Mais um esquerdista a ter seu material reconstruído por este blog: George Lakoff

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Uma das formas de nos referimos à arte da reconstrução é como a arte de aprendermos com os nossos inimigos. Embora este não seja o único significado para a reconstrução, é aquele que mais utilizo neste blog. A ideia central da instrumentalização do pragmático humanista John Dewey enfim é levada às últimas consequências.

Esta proposta muda absolutamente tudo na análise de discurso, pois passamos a olhar o conteúdo produzido, especialmente pelos nossos inimigos, com um olhar estratégico.

É isso que tenho feito a partir de novembro de 2011, quando este blog retomou suas atividades.

A dinâmica social mudou toda a minha perspectiva da guerra política, e, a partir deste retorno, grande parte do que é feito aqui se baseia em aprendizados contínuos com os oponentes, mesmo que isso não signifique nos tornarmos iguais a eles. Pelo contrário, se realmente somos diferentes de nossos inimigos, em termos morais, precisamos aprender a arte de vencê-los, de acordo com as regras do jogo político, ou então nossa moral será suplantada. Simples assim.

Do lado neo-ateu, Sam Harris e Daniel Dennett foram os que me deram vários métodos para serem reconstruídos. Na verdade, intuitivamente eu já fazia isso desde o início dos meus testes envolvendo ceticismo na Internet, após eu ter reconstruído os métodos de James Randi. No aspecto da esquerda, também reconstruo a dialética negativa de Adorno, e a teoria crítica dele e de Horkheimer. Na esquerda focada em “luta em campo”, obviamente Gramsci e Alinsky fornecem maravilhosos métodos a serem reconstruídos.

Mas ultimamente tenho me tornado especialmente fascinado pelo material de George Lakoff, um esquerdista norte-americano que tem ensinado muito ao Partido Democrata a respeito de como eles podem controlar o frame no debate público.

A obra do autor é vasta e fascinante, e os principais livros são “Metaphors We Live By”, “The Political Mind”, “Moral Politics” e “Don’t Think of a Elephant!”.

Uma coisa que tenho notado no dia-a-dia da direita na hora de se defrontar com o conteúdo técnico publicado por esquerdistas é a dificuldade de apreensão dos métodos deles, pois tendemos a achar que é “imoral” aprender com os imorais. Outro problema, mais grave ainda, é a raiva tradicional que muitos possuem ao ler o material de pessoas que estão planejando silenciar a direita.

Acho difícil que todos superem estes problemas, e, mesmo assim, resolvi encarar o desafio.

Em relação à primeira objeção, já tratei dela mais de uma vez, e tratarei tantas vezes quanto for necessário. Aprender os métodos de alguém imoral, não é em si algo imoral. Como exemplo, supondo que o personagem Batman tivesse aprendido a imprevisibilidade do Coringa e a usasse para derrubá-lo. Teria com isso poupado várias vidas no curso do filme The Dark Knight. Assim, usar imprevisibilidade é um método, que não é por si só imoral. Usá-lo, para os atos propostos pelo Coringa, sim. Mas usar o mesmo método para parar uma série de crimes não é imoral. Em outro exemplo, suponha que a polícia compre carros potentes para perseguir os bandidos. Mas se os bandidos usam “carros potentes” (método) para fugir da polícia, é imoral usar o mesmo método “carros potentes” para persegui-los? Claro que não.

Portanto, usar o controle de frame, proposto por Lakoff, mas para transmitir nossos valores, plenamente justificáveis moralmente, não é imoral. O controle de frame é um método a ser aprendido. A imoralidade depende de quais valores e propostas serão vendidos com o controle de frame.

Quanto à segunda objeção, eu me acostumei a “sair de mim mesmo”, e tentar pensar vez por outra com a mente do inimigo. Não para absorver seus valores, mas para entender seus métodos e técnicas. Assim, não vejo dificuldade alguma em aprender com meus inimigos. A leitura do conteúdo dos esquerdistas mais estrategistas se torna um aprendizado contínuo, mesmo que eu rejeite os valores morais deles. Em várias passagens do material de Lakoff, eu o via alertando sobre a superioridade moral dos esquerdistas, embora eu saiba claramente que eles são uma aberração moral. Mas os métodos utilizados por ele funcionam e o Partido Democrata tem usado com sucesso.

