Onde estão os caros amigos?

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A revista Caros Amigos, publicação de ultra-esquerda, mandou para o olho da rua todo o seu quadro de 11 funcionários que estava em greve. Originalmente, a idéia era cortar 50% da equipe, mas como todos estavam reclamando das condições de trabalho, o diretor da publicação alegou “quebra de confiança” e decidiu eliminar todo o quadro. Segundo o ex-editor Hamilton Octavio de Souza, isso tudo demonstraria a crueldade “da privatização dos meios de comunicação”.

Quer dizer, mesmo em um cenário onde se mostra que comunista sempre fala uma coisa e faz outra (como o editor da revista), ele ainda continua propondo um cenário onde os meios de comunicação estejam nas mãos do estado. Na lógica dele, o ser humano que está no estado se torna “confiável”. Ah, tá…

Conforme lembrou o leitor Cidadão (que fez uma ótima compilação de links na seção de comentários), o fiel marxista Sakamoto tentou dourar a pílula: “Mas se é difícil manter um veículo de comunicação alternativo ou contra-hegemônico no Brasil, é mais difícil ainda trabalhar em um deles.”

Como é? O PT está a 12 anos no poder, e o sujeito chama uma publicação de esquerda radical de contra-hegemônica? Será que não tem vergonha na cara em mentir tanto?

Vamos aos fatos, desmascarando a encenação de Sakamoto: algumas publicações são de esquerdismo gramsciano (que procuram não serem percebidas como esquerdistas, e dependem da confusão da percepção sobre sua identidade para seu sucesso), e estas pertencem ao mainstream. Por outro lado, são necessárias publicações específicas, como Caros Amigos e Carta Capital, que falem: “Eu, eu sou de esquerda, defendo o PT, e qualquer coisa pela revolución”. Este tipo de publicação é dirigido aos militantes, e dará a estes militantes material para que eles adentrem às publicações mainstream e, dissimuladamente, preguem conteúdo marxista.

Assim, tanto uma revista Época, como a Caros Amigos, são pró-hegemonia esquerdista de tom marxista. Enquanto a primeira é dirigida ao grande público, e a segunda é dirigida aos militantes.

Sendo que a encenação de Sakamoto está refutada, o fato é que no momento em que os esquerdistas precisam viver sob seu próprio livro de regras, “abendam”. É como a “tela azul” do Windows. É claro que o livro de regras da esquerda não foi feito para ser seguido, mas sim para gerar a capitalização política que eles precisam. Elementar…

O fato é que na hora da práxis, o que vemos é que a esquerda, quando tem o poder, desfaz de seus funcionais com uma facilidade impressionante. Neste caso, os funcionais são usados e aceitam condições de trabalho piores, por acharem que estão fazendo parte “de uma causa”. E, por sua ingenuidade, quando são cuspidos para fora, se revoltam.

Conforme pode ser visto no vídeo de Bezmenov, o máximo que eles podem fazer agora é chorar as pitangas por irem para o olho da rua (pela “maldade do chefe”), pois, caso o programa que eles defendem desse certo, estariam indo agora é para o paredão…

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5 COMMENTS

    • Divertidíssima essa lista. Dá para refutar os 40 itens em uma tacada. E tem uns 20 a 30 estratagemas novos ali. Vou mapear todos.

      Excelente material para o moedor de carne rs.

      Abs,

      LH

  1. Rachei o bico quando o leitor deu um puxão de orelha no Sakamoto:

    “Antenor Boas-Vindas 3 dias atrás
    Mais-Valia? Sakamoto só está 200 anos atrasado em matéria de ciências econômicas”

  2. Luciano, olhando o texto e o comentário de Hamilton Octavio de Souza, pensei aqui que daria para se falar um pouco mais de uma ação típica de religiosos políticos marxistas-humanistas-neoateístas e também dos libertários-anarcocapitalistas: a de que se estamos tendo problemas devido justamente à aplicação daquilo que eles acreditam ser o certo, a solução é aplicar mais do mesmo. Por vezes, penso que eles acabam raciocinando de maneira pretensamente científica, pensando que a convulsão gerada na sociedade pela aplicação de seus postulados seria algo análogo a eventuais efeitos colaterais de um remédio ou reação de organismo ao formar anticorpos, quando na realidade seria algo análogo à reação que um organismo teria a um veneno.

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