Mais conteúdo esquerdista/humanista na questão gayzista demolido: agora é a hora do texto “O desafio dos grupos religiosos insatisfeitos”, de Flavia Piovesan

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Flávia Piovesan

O leitor Cidadão postou o texto “O desafio dos grupos religiosos insatisfeitos”, escrito por uma procuradora que joga de acordo com os paradigmas humanistas e esquerdistas.

Segundo Cidadão, eu demoliria o texto em minutos. Ele estava certo. Refutei este texto em menos de 10 minutos.

Como eu sempre digo, não há conteúdo intelectual de fato em qualquer material produzido por esquerdista/humanista, mas sempre o uso de um conjunto de fraudes intelectuais, truques psicológicos, jogos de rótulos , em contínuas tentativas de se controlar o frame, mas sem nenhum apreço por qualquer noção de honestidade intelectual e ética. Fica fácil para um investigador de fraudes argumentativas  achar os truques.

Pontos mais interessantes:

[…] o deputado Marco Feliciano prossegue fomentando polêmica, indignação e protestos em todo o país.

Aqui é o truque de fingir que “todo o país” está a favor dos gayzistas, quando na verdade são os intelectuais orgânicos. Claro que existem movimentos e manifestações, mas eles representam uma minoria, que fala alto, e não “a voz do país”. Quando se compara as manifestações de gayzistas com as manifestações pela família em 1964, vemos que os movimentos atuais empalidecem. E os movimentos de 1964 foram auto-financiados, enquanto a turminha anti-Feliciano é bancada por dinheiro do governo. Aí fica fácil. Detalhe que todas essas informações são omitidas do conteúdo trazido por Flavia.

Conquistas notáveis foram alçadas nos últimos anos na proteção especial às “minorias”, com o crescente reconhecimento de suas identidades específicas, como exemplificam a Lei “Maria da Penha”, o Estatuto da Igualdade Racial, o Estatuto do Idoso, dentre outros. A atuação do parlamentar Marco Feliciano não poderia mostrar-se mais incompatível com a vocação e o mandato da Comissão que pretende presidir.”

Aqui ela inverte a questão do “direito às minorias”, e sugere que deva existir tratamento especial injustificado à elas. Mas as “minorias” precisam é de tratamento igualitário, e não de leis de privilégios. Outro exemplo: ao pedirem o direito de adotar uma criança, estão indo contra o direito igualitário das crianças em terem chance de serem adotadas por um pai e uma mãe. Já notaram como ninguém pensa nas crianças neste momento?

Por outro lado, a eleição do pastor Feliciano ainda simboliza o empoderamento de setores religiosos nas instituições públicas. A decisão do Supremo que declarou a constitucionalidade do uso de células-tronco embrionárias para fins de pesquisa científica, em 2008, foi recebida como uma grande derrota por setores religiosos. A reação foi imediata com a apresentação de proposta que objetivava sustar os atos do Supremo que “exorbitassem” de sua competência. Em 2011, soma-se uma nova derrota dos grupos religiosos, com o histórico reconhecimento pelo STF da proteção constitucional às uniões homoafetivas. Adicione-se também a decisão do STF proferida em 2012 admitindo a antecipação terapêutica do parto em caso de anencefalia fetal. A este quadro acrescente-se ainda a posição do Conselho Federal de Medicina a favor da descriminalização do aborto (a ser visto como um problema de saúde pública e não mais como caso de polícia) e os debates em torno da tipificação da homofobia (que importará na responsabilização penal dos atos discriminatórios com base em orientação sexual).

A autora Flávia compara questões onde os conservadores tomaram decisões estrategicamente erradas (ficar contra as células-tronco seria uma batalha perdida, e qualquer um sabia disso, assim como pedir a proibição de aborto em qualquer circunstância, e qualquer um sabe que politicamente apostavam em cavalo manco), com a luta pelo direito de expressão que, se avaliada estrategicamente, é uma EXCELENTE oportunidade para a direita. Basta a direita aproveitar. Ao tentar colocar tudo no mesmo pacote, ela quer fazer a PL 122 passar desapercebida no meio das possíveis vitórias contra os conservadores religiosos.

Outra reação imediata de setores religiosos no Parlamento foi a recente proposta de uma emenda à Constituição atribuindo às entidades religiosas a legitimidade para ajuizar ação de inconstitucionalidade perante o STF. Daí o desafio da necessária e desejável separação entre Estado e religião no marco do estado democrático. O princípio do Estado laico proíbe a fusão entre Estado e religião, de modo a proteger a liberdade religiosa. Requer também a atuação positiva do Estado no sentido de assegurar uma arena livre, pluralista e democrática em que toda e qualquer religião mereça igual consideração e respeito. A laicidade estatal demanda tanto a liberdade religiosa como a igualdade no tratamento conferido pelo Estado às mais diversas religiões. Note-se ser o Brasil o maior país católico do mundo em números absolutos. Em 2000, os católicos representavam 74% da população. Em 2009, o universo de católicos correspondia a 68,5% da população brasileira.

Aqui é o truque da inversão do estado laico, que humanistas fazem sempre. Se organizações de classe de nível nacional (e grupos não-religiosos se organizam assim, como ATEA) podem pedir ações de inconstitucionalidade, segundo a autora os religiosos não podem fazer o mesmo. Ora, se as organizações de classe de religiosos são grupos religiosos, então na lógica da autora o estado laico deve permitir a expressão somente de NÃO-RELIGIOSOS. Ela é defensora de uma ditadura, e sabe disso, e enquanto isso feito uma psicopata diz, com uma expressão de candura, que “defende o estado laico”. Ela sim poderia receber processo por discriminação…

Neste cenário, a Comissão de Direitos Humanos e Minorias torna-se refém de uma eficaz estratégia de poder de grupos religiosos insatisfeitos com extraordinários avanços emancipatórios no campo da cidadania, ameaçando uma importante conquista do estado democrático.

A questão é exatamente a oposta. Ora, em um estado com avanços emancipatórios no campo da cidadania, devemos nos proteger do totalitarismo humanista/esquerdista. Dar espaço para os conservadores religiosos participarem das decisões JUNTAMENTE com os de posição contrária é uma ação de cidadania.

O texto de Flávia Piovesan é mais um texto stalinista, de opressão aos inimigos, tentando silenciá-los, invertendo o conceito de estado laico para fazer seu truque.

Mais irônico de tudo é vê-la informar, ao final do texto, que é professora da PUC-SP. Quer dizer, uma instituição católica está pagando salário a alguém que quer destruí-los. É mais ou menos como se uma universidade judaica quisesse dar cargo a professores de orientação nazista.

Ingenuidade tem limites.

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