Técnica de propaganda: Questões com comparações pejorativas

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hasan_c

Última atualização: 18 de janeiro de 2013 – [Índice de Técnicas][Página Principal]

Diz o ditado popular: “perguntar não ofende”. Se é assim, então qualquer coisa pode ser perguntada, e não há critério ético algum a ser seguido.

“Nada mal”, deve ter sido o pensamento proliferado pelo inconsciente coletivo dos propagandistas de todo o mundo, que conseguiram embutir, especialmente na propaganda executada em discursos filosóficos, ideológicos e políticos, esta técnica.

O truque funciona da seguinte forma. Em relação a um objeto que você está criticando (ou seja, você está fazendo propaganda negativa), uma questão pode ser estruturada, tendo nela embutida uma comparação em relação ao objeto, mas sempre com um atributo pejorativo nesta comparação.

Exemplo: “Andar de Volkswagen não é similar a realizar uma extração do dente siso sem anestesia?”.

Como perguntar não ofende, ninguém poderá reclamar.

No cenário do neo-ateísmo, essa técnica é executada aos borbotões: “Não podemos comparar a religião com um vírus da mente?”, questiona Dawkins, e “Não é justo compararmos a religião com o vício do cigarro?”, questiona Dennett.

No caso deste último, ele inclusive lança uma bateria fulminante de questões pejorativas em seu livro Quebrando o Encanto, e várias vezes se justifica dizendo que, como é um filósofo, ele é melhor fazendo questões, do que respondendo-as. Bela racionalização para a execução brilhante (do ponto de vista da análise tática, não me entendam mal) do maior arsenal de questões com comparações pejorativas da história recente.

A grande vantagem desta técnica é que ela é indefensável, pois cada pergunta pode ter uma resposta negativa, mas, como é uma pergunta, dificilmente pode ser refutada. Caso alguém fique indignado, basta dizer “eu não sei a resposta”, e lançar outra questão com comparações pejorativas.

Caso você se defronte com um oponente lançando mão deste recurso, não há problema moral algum em executá-lo também, pois, se ele pode comparar (durante um questionamento) seu objeto defendido com qualquer coisa pejorativa, você também pode. Aí é uma questão de talento e destreza.

No mundo das questões comparativas pejorativas, nada é proibido. Tudo é permitido.

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21 COMMENTS

    • Outro acréscimo à notícia dos protestos que as jumbeiras de Gramsci e Fidel fizeram contra Yoaní Sánchez, sempre com aqueles slogans superados de crianças hoje dormirão com fome e nenhuma delas é cubana, acusações de que ela seria agente da CIA e outras baixarias que típicas de mulher de bandido querendo defender o macho que as come.
      O mais legal de tudo é que Yoaní ironizou as fêmeas no cio dos comissários e disse que no país dela ninguém poderia protestar sequer da forma mais pacífica de todas. Foi uma saída classuda para a baixaria dos miquinhos amestrados para bater em prego com martelo e cortar cana com foice.

      Segue mais um link sobre o assunto, bem como o medo da dissidente ir em cana quando voltar à ilha. Tem gente que diz que ela não se dá conta de que está sendo usada como agente de desinformação, mas de qualquer forma dá para ver o tamanho da claque que sequer deve saber direito contra o que protesta.

      • Mais sobre a hostilidade sofrida por Yoaní Sánchez, desta vez por Rodrigo Constantino:

        http://www.youtube.com/watch?v=MPvUVzAYeOE

        Obviamente que temos nossas objeções ao cara, mas o que ele disse está em boa parte adequado. Tudo bem que ele me parece não ter estudado muito o modus operandi do marxismo cultural e fala algumas coisas sem ter o todo da informação, bem como solta certas farpas contra um certo setor da direita (ainda que tal setor pudesse ser, a exemplo de qualquer coisa, passível de análise abalizada e correto apontamento de seus defeitos), mas ainda assim vamos considerar que o balanço geral da coisa está razoavelmente acertado, com direito a indicações de leitura para o pessoal conhecer a real do regime cubano.
        Vamos também considerar, dentro daquele lance de serem ora os inocentes úteis que os religiosos políticos querem, ora os inocentes úteis que quem combate os religiosos políticos quer, ele estar agindo aqui como a segunda opção, com as observações anteriormente ditas.

