Marco Feliciano simplesmente fez um golaço: diz que renuncia se mensaleiros saírem da CCJ

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Fonte: NE10 (citando Agência Estado)

Depois de reunião de cerca de duas horas com líderes partidários o deputado Pastor Marco Feliciano (PSC-SP) manteve sua disposição de continuar na presidência da Comissão de Direitos Humanos da Câmara e cedeu apenas aos apelos para que a realização de reuniões fechadas na comissão não seja uma regra.

O colégio de líderes acabou se dividindo sobre a permanência de Feliciano, o que lhe deu ainda mais argumentos para que continuasse no cargo. Na reunião, o pastor chegou a ironizar que só deixaria a presidência da comissão se João Paulo Cunha (PT-SP) e José Genoino (PT-SP) saíssem da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).

A reunião ocorreu sob clima de forte tensão. Diferente do esperado, porém, não houve uma pressão maciça por uma renúncia. Líderes de PMDB, PR, PSD, PRB e PMN defenderam que o pastor tinha o direito de continuar no cargo. Do outro lado, além do presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), ficaram, basicamente, os líderes de PT, PPS, PDT, PCdoB e PSOL. Alguns líderes não chegaram a se pronunciar diante da insistência do pastor em continuar. O PSDB tomou uma decisão partidária de nem sequer participar do encontro após avaliar não haver saída regimental para resolver o problema.

Segundo o relato de parlamentares, Feliciano portou-se como vítima de uma perseguição. Afirmou que nada ia demovê-lo da posição de comandar a comissão e chegou a pedir “misericórdia” dos adversários. O pastor chegou a dizer que irá se policiar em declarações futuras. Ele cedeu apenas ao apelo para que recuasse da decisão de fechar todas as reuniões da comissão. Feliciano disse que fará reuniões abertas, mas que pode recorrer novamente a medidas como a retirada de manifestantes ou a mudança de plenário caso os protestos impeçam o trabalho do colegiado.

Os deputados contrários à permanência de Feliciano defendem a partir de agora que se busque uma alternativa regimental para permitir a retirada de um presidente de comissão. Pelas regras atuais, isso só é possível ao final de um processo no Conselho de Ética por quebra de decoro parlamentar.

Na saída da reunião, dois deputados bateram boca de forma agressiva. Ivan Valente, líder do PSOL, dava entrevista com críticas a Feliciano e foi interrompido por gritos de Jair Bolsonaro (PP-RJ). “Você é um torturador, deveria estar preso”, reagiu irritado Valente. “Se você tivesse participado daquele momento estaria no saco, imbecil”, disse Bolsonaro. “Torturador” rebateu Valente. “Se tem alguma prova denuncie”, afirmou o deputado do PP.

Meus comentários

O dia de hoje, 10/4, só terá posts sobre Feliciano. Este é o primeiro.

A decisão de Feliciano de não ceder às pressões e ignorar o pedido de renúncia dos radicais gayzistas é por si só uma boa notícia. Mas o tapa com luva de pelica que ele deu nos petralhas, dizendo ironicamente que renunciaria caso os mensaleiros também renunciassem, foi sensacional.

O PSDB, para variar, agiu feito um partido de frouxos, enquanto o PT comprou a briga contra Feliciano. Também pudera. Feliciano finalmente denunciou ao Brasil o quanto são moralmente desonestos os líderes do PT. Quando foi para obter o apoio da bancada evangélica, babaram o ovo dele, e agora conspiram para retirá-lo de lá.

Para um partido que não tem nenhuma noção de ética, moral, dignidade e sequer honra, é sempre bom mostrar ao público o quanto são deploráveis.

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8 COMMENTS

  1. Luciano,

    corrija-me se meu pensamento estiver errado.
    Feliciano está pedindo a saída de ladrões já condenados pelo mensalão.
    Ora, se ele fala que sai só se os condenados renunciarem, ele está se colocando e assumindo para si o mesmo nivel do Genoíno e JPCunha. Quer dizer, ele foi condenado simplesmente por defender idéias contrárias à ideologia atual.
    E assim está feita a caca.
    Torçamos para que tenha sido ironia mesmo da parte dele.

    Louis

    • Ou não. Ele poderia dizer que assim como alguns acham que ele não deve estar lá, ele poderia achar que os outros não poderiam estar na comissão de justiça.

      Se ele for esperto, reverte isso. 😉

      Mas concordo que há riscos de controle de frame por oponentes em relação ao que ele disse sim.

      Abs,

      LH

      • O risco é baixo. Só se o Feliciano for muito burro pra deixar eles aplicarem isso.
        Todo mundo q tem cérebro sabe que esses petralhas não deveriam estar lá; a atitude do Feliciano apenas mostra esse lado podre que a mídia e a esquerda resolver ignorar. Pra mídia e pra esquerda conseguirem transformar isso num “Feliciano = petralhas”, tem q deixar o carrocho fora da coleira mesmo.

    • Louis, podemos considerar que a condição que o Feliciano pôs para sair da CDH é mais ou menos parecida àquela que costumeiramente trabalhadores autônomos impõem àqueles que lhes pedem para trabalhar, mas não pagam: “se quiser que eu trabalhe, pague aquilo que me deve”. Ou então, caso o cara seja contratado por um empregador caloteiro e um colega de trabalho faz alguma besteira que gera bronca e ameaça de tirar do salário ou cobrar que o cara tire do bolso do terceiro, o mesmo diz algo como “desconta daquilo que você deve de mim”, condição essa última que gera solidariedade do trabalhador que recebeu bronca.
      Feliciano sabe que o PT está em dívida com os evangélicos e usa esse capital a seu favor, bem como a ameaça de os pentecostais votarem em qualquer outro que não com legenda 13.

  2. O problema é que foi dito é informa, portanto não há um texto dizendo exatamente o que ele falou. Isso realmente pode causar problemas.

    Achei o blefe de Feliciano uma boa jogada, mas poderia ser melhor:

    Os dois PTralhas são meros membros da CCJC, enquanto Feliciano ocupa o cargo de presidente da CDH. Há o risco de esse blefe de Feliciano pode ser “trucado” pelo PT. Nesse caso (o PT aceita e tira os PTralhas da CCJC), o resultado vai causar muito mais prejuízo ao Feliciano que ao PT.

    Eu blefaria muito mais alto: minha condição seria a renúncia do presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves, pois ele responde a processo no MP. Poderia até incluir os dois PTralhas também, não teria problema. Assim, o PT perderia muito.

    E faria um pronunciamento oficial, deixando claro que não estou me igualando a eles, apenas mostrando a incoerência do pedido de renúncia.

    • Jota,

      Obrigado por ter enviado esse link.Fazia tempo que procurava e não lembrava onde tinha visto.

      Esse “estudo” foi refutado de forma devastadora no livro The Believing Brain, de Michael Shermer.

      Trarei a refutação até o fim da semana.

      Obrigado,

      LH

      • OK.
        Parabéns pelo trabalho Luciano, tenho acompanhado seu blog e aprendido muito.
        Ansioso pelo lançamento do seu livro.
        Abraço

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