Rachel Sheherazade diz que brasileiro vê discordância como ofensa. Não. A verdade é que esquerdista distorce o discurso oponente por conveniência.

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rachel sheherazade
Fonte: Aliança Cidadã

Para o telespectador desavisado que se depara com as opiniões fortes da bela âncora do “SBT Brasil” que, além de não se obrigar qualquer semblante sereno ou impessoal, ainda assina com o insólito nome de Rachel Sheherazade, o cenário pode parecer um tanto surreal…

Mas é tudo real. Tanto as opiniões, quanto o nome. “Antes que me perguntem, eu já falo. Não é nome artístico, nem profissional. É meu segundo nome mesmo, inspirado na heroína árabe dos contos das mil e uma noites.”

Sobre as opiniões, foram elas a porta de entrada para a paraibana chegar ao jornalismo do SBT paulista. Em 2010, quando ancorava o “Tambaú Notícias”, na afiliada do SBT na Paraíba, foi tão firme e ousada ao apontar aspectos negativos do carnaval brasileiro que o comentário foi sucesso no YouTube e chamou atenção de Sílvio Santos

“O Leon Abravanel [irmão e braço-direito de Sílvio] ligou pessoalmente para mim e me disse que o ‘patrão’ mandou me convidar”, comenta. Aliás, não poupa elogios ao “patrão”, com quem já teve a oportunidade de trocar palavras nos bastidores.

“Ele tem o dom de deixar as pessoas ao mesmo tempo fascinadas e muito à vontade. Na primeira vez que me viu, perguntou-me: ‘É você mesmo quem escreve aquelas opiniões?’ ”

No último dia 20, Rachel protagonizou uma polêmica ao defender o direito do pastor Marco Feliciano de defender sua opinião.O episódio teria gerado um abaixo-assinado interno no SBT, feito por funcionários insatisfeitos com a presença da jornalista na emissora.

Raquel garante não ter visto nada nos corredores do canal. Mas, não será problema se o abaixo-assinado existir de fato… “Não fui convidada para ser porta-voz de artistas, diretores ou jornalistas, mas para defender o que eu acredito”, diz.

Na entrevista abaixo, Rachel fala sobre conservadorismo, o jornalismo do SBT, encontros com o “patrão” Sílvio Santos e aponta a dificuldade do brasileiro em lidar com a liberdade de expressão. “O brasileiro tem dificuldade em ouvir opiniões contrárias. O caso do deputado Feliciano é emblemático quanto a isso.”

IMPRENSA – Como você enxerga os espaços de opinião no telejornalismo brasileiro?

RACHEL SHEHERAZADE – São um indício de maturidade, evolução e quebra de amarras ideológicas e políticas. Mas desde que a opinão seja realmente livre, sem a menor ingerência de quem quer que seja. No SBT, temos esse privilégio de falar o que pensamos, de defender nossos posicionamentos sem nenhuma censura e sem qualquer retaliação.

Em geral, o jornalismo de TV é acrítico demais?

Há excelentes comentaristas com muito talento para análise dos fatos e afiado senso crítico. Pena que ainda há pouco espaço para eles. Mas, acredito que isso está mudando. Não é qualquer emissora que está disposta a dar carta branca a seus jornalistas, para que eles possam ir além do que está escrito, e dizer o que realmente pensam.

Você foi contratada pelo SBT após a repercussão do comentário sobre o carnaval, no “Tambaú Notícias”. Foi um convite direto do Silvio Santos?

A decisão de me contratar foi do próprio Sílvio Santos, o que me orgulha bastante. E o convite para integrar a emissora foi feito cinco dias depois que fiz o comentário sobre o carnaval. O Leon Abravanel [irmão e braço-direito de Sílvio] ligou pessoalmente para mim. Disse-me que o “patrão” mandou convidar-me.

Você já teve oportunidade de falar com eles nos bastidores. Como foi?

Algumas vezes. O “patrão” tem o dom de deixar as pessoas ao mesmo tempo fascinadas e muito a vontade na companhia dele. Da primeira vez que me viu, nos bastidores do seu programa, perguntou-me: “É você mesmo quem escreve aquelas opiniões?” Todas as vezes que nos encontramos, ele foi muito gentil e atencioso. Perguntou-me da minha adaptação à vida em São Paulo, sobre os meus filhos, meu marido… Também perguntou-me do “SBT Brasil”, se estava tudo bem na redação, se eu estava feliz com o tempo dos comentários.

