Al Pacino em um filme sobre a verdadeira homofobia e as consequências devastadoras do aceite de uma rotulagem injusta e criminosa

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Lançado em 1980, e dirigido por William Friedkin, “Cruising” (no Brasil entitulado “Parceiros da Noite”), inspirado no livro homônimo de Gerald Walker, é um filme barra-pesadíssima, especialmente para a época. Friedkin, conhecido por clássicos como “O Exorcista”, “Operação França” e “Viver e Morrer em Los Angeles”, decididamente resolveu chutar o pau da barraca (epa, epa). E de quebra trouxe uma das melhores atuações da carreira de Al Pacino.

A história se passa em Nova York, e alguns assassinatos de homossexuais começam a ocorrer. O policial Steve Burns (Pacino) é escolhido para se disfarçar de homossexual e infiltrar-se na comunidade gay sadomasoquista da cidade – isto é, são aqueles que se vestem igual ao Rob Halford, vocalista do Judas Priest, com quepe de policial e jaqueta de couro.

A polícia suspeita que os crimes ocorrem por causa de um maníaco com aversão a gays. Logo no começo, nota-se que o assassino é um gay que transa com suas vítimas, e depois as mata, provavelmente por rejeitar a sua homossexualidade. O objetivo de Burns é tentar atrair o psicopata, pois seu tipo físico é similar ao de suas vítimas.

O problema é que, como se vê até no trailer, o próprio Al Pacino provavelmente começa a desenvolver não só uma tendência homossexual (segundo o roteiro, por influência do ambiente), e também homofobia, o que levará a um final tanto dúbio quanto surpreendente.

Na época de seu lançamento, “Cruising” foi objeto de polêmica, e vários grupos homossexuais fizeram protestos na frente dos cinemas, tentando convencer os espectadores a não assistirem o filme. Segundo estes grupos, “Cruising” era preconceituoso contra os gays. Na bilheteria, o fracasso foi retumbante.

O importante é notar que o filme mostra o que é exatamente homofobia, um comportamento patológico, de violência e aversão injustificável contra gays. É claro que pessoas de fato homofóbicas tem problemas sérios e geralmente são mal resolvidas, e essa é a tese tanto do livro de Walker como do filme de Friedkin.

Claro que nem todos os homofóbicos são psicopatas assassinos de gays, e alguns deles se contentam em sair agredindo gays na rua. Mas é fato que homofóbicos são pessoas com problemas.

Diante disso, o filme traz uma conscientização ainda mais importante: o tamanho da cafajestagem intelectual dos novos grupos gayzistas (que não representam os gays como um todo, diga-se de passagem, o que se nota por declarações de vários gays não-gayzistas, como Clodovil) em rotularem todos aqueles que não concordam com o comportamento gay de “homofóbicos”. A ofensa é extrema e terrivelmente criminosa, e pode ser qualificada até de denunciação caluniosa.

Assistam “Cruising”, observem o que faz um homofóbico “pleno”, e vejam aquilo com o que os grupos gays estão comparando pessoas que apenas declaram não concordar com o casamento gay, por acharem não ser um exemplo para seus filhos, ou lutarem pelo direito de achar o homossexualismo errado (assim como um homossexual pode criticar o comportamento heterossexual, por exemplo).

Em suma, os grupos gays sabem que estão praticando uma difamação gravíssima e de consequências psicológicas imperdoáveis. Eles simplesmente estão querendo tachar seus meros opositores (na questão de comportamento) de pessoas “com patologias” a ponto de serem perigosas para a sociedade. O dano moral é tão grande que nem as próprias organizações gays quiseram ter seu grupo associado a ações homofóbicas e foram protestar.

Se este tipo de falsa rotulagem não for revidada com a assertividade adequada, temos o aceite de um risco terrível, que é o risco de qualquer um que não concorde com o homossexualismo ter criada sobre si uma percepção no debate público de alguém perigoso socialmente, como são os personagens do filme que gostam de esfaquear alguém do mesmo sexo depois de transar com ele.

Pergunta final: ciente disso (e quem não viu o filme, ao menos pode assistir o trailer acima, que dá uma noção do que há nos 101 minutos de projeção), qual a sua reação diante da próxima vez que algum oponente político desonestamente tentar tachar você, caso discorde da opção homossexual, de homofóbico?

Pense nisso.