        A outra coisa que se pode falar a respeito é que sem querer, constantinistas e olavistas acabam, ao se digladiar, atraindo atenção para si próprios e dando espaço para que se “voe abaixo do radar” quando a análise é feita em outro estilo. Logo, também se cria uma oportunidade de criar massa de pensamento que não é atingida por patrulha ideológica justamente por esta mirar outros alvos. Uma analogia boa são as rêmoras, aqueles peixes que grudam em tubarões, baleias e golfinhos e acabam se beneficiando tanto pelo alimento grátis como pelo transporte e pela proteção que esses grandes predadores marinhos fornecem, sem interferir diretamente na vida ou saúde deles (não são parasitas, apenas vivem em comensalismo).
        Completando as fontes, segue o que disse a Carta Capital (cujo texto não desceu lenha na blogueira, mas só disse en passant sobre a claque xingadora, que também se manifestou na forma de comentaristas da matéria que falaram aqueles clichês que conhecemos e demonstram viver em um mundo que sequer notam que ajudam a construir) e o que disse o Reinaldo Azevedo a respeito, que pode ser complementado por aquilo que se encontra em seu blog com a tag com o nome da cubana.

      • Luciano, seguimos no aguardo de algum comentário que seja sobre as babuinagens sofridas por Yoani Sánchez em sua visita ao Brasil e oriundas de funcionais que fazem tudo aquilo que beneficiários lhes ditam no ouvidinho (vide as tais reuniões no consulado cubano que tiveram participação de brasileiros, bem como a distribuição de dossiês sobre a blogueira e outras manobras).
        De qualquer maneira, segue uma charge interessante de um tal de Lailson (charge essa que foi reproduzida pelo Daniel Fraga). O interessante da charge é justamente reverter a adjetivação de “troglodita” que os religiosos políticos de matiz marxista-humanista-neoateísta costumam usar quando definem aqueles que se opõem a algo que eles defendem:

        http://lailson.com.br/charges/2013/FEVEREIRO%202013/lailson%2020022013.jpg

        Não deixa de ser interessante notar que os tais religiosos políticos não reparam que são eles os que defendem coisa anacrônica e que essa defesa de anacronismo está prejudicando a sociedade como um todo.

      • Vídeos no YouTube com os ocorridos desta quinta na Cultura do Conjunto Nacional:

        http://www.youtube.com/watch?v=Q5gHSxJ3L30

        Se “a América Latina vai ser toda comunista”, como dizem os anti-Yoani, então que preparemos nossas malas para um exílio. E, claro, eles cometem calúnia, injúria e difamação ao chamar os caras de “fascistas” e “nazistas”.

        http://www.youtube.com/watch?v=gkRv7YRbrqA

        Aqui temos o pessoal do Partido Libertário (um daqueles que quer um dia ser reconhecido como legenda) defendendo Yoani. Observe-se que eles estão jogando na cara da claque castrista as coisas que eles querem que convenientemente sejam jogadas para baixo do tapete ou que os oprimidos pelo regime da ilha sejam xingados de todos os epítetos possíveis. Porém, observe-se que há gente atrás apontando cartazes com o texto na mesma direção, como que querendo poluir a manifestação, com aquelas acusações de que Yoani seria agente da CIA e outras.

        http://www.youtube.com/watch?v=rSTmTEPf2s4

        Eis que a blogueira conseguiu ir para a palestra, mas pelos 3 minutos começamos a ouvir urros babuinescos, mas note-se que

        http://www.youtube.com/watch?v=ym8l9GuiGDk

        Em relação ao cara que bate no peito dizendo que é mensaleiro, só posso dizer isto. E temos alguém que notou que tanto marxismo como liberalismo (no sentido anarcocapitalista-libertário da coisa) são religiões políticas. Se o cara fizesse merchan deste blog então, aí o Luciano poderia contabilizar mais uns pageviews.

        http://www.youtube.com/watch?v=xbRHhPw6KZw

        Por fim, enquanto o Brasil está assolado com a claque de Castro, o cubano comum mostra-se muito simpático à blogueira, conforme ela diz. Também não deixa de ser interessante ver que a internet também está manifestando seus efeitos na ilha, ainda que mais discretamente. Se conseguirão fazer o comunismo cair (ainda que sob o risco de os hoje dirigentes comunistas transfigurarem-se em bilionários ou mafiosos e continuarem fazendo a coisa na prática ser totalitária como hoje, vide Rússia), não sabemos. Espero eu que se consiga fazer uma transição como a ocorrida nos outrora satélites soviéticos.

