Passado fascista de treinador italiano causa tumulto na Inglaterra… e o que fazer com jogadores e treinadores de passado marxista?

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Fonte: UOL

O técnico Paolo Di Canio, ex-jogador da Lazio, foi contratado recentemente pelo Sunderland, da Inglaterra, e causou polêmica no país em razão de seu passado: ele assumiu, em 2005, que é fascista. Segundo ele, é “ridículo e patético” discutir essa questão novamente.

Di Canio, quando atuava pela Lazio, chegou a comemorar gol contra a Roma, no clássico da capital italiana, fazendo gesto fascista em direção à torcida ultra da Lazio, que segue a mesma diretriz política. “Sou fascista, não racista”, declarou o ex-jogador em 2005.

A contratação de Di Canio pelo Sunderland fez com que David Miliband, ex-membro do Parlamento inglês e parte do conselho do clube, se demitisse. O novo técnico se recusou a comentar a situação, e disse que pretende falar apenas de futebol.

“Não quero mais falar de política por uma razão. Eu não faço parte do parlamento, não sou uma pessoa política. O clube divulgou nota com palavras muito claras sobre minha posição”, disse Di Canio.

Membros de organizações políticas também fizeram declarações contra o italiano. Dave Hopper, secretário-geral de uma associação de mineiros considerada “poderosa” na Inglaterra, disse que a contratação de Di Canio pelo Sunderland “é uma desgraça e uma traição a todos que lutaram contra o racismo”.

Já Piara Power, diretor da FARE (Futebol Contra o Racismo na Europa), declarou que acha “preocupante” a contratação de Di Canio, já que ele “rechaça” seus gestos do passado.

Di Canio já trabalha na Inglaterra desde 2011, e treinava o Swindon Town, de divisões inferiores do país. Porém, a polêmica cresceu assim que ele foi contatado por uma equipe da divisão principal do campeonato inglês.

Meus comentários

Já falei a pouco tempo atrás do caso do jogador grego banido da seleção de seu país por um gesto fascista. Agora, estão pentelhando o Di Canio por ter defendido o fascismo no passado.

Atenção: eu não estou nem aí para defesa de fascismo ou marxismo, e, democraticamente, acho que se um endosso é proibido, o outro também deveria sê-lo, e se ambos forem liberados, tanto faz, tanto fez.

O que não se pode aceitar é a criminalização do fascismo (só por que foi um esquerdismo mais moderado, e se opôs ao marxismo) enquanto ao mesmo tempo nada é realizado contra aqueles que tem passado ligado ao marxismo.

A lógica pede o seguinte: ou se libera o direito de se defender marxismo, nazismo e fascismo igualitariamente (todas formas de esquerdismo, sendo que as duas últimas se opuseram ao mais extremo dos esquerdsismo, o marxismo), ou se proíbem todas também igualitariamente.

Então, seguindo esta lógica, não há nada a ser feito contra Di Canio enquanto o mesmo não for feito em relação àqueles que apóiem o marxismo.

Eu, que sou um defensor da liberdade, acho que fascistas, marxistas e nazistas deviam ter o direito de falar o que quiserem, mas serem criticados pelas besteiras que dizem da mesma forma.

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1 COMMENT

  1. Luciano, você viu que o Marcelo Rubens Paiva quer que o governo do estado de São Paulo peça-lhe desculpas pela presença de Ricardo Salles, secretário do governador Alckmin, no evento de disponiblização na internet dos arquivos do Dops? A acusação que pesa contra ele? Criticar militantes esquerdistas da época da ditadura e ser um dos fundadores do Endireita Brasil, bem como defender o regime de 1964 e uma série de postulados conservadores. Se Marcelo Rubens Paiva discorda do cara, é todo direito dele, assim como qualquer pessoa de bom senso o respeita pela dor que é ter perdido o pai dele da maneira como perdeu. Porém, aqui caímos na questão de que alguém tem o direito de defender os guerrilheiros, outro alguém tem o direito de defender o regime militar. Alguns evocarão Rubens Paiva, mas outros evocarão Mário Kozel, isso só para ficarmos em duas mortes bastante emblemáticas e provocadas por violência direta, cada qual vinda de um agente diferente, na mesma época e diretamente ligadas ao pano de fundo político da época.
    Diz ele também que sua família sente-se ultrajada pela “forma como eles [entenda-se aí o Endireita Brasil e assemelhados] defendem a ditadura”. Pessoas com sensibilidade normal obviamente que compreendem o sofrimento pelo qual ele e seus familiares passaram naquele período, bem como solidarizam-se com o ocorrido e torcem para que nunca mais coisas assim ocorram. Porém, isso não pode ser justificativa para que se tire de um evento uma pessoa da qual ele não gosta porque defende coisas opostas às dele, ainda mais se pensarmos que essa pessoa nada fez contra o Marcelo em questão e sequer teria como, uma vez que tem 37 anos, o que significa ter nascido depois do 1971 em que ocorreu a tragédia.

    Conviver em um mesmo ambiente com alguém de que não se gosta mas que nada lhe fez de mal é de fato chato, mas é coisa que a maioria das pessoas consegue fazer sem maiores problemas. A prática é feita ao se evitar conversa com a referida pessoa e, caso tenha de conversar, falar o mínimo necessário. Acabamos por cair naquela história de imputar ao Salles a culpa de um mal que ele não cometeu, e aí usando aquela lógica de culpa hereditária típica de marxistas-humanistas-neoateístas. Não pude deixar de lembrar daquele maluco inglês que entrevistou o Ahmadinejad na base do levanto-e-você-corta, humilhou um estudante em Oxford e recusou-se a debater com um israelense por este ser da referida nacionalidade.

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