Humanismo, esquerdismo e a fórmula para o genocídio

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Há um certo exagero visto em não-especialistas em ciência política e dinâmica social quando costumam rotular seus oponentes ideológicos de Internet como genocidas ávidos por sangue, de maneira atabalhoada, que em muitos casos foge de uma análise mais científica do assunto.

É fato que a esquerda está muito mais associada a genocídios do passado recente do que a direita. E, exatamente por isso, muitos tendem a achar que o esquerdista é um genocida em potencial. Reconheço que muitas vezes em fases mais exaltadas já cometi este tipo de erro. Entretanto, após a investigação antropológica do esquerdismo e do humanismo, mudei meu ponto de vista, e reconheço que não posso associar o esquerdista a um “genocida em potencial”, mesmo que existam ótimos argumentos para qualificá-los como pessoas criando condições que, se agrupadas, podem habilitar um genocídio. É disto que falarei aqui.

Vou partir do “maior para o menor”, ou seja, do genocídio em si, para chegarmos aos micro-componentes que, unificados, o habilitam. E buscar entender qual o papel do esquerdismo e do humanismo nisso tudo.

De forma simples, genocídio pode ser definido como o assassinato em massa motivado por questões étnicas, nacionais, raciais e políticas. O que me interessa mais para estudos é o genocídio praticado dentro de uma sociedade. Se fôssemos estudar os bonobos, teríamos algo como uma sociedade de macacos, vivendo por algum tempo como uma sociedade perfeitamente funcional, mas alguns de penugem vermelha nas costas, e outros sem esta penugem. Suponha que certo dia, 30 macacos de penugem vermelha resolvam massacrar os outros 20 macacos do grupo sem penugem vermelha a pedradas. É deste fenômeno que estou falando aqui. É o que ocorreu na Alemanha Nazista, quando nazistas mataram judeus, e na Rússia, quando marxistas mataram os oponentes políticos, que rotulavam de “burgueses” ou “amigos dos burgueses”.

Enfim, isto é o genocídio no contexto em que ele se torna um problema para qualquer sociedade. Não do fenômeno natural da guerra, onde a população de uma nação pode exterminar a população de outra nação. Como exemplo, o lançamento da bomba atômica em Hiroshima. Mas isto é uma guerra entre sociedades e, mesmo que achemos horrível o que ocorreu em Hiroshima, é um fenômeno diferente do que estou tratando aqui. O que estou tratando é de um assassinato em massa ocorrido dentro de uma sociedade, de um grupo contra outro. É o que pode fazer, por exemplo, um vizinho denunciar o outro, de forma a mandá-lo a um campo de concentração para ele ser carbonizado.

E o que seria este tipo de genocídio, em uma avaliação mais granular? Simplesmente é o exercício do poder, de um ou mais grupos (chamarei este conjunto de X) contra um ou mais grupos (chamarei este conjunto de Y), de forma a garantir o poder de X sobre Y, ou mesmo aniquilar parcial ou definitivamente Y, para manter o poder de X. Historicamente, X atendeu pelo nome de nazistas, marxistas, jacobinos, mas pode atender no futuro a qualquer grupo presente em um ponto da história, sob as mesmas condições.

Mas basta que um grupo tenha poder sobre outro para que ocorram os genocídios? Claro que não, pois não é uma boa política sair matando a torto e a direito. É melhor e mais prático dominar o grupo rival utilizando-se da burocracia e outros meios, especialmente a propaganda ideológica, sem precisar usar o extermínio. Um dos problemas em sujar as mãos de sangue está no fato de que é preciso lavá-las posteriormente. E muitas vezes a água não é suficiente.

Entretanto, há momentos históricos onde a coisa muda de figura. São os momentos de crise, quando os ânimos se exaltam, devido à convulsões sociais, e a “empatia” diminui naturalmente. É muito fácil, neste momento, arrumar bodes expiatórios para os males da era presente. É quando a alternativa do genocídio deixa de ser algo que não pode ser discutido, mas sim uma “boa ideia” que será “comprada” por uma parte da população.

