Quando o retorno (em 2011) ao ateísmo dos meus velhos tempos fez uma legião de neo-ateus molharem as calças em agonia e desespero

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Evil_Eyes_Spawn

Em 5 de dezembro de 2011, há pouco mais de um ano, publiquei o post De volta dos mortos, que marcou o retorno às atividades deste blog, depois de 7 meses de hiato. Nesse ínterim, muitos especularam que eu tinha morrido, ou me convertido ao esquerdismo ou até que tivesse sido sequestrado por um batalhão das FARC. As especulações foram múltiplas. A maior surpresa neste retorno surgiu na revelação de que eu retornei ao meu antigo ateísmo, típico dos tempos em que lia Friedrich Niezsche e Arthur Schopenhauer.

Em 2004-2005 (lembrando que este blog se iniciou somente em 2009), eu estava focado em um uma mistura de ateísmo, humanismo e neo-agnosticismo, que provavelmente é a maneira mais pragmática pela qual alguém pode visualizar uma crença. Neo-agnosticismo significa a adoção de paradigmas pela conveniência e preferência pessoal, mas não pelo seu valor de verdade. Mas foi uma fase de estudos intelectuais mais arrojados, e realizei  posteriormente que o  neo-agnosticismo é especialmente problemático para questões mais abrangentes (especialmente por que os paradigmas, se são escolhidos por preferência pessoal e não pelo seu valor de verdade, dificilmente são defensáveis intelectualmente), e não agrega muito. Foi uma experiência intelectual interessante, mas passageira. Não me arrependo de nada.

Entre 2010 e 2011, por outro lado, passei por uma “fase” teísta, de orientação católica, que ocorreu por um único motivo. Ao contrário de muitos teístas, eu acreditei em uma época no teísmo, e no catolicismo, por um detalhe bastante claro: eu entendia que o ser humano era um animal a parte dos outros animais, e achava que esta distinção não podia ser explicada pelos paradigmas evolucionistas. A teoria evolucionista, poderosíssima para explicar a biodiversidade, não explicava para mim o surgimento da espécie humana. Neste momento, achei a cosmovisão cristã bastante lúcida, mesmo que eu a visse por uma perspectiva completamente metafórica, deixando eventos como o nascimento virginal, a ressurreição de Cristo e a arca de Noé como parábolas, que podiam ter uma ou outra coisa de verdade, mas que estavam ali mais para nos ensinar algo do que serem alegações sobre eventos históricos. Eu me rotulei como católico por gostar da análise metafísica de São Tomás de Aquino e Santo Agostinho e só. Vários leitores do passado, neste blog, chegaram até a questionar a minha visão dizendo que ela era mais deísta do que católica, embora eu nunca me importei tanto com essa rotulagem. Seja deísmo ou teísmo católico, hoje em dia não faz diferença, pois abandonei “ambos”.

Todas as pessoas aceitam um paradigma, metafísico ou não, por algum motivo. Um amigo meu cristão dizia que a complexidade do DNA seria impossível em um mundo de leis físicas não dirigidas por um ser superior. Além de outros dois ou três motivos pessoais, esse era aquele pelo qual ele sempre racionalizou sua crença em Deus. Um outro amigo humanista dizia que o ser humano faz coisas maravilhosas, tecnologicamente, portanto pode mudar sua natureza para criar um mundo perfeito. A constatação da realidade é inevitável: cada ser humano que assume crenças de valor fundamental normalmente o faz por algum motivo, geralmente passível de explicação verbal. Tanto para religiosos tradicionais como religiosos políticos, muitos podem até dizer “que não consegue imaginar as coisas de outra maneira”. Mas voltando ao meu caso, meu motivo era um único e absoluto: eu acreditava que o ser humano era um animal apartado dos demais animais, por sua racionalidade e consciência de si próprio, e achava que isso não poderia ser criado pela teoria da evolução.

Entre 2010 e 2011, vários experimentos de dinâmica social do qual pude participar, em vários aspectos, além de uma abrangente leitura do assunto, reduziram a pó minhas esperanças de que o ser humano é um animal a parte dos outros animais. Ao estudar e experimentar as reações humanas, todas explicadas pelo processo evolutivo, cada vez mais eu só conseguia visualizar o animal humano como mais uma espécie animal, que possui, é claro, diferenças em relação às outras, mas não necessariamente uma espécie melhor ou de qualquer forma especial. Não havia mais a consciência de que o homem era um animal apartado, mas sim apenas mais um animal. Ressalto que essa constatação não foi apenas teórica, mas especialmente experimental. Mas o arcabouço teórico que sustenta essa constatação é facilmente comprovado cientificamente. Não sei se eu teria me convencido dessa característica humana se fosse somente pela teoria (pois a verdade muitas vezes é desagradável), mas o fato é que a experimentação pessoal foi o suficiente para tirar minhas dúvidas.

