Fui definido como libertário no Diagrama de Nolan… mas a coisa não é bem assim!

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Fiz o teste do Diagrama de Nolan, e fui qualificado como libertário.

O fato é que não sou libertário, conservador ou liberal, mas sim neo-iluminista. Isso significa que eu posso adotar tanto paradigmas destas três vertentes políticas, como criar uma nova, ou uma mistura dos três, desde que rejeite qualquer paradigma de crença no homem, ou seja, qualquer forma de humanismo ou esquerdismo.

Tecnicamente, meu neo-iluminismo faz com a religião política exatamente os neo-ateus fazem com a religião. Atacam um oponente percebido como opressor, e buscam viver longe da influência dele. Infelizmente, os neo-ateus erram em adotar o humanismo, quando deviam adotar o secularismo. No humanismo, impõe-se uma crença para o restante, em substituição à religião, enquanto no secularismo, nada se impõe. Obviamente, sou secularista e anti-humanista.

Um colega no Facebook disse que o libertarianismo é problemático, e muitas vezes utópico. Também acho, por isso acho que as respostas minhas “bandearam” pro libertarianismo por que não existia a opção neo-iluminismo. Também pudera. Criei o neo-iluminismo há poucas semanas.

Em meu paradigma, o estado tem uma função diferente daquela que os anarco-capitalistas, conservadores, marxistas pregam. Entendo o estado como um “serviço”, bancado pelos cidadãos, para dar não só proteção para o cidadão, como também proteger pessoas de crenças políticas diferentes uns dos outros.

Exemplo: se o esquerdista crê que o estado deve financiar “igualdade”, por que isso é cobrado da direita? Eu defendo que o esquerdista tem todo o direito de ter a crença dele, desde que isso não afete a vida dos que não acreditam no estado. Foi por isso que disse que meu princípio é similar ao do neo-ateísmo, mas aplicado para a religião política.

Podemos inclusive trabalhar sob dois conceitos de estado: um estado de fato e um estado virtual. Todos devem viver sob o estado de fato, mas em um estado virtual, dos esquerdistas, poderíamos retirar o direito de propriedade. Claro que a ideia é complexa e publicarei mais sobre o assunto no futuro. O importante, para o momento, é que minha noção de política é completamente inspirada no secularismo, mas estendido não só a religião, como também à religião política.

Exemplo: você acredita em Deus? Ou não acredita? Eu não. Quem acredita pode me obrigar a viver de acordo com a crença em Deus? Não. Pois bem, o esquerdismo é uma religião política, e como tal possui uma série de crenças sobre o mundo, e fazem afirmações, que se traduzem em fatos ou teorias a serem percebidos sobre o mundo. Eles só admitem como valor um estado forte, pois acreditam no estado. Mas qual a diferença da crença delas para o dragão na garagem? Assim, como no secularismo, devemos encontrar uma forma da crença deles não afetar aqueles que nela não creem.

A partir daí, podemos discutir várias propostas, como a criação de um estado virtual para esquerdistas, com aplicação de um neo-esquerdismo. Outra proposta pode ser a criação de impostos opcionais, com serviços opcionais fornecidos pelo estado virtual. Podemos falar da punição variável, e acordo com a vítima do crime. Todas as medidas, é claro, devem ser colocadas sob debate. Sempre com a concepção de que o descrente quanto ao esquerdismo deve ser minimamente afetado pelas crenças do esquerdista. Se hoje dizemos “o estado é laico” poderíamos dizer “o estado é verdadeiramente laico”. Esse é o paradigma que defendo.

Normalmente quando converso com alguém da direita (e, tecnicamente, eu seria também de direita), pergunto: “Qual % de renda devemos pagar de impostos?”. A resposta pode ser: “Uma renda baixa. Mas não sei definir a porcentagem”.

No meu paradigma, não tenho esse problema. Pois pagaríamos de acordo com os serviços que vamos receber. Assim, 80% de impostos não é problema, desde que seja para um esquerdista. É ele quem define, a partir do preenchimento de uma ficha, quais “serviços” irá financiar. Eu financiaria somente segurança pública, e mais um ou dois. Portanto pagaria pouco. Ele poderia pagar até 80%. Essa é uma proposta onde a crença do esquerdista no estado inchado não afeta a vida do descrente no estado inchado. Isso é o que chamo de neo-iluminismo.

Nesta proposta, até o marxismo está permitido, mas em fazendas, comunidades e cooperativas criadas por esquerdistas.

Se a ciência diz que biologicamente uns tem tendência à direita e outros à esquerda (embora um tanto mais à direita, como nos mostra o material de Jonathan Haidt), então sempre teremos esquerdistas, que podem criar sociedades marxistas, em fazendas, cooperativas, e comunidades. Isso reduziria a carga do estado de fato.

