Técnica de propaganda: Freudianismo

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Última atualização: 18 de janeiro de 2013 – [Índice de Técnicas][Página Principal]

Há quem goste ou não dos trabalhos de Sigmund Freud. O neo-ateu radicalíssimo Michel Onfray o rotulou de picareta no livro Anti-Freud.

Há algumas noções interessantes de Freud sobre como funciona o inconsciente humano, e o quão pouco o ser humano tem controle sobre ele, o que tem sido comprovado por aquilo que defino por dinâmica social. Onfray, por sua vez, diz que a terapia psicanalítica funciona como um placebo. Capaz, pois saber como o seu inconsciente funciona não significa que possamos nos livrar dele, como nos demonstraria futuramente Paul Watzlawick.

Não é meu objetivo aqui fazer juízo de valor sobre Freud, mas mostrar como ele foi desconstruído, de forma mais ou menos consciente (o que não importa), por muitas pessoas ao longo do tempo, na criação de uma técnica de propaganda.

No caso, imagine que o propagandista defenda o objeto X (que pode ser uma ideia, uma pessoa, uma causa, um produto), e este objeto seja passível de crítica. Esta técnica se baseia em usar toda e qualquer possível noção freudiana para tirar estas críticas da frente. Também pode ser utilizada para se vender uma nova idéia.

Exemplo: Se alguém afirma que uma utopia não é realizável, pois o ser humano possui contingências que não podem ser mudadas (aliás, isso é uma constatação científica), o propagandista poderá dizer: “Você está projetando suas contingências e maldades nos outros, para dizer que a utopia não pode ser realizada”.

Aqui é o uso da teoria da Projeção, de Freud, reconstruída para o debate. Claro que não é preciso dizer que esta instância acima é completamente pseudo-científica, mas o que importa é o efeito psicológico na patuleia.

Outro exemplo: Afimar que, segundo Freud, ódio excessivo significa atração recalcada. Então, no caso da luta entre palestinos e israelenses, o propagandista de cada um dos lados poderia dizer que no fundo palestinos são apaixonados pelos israelenses, e que os israelenses são apaixonados pelos palestinos. Aliás, por esta propaganda, Hitler criou os campos de concentração por que tinha atração sexual por judeus, e Stalin criou os gulags por que queria liberar o brioco para todos seus oponentes políticos.

Está dando risada por quê? A coisa é mais séria do que parece. Para termos uma idéia da gravidade do problema, esta técnica é uma das preferidas dos adeptos da Escola de Frankfurt.

Para isolá-la, enquanto técnica, basta conhecer as teorias básicas de Freud, e observá-las sendo utilizadas não como foram propostas de fato, mas sim como recursos de retórica para neutralizar críticos e impor novas idéias.

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5 COMMENTS

  1. Essa tática é mais amplamente usada pelos patrulheiros da gaystapo: se você é um homocético, para eles você é um homofóbico, que, por definição da militância, só pode ser um gay enrustido.

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