A partir da metade de 2011, eu já não tinha mais a crença de que o ser humano fosse uma espécie à parte. A eliminação absoluta de minha crença em Deus foi um retorno definitivo ao meu passado nietzscheniano e schopenhauriano.

No início, alguns pensaram: “Será que os neo-ateus ganharam um aliado?”. Vários leitores teístas deste blog pensaram: “Será que o Luciano nos enganou por tanto tempo?”. Nada disso. Minha crença em Deus, enquanto eu a tive foi sincera, mas minha descrença atual também é sincera e plenamente justificável de acordo com o meu paradigma. E digo mais: caso alguém tenha sua crença em Deus sustentada pelo único motivo de achar o homem uma espécie diferenciada das outras, o estudo (e a experimentação) da dinâmica social é capaz de abalar sua crença. Este é um risco! (Caso você seja teísta e tenha outros motivos, e outros argumentos, que lhe levaram a crer em Deus, talvez você não perca sua crença. Mas como diria o filósofo anônimo: cada um é cada um.)

Neo-ateus em redes sociais comemoraram, achando que meus ataques ao neo-ateísmo seriam interrompidos. Lembro também que nesta época eu já havia dividido o foco de meu ataque entre os alvos humanismo (e o neo-ateísmo é só uma manifestação do humanismo) e esquerdismo. O detalhe, que muitos neo-ateus não esperavam (e o que “travou” a mente deles) era o fato de que se eu tinha uma única motivação para acreditar em Deus, esta mesma motivação é a que leva, por outras ressignificações e contextos particulares, alguém a acreditar no humanismo, e por consequência no esquerdismo. Se o homem é um animal que não se difere dos outros animais, e este era meu único motivo para acreditar em Deus, a crença nele perdeu todo o sentido para mim. Mesmo assim, muitos teístas o são por outros motivos além do que eu tinha. Por outro lado, a crença em que o homem pode fugir de suas contingências naturais para remodelar a si próprio e o mundo que o rodeia é uma crença que depende da alegação de que o homem é uma espécie apartada das outras. Este é o humanismo! Resumo da ópera: se minha crença em Deus desapareceu, eu, que já duvidava do humanismo, agora tinha motivos científicos para renegá-lo.

Isso torna todo o paradigma neo-ateu, que é apenas uma versão extremista do humanismo, apenas uma piada de mau gosto. Claro que passa a ser infantil a noção de que as guerras serão eliminadas ou diminuídas pela extinção da religião tradicional, ou mesmo que as pessoas aumentarão as descobertas científicas com o sumiço dos religiosos, ou até mesmo que o gregarismo humanismo será reduzido se não existirem mais agremiações religiosas, ou mesmo a esperança de que a racionalidade decisória aumentará com o mero abandono da crença religiosa. A crença cristã, para mim, é uma crença sem evidências, mas a crença humanista é uma crença cujas evidências apontam para o contrário do que ela afirma. Não é muito difícil notar que os neo-ateus são muito mais delirantes do que qualquer religioso tradicional que estes encontrem pela frente.

É este fator, meu ateísmo misturado ao realismo (em que relego idealismos bobos como humanismo e esquerdismo à fragilidades da mente humana, sempre em busca de um significado), fez com que os neo-ateus não pudessem cantar a vitória esperada. Na fase inicial de meu blog, eu era um teísta que adotava uma perspectiva agnóstica em debates (tanto que naquela época jamais tentei impor o paradigma cristão como o correto), mas mesmo assim alguns adversários achavam que eu estava fazendo apologética. Só que no meu retorno, em dezembro de 2011, alguns neo-ateus achavam que eu iria “para o lado deles”. O fato é que meus ataques ao neo-ateísmo se tornaram muito mais assertivos, potencializados pelo estudo da natureza humana e da guerra política, em uma matéria que defino como “dinâmica social da guerra política”.

