Texto propagandístico sobre “Hitler e Deus” é ao mesmo tempo ingênuo e desonesto… vamos à análise

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Fonte: Minilua

Através da análise de um discurso de Hitler datado de 26 de abril de 1942, o Serviço de Inteligência Britânica concluiu que a obssessão do führer em eliminar o povo judeu tratava-se de pura psicose, além do mais, ele acreditava que eliminando judeus estaria livrando a Terra do temível “veneno judeu”. Hitler queria passar a imagem do “Salvador” ou a “encarnação do Espírito de Deus”, conforme o relatado no documento.

Segundo o professor Joseph McCurdy, da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, esta pesquisa tinha o intuito de desvendar a mente de Hitler baseando-se nas palavras utilizadas peloführer em seu discurso.

O déspota disseminava também que os judeus eram como uma “agência universal do mal”, que ameaçava dominar a Alemanha e depois, o mundo todo. Estudando suas palavras, pôde-se observar traços de histeria e epilepsia, pois Hitler demonstrava muito medo de ser derrotado pelos seus “inferiores”.

Não seria esse medo e histeria o resultado do mal que Hitler causou à população na época?

Meus comentários

Quando eu vejo um texto como esse, penso: será o autor um humanista e/ou esquerdista? Se for, busco as fraudes contidas no conteúdo.

Entretanto ao mesmo tempo em que existem fraudes ali, o mais importante são as ingenuidades percebidas, sejam elas intencionais ou simuladas. Neste último caso, teríamos alguém se fazendo de sonso.

Ainda assim, o texto tem tudo a ver com a série de textos que lançarei nos próximos dias sobre técnicas de propaganda. Acredito que se conhecermos estas técnicas, toda a nossa abordagem se modifica e se torna muito, mas muito mais fácil identificar as fraudes no discurso oponente. (Já que, basta entendemos a agenda, a estratégia, e as técnicas de propaganda percebidas, que em cima disso tudo encontramos as rotinas, caso aplicável – as rotinas, no caso, seriam formas pelas quais uma ou mais técnicas de propaganda são aplicadas em torno da agenda, a qual está de acordo com a estratégia. Simples e funcional, não?)

Por exemplo, se o texto diz que Hitler queria passar a imagem do “Salvador”, ou “encarnação do espírito de Deus”, então combinava as técnicas de Deificação (auto-deificação, no caso) e Uso de Palavras Virtuosas (em um país de maioria cristã, dizer-se representante do Senhor é uma palavra virtuosa). Quando Hitler disse que ao eliminar judeus livraria a terra do temível “veneno judeu”, usou as técnicas do Apelo ao Preconceito, Apelo ao Medo, Bode Expiatório e  Demonização do Inimigo.

Segundo o autor do texto isso é psicose, mas, assim sendo, teríamos que mandar todos os melhores publicitários para o sanatório. Na verdade, Hitler era imoral e desonesto, mas não estúpido. Au contraire, ele era talentosíssimo no uso da propaganda política, tanto quanto seus “manos” ideológicos Stalin e Mao.

O erro de Mc Curdy (ou será a simulação de ser sonso?) está na tentativa de “desvendar a mente de Hitler”, quando na verdade deveria avaliar a propaganda realizada e o seu efeito.

Toda a parte de “histeria e epilepsia” por causa de “demonstração de medo de ser derrotado pelos ‘seus inferiores’”, não faz sentido, e é a parte opinativa do material de McCurdy, o que não significa absolutamente nada em termos de evidências para seu caso.

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1 COMMENT

  1. O historiador húngaro John Lukacs, após análise exaustiva de fontes confiáveis, diz em suas obras sobre a Segunda Grande Guerra que Hitler não acreditava realmente nessa história de superioridade racial dos arianos e inferioridade dos judeus, mas se aproveitava dessa idéia para fins políticos, o que não deixa de ser surpreendente considerando a bibliografia sobre ele até hoje. Entre amigos mais próximos ele dizia que aquilo não havia sido provado cientificamente, mas que ele usava mesmo assim para se aproveitar dos efeitos dessa propaganda no povo alemão.

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