Mas de nada adianta existir a condição de crise, se não existirem meios para a prática do genocídio. Para que isso ocorra, é preciso poder. Isso resulta na aquisição de armas, exército, mídia e tudo o mais que é necessário para a conclusão dos esforços de assassinato em larga em escala.

A forma mais poderosa de concentração de poder é pela via da conquista de um estado inchado, ou seja, qualquer estado em um contexto de excesso de impostos adquiridos por este estado, ou de extremo poder fornecido a este mesmo estado. Isso pode levar um estado a ter mais poder concentrado do que qualquer cartel de empresas que já se formou ou venha a se formar, ao menos no contexto daquela sociedade. Por exemplo, é possível que exista mais poder financeiro em uma grande empresa norte-americana como a GE, do que em todo o governo de Cuba. Entretanto, no contexto cubano, não há nenhuma forma de obtenção de maior poder concentrado do que a partir de dentro do governo cubano. A partir daí, abstraímos para todas as nações. Na Suécia, não há mais poder concentrado em qualquer organização (ou cartel de organizações) do que existe no governo sueco. E daí por diante.

A história nos mostra que os genocídios de maior sucesso ocorreram a partir daqueles que controlavam o estado, em momentos de crise (que tornaram “morais” as práticas genocidas), contra os grupos oponentes.

O pensamento de esquerda é focado em inchar o estado ao máximo possível, sob qualquer forma de discurso de propaganda, seja a ditadura do proletariado de Marx ou o estado de bem estar social que virou moda na Suécia. Não importa o modelo de propaganda esquerdista, mas sim o resultado final, que é a criação de um estado que dê muito poder àqueles que tomem conta do estado. Pelo site do Impostômetro, temos 371 bilhões arrecadados até março, e olhe que não concluímos nem o terceiro mês do ano. Mas em 2012, a maior empresa do Brasil, Petrobrás (que, aliás, é do estado), faturou 100 bilhões de reais… no ano todo.

Isto nos mostra que é muito difícil formar um cartel de empresas que consiga faturar tanto quanto o estado. Logo, a melhor forma de obter poder, a ponto de conseguir exterminar seus inimigos em tempos de crise, não é pela construção de empresas ou outras organizações, mas sim estar dentro de um estado inchado. Praticamente toda nossa sociedade ocidental atual é composta de estados inchados, que se tornam verdadeiras dinamites contra sua população. Basta alguém acender o pavio, o que pode ocorrer em crises de larga escala. Eu não sei se o esquerdista funcional pensa nisso quando crê no esquerdismo e cultua o estado, mas esta é uma consequência inevitável de sua crença. Funcionalmente, ele é útil para ter crenças que facilitem a criação de um estado inchado.

Atenção: o estado inchado não é criado para “matar os inimigos”. Eu não afirmei nada nesse sentido. Disse que o estado inchado é uma ferramenta útil para massacrar os inimigos em tempos de crise, quando o genocídio se torna “moral” e “aceitável” para uma boa parte da população. Mas, em tempos de calmaria, ele pode ser útil para a concentração do poder de forma a limitar o poder de ação de seus oponentes.

Para termos ideologias esquerdistas, nas quais as pessoas cultuam o estado, é preciso que exista uma crença de suporte para isso tudo, e o humanismo fornece essa crença, ao sugerir que o ser humano pode mudar sua natureza, a ponto de criar um mundo “próspero para todos” a partir de um projeto. É um princípio fácil de ser observado a partir da perspectiva da investigação de fraudes de TI. Para que seja possível alguém obter benefícios por fraudes com o uso da engenharia social, é preciso que existam vulnerabilidades nos comportamentos de funcionários da empresa. Sem estas vulnerabilidades, não é tão fácil conseguir que alguém lhe empreste a senha para conseguir informações privilegiadas em um sistema ERP, por exemplo. Sem a crença no homem, não é tão fácil convencer alguém a cultuar o estado, que, na verdade, não passa de um grupo… de pessoas.