O que isto significa? Significa que qualquer interação política (onde existem adversários políticos, e a verbalização de alegações políticas), há um aspecto da dinâmica social envolvido. Quem usar melhor a engenharia social na arte de influenciar as emoções da plateia, vence. Todos humanistas e esquerdistas dominavam a arte de exercer influência com o uso de uma série de rotinas e rotulagens adequadas para sua agenda política. Nunca existiu debate, embora muitos conservadores de direita, teístas ou não, achavam que sim. Ao avaliar o debate sob a ótica da dinâmica social da guerra política, o mapeamento de discurso dos neo-ateus ficou muito mais cru (e por vezes, cruel), mas tudo demonstrado em análises sob a ótica do criticismo retórico. (Ou seja, a análise do discurso retórico, em uma avaliação estratégico-tática de todo o seu conteúdo. E curiosamente todas essas análises não fora refutadas pelos meus adversários, embora alguns leitores tenham feito objeções, todas elas tratadas em seu tempo. As poucas análises inválidas foram revisadas e algumas abandonadas. A maioria absoluta delas permaneceu incólume.)

Além de tudo isso, o cérebro de meus adversários entrou em colapso, pois não conseguem aceitar o fato de serem colocados sob escrutínio cético, da mesma forma que James Randi fazia (ainda faz?) em relação aos crentes no paranormal. Revoltados, dizem que “Luciano só pode ser teísta disfarçado de ateu” (mesmo que semana passada um leitor da velha guarda me xingou às pampas por achar meus posts darwinistas demais, e injustos com a religião tradicional), e usam como prova o fato de um dia eu ter sido um teísta. A lógica deles é a seguinte: “Se alguém foi de uma doutrina um dia, então é desta doutrina o resto da vida”. Claro que este argumento deles não explica o caso de David Horowitz (que foi da esquerda marxista para a direita), Arianna Hufington (proprietária do The Huffington Post, que foi da direita para a esquerda), Dan Barker (ex-pastor, um evangélico que virou neo-ateísta) e Peter Hitchens (irmão de Christopher Hitchens, que era ateu e virou cristão). A lógica dos neo-ateístas cuja mente entrou em colapso com o fato deles serem atacados por um ateu que não caiu nas garras do humanismo, termina por quebrar toda e qualquer noção de lógica e bom senso. Podemos até rir sadicamente deles pelo fato de que alegam defender a ideia de que as pessoas devem trocar de crença diante das evidências, mas quando alguém faz isso, dizem que é impossível alguém trocar de crença. Algo que a tese da paralaxe cognitiva, de Olavo de Carvalho, explica de maneira brilhante.

Hoje em dia, mesmo que eu não creia na religião tradicional, e defenda muitos pontos de vista dos quais a maioria dos teístas discorda (exemplo: direito ao casamento gay, aborto e eutanásia), consigo dialogar sobre minhas divergências com eles de maneira elegante e lúcida. Com os neo-ateus é exatamente o contrário: basta discordar de qualquer um dos dogmas pregados por eles, ou propostas que eles apresentem para “salvar o mundo”, que simplesmente vão à loucura. A partir daí, com o conhecimento da dinâmica social, basta jogar com a emoção deles, pois estão emocionalmente apegados às suas crenças de “salvação da humanidade”, e já são incapazes de pensar racionalmente suas ações.

É possível conviver em um mundo com as crenças teístas, pois teístas geralmente são abertos a discussão. Foi no seio de uma cultura ocidental cristã que se criou o secularismo e uma sociedade onde opiniões divergentes poderiam ser discutidas. Algo impossível de ocorrer em uma sociedade que for dominada por humanistas, incapazes de discutir qualquer assunto (a não ser que sua agenda esteja sendo atendida, claro), pois passam a se achar como “salvadores do mundo”, imbuídos de tal autoridade moral que os incapacita a ver o mundo como ele é, bem como a conviver com a opinião contrária. Hoje em dia não se usa mais o termo herege para quem é ateu. Mas quem quiser, sendo ateu ou não, renegar o humanismo, pode se considerar um herege e subversivo. E ao mesmo tempo rir muito enquanto desafia os humanistas.

E como destruir facilmente as esperanças humanistas, e por consequência as esperanças esquerdistas? Basta olhar para os fatos, e para o mundo como ele é, e não como gostaríamos que ele fosse. A psicologia evolutiva nos ajuda a prever comportamentos, e a dinâmica social nos mapeia com estupendo poder explicativo as reações que os animais humanos possuem diante dos eventos da vida. Se os humanistas se apegam tanto aos rótulos que usam para marketing pessoal, por que fazem isso? Se o apego aos rótulos, é pelo valor do afago intelectual e a paga política que recebem, então devem ficar muito irritados quando os contestamos já nessa mera rotulagem, certo? Quando eu testo essa hipótese, o mundo de qualquer humanista desaparece por debaixo de seus pés.

