Objeção: Por que você não foca mais nas críticas aos esquerdistas e deixa os humanistas de lado? Assim, ganharia mais adeptos de uma “direita humanista”…

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pe_na_bumba

Recebi este questionamento recentemente, e devo tratá-lo aqui, pois é uma objeção lúcida em direção a uma postura pragmática, focada em resultados, que defendo. (Quando eu falo em postura pragmática, não falo do abandono da verdade, mas da priorização dos resultados em iniciativas intelectuais)

A lógica presente no questionamento é a seguinte: ao atacar esquerdistas, eu conseguiria apontar, com o meu ceticismo político, toda e qualquer falha lógica nas alegações lançadas por eles. E, caso eu desfocasse do humanismo para me concentrar no esquerdismo, poderia agradar a alguns direitistas que aderiram ao humanismo. Com isso, eu teria mais adeptos e evitaria “divisões” entre direitistas ou anti-esquerdistas.

Reconheço que a objeção, em termos pragmáticos, é bastante lúcida e, por vezes, bastante coerente. Porém, ela decorre de um erro de entendimento em relação aos meus objetivos. Eu não sou um ideólogo da direita atacando a esquerda para a implementação de um sistema ao qual eu tenha aderido, mas sim sou um questionador de autoridades morais injustificadas em geral, e entendo que o humanismo e o esquerdismo são os campeões nesse quesito.

Enfim, eu não “entrei em campo” para atacar o esquerdismo, mas sim a qualquer forma de autoridade moral injustificada com a qual eu não concorde, e aí o humanismo e o esquerdismo entram no mesmo balaio. A meu ver, não há uma diferença técnica entre alguém que alegue “ser da razão” ou “representar a ciência” do que alguém alegando “representar os pobres” ou “a ditadura do povo” (que ele chamará de democracia). Em todos os casos temos a busca de autoridades morais injustificadas, e, de acordo com o método cético que desenvolvi, automaticamente elas ligam um sinal de alerta. De novo: eu criei um método que utilizo, e que cria um alarme automático para alegações políticas, em especial aquelas que foquem em autoridade moral injustificada.

Você pode, é claro, utilizar o ceticismo político para criticar só a esquerda, assim como, sendo um esquerdista de perfil social-democrata, criticar o esquerdismo marxista. Um esquerdista marxista poderá fazer o mesmo e questionar o esquerdismo brando. Um conservador de direita poderá questionar um libertário anti-esquerdista, e vice-versa. Um neo-ateu poderá questionar um teísta, tanto quanto um teísta poderá questionar um neo-ateu. O ceticismo político não tem uma “direção fixa”, e pode ser utilizado desde que alguém entenda que um oponente faça alegações políticas, que são o objeto do questionamento no ceticismo político.

No caso do humanismo, eu vejo em particular um motivo adicional para questioná-los. Além das consequências danosas geradas por eles, por causa da autoridade moral injustificada, eles também são os principais responsáveis por, ao longo dos séculos, terem feito expressões como razão, ciência e ceticismo perderem o sentido. Se hoje temos uma população que se “arrepia” ao ouvir a expressão ceticismo, eles são os principais culpados.

Grande parte do trabalho que defendo hoje em dia que sugiro ser feito por anti-humanistas e anti-esquerdistas se baseia na recuperação das origens do ceticismo, focado no questionamento à autoridade moral injustificada, enquanto hoje em dia temos o conceito de que basta alguém questionar um padre ou médium que já temos um “cético”, em termos universais. Em resumo, o ceticismo hoje se tornou sinônimo de uma ação de fachada para acobertar uma séries de crenças bizarras, como fim da história, crença no homem, suporte a governos globais, estados inchados e projetos de remodelação do mundo. Se não isso, ao menos tentativas de se ganhar um debate convencendo a platéia de que se está do lado da razão, ciência ou ceticismo. Em relação a este caos linguístico em específico, a responsabilidade é mais dos humanistas do que dos esquerdistas.

Por isso, não vejo problemas em alguns humanistas (os que conseguem viver em duplipensar e são de direita) se incomodarem com o meu método. Na verdade, é bom acostumarem-se a serem questionados, pois, quem sabe, não conseguem enfim dar argumentos razoáveis para justificar a crença no homem. A meu ver, o humanismo, é uma mania, algo como um Prozac, que pode ser substituído por qualquer outra coisa. Chocolate, por exemplo.

E só o fato de ter tratado muito mal conceitos como ceticismo, ciência e razão, já nos dá um motivo adicional para jogá-los na arena. Ao recuperar as origens do ceticismo, estou consertando toda a “merda” que os humanistas tem feito na publicação de conteúdo filosófico, seja em livros, ou nas academias ou mesmo nas arenas de debates ao longo dos últimos séculos. Novamente citando Olavo de Carvalho, “não há quantidade de pés na bunda que paguem” o que os antigos humanistas fizeram com o ceticismo, com a razão e com a ciência.

Devem pagar o preço.

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7 COMMENTS

  1. Off topic…(desculpe)
    Lá vamos nós denovo…é bom praticar.

    http://escrevalolaescreva.blogspot.com.br/2013/03/guest-post-manifesto-do-meu-cansaco.html

    comentários

    http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1486619705951395295&postID=4487096264684006753

    Ps: Tem comentários inacreditáveis, tipo:

    “(…) Como se promiscuidade fosse ruim (…) O corpo é da mulher ela faz o que bem quiser! Trepar com mil ou com nenhum não faz de ninguém mais ou menos mulher, mais ou menos gente! (…) pq uma coisa que to cansada é a bíblia e outras religiões e a cultura majoritariamente machista do nosso país continuar ignorando a sexualidade feminina.”

    De certo a moça promíscua, pensa que a sexualidade feminina tem sua expressão máxima na promiscuidade….. que a ausência do machismo, da bíblia e das religiões vai causar uma nova revolução sexual, onde TODA e qualquer mulher será vigentemente promíscua. “Promiscuidade já”.
    Cara não sei nem o que dizer, e mesmo que soubesse, até perdi a vontade………..animalização total.
    Não sei se choro, ou se abro o vinho e espero as perversas na minha cama.
    Humanismo é a destruição completa do ser humano, enquanto ser pensante….se é que sobra alguma coisa depois disso.

    A jornalista Sheherazade está sendo atacada por todos os lados. A mão oculta das militâncias já começou uma manobra para tirá-la do SBT.

  2. Aproveitando o espaço, um OFF Topic só pra fins de mapeamento. O leitor JMK semanas atrás havia me alertado sobre o comportamento de algumas pessoas que se declaram espíritas e fazem severas críticas àqueles religiosos que estão contra a agenda gayzista, especialmente evangélicos. Segue abaixo:

    “Hoje, os ‘evangêlicos’ não estão sabendo diferenciar o que é um Estado laico, e usa a sua ‘pregação’ como parâmetro para ditar o que é constitucional ou não. E quando eu ouço ‘pseudo-intelectuais’, com posicionamentos tão ‘jocosos’, redundantes, tipo: “ se eu vejo um travestir, e sei que ele é homem, não poderei chamá-lo de homem pois será crime”. Isso é tão deliciado para ser tratado de forma tão incisiva, tão medieval, isso é típico de pessoas que estão pressas à época da inquisição.”

    “O que você entende por ‘ser cristão’? Sou espírita, Kardecista, acredito em Deus, portanto sou Cristão, então me inclua aí! Mas inclua também a umbanda, ou você tem algum preconceito em relação a nossa fé em Cristo.”

    Tem gente que ainda não fez questão de enxergar o que está por trás de tudo isso. Ainda estão na síndrome de Pollyanna.

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