Agora, façamos o caminho inverso, pois se antes eu fui do “maior para o menor”, vejamos como a coisa fica do “menor para o maior”. O humanismo é um paradigma que, ao sugerir que alguém habilite-se a crer no homem como “redentor de si próprio”, abre brechas para que este cultue projetos e operações para este fim, e a forma principal é o estado, que, a partir dos paradigmas esquerdistas (que são todos paradigmas humanistas, diga-se), fica cada vez mais inchado, tendendo ao totalitarismo sempre quando possível. Em tempos de crise, que são inevitáveis e ocorrem sempre que existam condições para isso, este totalitarismo estatal é a arma perfeita para que o grupo detentor do poder possa exterminar os seus adversários políticos, isto é, concluir um genocídio com sucesso.

Note que eu não estou afirmando aqui que todo esquerdista iludido que caiu nas garras de seu professor marxista é um genocida, mas ele é certamente um crente em idéias que, sob condições específicas, fornecem o veículo mais perfeito que a humanidade já criou para a consolidação de um genocídio: o fornecimento de um desproporcional poder concentrado (em comparação com o que temos no resto da sociedade) nas mãos de poucos, o que pode ser utilizado para o esmagamento dos oponentes. Diante de um genocídio histórico ocorrido em sociedades de esquerda, ele, sendo um funcional, muitas vezes cairá em inúmeras dissonâncias cognitivas e inventará desculpas para até justificar estes crimes. Muitos beneficiários, no entanto, não podem ser considerados tão “inocentes” assim.

Em um mundo pronto para novas crises de larga escala, por diversos motivos (petróleo, água, etc.), humanismo e esquerdismo se tornam ainda mais perigosos, por habilitarem os estados a terem tanto poder para destruir parte de sua própria população, ao invés de estados de poder limitado, quem teria como uma de suas principais missões proteger o cidadão dos criminosos, no âmbito interno, e, no âmbito externo, de outras nações que queiram guerrear conosco.

Isto resume um dos lemas anti-esquerdistas: precisamos de um estado a nosso favor, não um estado que seja contra nós. Afinal, somos nós que financiamos o estado a partir de nossos impostos.

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14 COMMENTS

  1. Os corintianos tem uma música, dizendo “aqui tem um bando de loucos, loucos por ti Corinthians”, mas é feito na brincadeira, só que para os esquerdistas é sério. Os caras são muito loucos por darem tanto poder aos Estados desse jeito. Os números do Impostômetro, em comparação com a arrecadação das maiores empresas, são apavorantes.

  2. Depois da Petrobras

    BR Distribuidora – 39 bilhões
    VAle – 36 bilhões
    Ipiranga Produtos – 23 bilhões
    Raizen – 13 bilhões
    Fiat – 11 bilhões
    Vivo – 10 bilhões

    Se todas se juntarem, não chegam perto da arrecadação do governo 🙁

  3. ” Em um mundo pronto para novas crises de larga escala, por diversos motivos (petróleo, água, etc.), humanismo e esquerdismo se tornam ainda mais perigosos, POR HABILITAREM OS ESTADOS a terem tanto poder para destruir parte de sua própria população”

    – O genocídio não implica per se em luta armada, Câmaras de gás ou pelotões de fuzilamento, mas antes um condição de não sobrevivência da outra parte….incluindo fome, extrema pobreza e condições sub-humanas. Cabe aí um estudo, que visa a identificação de sinais latentes em sociedades que anunciam o ‘estado de genocídio’.