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7 COMMENTS

  1. Agora eu vi o que é homofobia. Eu tenho 2 amigos gays, respeito ambos, e acho o casamento gay uma estupidez, e aí o movimento LGBT quer me comparar aos assassinos do filme? Não dá para aceitar…

  2. Por issso não podemos deixar isso ir adiante. Fobia é doença. Um cidadão com tal patologia pode ser considerado um, sei lá, sociopata até, daí quem não concordar com práticas homossexuais está ferrado. Tudo que acontecer a um homossexual será preconceito, até mesmo se alguém dispensar um funcionário por qualquer razão, será processado. Olhar para um vizinho e ele achar que seu olhar está diferente neste dia, ele começará a persegui-lo. Sem falar nas enormes filas de casais querendo casamento tradicional nas igrejas, caso o casamento seja legalizado. Gente, estou assustada. Uma professora da facul, especialista em melodrama e pós-modernidade, Sylvia Oroz, dizia que o “símbolo” da pós-modernidade é a desconstrução de cânones, e que os gays seriam a representatividade humana desta era. Dorme com um barulho desses!

    Abração!

  3. Acho que você foi desonesto no momento em que falou que a “conduta homossexual” está aberta a críticas. Ora, como podemos falar em “conduta homossexual” se a definição de uma “conduta heterossexual” que na sua opinião, está “aberta a críticas” é muito vaga?

    Sou gay e não tenho absolutamente NADA pra reclamar da “conduta heterossexual”, só lutar pelos meus direitos de ser tratado com igualdade

    Pra quem desconhece a questão a fundo, é fácil distorcer tudo

    A questão é que ignorantes, sem conhecimento, transformaram a luta dos gays (e o incômodo dos héteros) numa guerra “gays X héteros”, é como se a homossexualidade fosse uma ideologia, pregada como o caminho certo que todos devem seguir, uma idiotice, é como dizer que o feminismo lutou pra que todo homem virasse mulher ou os negros lutaram pra que todos se pintassem de pretos, imagina alguém falando “esses negros não aceitam que a gente critique a conduta negra”, é basicamente a mesma coisa

    Meu melhor amigo é heterossexual, e eu não tenho nada a reclamar da “conduta heterossexual” dele, assim como ele não tem nada a reclamar da minha “conduta homossexual”, é simples

    Você reclama de rotulagem quando você mesmo está rotulando, contraditório no mínimo

    • Eu disse que qualquer conduta está aberta a críticas, seja heterossexual ou homossexual.
      Se você não tem “nada pra reclamar da conduta heterossexual”, é teu direito não reclamar, mas se tiver algo a reclamar, também pode. É a isso que chamamos de liberdade de expressão.
      E que eu saiba, todos os que leem este blog não falam em guerra entre “gays X héteros”, mas sim de “gayzistas X conservadores de direita”, o que é bem diferente.
      Eu não disse em nenhum momento que os gayzistas (e não os gays, diga-se) estão querendo “que todos devem seguir o comportamento gay”. O que eu disse é que os gayzistas querem PROIBIR A LIVRE EXPRESSÃO de quem não concorda com o comportamento gay.
      Mas se você tem o direito de criticar alguém por ler a Bíblia, por que não pode ter o direito de criticar alguém por seu comportamento sexual?
      A questão de “conduta negra” é estúpida e sem sentido, pois cor não é um comportamento, mas uma característica inerente.
      E você diz: “Você reclama de rotulagem quando você mesmo está rotulando, contraditório no mínimo”.
      Qual rotulagem injustificada que eu fiz? Faça citações de textos meus comprovando-as.
      Abs,
      LH

  4. Eu tenho uma pergunta , se a verdadeira homofobia e causa por pessoas que não se sentem bem com sua condição homossexual, não seria melhor que estas pessoas recebessem digamos a tal mudança ? li também seu comentário ” o conteúdo fecal da mensagem do CFP contra silas malafaia” e do direito que um homossexual tem de mudar por assim dizer , se esse procedimento fosse oferecido não eliminaria aqueles que estão insatisfeitos com a sua conduta e os tais assassinos?
    Então o que se passa na realidade e que o CFP e os gayzistas estão na verdade acobertando e protegendo os verdadeiros homofóbicos e não defendendo os homossexuais.

    • Olha, Edmundo, eu não iria tão longe, mas se nota claramente uma agenda política na postura dos gayzistas e do CFP. Eles querem simplesmente criminalizar a prática da religião, e como os religiosos acolhem os gays arrependidos e criticam a normatização da prática homossexual, eles teriam pretextos para punir a prática religiosa.

      Abs,

      LH

      • sim tem essa perspectiva sim , más por exemplo , li no facebook que eles tem conhecimento das pessoas já sitadas ai em cima que não se aceitam e tem um comportamento mortal , deixa-las por assim dizer na sociedade e manter as taxas de homicídio elevadas o que justificaria mais controle na sociedade , se a proposta da criminalização da homofobia funcionasse capitalizariam politicamente em cima disso , se falhar clamaram por mais controle na sociedade. essa perspectiva também pode ser valida.
        obrigado pela atenção.

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