Isso é tudo pelo que os humanistas não esperavam. Um ateu que, ao abandonar o teísmo aproveitando-se da dinâmica social, fosse se tornar o maior inimigo possível que um ideólogo humanista poderia ter, em termos de guerra intelectual. Claro que eles não estão acostumados a serem questionados, mas sempre se sentiram confortabilíssimos questionando os oponentes. A “resiliência” (capacidade de levar pancadas, em português claro) dos humanistas e esquerdistas simplesmente não existe. Francamente, não é isso que vai me levar a ter pena deles. A crença humanista é simplesmente a mais perigosa de todas as crenças, que deu sustentação a todos regimes genocidas do século passado.

Vamos ao racional: a crença religiosa pra mim não possui evidências, mas pode ser perigosa caso utilizada de forma deturpada. A crença dos religiosos políticos, possui evidências em contrário, e é perigosa se usada à risca. Por isso, obviamente, em uma análise de risco, vemos que por tudo que já causaram de atrocidades ao mundo, é prioritário combater as crenças humanistas e esquerdistas. E eu faço tudo isso com uma retórica de combate, com a qual estou pronto a entrar em qualquer arena diante de qualquer um deles. Sou naturalmente ofensivo (em termos de jogar no ataque, ao invés de jogar na defesa), ao invés de defensivo, e isto é algo com o qual eles ainda não estão acostumados. Não tenho o menor pudor de ridicularizar crenças que são facilmente ridicularizáveis, especialmente se forem perigosas e delirantes. Além de tudo, não me interessa apenas atacar a religião política (humanismo e qualquer manifestação do esquerdismo), mas especialmente gerar conteúdo para conscientização pública de todos aqueles que se opõem aos religiosos politicos. Em síntese, minha maior contribuição é uma base de conhecimento para entendermos todas as fraudes intelectuais, estratagemas, rotinas e falsas rotulagens utilizadas por eles. Obviamente, eles não estão preparados para serem desvendados e expostos publicamente deste jeito.

Por isso, todo humanista me olha com horror e aversão absoluta. Provalmente, me olham como os cristãos mais literais olharam a primeira publicação de “O Anticristo”, de Nietzsche. 118 anos se passaram desde a publicação deste livro, e provavelmente isso já tornou os cristãos acostumados a serem combatidos de forma contundente. Por sua vez, os humanistas não estão acostumados a serem psicologicamente trucidados por suas crenças delirantes e perigosas. Ao olharem meus textos, suas mentes não conseguem mais entrar em sintonia com a realidade. Eles simplesmente não entendem que aquilo que eles achavam que lhes causaria uma sensação de alívio (meu post de dezembro de 2011 anunciando minha desconversão do teísmo, voltando ao meu antigo ateísmo, o que havia ocorrido vários meses antes do post), se tornou razão para seus pesadelos mais aterrorizantes.

Dica final para os leitores que fugiram do neo-ateísmo e do humanismo se divertirem ainda mais: prestem atenção em quanto orgulho os neo-ateus estão colocando em cima de seu ateísmo e sua oposição ao teísmo. Isso vale ouro para eles! Em seguida, preste atenção a quanto orgulho eles depositam em cima dos rótulos que atribuíram a si próprios, e também aos oponentes.

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20 COMMENTS

  1. Ayan, lendo o seu texto, fiquei com uma grande dúvida: Afinal, se você diz que pode discordar dos cristãos de modo elegante e tal, por que só posta críticas aos neo-ateus aqui?

    Agora, quanto ao resto do seu blog, tenho mais duas dúvidas:

    1- Por que a insistência em usar “HOMOSSEXUALISMO” no lugar de “HOMOSSEXUALIDADE”?
    2- Já pensou na possibilidade de o neo-ateísmo NÃO ter surgido por culpa das esquerdas subversivas, mas sim por causa das cagadas que “cristãos” fazem? (as aspas são usadas para diferenciar o cristão de fato do “cristão” que só é seguidor de Cristo no nome mesmo, rsrsrs).

    Por favor, não encare essas perguntas como frutos de uma mente neo-ateísta. Acredite, já passei dessa fase.