      • Enquanto estamos no aguardo de um texto do Luciano sobre a Yoani, segue mais um vídeo, desta vez feito pelo Daniel Fraga (em que ele acaba agindo de maneira que favorece quem combate a religião política de matiz marxista-humanista-neoateísta), mostrando o lado dos pró-Yoani e acertadamente apontando contradições dos contrários à blogueira:

      • Luciano, lembra quando falo daquele lance sobre se não é possível usar a religião política de matiz marxista-humanista-neoateísta como inocente útil contra si própria, quase como se usássemos a lógica das artes marciais (usar a força do oponente contra si próprio)? Pois leia este artigo do site do PSTU em que eles descem a lenha no regime cubano (dentro da medida do possível, uma vez que o resto do texto tem aqueles entulhos que conhecemos bem). Se descartarmos os “burguês”, “burguesia” e outras papagaiadas, veremos que eles acabam sendo inocente-utilizáveis (neologismo que crio agora) e acabam de certa forma ficando ao lado de Yoani Sánchez. Tudo bem que o PSTU tem rinha com as alas radicais que serviram de claque contra a cubana e temos de ler o texto com essa reserva e imaginando que eles queiram inocenteutilizá-la (outro verbo neologístico que crio aqui) de forma passiva (aqui diferenciando dos inocentes úteis ativos, que deliberadamente se dirigem aos beneficiários).

      • Caramba, Cidadão, texto muito interessante. Estou fazendo um sobre Yoani Sanchez, que tem um pouco a ver com isso que você falou.

      • Mais Yoani e claque: a revista católica de Cuba critica as babuinagens sofridas pela blogueira por aqui. Recebi isso de um comunista que tentou usar isso como suposta prova de que não haveria censura no feudo da família Castro.
        Obviamente que ele se esqueceu de que Yoani só conseguiu relativa tranquilidade porque tem uma rede de vigia externa a Cuba e qualquer ato mais explícito do regime castrista contra ela ou quem a ela se refira seria queimar muito o filme e receber mais sanções vindas de um exterior do qual a ilha tem um grau de dependência altíssimo. Outro esquecimento foi o de que o tamanho da Igreja Católica proporcionou-lhe não só a tal capacidade de resistir bem às pancadas como um poder suficientemente bom contra tiranias (Cuba é fichinha para uma instituição que já teve papel ativo na derrubada do comunismo em Polônia, Lituânia e outros países do Leste Europeu com maioria católica). Caso Raúl Castro agisse contra a Igreja por aquilo que sua revista disse a respeito de Yoani, estaria somando duas resultantes contra ele (agir contra Yoani mais agir contra instituição que é pilar da sociedade cubana) e apenas confirmando aquilo que dizem a seu respeito e sem a chance de ter uma claque como a fomentada no Brasil para fazer servicinhos sujos. Logo, estrategicamente fica melhor continuar quietinho a respeito da internética compatriota para que não confirme nada daquilo que dizem a respeito do regime. É um jogo de xadrez mais complexo do que boa parte dos comunistas brasileiros conseguem supor (mas que os Castro sabem jogar em um nível minimamente kasparoviano).

      • Yoani desembarca no Rio e não é hostilizada, algo que também podemos ver por esta foto. Como bem sabemos, a Cidade Maravilhosa é mais politizada que outras, reflexo dos tempos de capital federal, mas surpreendentemente a blogueira não teve de encarar outra turba. Talvez (e bote talvez nisso) os comandantes da claque tenham notado o quanto que o brasileiro não gosta de gente agressivinha que tenta impor suas ideias no grito. Aqui, méritos àquele pensamento derivado de Coimbra que seguimos bem, de que o produto da revolução costuma ser pior que o estado anterior a ela e que possibilitou o altíssimo desenvolvimento de nossa diplomacia, seja interna ou externa. Esse pensamento pode ter como efeito colateral a grande apatia do povo para coisas que por menos gerariam passeatas gigantes em outros países, mas também tem como efeito mais que desejável o fato de isolar bem os radicais, expô-los ao ridículo e obrigá-los a ter de negociar.
        Os adestradores de babuínos provavelmente notaram o quanto que o brasileiro médio olhou mal os atos feitos e o quão folgados considerou aqueles que vieram com papinho de que Yoani Sánchez seria agente da CIA e outras coisas. Caso pusessem mais bloco na avenida, apenas estariam depondo mais contra suas causas. Claro que ainda é cedo para saber se a blogueira finalmente conseguirá falar direito ao público carioca em geral, mas já há uma sinalização importante.

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