Femen Brazil homenageia Margaret Thatcher e Lola vai à loucura

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O Femen Brazil fez a seguinte homenagem à Margaret Thatcher:

Nossos sentimentos à Margaret Thatcher, com sua política neoliberal, dirigiu um governo que reduziu o tamanho do Estado e transformou o Reino Unido. Ela foi, de longe, uma influência mundialmente, conhecida como Dama de Ferro, por conta de sua postura inflexível. Foi a primeira mulher a se tornar primeira-ministra britânica, cargo no qual ficou por três mandatos consecutivos, entre 1979 e 1990. “Na política, se você quer que algo seja falado, peça a um homem. Se quer que algo seja feito, peça a uma mulher.”

Segue a imagem:

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Foi o suficiente para Lola Aronovich, do blog Escreva, Lola, Escreva enlouquecer.

Dissecar o texto tela por si só já é uma delícia. Vou focar nas partes mais engraçadas, como no momento abaixo:

Eu não ia falar nada da morte de Margaret Thatcher porque estou incrivelmente sem tempo e porque várias pessoas morrem todos os dias e nem por isso eu tenho que escrever sobre elas (por exemplo, só tratei da morte de Hugo Chávez no Twitter: um político que eu inicialmente achava apenas um populista, e que aprendi a admirar ao ver sua lucidez em todas as entrevistas).

Quer dizer, Lola avalia um político por “declaração em entrevistas”. No caso, o Chavez. Ué, não deveria ser pela congruência entre discurso e comportamento? Quando eu falo que esquerdistas são crédulos no ser humano, não estou exagerando…

Mas um leitor me enviou um link pro Facebook do Femen (com a imagem que postei aí em cima), fui lá e não pude acreditar no que vi. My eyes, my eyes! Pensei que de repente alguém tivesse hackeado a página. Antes de mais nada, eu sou de esquerda e acho complicado um feminismo de direita (como mudar o mundo sem mudar o mundo?), e tenho uma opinião não muito favorável a respeito do Femen.

Oxente! Mas quem disse que a única forma de “mudar o mundo” é a partir do esquerdismo? Neste texto, falei sobre mudar o mundo com um neo-esquerdismo sem coerção estatal. E esta é uma proposta de alguém da direita para o pessoal da esquerda adotar. 😉

É verdade que Thatcher transformou o Reino Unido. O problema é que não transformou pra melhor, né? Com sua política neoliberal (que o Femen parece aplaudir), a primeira-ministra cortou gastos do governo — em outras palavras, gastos com educação e saúde — e bloqueou qualquer tentativa de regulamentar a indústria.

Ora, se Thatcher cortou gastos do governo, então deixou mais dinheiro nas mãos das mulheres que trabalham, e isso é também uma causa a favor da mulher (e do homem também). Pura questão de lógica.

o Femen acha o máximo reduzir o tamanho do Estado. Acontece que é o Estado, através dos nossos impostos, que financia creches, escolas e universidades públicas, hospitais públicos, segurança etc. Ser contra políticas de bem estar social é ser contra as mulheres de modo geral, porque a maior parte dos pobres no mundo são mulheres (e crianças). É ser contra negros. É dar um belo dane-se pra qualquer pessoa que não teve a sorte de ter os seus privilégios.

Ela delira completamente. Na verdade, não há evidência de que as mulheres precisem de mais assistência social que os homens. Mulheres pobres normalmente são casadas com homens pobres, e algumas mulheres pobres casam-se com homens ricos.

E como é essa “tese” de que a maior parte dos pobres do mundo são “crianças”? Lola simplesmente não revisou seu texto.

Como será o raciocínio de Lola? Escolha um nome na lista telefônica. Se for mulher, há uma chance maior desta pessoa estar na faixa da miséria? Se for criança, também existe uma chance maior?

Ah, Lola, assim fica fácil demais mostrar que esquerdismo é uma piada.

Outra coisa: estado financiador de segurança é uma requisição da direita, não da esquerda.