    PS: É, sim, meu nome é mesmo “blogusadoparateste”. Enfim, é uma longa história, mas, dependendo da sua resposta, descobrirá que não sou nenhum troll anônimo por aí, rs

    • blogusadoparateste
      Ayan, lendo o seu texto, fiquei com uma grande dúvida: Afinal, se você diz que pode discordar dos cristãos de modo elegante e tal, por que só posta críticas aos neo-ateus aqui?
      Isso está respondido no texto: “Vamos ao racional: a crença religiosa pra mim não possui evidências, mas pode ser perigosa caso utilizada de forma deturpada. A crença dos religiosos políticos, possui evidências em contrário, e é perigosa se usada à risca. Por isso, obviamente, em uma análise de risco, vemos que por tudo que já causaram de atrocidades ao mundo, é prioritário combater as crenças humanistas e esquerdistas. “
      1- Por que a insistência em usar “HOMOSSEXUALISMO” no lugar de “HOMOSSEXUALIDADE”?
      Por que não vi motivo para mudar a terminologia.
      http://veja.abril.com.br/blog/sobre-palavras/consultorio/homossexualismo-ou-homossexualidade/
      2- Já pensou na possibilidade de o neo-ateísmo NÃO ter surgido por culpa das esquerdas subversivas, mas sim por causa das cagadas que “cristãos” fazem? (as aspas são usadas para diferenciar o cristão de fato do “cristão” que só é seguidor de Cristo no nome mesmo, rsrsrs).
      Em todas as questões existem interesses políticos, e pagas políticas por ações, e tudo isto pode ser rastreado a uma agenda, assim como ser feito o estudo histórico. Para cada grupo que surge, sendo X um grupo em oposição a Y, X tende a dizer que suas ações são justificadas por causa de mazelas do grupo Y, e vice-versa. Podemos definir esta justificativa como W. Em toda instância de W, X tentará dizer que sua ação ocorre por causa das mazelas de Y, ao invés dos interesses de X.
      Toda vez que esse algoritmo roda, naturalmente que temos uma questão disputada, e, é claro, que a resposta que você afirmou seja positiva. Mas há bons argumentos para defender a aposta inversa.
      Podemos, por exemplo, pensar na tese do “interesse puro pelo bem comum”. Nesta tese, os neo-ateus estariam com toda sua benevolência querendo livrar o mundo de guerras. Se é assim, por que omitem os casos de guerras causados por humanistas, citando só de cristãos? Os neo-ateus poderiam dizer que querem lutar contra a pedofilia. Se é assim, por que só citam os atos de pedofilia dentro da igreja, mas não os praticados por outras profissões? As vítimas dos outros pedófilos não merecem caridade.
      Este é o exemplo de questionamento cético legítimo que podemos fazer a TODO o empreendimento neo-ateu. As rotinas mapeadas todas são oportunidades de iniciar o mesmo questionamento.
      Esclareci tua dúvida?

      • perdoe-lhe, ele está sendo ingenuo demais… 😀
        no mais, entendo a sua posição, mesmo sendo um cristão neo-pentecostal, admiro atitudes como a sua e de alguns outros ateus… e gostaria de saber quando pretende lançar um livro e se o outro blog você desistiu dele?

      • Olá Eduardo, obrigado pelas palavras. Quanto ao outro blog, realmente meu foco está sendo mais neste aqui, por causa da meta de mapeamento das 500 rotinas neo-ateístas em 2013, mas vou ver se consigo escrever ao menos um texto por mes lá no Ceticismo Corporativo.

        Abs,

        LH

      • Esclareceu, Luciano. Mesmo não concordando (acho sinceramente que a hipocrisia de muitos “cristãos” é bem mais nociva do que a pouco conhecida “estratégia gramsciana de subversão dos valores ocidentais”), respeito o seu ponto de vista e vou continuar anônimo por enquanto, rs

      • Como se a hipocrisia de “cristãos” um movimento sem *pé nem cabeça, caótico, desorganizado e sem objetivo fosse pior que o contrário, a “estratégia gramsciana de subversão de valores ocidentais”, como o que o tal Yuri Bezmenov revelou, extremamente organizado, e vindo diretamente da elite “ex”KGB.

  2. Luciano, sabia que Cristiano, Washington e Fernando são todos perfis fake do Barros? Eles usam os mesmos truques, é só provocar e quando eles ficam irritados usam até as mesmas provocações. O estilo lógico é igualzinho. Lembra um post quando você disse no passado que era católico em termos pessoais, mas assumia a postura agnóstica/secular em debates? Eles conseguiram se complicar com isso, acharam um absurdo, mas ninguém que conheça o básico de filosofia tentaria fazer ironia em cima disso. Nem Dalila e nem Mensalão conseguiram ajudar o Barros nesse momento.