    – Não pretendo ser alarmista, mas a história comprova que atualmente o homem possui capacidade de projetar guerras, crises econômicas (que ilustram bem o meu parecer sobre condições sub-humanas), além de que por meio do domínio de técnicas envolvendo o gene, sabemos que a barbárie poderá ser inclusive tecnológica. Portanto ao se falar em genocídio atualmente, aumente 10x a capacidade criativa de destruição.

    http://www.anovademocracia.com.br/no-38/89-em-goias-prefeitura-quer-privatizar-a-agua-e-coloca-culpa-em-trabalhadores

    http://aventar.eu/2013/03/18/vamos-la-privatizar-tudo-agora-e-a-vez-da-agua/

  4. como todo pensamento esquerdista tende a sempre terceirizar as culpas e jamais assumir erros,os requisitos para um genocídio sempre deveram estar a mão em casos de emergência.
    por exemplo os cristãos estão sempre sendo desumanizados/demonizados em vários discursos oficias ou não pelo esquerdistas, isso procede diversas vezes , tenho visto ate um sentimento similar a síndrome de Estocolmo em algumas pessoas em relação ao tal jean willis , lembrando o tal discurso de pegar em armas contra cristãos em uma sessão no congresso nacional que ele deliberadamente consentiu em seu silencio, sobre o tal marco feliciano , as esquerdas em geral tem ate padronizado um discurso de espantalho a respeito ,no sentido de estarem amplificando , fazendo dramatizações histéricas diversas vezes , o marco feliciano esta sendo muito bem aproveitado nesse sentido e a uniformização ideológica partidária em relação ao politicamente correto tem sido uma arma em torno disso, e um discurso similar ao nazista em relação aos judeus , cidadãos de segunda e terceiras classes sempre em seus discursos ,o que acha?

    mudando aqui um pouco o assunto, o relativismo moral dos esquerdopatas entra na categoria de dissonância cognitiva , certo?
    uma outra pergunta aqui, o politicamente correto tem o mesmo afeito do novilíngua em 1984 de George orwell ?

  5. “Gray retoma a tese da Escola de Frankfurt de que o nazismo surgiu como desdobramento lógico do pensamento iluminista e sua razão instrumental. Mais que isso, o nazismo também surgiu de certa forma de “racismo liberal” que louvava a missão civilizatória europeia em sua ação de conquista imperialista de povos tidos como “atrasados” e “primitivos”. O próprio racismo aparece como um produto do Iluminismo, que abria as possibilidades de destruição compulsória de outras culturas. O genocídio com as bênçãos da ciência e da civilização, sentencia Gray.”

    Luciano, sendo a sua proposta o neo-iluminismo, como você responde o parágrafo acima?…..

    • O princípio original do iluminismo, especialmente o iluminismo britânico, era a libertação do indivíduo de dogmas que o aprisionavam, inclundo coletivismos infundados. Isso foi deturpado com o tempo, dentro do próprio iluminismo, especialmente o iluminismo radical, criando novos dogmas aos quais o indivíduo se rebaixaria. Neste caso, tínhamos o advento da religião política. O neo-iluminismo recupera o princípio do iluminismo original, mas ADVERTE PRIORITARIAMENTE para o cerceamento da liberdade do indivíduo através das religiões políticas. Assim, esses efeitos colaterais do iluminismo, conforme o parágrafo citou, são objeto de ceticismo no neo-iluminismo.

  6. Luciano, depois de muito tempo ausente daqui, retorno com esta pérola de se querer usar uma parte da sociedade como bode expiatório dos males do todo. Pra variar, a classe média é a culpada dos males, mas o pior é a chamada ao imobilismo ao dizerem que a classe baixa, por si só, seria incapaz de adquirir capital cultural. Preocupo-me com o que esse cara fala por alguns motivos:

    1) Querer forçar uma guetificação de nossa sociedade, como se você não pudesse ter amigos e relacionamentos com gente de outras classes porque vocês são de classes diferentes (e como se nunca houvesse aquele cara rico que compra o mesmo meio quilo de alcatra que outros menos afortunados compram para aquele churrascão na laje do amigo pobre);

    2) A tal história de querer condicionar classe social a conhecimento, como se ninguém aqui conhecesse gente pobre que é extremamente culta, como se não existissem bibliotecas públicas e como se não existisse esta internet pela qual também adquirimos conhecimento e que está arraigada pela pirâmide social brasileira;

    3) A tal história de querer desprezar o esforço das pessoas em construir a si próprias, ainda mais que o Brasil é país em que não é incomum que os filhos tenham um padrão de vida superior ao de seus pais e que todo mundo aqui conheça não uma, mas várias histórias de pessoas de seu círculo social que estavam na pindaíba, vieram de lar humilde e mandaram extremamente bem, colhendo hoje os frutos disso. O cara fala da empregada que perde seu tempo para falar da empregada que prepara o almoço do moleque da classe média e que teoricamente ela perderia um tempo que o menino estaria ganhando para estudar, como se também não existisse um número importante de empregadas que entraram na faculdade justamente por conseguir usar o tempo ocioso para estudar. Fica parecendo que só pode estudar e ser aluno dedicado aquele que exclusivamente se dedique a isso, sendo que todos conhecemos algum vagal sem futuro que teria todas as condições para fazer o que os tais vencedores vindos da pobreza conseguiram sem pensar que era algo impossível.

    Enfim, isto aqui dá um certo pano para manga.

  7. Luciano,

    Sempre quando estou debatendo com um esquerdista e passo a listar todos os genocídios praticados por grupos da esquerda é comum o sujeito apelar para as seguintes rotinas:

    1 – Citar o Nazismo e o Fascismo como movimentos da DIREITA.
    2 – Citar as Ditaduras Militares em países da América latina também como movimentos da DIREITA.
    3 – Citar as guerras promovidas e levadas a cabo pelos EUA.

    Eles fazem isso para tentar “empatar” o jogo.

    Bem. Eu sei como responder a cada objeção levantada pelo esquerdista.

    No primeiro caso basta esfregar na cara deles a plataforma política do Nazismo e do Fascismo. No segundo caso trata-se de uma falácia lógica. As ditaduras militares foram movimentos anti-comunistas e não necessariamente “anti-esquerdistas”, No terceiro caso basta lembrar ao esquerdista que o EUA possui um Estado totalmente inchado, forte e robusto, que é tudo o que a esquerda gosta, ao contrário da direita. Se os EUA ao longo dos séculos, à medida que foram crescendo economicamente, seguissem as políticas e os ideais da direita jamais eles teriam um Estado do tamanho que possuem hoje, logo eles jamais teriam força suficiente e condições de levar à cabo diversos conflitos bélicos.

    Estou errado quanto a isso, Luciano?

    Eu sei que você já escreveu sobre a rotina 1 usada pelos esquerdistas, mas e quanto aos casos “2” e “3” , você já escreveu algo?

    • Eu vou refutar as outras duas rotinas em breve. Na refutação à 2, você está corretíssimo, mas discordo da refutação à 3. No paradigma da direita, o estado deve ter condições suficientes para se defender. Se os Estados Unidos possuem dinheiro suficiente para ter alto potencial bélico, é por que produzem riqueza que os habilite a isso.

      O fato é que entrar em guerras contra as nações oponentes não é um ato tão moralmente condenável quanto praticar um genocídio contra seu próprio povo. Quando apontamos os genocídios da Rússia, Alemanha Nazista, China, Cambodja e Cuba, apontamos governos que mataram seu próprio povo, e não governos que mataram soldados de um outro país em tempos de guerra.

      Portanto, a comparação das guerras norte-americanas (ataque a outras nações) com os genocídios da Rússia e d a China (ataque ao seu próprio povo) não faz o menor sentido.

      Abs,

      LH

  8. “”Portanto, a comparação das guerras norte-americanas (ataque a outras nações) com os genocídios da Rússia e da China (ataque ao seu próprio povo) não faz o menor sentido.”

    Entendido Luciano.

    Não tinha pensando por esse ângulo, mas vou aprofundar essa questão logo abaixo.

    A respeito da rotina número 3 existe dentro dela outras – digamos – “subrotinas”.

    O esquerdista na falta de um referencial para acusar a direita de genocídios descamba em citar os EUA. Eles fazem isso colocando o EUA como um governo de direita, então passam a citar todas as aventuras, desventuras e peripécias do governo norte americano.

    Abaixo explico melhor.

    “Quando apontamos os genocídios da Rússia, Alemanha Nazista, China, Cambodja e Cuba, apontamos governos que mataram seu próprio povo, e não governos que mataram soldados de um outro país em tempos de guerra.”

    Mas um governo pode perfeitamente mandar pessoas do seu próprio povo para serem mortos em guerras que eles mesmos inventam visando ambições políticas. Em guerras também não é somente soldados que morrem em campos de batalha. Civis também são mortos e em número muito maior do que os soldados. Isso sem contar os estupros de soldados contra as mulheres dos inimigos.

    E a coisa fica ainda pior pelo fato do civil não pode escolher livremente participar ou não de guerras que o Estado resolve entrar, criar ou inventar sem que ele sofra retaliações caso se negue a servir aos propósitos do Estado. É algo compulsório e que atenta contra a liberdade do indivíduo em não querer guerrear para servir às ambições políticas de lideres de governo algum.

    Acredito que governos devem ter exércitos, mas para defender sua nação contra ataques externos, jamais para atacar outras nações sob quaisquer pretextos. No caso dos EUA eles são peritos nisso. Vivem a justificar invasões em territórios alheios. E o derramamento de sangue é certo tanto quanto em genocídios.

    E eu acho que a afirmação de que os mortos em guerra é algo menos grave do que os mortos em genocídios um tanto perigosa e que poderá resultar em benefício para o esquerdista perante a platéia. E pode ter certeza que ele vai tirar proveito em cima desta alegação.

    Estou entrando nessas questões contigo pois em um debate contra um esquerdista não importa se os mortos vitimas de governos foram mortos em genocídios ou em guerras INJUSTIFICADAS (acredito que existem guerras justificadas). Em qualquer caso os mortos só foram mortos por que governos e lideres estadistas ambicionavam certos projetos e para alcança-los resolveram submeter seu povo a genocídios ou em guerras injustificadas. Em ambos os casos o sangue de pessoas inocentes que só gostariam de viver sua vida em paz foi derramado…

    O meu ponto é. Como responder a esse tipo de objeção? É correto culpar a direita política por guerras injustificadas promovidas pelos EUA? Até que ponto a direita política é culpada pelos mandos e desmandos do governo norte americano mundo afora? O esquerdista está certo em colocar os EUA como total representantes da direita e com isso abrir o leque citando casos e mais casos onde pessoas foram mortas por intervenção norte americana em território alheio? Ou o poder e o tamanho do Estado norte americano é fruto de ideologias da esquerda e não da direita, pois esta não é a favor de estados inchados?

    Não sei se fui perfeitamente claro, mas as questões que eu levantei foram antes levantadas por diversos esquerdistas com os quais já debati.

    Estou compartilhando com você para saber qual seria sua resposta nesse caso.

    • Mas um governo pode perfeitamente mandar pessoas do seu próprio povo para serem mortos em guerras que eles mesmos inventam visando ambições políticas. Em guerras também não é somente soldados que morrem em campos de batalha. Civis também são mortos e em número muito maior do que os soldados. Isso sem contar os estupros de soldados contra as mulheres dos inimigos.