Seria ótimo se todas as (poucas) mulheres no poder fossem pró-mulher. Assim como seria uma maravilha se todas as mulheres fossem feministas, lutando por um mundo com mais igualdade. Mas não é assim que as coisas funcionam. Eu já ficaria mais aliviada se um grupo que se diz (neo?) feminista parasse de dar tanta mancada.

Não que eu concorde com o feminismo das FEMEN. Muito pelo contrário.

Entretanto, Lola confunde as bolas dizendo que feministas deviam lutar por “igualdade financeira”, mas o mais lúcido seria que elas lutassem por igualdade de oportunidades. O que é uma proposta da direita.

Isto é, Lola não entende nem de feminismo. O negócio dela é esquerdismo, e depois reconstrói o feminismo aos seus desejos. (Em suma, dá para existir feminismo sem esquerdismo, mas não dá para existir esquerdismo sem feminismo radical e insano, que é o modelo de Lola)

Seja lá como for, é evidente que o feminismo, por causa de gente como Lola (que usa feminismo como fachada para seu esquerdismo), é adorado pela esquerda.

E quando as feministas possuem um lapso de sanidade, como na homenagem das garotas do FEMEN à Thatcher, as feministas mais radicais (ou mais esquerdistas ainda) descambam para a baixaria.

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16 COMMENTS

  1. Luciano, lembro-lhe que o lance de o Femen ter homenageado Margaret Thatcher começou com uma trollagem de Adonias Reis que, sabedor de que estarem bem informadas não é o ponto forte de Sara Winter e suas amigas, falou para elas que havia morrido uma grande feminista (sendo que qualquer pessoa bem informada sabe que a ex-primeira-ministra odiava o feminismo). Logo, o que ele fez foi simplesmente usar o marxismo-humanismo-neoateísmo como inocente útil no combate ao marxismo-humanismo-neoateísmo, pois sabia que uma saraivada de pessoas e grupos de tal espectro iriam descer a lenha no Femen, como de fato desceram, com a postagem da Lola sendo a transcendência dos efeitos dessa trollagem para além do Face.
    Portanto, daria para usar este meme para definir a ação do Adonias em questão, bem como estudar a dinâmica da coisa para aperfeiçoar a arte de usar MHNs como inocentes úteis no combate ao MHN. Se olhar a lista dos comentários na postagem do Femen Brazil, verá que o Femen ucraniano condenou a tal história, bem como verá um monte de MHNs dando uma saraivada daquelas no referido grupo, o que fez com que os que combatem o MHN (mesmo que fossem religiosos políticos de matiz libertário-anarcocapitalista) ficarem sossegados o suficiente para irem postando seus links de informações sem serem atacados pelos MHNs, uma vez que estes estavam mais concentrados no principal ódio que um revolucionário tem (que é o ódio a outro revolucionário). É aquele lance que te disse outras vezes de ficar muito parecido àquela cena de Jurassic Park em que os humanos são salvos pelo tiranossauro que os persegue porque este prefere se ocupar de matar velociraptores que também estão perseguindo humanos, sendo que nem velociraptores ou tiranossauro notam que a briga entre eles está contando contra a causa a que lhes interessaria (a ressurreição dos dinossauros):

  2. Luciano, você sabia que a cultura do estupro está aí para quem quiser ver? Ao menos é o que diz a blogueira Nádia Lapa em seu texto do blog Cem Homens e reproduzido pela Carta Capital após um maluco Gerald Thomas passar a mão em locais não muito neutros da panicat Nicole Bahls. O mais engraçado é que a moça em questão logo tirou a mão boba e para rirmos de novo temos o fato de que o diretor em questão também deu mãos-bobas no Ceará e no Daniel Zukermann, que fazem parte da equipe do mesmo programa (cultura de estupro contra homens?).
    Outra coisa engraçada é que o texto vem de uma autora que disse ter tentado transar com cem homens em um único ano e que os acusa de verem a mulher como um objeto de deleite masculino e outros clichês que conhecemos. Pessoas normais diriam que Gerald Thomas é que estava muito louco e fez coisas que qualquer homem normal acharia simplesmente constrangedoras, independente de ele as ter praticado contra a Nicole ou contra o Ceará e o Daniel Zukermann.

    Porém, aqui há uma coisa parecida ao estupro coletivo em Delhi e a evento parecido ocorrido no Rio: havia homens juntos, que também sofreram agressões atrozes, mas estes foram subitamente apagados da cena em que estavam para que se focasse só na mulher. E, em ambos os casos, tivemos homens indignados com a coisa toda (seja na Índia com os enormes protestos em massa com significativo número deles, seja no Rio com a polícia prendendo os criminosos em celas separadas dos outros detentos para evitar que esses os transformem em “namoradinhas”).
    Há também o detalhe de que até agora não temos as cenas do ocorrido em si, o que faz com que apenas possamos nos basear naquilo que a mídia está dizendo, o que é muito diferente de ver a fonte primária. Teremos de esperar pelo próximo Pânico na Band o que as imagens móveis mostram de fato. A própria Nicole diz que ficou extremamente constrangida com a coisa toda, o que é perfeitamente natural e qualquer pessoa entende. Além disso, qualquer um perguntará o que Gerald Thomas costuma fazer nos bastidores para que em rede nacional ficasse com tanta “saliença” com a moça

    Também não deixa de ser extremamente estranho que agora vejamos feministas quererem usar as panicats como cavalo de batalha de suas causas, uma vez que um mês atrás a Ana Paula Minerato tomou tinta na cara porque supostamente o progrma desvaloriza a mulher porque elas aparecem de biquíni e roupas insinuantes (sendo que ninguém apontou arma na cabeça delas ou as levou para a Turquia para que façam algo que fazem de total consentimento). Porém, agora, como se nota, estão meio que apoiando as tais roupas insinuantes, porque agora elas não desvalorizariam as mulheres, mas sim seriam oportunidade de usar as panicats como inocentes úteis involuntárias da causa feminista.
    Em todo caso, pensando que tanto Gerald Thomas como Nádia Lapa são MHNs, é mais uma daquelas coisas em que podemos usar MHN como inocente útil no combate ao próprio marxismo-humanismo-neoateísmo.

      • Ah… esse eu vou refutar.

        Ora.. o Gerald Thomas pegou no pinto do cara também. E se levantou a saia da Nicole, de acordo com a ética feminista, elas devem ficar quietinhas ou criticar ele pegar no pinto do cara também.

        Pela minha ética, eu acho que foi uma forçada do Gerald Thomas.

        Falarei mais disso.

        Abs,

        LH

      • Segue também a postagem do Gerald Thomas sobre o assunto em questão. Diz ele que após apagarem a luz das câmeras, o clima foi amistoso. De repente, podem ter feito algo combinado para conquistar uns pontinhos de audiência e aumentar a publicidade espontânea. De qualquer forma, vamos considerar a possibilidade de que os marxistas-humanistas-neoateístas (e até mesmo quem não o seja) possam ter sido feitos de bobo pelo diretor em questão e também pelo pessoal do Pânico na Band, ainda que por ora seja mais prudente considerar que de fato Gerald Thomas estivesse mais louco que o Batman e de fato tenha feito uma indelicadeza daquelas tanto com Nicole Bahls quanto com Ceará e Daniel Zukerman.

      • E finalmente temos as imagens da tal cena de Gerald Thomas e Nicole Bahls:

        http://www.youtube.com/watch?v=Hh_oihQjBj8

        Observe-se que ficou razoavelmente nítido que havia uma relação de “eu, Gerald Thomas, geraldthomizo do meu lado enquanto vocês do Pânico na Band panicam do outro e ambos conseguimos luzes para nós”. Foi interessante terem posto para falar o Jacob Pinheiro Goldberg (que, além de doutor em psicologia, também tem registros de advogado, o que já ajuda a evitar as acusações de “ato libidinoso” e outras coitadices marxistas-humanistas-neoateístas) e assistente social (que também ajuda a evitar acusações de “eles estão sendo insensíveis). Outra boa sacada foi terem entrevistado a lésbica na rua dizendo que ela iria mais longe do que Gerald Thomas foi (o que evita ao mesmo tempo acusações de “eles são heteronormativos” ou “eles veem a mulher como objeto”).
        Em suma, vamos considerar que o programa deu uma trollada master nos MHNs e os usou como impulsores de audiência. É razoável supor que Emílio Surita, cuja irmã é política peemedebista (sendo que no passado já foi PDS, PSDB e PPS) em Roraima, tenha pego com ela em um passado umas dicas de como usar a raiva MHN como propósito para impulsionar algo e se beneficiar e justamente fazer dos limões jogados uma limonada, dos tomates jogados uma salada e das pedras arremessadas um castelo. Tem muita cara de que eles pensaram que o Gerald, que não tem cara de que leve desaforo para casa, seria excelente para dar uma impulsionada na audiência, sendo que para isso seria preciso que surgisse algo bem fotografável, como a tal cena dele agarrando a barra da saia da Bahls e depois reencenando a famosa cena de Titanic com bem mais esculacho. A linguagem corporal da panicat também passa a impressão de que poderia haver uma certa combinação entre a equipe do programa e o famoso diretor.

        E nessa, vamos considerar que Nádia Lapa, Feminista Cansada, E Eu com Isso? e outros acabaram sem saber sendo feitos de inocentes úteis para fins de aumento de audiência de Pânico na Band e Gerald Thomas. E, a exemplo de Adonias Reis e a trollada no Femen, mostra ser perfeitamente possível direcionar MHNs para um determinado objetivo desejado por meio de atiçamento aparentemente dentro do campo no qual o mesmo atue. Obviamente o MHN colérico não saberá qual é o real objetivo por trás, mas que quem o atiça sabe bem o que é. Não é muito diferente do que fazem aqueles que financiam entidades MHN, apenas com a diferença de que aqui não se tira grana do bolso para se dar diretamente ao tal religioso político. Se dá para Pânico na Band e Gerald Thomas fazerem isso, não há por que não se usar MHNs como inocentes úteis no combate ao MHN com estratégia mais ou menos assemelhada.

    • Aos poucos estou captando a sua idéia e o post que farei sobre a trollada tem muito disso.

      Sabia que sua idéia é bem gramsciana, não? (o que é bom)

  3. Olá, Luciano!
    Você não imagina como me sinto confortada quando leu pessoas que não são a favor do que o feminismo se tornou em nosso país e em todo o mundo.
    Sou mulher, de direita e nem por isso possuo pensamentos machistas. O problema é que as duas palavras foram levadas, conforme o decorrer dos anos, para extremos em que qualquer um dos dois que prevalecer será ruim para a sociedade.
    O que geralmente as feministas lutam, não é apenas por uma igualdade em direitos, deveres, trabalho, oportunidade e reconhecimento. Elas fazem com que a todo momento elas consigam provar a sua superioridade, transformando a sociedade em uma estrutural matriarcal.
    É praticamente uma reação ao machismo em mesma força só que em direção oposta. Então, se o machismo é tão ruim para a sociedade, por que o feminismo (na concepção que elas possuem da palavra) seria bom?
    Por causa de pessoas assim que não dá vontade de dizermos que somos feministas, o objetivo do feminismo no início era que as mulheres tivessem tudo aquilo que eu coloquei acima, principalmente o respeito mútuo entre os dois sexos, mas nem ao menos elas conseguem fazer com que isso seja palpável.
    Vemos que diversas atitudes do Femen são completamente contraditórias, um bom exemplo disso é que o Femen protestou contra o turismo sexual do carnaval, mas as mulheres que fazem isso, estão tendo relações sexuais com estrangeiros, turistas ou seja lá o que for, porque querem, agindo conforme o que elas acham que é o melhor pra elas. Como que o Femen protesta contra isso se elas acham que a mulher tem liberdade de agir, vestir e o que quiser da vida? Por mais que você tente achar uma explicação, não dá para conseguir formular uma teoria concreta sobre os objetivos desse grupo.
    Bem, para concluir logo esse comentário. Sou de direita e sou feminista, diferente do que grande maioria acredita que seja o objetivo desse grupo. Eu acredito que mulheres e homens possuem sim suas diferenças, mas os dois merecem ser respeitados como qualquer ser humano.

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