    • Eu já suspeitava disso, mesmo que eu não tenha prestado atenção no discurso de alguns destes que você citou, mas já percebi manifestações de apoio endossando erros lógicos exatamente iguais, mas no caso dele é melhor dar corda que ele mesmo se enforca. Quanto mais empolgado ele estiver melhor. Ontem, deixei ssrodrigues se empolgar aqui também.

      O cara sem querer descobriu o argumento que diz “se alguém foi católico um dia, então jamais deixará de ser católico” para tentar capitalizar no debate. O sujeito não se incomoda em passar a imagem de burro perante os outros. Uso de ironia e sarcarmos em guerra política é ESSENCIAL, mas até quando o sujeito usa ignorância planejada (para ser irônica) não pode cometer erros básicos de lógica, pois abre oportunidades para alguém explorar os erros lógicos.

      Uma dica: interprete tudo que ele (e seus hipotéticos fakes) tratando os argumentos deles como regras. Isso é prática legítima no modelo socrático de debate, e ninguém poderá lhe acusar de desonestidade intelectual. Por outro lado, ao se converter em regra, o erro do outro ficará evidente. Tirando aqueles com quem ele já está alinhado (ou então são fakes dele mesmo), é possível desmoralizá-lo em qualquer território, especialmente fora do blog dele, mas até lá dentro. Leitores poderão ver ele ser ridicularizado por apresentar uma lógica ruim e fraudulenta.

      Exemplo do truque em post dele que me trouxeram ontem: ‘eu achava que fosse um ateu com uma pequena crise de identidade, e acabo descobrindo que ele era mesmo um católico disfarçado’.

      Basta expor a lógica que ele quer expor. Segundo ele, “um católico não pode mudar sua crença por ter sido católico um dia”. Mas não é ele que defende o discurso de que se alguém tiver evidências contra uma crença, deve seguir estas evidências e mudar de crença? Mas se alguém muda de crença, ele reclama? Então ele tem que se decidir e resolver se “deve-se trocar de crença ou não” ou apoiar o dogmatismo.

      Note que ele tentou uma ironia, mas praticada com um erro lógico. É diferente de uma ironia do tipo: “Você sabe que um democrata está morto, quando ele parou de lhe chamar de racista indevidamente”. Este seria um exemplo de boa ironia. Mas todas ironias do Barros são exatamente iguais, ele pratica falácias que o fazem entrar em contradição, e dá brechas o tempo todo. Um indício de que poderiam ser a mesma pessoa é o uso do mesmo padrão de comportamento: tentativa de usar de ironia em provocações de parquinho, mas todas elas fundadas em erros lógicos, ao invés de ironias que não podem ser refutadas.

      Faça o experimento e avalie se por este mapeamento de padrão de comportamento é possível prever resultados (é só dar corda, e interpretar exatamente o que a pessoa disse em forma de regra, e depois avaliar o silogismo), e depois se quiser, sinta-se livre para trazer os resultados.

      Abs,

      LH

  3. Olá Luciano.

    Gosto muito do seu blog, pois ele ajuda a direita a eliminar sua ingenuidade para se tornar capaz de fazer frente à esquerda na guerra política. Como sou de direita, acho muitas coisas proveitosas em seus textos.

    Apenas tenho duas curiosidades que gostaria de ter sanada:

    1) Se você não acredita que exista um Deus criador, mas admite que nós somos regidos por um conjunto de princípios tão complexo e ordenador como o da evolução das espécies, eu te pergunto: Como esses princípios foram criados? Do nada? Por acaso?

    2) Se você acredita que nós homens somos essencialmente regidos pelos princípios da evolução das espécies, como você enxerga o destino do homem após a vida terrena? Você não acredita na eternidade do EU? Se você não acredita, qual o sentido de sua vida? Por que você luta, uma vez que nada do que aqui está poderá ser levado por você para outro plano? Isto é, se você conquista ou não certas coisas, que diferença faz? Quer dizer. se você as conquista, você as perderá com a morte. Se deixar para outras pessoas, elas também as perderão com a morte delas! Dentro desta mesma lógica, qual o sentido do aprendizado para você, se todo ele será perdido por você com a sua morte, e todo o que for deixado para outras pessoas será perdido por elas com a morte delas?

