Dividindo para conquistar: o Femen Brazil magnificamente trollado, e as feministas brigando entre si

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Eu dificilmente gasto mais que 10 minutos para fazer cada post durante a semana. Gosto de escrever brevemente quando faço comentários de notícias, outros posts e vídeos.

Para os textos mais elaborados, geralmente os que escrevo no sábado pela manhã, eu gasto um tempo maior.

Por causa disso, provavelmente deixei passar desapercebido o fato de que no post Femen Brazil homenageia Margaret Thatcher e Lola vai a loucura, elas simplesmente foram trolladas pelo espertíssimo Adonias Reis, como lembrou o leitor Cidadão.

Veja abaixo:

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Na própria página de Adonias, ele já ridiculariza as garotas do Femen Brazil por caírem no truque. Diz ele: “Ai mel dels, como é bom esconder o cérebro e mostrar as teta mucha!”

O fato é que as garotas do Femen Brazil caíram como se fosse um patinho (ou seriam patinhas?).

E saíram logo de imediato homenageando Thatcher, que lutou contra o feminismo durante toda sua vida. Um post do blog Marxismo Cultural dá o tom de como Thatcher visualizava o feminismo.

Dizia ela:

Não devo nada ao movimento de libertação das mulheres. As feministas odeiam-me, não é? Não as posso culpar uma vez que odeio o feminismo. É puro veneno.

E eu, que tinha deixado a coisa passar batida, não podia deixar de trazer a questão da trollagem aqui. As meninas do Femen Brazil estão tomando puxão de orelha de outras FEMEN pelo mundo. E agora outras esquerdistas estão com raiva do FEMEN pela crítica que elas tem feito ao Islamismo. E surgiu o Muslim Women Against Femen, do qual falarei em breve.

Algumas frases do Muslim Women Against Femen:

  • “Islam é minha libertação. Minha fonte de empoderamento. Minha igualdade. Então, não estamos precisando de nada dessa merda de Mulher-Branca-Que-Não-É-Muçulmana-Salvando-Mulheres-Muçulmanas-De-Homens-Muçulmanos”
  • “Eu sou uma muçulmana feminista. Femen não fala por muçulmanos e nem por feministas”
  • “Nudez não me liberta e eu NÃO preciso de salvação”
  • “O femen não pode me dizer o que eu posso e não posso vestir”
  • “Que vergonha, femen. O hijaab é meu direito”
  • “Eu sou uma muçulmana com orgulho. Eu não preciso de ‘libertação’. Eu não gosto de ser usada para reforçar o imperialismo ocidental! Vocês não me representam.”
  • “Eu pareço oprimida pra você?”
  • “Só porque eu escolhi me cobrir não quer dizer que sou oprimida”
  • “Quando você me nega a liberdade de me cobrir, você me oprime”

Poderíamos até fazer um paralelo com os neo-ateus.

Eles atacam os religiosos, mas, quando um religioso está atacando um religioso de outra denominação, eles também capitalizam. E, em muitos casos, são talentosos ao fazerem os religiosos passarem automaticamente para  a “causa” neo-ateísta sem que em muitos casos estes próprios religiosos sequer se apercebam disso.

Por esta lógica, também podemos agrupar os religiosos políticos sob um alvo enorme, e o ataque a um perfil esquerdista é um ataque ao esquerdismo, e o ato de um grupo humanista/esquerdista entrar em conflito com outro grupo humanista/esquerdista é uma capitalização a favor de qualquer anti-humanista ou anti-esquerdista.

Cidadão diz, em relação aos MHN (marxistas-humanistas-neoateístas):

[…] estudar a dinâmica da coisa para aperfeiçoar a arte de usar MHNs como inocentes úteis no combate ao MHN. Se olhar a lista dos comentários na postagem do Femen Brazil, verá que o Femen ucraniano condenou a tal história, bem como verá um monte de MHNs dando uma saraivada daquelas no referido grupo, o que fez com que os que combatem o MHN (mesmo que fossem religiosos políticos de matiz libertário-anarcocapitalista) ficarem sossegados o suficiente para irem postando seus links de informações sem serem atacados pelos MHNs, uma vez que estes estavam mais concentrados no principal ódio que um revolucionário tem (que é o ódio a outro revolucionário). É aquele lance que te disse outras vezes de ficar muito parecido àquela cena de Jurassic Park em que os humanos são salvos pelo tiranossauro que os persegue porque este prefere se ocupar de matar velociraptores que também estão perseguindo humanos, sendo que nem velociraptores ou tiranossauro notam que a briga entre eles está contando contra a causa a que lhes interessaria (a ressurreição dos dinossauros).

Usar trollagens e outros recursos para confundi-los pode se tornar, então, uma arte. Assim como aproveitar as confusões surgem entre eles próprios.

Em outras palavras, é a arte de dividir para conquistar.

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1 COMMENT

  1. Facilita a tarefa de usar o marxismo-humanismo-neoateísmo como inocente útil no combate ao marxismo-humanismo-neoateísmo o fato de os marxistas-humanistas-neoateístas, enquanto movimento, serem muito fragmentários. Não é por acaso que vemos dissidências de grandes partidos formando outros menores, bem como vemos as tais brigas mesmo dentro das organizações (vide as muitas alas dentro dos muitos partidos). Nem de longe eles possuem o grau de coesão de quem os combatem.
    Historicamente, temos a constante histórica de os revolucionários, ao assumir o poder, perseguirem aqueles de mesmo espectro político deles e promoverem lutas fratricidas mais renhidas que aquelas que teriam com quem não compartilha da mesma crença política. E, mesmo quando não há mortes, há o tal lance de isolarem e neutralizarem as tais tendências internas que diferem das maiores, fora as tais acusações mútuas de que a tendência tal é vendida, burguesa ou outras acusações. Uma sempre vai dizer que a religião política MHN que defende é mais pura que a religião política MHN que o outro defende e que aquele outro faz o jogo dos opressores.

    Logo, sempre haverá alguma oportunidade pingando na área para ser explorada e o tal lance de usar MHNs como inocentes úteis no combate ao MHN é algo que sempre tem abundância de amostras. Caso se saiba aproveitar as tais brigas, os mesmos fazem para os anti-MHN praticamente todo o trabalho, sem que o anti-MHN entre na tal briga. É muito questão de saber sondar e categorizar as tais brigas para delas se extrair o que for necessário para se avançar o anti-MHN. Exemplo simples: a recente demissão coletiva na Caros Amigos, em que vimos um monte de MHNs descendo a lenha em algo que os próprios anti-MHN também desceriam (calote, demissão por exigir o que é de direito, faltar com as obrigações legais e por aí vai). Porém, dá para estender isso a outros campos, como se pode ver, por exemplo, no fato de o Movimento Negro Socialista ser contrário às cotas, algo que também interessa (mas por outras razões) aos anti-MHN. Outro exemplo simples: quando feministas dizem que não há “o feminismo”, mas “feminismos”, justamente aquele que o Adonias Reis explorou com a sutil trollagem em que feministas ficaram se digladiando e esqueceram da existência dos anti-MHN.
    A tal estratégia é diferente daquela de eles não saberem de onde vem o golpe, pois eles sabem de onde vem o golpe (uma vez que oriundo de MHN), mas não têm noção, caso seja algo estimulado por um anti-MHN, do porquê de aquela situação ter surgido, tão preocupados que estão com o calor da coisa. E nessa vão jogando o outro MHN contra a parede com tal força que vão fragilizando a estrutura da casa em que se encontram (a religião política MHN como um todo).

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