Silas Malafaia em dois momentos de acordo com a disciplina do controle de frame: errando e acertando

6
37


@
Fonte: Notícias Gospel+

A entrevista do pastor Silas Malafaia à apresentadora Luciana Gimenez no programa Superpop foi transmitida na noite de ontem, 15 de abril.

No programa, como esperado, foram tratados assuntos ligados às pregações de Silas Malafaia e também sobre o seu embate com ativistas gays.

“Eu não sou dono de verdade. Eu sou um ser humano que também falho […] Devido a temperamento, a jeito de ser, quando você é espontâneo, você também erra”, afirmou o pastor, após ser apresentado à platéia.

Questionado sobre a teologia da prosperidade e uma suposta linha de recompensa divina, Malafaia disse que “a lei da recompensa é uma das leis [com] que Deus trabalha”. A apresentadora Luciana Gimenez falou sobre o dízimo e perguntou se Jesus pregava sobre isso.

“Deixa eu te explicar isso. O primeiro ponto que a gente tem que entender, é que você abraça uma fé é porque você crê e aceita aquilo. Você é livre para aceitar ou rejeitar qualquer tipo de fé […] Ou você recebe por fé, ou não recebe”.

No decorrer do programa, falaram sobre liberdade de expressão e o que o pastor chamou de “ditadura de opinião”, que seria a imposição de ideias por parte dos ativistas gays aos demais cidadãos que discordam deles ou de suas práticas.

Citando o pastor Marco Feliciano e o episódio em que comentou uma linha de pensamento que acredita ser a África um continente amaldiçoado, Luciana Gimenez afirmou que é preciso ter responsabilidade sobre o que se fala. Silas Malafaia pontuou que a liberdade de expressão permite que a pessoa diga o que pensa, mesmo que isso seja um “besteirol teológico”, apesar de ressaltar que acredita que Feliciano tenha feito apenas uma “conjectura” nesse caso.

Sobre o PL 122, Malafaia voltou a falar que os ativistas gays querem privilégios, e que “não suportam o questionamento de opinião”. Novamente, voltou a citar o pastor Feliciano para ilustrar o que ele entende como “patrulhamento” em busca de privilégios: “Foram ver o que o Marco Feliciano falou dentro da igreja. É o local protegido pela constituição, é inviolável. Crença é inviolável”, enfatizou.

A apresentadora afirmou que a PL 122 se faz necessária para proteger cidadãos que estão sendo atacados nas ruas. Malafaia discordou dizendo que a lei que protege heteros, protege também homossexuais, e que não se faz necessária uma lei exclusiva para eles, dizendo que o problema “não está na lei, e sim em quem executa a lei”. Nesse ponto, a apresentadora assentiu a postura do pastor: “Eu concordo”.

Meus comentários

Achei particularmente decepcionante a entrevista de Silas Malafaia para Luciana Gimenez, que demonstrou uma estratégia e tática impressionantes. O número de simulações de falso entendimento praticado por ela é incontável. As simulações de falso espanto deram o tom.

Em outro momento, ela disse que “os ateus são o grupo mais perseguido” (manifestando a influência que tem sofrido dos grupos humanistas radicais), no que poderia ter sido refutada por Malafaia com um breve questionamento do tipo “Cadê as evidências de que eles são o grupo mais perseguido?”. Nem isso ele fez.

Enfim, mesmo que tenha dado algumas boas respostas, no geral Luciana Gimenez ganhou. Ganhou não por melhores argumentos, mas por toda sua encenação e estratégia. É Silas, batalhas políticas são assim. Um dia acertamos, outro dia erramos. Este não foi um bom dia.

Por outro lado, fora do programa de Luciana, no anúncio da manifestação pela liberdade de expressão em 5 de junho, divulgado pelo blog do Reinaldo Azevedo, ele acertou em tudo. Vejam:

Nós somos contra a equiparação da união homossexual à heterossexual? Sim! Nós somos a favor do que passaram a chamar de ‘família tradicional’, formado por homem, mulher e filhos? Sim! Certamente, por razões óbvias, essas questões surgirão em nossa manifestação. E temos essas opiniões porque são matéria de convicção, de crença, e porque a Constituição nos assegura o direito de tê-las.Mas o objeto principal do nosso encontro é outro. Vamos nos manifestar a favor da liberdade de expressão e contra o controle da mídia, que vem sendo reivindicado por pessoas que odeiam a liberdade. Não aceitamos o controle da mídia nem pelo estado nem por grupos militantes. Querem nos transformar, aos evangélicos, em antediluvianos, em reacionários. Errado! Nós somos a modernidade democrática. Nós é que somos por uma sociedade radicalmente democrática, sem um estado censor e sem a censura de grupos organizados.

Esta é a mensagem!

Mais sobre frame e controle de frame.

Anúncios

6 COMMENTS

  1. Pra se debater com a Luciana Gimenez, por incrível que pareça, é preciso ter um pouco de inteligência, não porque ela possua isso, mas para não cair nas “armadilhas” que a própria burrice dela cria.

  2. O probelma do controle de frame é quando se fala do humanismo ,todo mundo logo pensa em ciência,secularismo,filosofia , quando alguém ataca o humanismo , geralmente causa uma sensação negativa na plateia .

      • É aquela questão que já destaquei em comentários a posts passados. O uso que você faz do termo “humanismo” é inovador e, mais do que isso, diametralmente oposto ao significado já profundamente enraizado no senso comum. