Técnica de propaganda: Palavras virtuosas

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Última atualização: 02 de fevereiro de 2013 – [Índice de Propaganda][Página Principal]

No ótimo “33 Estratégias de Guerra”, de Robert Greene, temos uma obra que nos coloca em um estágio muito além daquele que tivemos ao ler Sun Tzu, Nicolau Maquiavel e Carl Von Clausewitz, isto por que Greene simplesmente compilou absolutamente tudo que estes autores fizeram, e ainda foi além. Este é um livro que indico a todos os leitores deste blog, e com certeza causará um efeito muito positivo no processo que rotulo como auto-iluminismo, que é a contínua luta por eliminação de nossas ingenuidades. Quanto menos ingênuos formos sobre o ser humano, melhor.

No livro, a estratégia 25 é “Ocupe o mais alto terreno moral”, que é a estratégia do guerreiro moral. Em resumo, Greene nos diz:

Em um mundo político, a causa pela qual você está lutando deve parecer mais justa que a do inimigo. Pense nisto como um território moral pelo qual você e o seu inimigo estão lutando; pelo questionamento das motivações de seu inimigo, fazendo-os parecer “maus”, você pode atacar sua base de apoio e espaço de manobra. Vise os pontos fracos na imagem pública do inimigo, expondo quaisquer hipocrisias da parte dele. Nunca assuma que a justiça de sua causa é auto-evidente; publique isso e promova-a. Quando você próprio estiver sob ataque moral de um inimigo mais esperto, não lamente ou fique furioso; combata fogo com fogo. Se possível, posicione a si próprio como oprimido, a vítima, o mártir. Aprenda a infligir culpa como uma arma moral.

Em resumo, quando Hitler dizia que “estava lutando pela causa do Senhor”, buscou palavras virtuosas que o faziam obter uma vantagem competitiva, em um país de maioria cristã. Assim como Lutero, quando posicionou o Papa como “o anti-cristo”, na época da reforma. Lutero também usava a estratégia de guerra moral.

Esquerdistas e humanistas fazem isso o tempo todo, até por que seus paradigmas foram construídos para a obtenção de autoridade moral. Quando se dizem “do lado da ciência”, “do lado da razão”, “do lado do bem comum”, estão pura e simplesmente executando esta estratégia.

Esta é a essência desta técnica de propaganda, pela qual o propagandista usa o maior número possível de palavras virtuosas a seu favor. A ideia central é aparecer perante o público como alguém mais “virtuoso”.

O engraçado é que na estratégia da guerra moral, muitos grupos atacam as palavras virtuosas do outro grupo, mas isto também é um truque. Por exemplo, neo-ateus dizem que se Hitler falou que “lutava pela obra do Senhor”, então a culpa do nazismo vai para a religião. Ledo engano, a culpa dos atos de Hitler é sempre dele, e do seu time político (com uma co-responsabilização dos seus oponentes alemães, é claro, por terem perdido a batalha política, enfim, por serem mais ingênuos que o time de Hitler), e não das palavras virtuosas que ele usou. Quando os humanistas mentem dizendo que são “da ciência”, não é a ciência que deve ser criticada, mas sim os humanistas.

Mas isto nos leva a outra tática de propaganda que falaremos em breve, que é a rotulagem. No léxico da propaganda, rotulagem significa rotular negativamente o seu oponente. Na seção de meu blog Jogo de Rótulos, a rotulagem pode ser tanto positiva como negativa.

Nesse caso, esta técnica de propaganda (uso de palavras virtuosas) seria a obtenção da vantagem no jogo de rótulo com o uso de todos os rótulos positivos possíveis a seu favor. Em suma, meio caminho andado para a obtenção da vitória na guerra moral, conforme tratou Greene. O resto se baseia em imputar todos os rótulos negativos possíveis a seu inimigo.

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2 COMMENTS

  1. Parabens Luciano Ayan, continue firme e forte no combate ao esquerismo, esse lixo intelectual precisa ser exposto cada vez mais…

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