O bizarro humanismo anti-humanitário de Elaine Brum, achando “abominável” um crente rejeitar o ateísmo, direito que ela só quer dar aos incréus

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Fonte: Ad Hominem

Uma tal de Eliane Brum publicou na segunda-feira, dia 14 de novembro, artigo intitulado a dura vida dos ateus em um Brasil cada vez mais evangélico, no qual relata uma conversa “entre uma jornalista e um taxista” que deságua numa discussão pouco frutífera sobre tolerância. A partir dessa estória, faz imensa análise de como e por que católicos e evangélicos se portam em relação a ateus, terminando por anunciar, com acento trágico, que a liberdade de credo constitucional “está sendo solapada na prática do dia a dia”.

Não pretendo comentar a linguagem depreciativa e humilhante com que essa pobre senhora se refere a si mesma – começa, afinal, narrando um diálogo entre “um taxista” (nobre profissão que se classifica entre o humilde servente e o honorável psicólogo) e “uma jornalista” (termo que, apesar dos pesares, parece-me forte demais para Eliane Brum). Reconhece, portanto, sua posição social inferior. Movida, aliás, por admirável humildade, manifesta sua inferioridade consciente comentando, de passagem, que dessa vez “puxou conversa com o motorista de táxi, como ela nunca faz”, porque costumeiramente, para não incomodar o destacado profissional liberal, prefere limitar-se a fazer coisas sem qualquer sentido, como “ler o jornal”.

O que chama mesmo a atenção deste leitor é que, no diálogo com o taxista, Eliane Brum faz questão de – depois de mostrar toda sua complacência para os desvalidos por meio de palavras bondosas genéricas – dizer: “sou uma pessoa decente, honesta, trato as pessoas com respeito, trabalho duro e tento fazer a minha parte para o mundo ser um lugar melhor”. É uma santa! Como ousou o taxista não ajoelhar-se diante de tamanha majestade espiritual? Em vez disso, cometeu o impropério, a blasfêmia de rir nervosamente e suspirar “Deus me livre!” ao ouvir a palavra “ateia”. “Homem imundo” e “pecador incurável” seriam termos insuficientes para esse taxista. A única palavra verdadeiramente densa e tenebrosa o bastante para descrever sua conduta é intolerante.

A moça parece horrorizada que um evangélico, diante da ideia de ser ateu, pronuncie uma interjeição de desgosto – concernente a ele mesmo, diga-se. Não pode expressar, de modo algum, que rejeita o ateísmo, a negação da existência de Deus. Não basta que o taxista se resuma a suas próprias crenças e não as imponha à jornalista – ele precisa negar a validade daquilo em que acredita, relativizar sua fé, e achar muito bom que alguém não creia em Deus, quando é evidente que para ser cristão é preciso achar que a crença em Deus é um bem essencial.

Toda a suposição ridícula sobre conflitos psicológicos do taxista – desde ele estar hipnotizado pela doçura e inteligência da jornalista ateia, até por fim considerá-la a encarnação do diabo – é arrogante, ofensiva e cruel. Não há nenhum elemento do diálogo narrado que permitisse tais suposições. Pior ainda: movida por uma curiosidade obviamente ressentida, procurou o website da igreja do taxista, visando a algum trecho incriminador que justificasse, em sua mente paranoica, o ataque histérico que deu por causa das interjeições evangélicas do pobre homem. Achou este artigo sobre o perigo da tolerância, do qual cita trechos abomináveis como “o mal da sociedade tem sido a Tolerância”.

Eliane Brum só esquece de mencionar que os exemplos de “tolerância” citados pelo autor do texto são: deixarmos nossos filhos gritarem conosco, deixarmos nossas filhas se vestirem inadequadamente, deixarmo-nos acessar sites pornográficos etc. Basta ler o texto para entender que o autor usa um sentido da palavra – dicionarizado, aliás – bem diferente do sentido politicamente correto. Ele se refere a tolerância como o hábito de fazer vista grossa a coisas erradas dentro da sua própria vida. Não há um único trecho do texto, um único exemplo dado pelo autor que permita interpretar “tolerância” como “respeito à diferença”. Essa doce e inteligente ateia, educada e respeitosa para com os evangélicos, acusa de intolerância religiosa um pastor semi-analfabeto que conhece mais sentidos de “tolerância” que ela.

Eliane Brum espuma de raiva contra quem quer que não aceite suas crenças e seu modo de vida, suspirando de alívio ao lembrar que ao menos o catolicismo brasileiro é um pouquinho suportável, já que uma de suas convicções mais intensas é que ser católico não faz diferença nenhuma. Para Brum, o único religioso aceitável é o que segue sua religião por mero mecanicismo, não tirando daí nenhuma conclusão sobre a realidade. Afinal, se ele supusesse, por um só momento, que ser católico é melhor que ser ateu, estaria ofendendo mortalmente a todos os sensibilíssimos ateus generosos que preferem ler jornal a falar com taxistas e que acreditam em viver cada dia do melhor modo possível. Conheço ateus tolerantes, e Eliane Brum não é um deles.

Meus comentários

Como eu digo aqui, o humanismo e o esquerdismo são feitos para transformar pessoas normais em monstros. Incapazes de perceber os que não concordam com seus paradigmas como seres humanos, passam a visualizá-los como máquinas que devem atender aos seus desejos. Se isso não acontecer, fazem beicinho.

Qualquer religioso normal sabe que é plenamente aceitável que um ateu critique suas crenças. Entretanto, a humanista Eliane Brum entende que os religiosos não possuem o mesmo direito. Para ela só há um direito de crítica à crença oposta se for a partir dela e de seus amigos em direção aos religiosos. Como os religiosos são seres inferiores, em sua concepção, obviamente não tem o mesmo direito.

Neste raciocínio demente e psicopático, Eliane faz toda uma encenação querendo convencer o público que não é possível mais aceitar que religiosos achem erradas as concepções de mundo ateístas. Que imundos esses religiosos, pensa ela, pois como eles querem exercer o mesmo direito de liberdade de consciência que é dado aos incréus?

O mais bizarro é que Eliane Brum, ao escrever suas sandices que renegam a humanidade dos diferentes, obtem apoio pleno de outros humanistas. Sinal de que a incapacidade de pensamento humanitário não é apenas um problema de Eliane Brum, mas uma anomalia típica humanista.

Em tempo, uma bela crítica do blog Ad Hominem, em um texto de novembro de 2011. Quanto a Eliane Brum, mais um ato falho dela facilitando a vida de quem quer demonstrar que o humanismo é uma patologia que cria monstros anti-humanitários.

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6 COMMENTS

    • Quem nunca sentiu na pele oque Eliane diz provavelmente NUNCA vai saber a dor que é ser excluído de tudo por religiosos! Se uma pessoa de 16 anos levanta a voz pra falar “eu não acredito em Deus” será instantâneo seu isolamento de uma sala de aula por exemplo (isso aconteceu comigo) então vem pessoas religiosas falando sempre: “é o demônio esta falando por você!” ou “credo, mas por que você quer ir pro inferno?” ou ainda “deixa de ser fresco e vai pra igreja!!!”. bom claro tive pessoas (religiosas) que também aceitaram sem problema algum, não era a maioria, alias pelo contrario! Sempre fui discriminado pela maioria sendo que nunca tive “o direito de resposta”. de fato NINGUÉM é melhor do que EU assim como EU não sou melhor do que NINGUÉM, todos nós temos defeitos e qualidades e hoje nós (ateus, agnósticos etc.) só queremos uma coisa: RESPEITO assim como respeitamos a crença de qualquer um. Nunca desrespeitei ninguém por crer em Deus afinal isso, ao contrario do que acham, não é uma opção.
      Hoje eu tenho 21 anos e posso dizer sem medo algum de estar sendo injusto: A MAIORIA dos crentes que encontrei por esses 5 anos em que passei a admitir ser Agnóstico são preconceituosos e me discriminam de alguma forma seja na cara ou pelas costas.

  1. A postura dela, infelizmente, se tornou regra. Sou cristão e universitário. Me tratam como uma aberração obscurantista mesmo eu nunca falando sobre minhas convicções religiosas.

    • ENgraçado que para os “livre-pensadores” (entre aspas mesmo) você não tem a liberdade de aceitar convicções religiosas condenadas por eles.

      Liberdade de pensamento e opinião só até a página 2.

  2. Religiosos hoje sentem na pele o tratamento que deram ao incrédulos ao longo dos séculos. Declarar-se ateu já deu pena de fogueira, e por décadas deu a pecha de comunista, de maluco, de imoral, de alguém que deve ser tratado de forma diferente, mais ou menos igual seu sobrinho que diz que é gay. Muitas pessoas evitam de dizer que não creem em deus porque a reação, em geral, não é violenta, mas é de desprezo profundo. Como se a pessoa tivesse cagado nas paredes, ou xingado a mãe.

    Porém, nós ateus estamos aumentando em número no mundo todo. Não queremos mais viver escondidos. Queremos, sim, que as pessoas entendam que a ciência tem respostas muito melhores que a bíblia para quase tudo. Queremos que as pessoas estudem, aprendam, e assim possam contribuir para uma sociedade melhor, mais instruída, que possa fazer o Brasil avançar em termos de tecnologia e educação. Queremos desmentir as pseudo-ciências que ameaçam nosso progresso científico (criacionismo). Queremos que o menino entenda que tudo bem ele ver pornografia, porque a masturbação é algo natural. Que a menina entenda que usar roupas curtas não a torna uma prostituta. Que o gay saiba que ele não é uma aberração, nem alguém que precisa de cura. Isso são coisas basilares em qualquer estado laico. São questões de humanidade, não de crença, é o mínimo civilizacional.

    Isso não é impedir ninguém de ter crenças, mas é o direito de afrontar quem quer, por conta de suas crenças, impedir o avanço civilizatório.

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