Da urgência do debate moral

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Moral

Há algo que os humanistas fazem muito bem (mesmo quando estão mentindo, ou seja, quase sempre), e seus oponentes ainda não parecem ter percebido em muitos casos, mesmo que tenham argumentos melhores que eles. Falo da ação de trazer a questão moral ao debate.

Quase sempre noto o quanto os neo-ateus falam sobre um comportamento relacionado aos cristãos e demais religiosos e depois expõem a “imoralidade” desta ação. É por isso que eles dizem que a Bíblia é “imoral”. Mas não apenas isso: eles dizem que os religiosos não se apegam a evidências (enquanto eles sim), e daí definem que os teístas são “imorais”.

Acho que os não-humanistas deveriam quebrar esta espiral do silêncio e começar a julgar toda e qualquer ação do outro lado como “moral” ou não. Seja lá como for, em meu modelo de ceticismo político, passarei a usar essa abordagem cada vez mais.

Em geral, basta elaborarmos conteúdo, questionando para quem quiser ler ou ouvir, após a descrição de um comportamento do outro lado: “Será que isso é moral?”. Em seguida, sempre deve-se adicionar seu argumento.

Nada melhor que alguns exemplos.

Neo-ateus protestam contra a pedofilia na Igreja, mas só se for na Igreja. Com isso, omitem a real questão sobre a tragédia da pedofilia, que acomete todos os perfis profissionais, não apenas os padres. E ao mesmo tempo, deixam de tratar a questão das vítimas de pedofilia de qualquer outro profissional. Abandonar a questão da pedofilia para agendar notícias somente para atacar um grupo político é algo extremamente imoral que tem sido praticado pelos neo-ateus.

Richard Dawkins diz que a religião é ruim por causa do que algumas pessoas fizeram citando a religião como pretexto. Mas isso é tirar a responsabilidade das pessoas e atribuir às crenças, o que é um excessivo valor dado às crenças para tirar a responsabilidade das pessoas. Típica mania dos esquerdistas. No caso de Dawkins, ele usa a memética, que nem sequer é científica. A ideia de tirar a responsabilidade das pessoas por si só, é uma ideia imoral, e que pode nos prejudicar moralmente em larga escala.

Ao contrário das propostas esquerdistas, as propostas da direita ajudam a nossa economia crescer e a tecnologia a prosperar. Isso é o que melhorará a vida das pessoas de baixa renda, ou mesmo os desfavorecidos. Para que a tecnologia floresça, precisamos da ciência, mas vista como ela é de fato, e não da forma deturpada como os neo-ateus e demais humanistas fazem, usando-a como meio para suas pregações ideológicas e totalmente anti-científicas. Em um mundo cada vez mais dependente da tecnologia, a deturpação da ciência é um empreendimento inacreditavelmente imoral.

Em todos os exemplos, sempre os atrelei à questão moral. E não é muito difícil mostrar a imoralidade do neo-ateísmo, do humanismo, e de muitas formas do esquerdismo.

Em um debate, Sam Harris tentou demonstrar para a plateia que o comportamento do cristão era imoral. William Lane Craig, em retorno, seguiu em seu argumento sobre a objetividade dos valores morais. Em relação a este argumento, Craig acertou na refutação, mas errou o alvo. Se Harris tentou provar que o cristão era imoral, ele deveria refutá-lo demonstrando que a ação de Harris era imoral, e que o neo-ateísmo, por defender mentiras sobre a moral, era de fato imoral, ao contrário da proposta teísta.

Então, tratar a moralidade ou não de todas as propostas e ações do outro lado passa a ser um dos fundamentos deste blog.

Portanto, além de paradigmas como ceticismo político, ceticismo corporativo, investigação de fraudes, dinâmica social (com ênfase na guerra política), dialética de combate, dentre outros, também agora temos o debate moral.

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4 COMMENTS

  1. Entendi. Muito bom!! De fato apenas refutar, segundo as doutrinas não é suficiente. A imoralidade deve ser exposta, e quase sempre ela está lá. Basta apontar. Valeu!

  2. Momentos hilários do Barros

    “Acontece que o desafio não estipulava que eu deveria criar um mundo que fizesse sentido, mas um que fosse melhor do que o atual.”

    “Será que um mundo em que um Deus onipotente que nos ama impedisse desastres aéreos seria melhor do que esse nosso, em que os engenheiros aeronáuticos precisam se esforçar ao máximo para produzir aviões seguros? Eu acho que seria. Mas o religioso vê as coisas de um jeito bem diferente.”

    Descobri algo divertido. Ele é leitor do Alfredo Bernacchi hehehehe.

    • hahahahahahahahaha

      Isso é simplesmente surreal!

      “Acontece que o desafio não estipulava que eu deveria criar um mundo que fizesse sentido, mas um que fosse melhor do que o atual.”

      Esse é um que não entendeu absolutamente nada. O desafio era exatamente esse: criar um mundo “melhor”. A parte do “fazer sentido” estava implícita, pois achei que em um debate filosófico eu não precisasse deixar isso claro.

      “Será que um mundo em que um Deus onipotente que nos ama impedisse desastres aéreos seria melhor do que esse nosso, em que os engenheiros aeronáuticos precisam se esforçar ao máximo para produzir aviões seguros? Eu acho que seria. Mas o religioso vê as coisas de um jeito bem diferente.”

      Olha o nível da argumentação “Eu acho que seria um mundo melhor, mas o religioso vê as coisas de um jeito bem diferente”.

      Caracoles!

      Não tem essa de “opinião” em argumentação lógica. Existe um argumento, que pode ser refutado ou não.

      Descobri algo divertido. Ele é leitor do Alfredo Bernacchi hehehehe.

      Isto explica muita coisa.

  3. Aproveitando a questão “pedofilia na igreja”, de se acrescentar que 85% desses padres eram homossexuais. Aliás, Um estudo com 229 pedófilos publicado nos Arquivos de Comportamento Sexual observou que 86% dos agressores sexuais de meninos se descreveram como homossexuais ou bissexuais e o número de atração homossexual é de 6 a 20 vezes maior entre pedófilos.

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