Segundo a coluna “Outro Canal”, da Folha, um grupo de funcionários do SBT teria organizado um abaixo-assinado por sua saída da emissora após seu comentário sobre o pastor Marco Feliciano. Já chegou algo até você sobre isso?

Sim, a “notícia” se espalhou como rastro de pólvora, porque começou a ser replicada por blogs e portais em toda internet. No entanto, no SBT, nada se sabe sobre o tal “abaixo-assinado”. Diretores, editores, artistas, funcionários… Ninguém sabe nada. Por incrível que pareça, a “notícia” não me afetou em nada. Sei que um absurdo desse jamais aconteceria na emissora que me contratou exatamente para dar opiniões. Além do mais, não fui convidada para ser porta-voz de artistas, diretores ou jornalistas, mas para defender o que eu acredito. Não é a primeira vez que inventam fatos a meu respeito. Deve estar faltando notícia! Surpreende-me, apenas, que notas inverossímeis em colunas de fofoca ganhem tanta repercussão.

Já se arrependeu de alguma opinião que tenha defendido no ar?

Até agora, nunca me arrependi de nenhum posicionamento que defendi na televisão. Mas, admito que opiniões podem ser revistas. Um bom argumento me convence.

Há hoje uma “ditadura do politicamente correto” no país?

Sim. Há assuntos ainda considerados “intocáveis” pela patrulha do politicamente correto. Mas, minhas opiniões não são pautadas por essa ditadura. Defendo o que eu acho correto.

Muitos já ressaltaram o lado “cordial” do brasileiro. Enfim, um povo pouco afeito ao confronto e à crítica. Você sente que ter opinião forte, de certa forma, não faz parte da cultura do brasileiro?

Pode ser até uma espécie de trauma dos tempos da censura, resquícios da lei da mordaça, mas acho que o brasileiro ainda não aceita bem a liberdade de expressão. Sente muita dificuldade em ouvir opiniões contrárias. Para muitos, uma discordância no campo político, religioso ou intelectual é uma agressão pessoal. O caso do deputado Feliciano é emblemático quanto a isso.

Em termos de valores e princípios, você se considera uma pessoa conservadora?

Muitos confundem “conservadorismo” com retrocesso, e “liberalismo” com evolução. Nem toda mudança é para melhor, e nem tudo que se preserva é ruim. Se conservar valores benéficos à sociedade é ser conservadora, então, é isso que sou.

Tradicionalmente, o SBT nunca investiu muito no jornalismo, como outras emissoras como Globo, Record e até a Band. Como vê sua carreira no futuro? Onde quer chegar?

Procuro não pensar muito nisso. Quando o assunto é minha carreira, vivo um dia de cada vez. Como tenho muita fé em Deus, acredito que estou onde estou por Sua obra e graça. Então, meu futuro a Ele pertence.

MEUS COMENTÁRIOS

Sejamos francos. O ser humano em geral não gosta de discordância. Mas cidadãos de uma sociedade que quer ser livre tentam lidar com isso e aceitar no limite do possível a opinião divergente.

A não ser no caso de humanistas e esquerdistas, que por seu viés totalitário, inverterão o sentido de tudo que seus oponentes disserem para capitalizar politicamente. E, obviamente, tentarão censurar o adversário em seguida.

Ela erra ao dizer que o brasileiro não aceita bem a liberdade de expressão. A não ser que ela diga que a esquerda representa os brasileiros, o que não é um fato.

Podiam indicar a Rachel alguns livros sobre a postura de esquerdistas em relação aos discordantes. Recomendo “O Imbecil Coletivo”, de Olavo de Carvalho, “Slander”, de Ann Coulter, “The Art of Political War”, de David Horowitz, e “Tyranny of Cliches” e “Fascismo de Esquerda”, de Jonah Goldberg.

Aí ela poderia notar que a postura esquerdista de intolerância ao discurso oponente não é “trauma da ditadura”, mas sim uma vontade infinita de implementá-la de forma absoluta.

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