    • Olá Viktor,

      1) Não sabemos como estes princípios foram criados, podemos estudar por enquanto apenas como eles funcionam.

      2) Não acredito em vida após a morte. A luta humana pode ser explicada darwinisticamente. Todo “sentido” para a vida se baseia em sobrevivência e replicação.

      Abs,

      LH

  4. Luciano, você afirma que os experimentos em dinâmica social o levou a se convencer de que o ser humano é um animal como qualquer outro. Sempre que é mencionada a dinâmica social fico curioso em saber as obras que você leu para implementar a dinâmica social, a engenharia social também, esses itens que sempre aparecem nos seus posts.

    • Olha Sarstre, o método aqui desenvolvido é uma mistura multi-disciplinar, que vai desde a psicologia social, passando pela ciência política, navegando pela investigação de fraudes corporativas, e adentrando pela dinâmica social de autores como Kurt Lewin.

      Mas digamos que os seguintes livros são alguns que fazem parte de minha biblioteca fundamental.

      The Righteous Mind, the Jonathan Haidt
      Frame Analysis, de Erving Goffman
      Games people play, de Eric Berne
      The Art of Political War, de David Horowitz
      Man is By Nature a Political Animal, de Peter H. Katemi
      O Jardim das aflições, de Olavo de Carvalho
      Rules for Radicals, de Saul Alinsky
      Demonic, de Ann Coulter
      Straw Dogs, de John Gray
      The Art of Deception, de Kevin Mitnick
      Resolving Social Conflicts and Field Theory in Social Science, de Kurt Lewin
      Emoções ocultas e estratégias eleitorais, de Antonio Lavareda
      Rules for Radical Conservatives, de David Kahane
      Chimpanzee Politics, de Frans de Wal
      33 Strategies of War, de Richard Greene
      Emotional Blackmail, de Susan Forward
      Social Engineering: The Art of Human Hacking, de Christopher Hadnagy
      Slander, de Ann Coulter

      • Se eu fosse “assim” com Deus, eu pediria um milagre: fazer-me mais jovem, mais bonita, mais inteligente, solteira, e ter alguém como você – certamente não precisaria ir a Portugal publicar meu first libro. Olha, é brincadeira… É que estou só em casa, com um felino enorme em meu colo, estou com sono, com fome… e ouvindo Tim Maia. Ah, se o mundo inteiro me pudesse ouvir… Beijo, boa noite, ou bom dia, 🙂

  5. Dica de textozinha da ATEA sobre falsa dicotomia entre ciência e religião, parece ”desculpa rápida” de pastorzinho neopentecostal pra não perder fiéis..
    . http://www.facebook.com/ATEA.ORG.BR/posts/523313904365863
    Uma refutação a esse texto caía bem.

    Se possível dá uma refutada que alguém vai lá, posta e esfrega na cara.
    A propósito, você deu uma olhada na página do facebook ”pérolas dos poucos”? Descobri umas coisas que podem comprometer a imagem da ATEA ainda mais caso expostas, como feito pelos prints da página… Vou deixar pra você mesmo procurar, descobrir e rir. Dica: está nas ultimas atualizações e é relacionado aos temas profundidade em conhecimento filosófico e sociológico e ”atéismo povão”.
    http://www.facebook.com/pages/P%C3%A9rolas-dos-poucos/191125297695663?fref=ts

  6. Luciano, bom dia!

    Foi levantada uma questão sobre a suposta homossexualidade entre Davi e Jônatas. Você teria uma opinião formada?

    1 Samuel 20.30: (Por exemplo esse versículo)

    “Então se acendeu a ira de Saul contra Jônatas, e ele lhe disse: Filho da perversa e rebelde! Não sei eu que tens escolhido a filho de Jessé para vergonha tua, e para vergonha de tua mãe?”

    Obrigada. ( A questão lá do blog está resolvida, afinal somos civilizados, o problema é que tenho vício em ir lá)

  7. Luciano, admiro sua racionalidade (e por isso sigo esse blog). Mas confesso que esperava mais de você no que diz respeito a sua adesão e, posteriormente, ao seu abandono do teísmo. Não sei se foi maneira sua de dizer (apenas força de expressão), mas crer em Deus apenas por achar que o homem não é uma espécie à parte dos animais e depois passar a descrer por deixar de achar isso… me parece um tanto à quem de uma pessoa inteligente como você. Primeiro porque são dois assuntos que não tem nada a ver um com o outro (existência de Deus e o fato do ser humano ser ou não uma espécie à parte). Na verdade se o homem é ou não uma espécie à parte é irrelevante na defesa da existência ou inexistência de Deus. Segundo, porque isso nem pode ser chamado de evidência.