Em todos os argumentos, sempre temos aplicada a noção do secularismo para a religião política também. A questão básica é: acreditar no estado é uma crença. Que, como tal, deve ser colocada sob escrutínio cético, assim como questionamos a crença no lobisomem. Esta crença afeta a vida daqueles que nela não creem. Assim, o direito de um descrente viver longe do efeito de uma crença não provada está afetado. A partir daí, o nível de crítica ao esquerdismo deve ser tanto (ou até mais) do que os neo-ateus fazem com os religiosos.

Tudo que eles fazem são produto de crenças não provadas que afetam as vidas de outros. E se traduzem em genocídios, assassinatos liberados para menores, e, mesmo assim, com altas taxas de impostos. Ou seja, coerção estatal. E, como sempre, com o totalitarismo inerente às ações deles. Esta postura, de rejeição aos dogmas da esquerda, na busca de uma vida em que não sejamos afetados por estes dogmas, é o paradigma que defendo.

A grande diferença, neste momento, é que eu posso optar por quaisquer propostas, sejam libertárias, conservadoras ou liberais. A questão fundamental é: demolir a crença esquerdista, por sua periculosidade.

Isso vai além das propostas conservadoras ou libertárias do momento.

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17 COMMENTS

  1. Também fui considerado libertário, mas tenho muito apreço tanto por princípios libertários, quanto conservadores. A verdade é que não consigo me encaixar em um grupo específico.

  2. Fui considerado um estatista , porém tenho uma certa simpatia pelo estatismo conservador , acho que deve haver um meio termo entre social-democracia e liberal-democracia , pois nem um estado babá nem estado praticamente inxesitente podem ser sustentados a longo prazo .

  3. A ideia do “um estado de fato e um estado virtual” é interessante, mas seu livro de regras pode acabar se virando contra você. =)

    Afinal, se entendi bem, o tal “estado de fato” teria necessariamente que ser uma anarquia, certo?

    • Não zcla, o estado de fato garantiria a segurança básica, os direitos negativos, que nem os esquerdistas e nem os direitistas recusariam.

      Abs,

      LH

  4. Deu libertário aí porque “Direita” neste gráfico representa pessoas que são contrárias a liberdades pessoais (proibição de casamento gay, guerra contra as drogas, etc.) enquanto “Esquerda” representa os que são contra liberdades econômicas (regulação econômica, impostos altos, etc.). Enquanto o estado inchado está na parte de baixo, o estado mínimo fica justamente no quadrante de cima.

    Ser libertário não signifca ser anarco-capitalista.

    http://matrixpolitica.blogspot.com.br/2012/08/espectro-politico-3-aplicando-o-grafico.html

  5. Ol, voc poderia me explicar quais so os pontos bsicos ou indispensveis do neo-iluminismo? Abraos. (Se disponha a mandar algum texto seu, que eu acho que no tenha lido, se for o caso.)

    Date: Mon, 15 Apr 2013 22:31:06 +0000 To: mathh_vieira@hotmail.com

  6. Luciano,
    Pelo que entendi, o seu neo iluminismo nada mais é do que caracterizar o estado como uma empresa: Você recebe seus serviços se assim desejar, pagando a quantia pertinente. Ora, mas isso não é o que o libertarianismo defende?
    Eu, como muitos libertários, acho que o estado pode continuar existindo. Se este é mesmo “bom” no que faz (alias, ao meu ver um ótimo frame na discussão com os esquerdistas), por que não abolir a coação na cobrança de impostos? Se o estado é realmente necessário, muitas pessoas com certeza optariam por continuar contribuindo pelos seus serviços. Você teria sua defesa nacional e a justiça estatal, e os esquerdas teriam babás e limpadores de bundas burocratas. Já eu, poderia morar em um bairro onde todos os serviços seguem a excelência de empresas privadas. Não pagaria o que não quisesse contratar. E todos viveriam felizes.

    Acompanho seu blog faz um tempo, escrevi isso apenas para entender as suas críticas ao libertarianismo e ao anarco-capitalismo.

    Grande abraço e parabéns pelo trabalho.

  7. Luciano,

    Também fiz o Diagrama de Nolan e fui definido como libertário. Creio que não é um teste 100% confiável.
    Ocorre que há poucos dias, antes de encontrar este texto em seu blog, eu conversei com um amigo e propus exatamente o que você define como estado de fato e virtual, com a prestação de serviços públicos diferenciados para esquerdistas e não esquerdistas, de acordo com a suscetibilidade do indivíduo ao pagamento de tributos e com os serviços dos quais deseja se beneficiar.
    O que me intriga é o seguinte: este paradigma não se caracterizaria como libertarianismo moderado? Pois no meu entender (se eu estiver equivocado sinta-se à vontade para corrigir) o libertarianismo não contempla necessariamente a inexistência do estado, mas a implementação de um estado mínimo, que poderia muito bem se encaixar em seu paradigma.

    Um grande abraço e parabéns pelo blog!

    Até a próxima!

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