      Isso é verdade, mas daí o esquerdista deveria ser questionado para afirmar que o esquerdismo reduz a chance de guerras formais. O caso dos russos massacrando afegãos mostram que a guerra formal é uma constante. Entretanto, o genocídio contra seu próprio povo é coisa que os esquerdistas dominam.
      E a coisa fica ainda pior pelo fato do civil não pode escolher livremente participar ou não de guerras que o Estado resolve entrar, criar ou inventar sem que ele sofra retaliações caso se negue a servir aos propósitos do Estado. É algo compulsório e que atenta contra a liberdade do indivíduo em não querer guerrear para servir às ambições políticas de lideres de governo algum.
      Isto eu concordo, mas o poder de coerção do estado sobre o indivíduo é mais defendido pela esquerda do que pela direita. Poderíamos ter soldados sob contrato que teriam que lutar, para cumprirem seus contratos. A coerção do estado sobre o indivíduo não é coisa da direita.
      Acredito que governos devem ter exércitos, mas para defender sua nação contra ataques externos, jamais para atacar outras nações sob quaisquer pretextos. No caso dos EUA eles são peritos nisso. Vivem a justificar invasões em territórios alheios. E o derramamento de sangue é certo tanto quanto em genocídios.
      Os ataques são questões estratégias, e portanto devem ser avaliados caso a caso.
      E eu acho que a afirmação de que os mortos em guerra é algo menos grave do que os mortos em genocídios um tanto perigosa e que poderá resultar em benefício para o esquerdista perante a platéia. E pode ter certeza que ele vai tirar proveito em cima desta alegação.
      Aí é questão de arrebentar para cima dele. Pois quando um sujeito diz que o risco de um estado matar seu cidadão pagador de impostos é tão grave quanto matar o de um outro país em uma guerra, significa que o esquerdista virou uma aberração moral. Pois o cidadão pagador de impostos espera que seu estado o defenda, e esta não é uma obrigação do nosso estado em relação aos soldados de outros países que estejam em guerra conosco. No momento em que o esquerdista diz que a ação de matar um soldado de um outro país (contra o qual se está em guerra) é tão moral ou não quanto a ação de matar um cidadão de seu próprio país somente por questões políticas, então estamos diante não de um ser humano normal, mas de uma aberração ética. A partir daí, eu demonstro para a plateia o quanto ele é moralmente deformado ao dizer isso. 😉
      Estou entrando nessas questões contigo pois em um debate contra um esquerdista não importa se os mortos vitimas de governos foram mortos em genocídios ou em guerras INJUSTIFICADAS (acredito que existem guerras justificadas). Em qualquer caso os mortos só foram mortos por que governos e lideres estadistas ambicionavam certos projetos e para alcança-los resolveram submeter seu povo a genocídios ou em guerras injustificadas. Em ambos os casos o sangue de pessoas inocentes que só gostariam de viver sua vida em paz foi derramado…
      Todo mundo vai dizer que toda guerra é injustificada. Portanto, a justificação de guerras é sempre uma questão disputada. Para o esquerdista, toda guerra russa é justificada, mas as norte-americanas não. Então, não dá para ele tomar como premissa no argumento.
      Mas, independente da justificação, temos a ação do estado para matar o soldado de um outro país contra o qual se está em guerra, e do outro lado a ação do estado para matar seus cidadãos pagadores de impostos por questões políticas. Independente da justificação ou não da guerra, a ação do estado em relação ao seu cidadão é uma aberração moral, pois este cidadão é o que ajuda a manter o estado, e está sendo morto por ele por questões políticas. Isso é terrivelmente imoral, e não pode jamais ser comparado com qualquer ação de guerra.
      Esta é aposição que eu tomaria no debate.
      Quantas vezes o esquerdista afirmar que é igual, eu demonstro o quanto é diferente eo chamo de aberração moral. 😉

  9. Não há chance alguma de um bem intencionado humanista, ao se deparar com uma situação de crise e pressentir o genocídio que se aproxima, revoltar-se contra o Estado e o estado das coisas. Será inútil. Então, todo esquerdista é sim um genocida, consciente ou não.

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