Enfim, o controle de frame funciona que é uma maravilha, e George Lakoff é o maior teórico do assunto. Ponto. Aquilo que David Horowitz fez em “A Arte da Guerra Política” chega a ser simplório perto do que Lakoff propõe. Ele simplesmente cria um modelo para quaisquer discursos da esquerda. Entretanto, ao utilizar os métodos do próprio Lakoff, todos eles podem ser reconstruídos para a direita. E, ainda melhor, passamos a entender como o melhor de seus estrategistas linguísticos da atualidade pensa.


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4 COMMENTS

  1. Uma outra indicação interessante é o livro ” Como argumentar e vencer sempre ” de Gerry Spence ,um advogado americano que conseguiu inocentar muitos criminosos que já estavam preste a ser condenados,ele dá boas dicas para conseguir persuadir as pessoas em um debate publico ,usando truques de linguagem e de persuasão .
    As leis de Gerry Spence para vencer um debate são

    – Qualquer pessoa é capaz de apresentar um argumento vitorioso .
    – Vencer é conseguir o que queremos e que também significa ajudar os “outros” a conseguirem o que querem .
    – Perceba que as palavras são armas e podem ser usadas de forma hostil em um debate
    -Saiba que há sempre uma “vantagem biológica” em expressar a Verdade
    – Agressão não é argumento .
    – Utilize o medo como aliado ao falar as publico e argumentar .aprenda a converter essa energia
    – não se deixe cegar pelo brilhantismo
    – Aprenda a falar com o corpo . O corpo ás vezes fala com mais ênfase do que as palavras
    -Saiba que o inimigo não é a pessoa que estamos enfrentando com um argumento falho ,mas a visão dentro de nós mesmos .

    Se usarmos esse jogo de regras contra os MHN (marxistas-humanistas-neo ateistas) a vitória é praticamente garantida .

  2. Amor idolatrado, meu Luciano: Achas mesmo que a Esquerda tem chances? A presidente está fazendo uma manobra de aummmmmento com as forças armadas. A proposta é ridícula, mas aceitaremos,
    grana é grana. Forças Armadas se entendendo com a ex-guerrilheira. Eu duvido que ela pense sozinha, e se eu estiver errada, o bicho vai pegar. Beijo, meu fofo.

  3. Luciano,

    Eu estou começando a entender agora esse “lance” de “controle de frame”.

    Vou te pedir um exemplo então: Como um esquerdista utiliza o controle de frame na hora de justificar a alta cobrança de impostos para o governo fazer assistência social diante dos pobres e como neutraliza-lo neste quesito?

    Não gosto de falar da minha pessoa, mas eu tenho certa empatia para com os pobres (grande coisa, e quem diz não ter!?) e não acho tão ruim o fato do governo me arrancar uns trocados para dar aos pobres em projetos como o bolsa família, por exemplo.

    Mas isso não significa que eu não tenha ressalvas quanto a esse tipo de assistência social. Poderia citar várias.

    Isso me tornaria um “esquerdista”?

    Mas quando eu debato com um esquerdista a respeito eu proponho a ele que o governo poderia abrir um programa em que o dinheiro seria ofertado de maneira voluntária para projetos assistencialistas desse tipo. Isso por que eu não sou contra o projeto em si de ajudarmos os pobres, eu sou contra a coerção estatal na hora em que eles resolvem implementar algum projeto do Partido que, conforme sabemos muito bem, nunca funciona como o prometido e da maneira em que o governo propagandeia (fora que isso é uma excelente ferramenta para esmagar a oposição, taxando-a de “inimigos dos pobres” caso eles, em alguma medida, falem algo contra).

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