    Eu pensava que seus motivos para crer em Deus eram argumentos lógicos e que seu retorno à descrença tivesse ocorrido por um misto de argumentos contrários à existência de Deus e uma falta de relacionamento com Ele (dificilmente alguém mantém sua crença em Deus se encará-lo apenas como uma ideia e não como um Ser pessoal com quem podemos nos relacionar). Mas se seu único motivo é essa questão da natureza do ser humano, eu não consigo entender o seu raciocínio. Não me parece muito lógico.

    Não entenda isso como uma ofensa. É apenas uma crítica construtiva. Eu realmente esperava mais. Obviamente isso não diminui em nada a admiração que tenho pelo seu trabalho neste blog (refutando esquerdistas e humanistas) que, ao meu ver, se pauta totalmente na lógica.

    • Davi,

      Acho que ou eu me expressei mal ou ocorreu um erro de compreensão. Eu não tentei apresentar a crença que eu tinha de que o ser humano era uma espécie a parte como uma evidência, e nem como uma razão lógica, apenas expliquei que essa crença que eu tinha gerou uma “sensação” de aceitação à idéia de Deus. Em relação ao relacionamento com Deus, confesso que na minha fase teísta eu também não tinha isso, então não posso dizer como seria essa sensação.

      Por isso, talvez, enquanto eu era teísta, talvez eu era um teísta vira-lata, ou mesmo um deísta, como alguns me chamavam.

      Abs,

      LH

  8. Esses neo-patetas são mesmo tapados, qualquer pinguço no boteco sabe que o homem pode mudar de opinião, crença, de mulher, de partido, até de sexo, a única coisa imutável é o time de futebol, hehe

  9. Luciano, estou escrevendo quase dois anos depois desta tua postagem. Sou novo no site e ainda o estou conhecendo.
    Gostaria de falar de Deus.
    Em 1988 eu passei por uma banquinha de jornal e vi um livrinho “O que é o espiritismo”. Livrinho pequeno, leitura rápida. Me despertou curiosidade e voltei à banquinha: comprei “O Livro dos Espíritos” e o li de bate pronto.Levou mais 11 anos até eu entender o que eu tinha lido nesse livro. Ele me respondeu a três perguntas transcendentais do ser humano: 1. O que é a vida; 2. O que é a morte; 3. O que é Deus
    Todo ser humano, na hora do desespero total acaba clamando: Ai, meu Deus!!
    Eu não sei a que tipo de experiência você se refere que te fez desacreditar de Deus.
    Deus é a causa inteligente de todo o Universo e de toda a Vida!
    A desigualdade entre os homens é um presente de Deus para que todos tenhamos progresso. A propriedade privada é um presente de Deus para que saibamos usar com inteligência e amor os bens, que pertencem só a Ele. A esquerda resolveu inverter o processo de criação do universo e fazer o papel de Deus.Olha a monstruosidade que fizeram.
    É irônico que no mesmo século XIX, com uma diferença de apenas 10 anos, Karl Marx tenha escrito “O Capital”, que é a porteira da estrada do Inferno, e Allan Kardec tenha escrito o “Livro dos Espíritos”, que é a porteira da estrada do Céu.
    Ao ser Espírita, eu me tornei Cristão, e ao ser Cristão eu me tornei Judeu.E entendi a sequência que Deus nos ensinou: de Abrahão a Moisés, de Moisés a Jesus e de Jesus ao Espírito da Verdade: a Doutrina Espírita!
    Não estou tentando fazer de você um espírita, não me entenda mal. O que eu senti vontade foi de lhe dizer o caminho que eu segui.
    Responder às 3 perguntas transcendentais exigiria cetenas de páginas, e isso se eu tivesse a competência para fazê-lo. E é lógico que não tenho. Mas se eu tivesse que falar de bate pronto para você, eu diria:
    A vida é o maior presente de Deus, nossa estrada em direção a Ele; a morte é o fim de cada uma das etapas dessa caminhada; e Deus é o Pai Nosso que está nos Céus.
    Tudo o que eu falei pode parecer infantil, nem sei porque eu tive vontade de falar tudo isso, mas tá feito.
    Um abraço!

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