possibilidade de abstração sobre” (que ele tenta ressignificar para “natureza de abstração absoluta”) automaticamente transforma os objetos sobre os quais se faz abstração em ficção!!!!

      O nível do ensino de filosofia hoje realmente é muito baixo.!

  9. Substitua Deus no texto deste tal Barros e coloque governo… temos aí todo o pensamento da esquerda dominante, controlar tudo e a todos a todo o momento, levar-nos a seu paraíso comunista, pois eles sabem o que é melhor para nós.
    A única coisa que conseguem desenvolver nesta base é trabalho escravo e miséria, ou seja, destas boas intenções, o inferno está abarrotado.

  10. Eu acrescentaria esta observação: no mundo de Barros, ficamos sem saber se há escolha ou se, tendo escolha, se é possível seguir-se dela um efeito danoso. No primeiro caso, concordo com Luciano, não há livre-arbítrio. Mas, no segundo caso – e concordo com Luciano que a proposta do rapaz é tão contraditória que aceita simultaneamente o primeiro e o segundo casos – , Barros enquanto deus seria um formador de criaturas muito semelhantes a ele: infantis. Derrubariam vasos, disparariam armas, errariam, etc, mas não veriam os efeitos das suas ações e não aprenderiam o que seja responsabilidade e lidar com as conseqüências dos seus atos. Enfim, um mundo de crianças bicentenárias mimadas com a maturidade de um Teletubbie.

  11. Eu conheço esse blog de longa data. Ele já teria figurado no meu blog há muito tempo se não fosse o maior tergiversador que eu já vi na web.
    Cheguei à conclusão que nada do que ele escreve poderia ser levado a sério, que o trabalho dele não passa de rascunhos literários de má qualidade.
    Qualquer série dele dá uma nova série intitulada “soltando barros”, se é que me entendem…

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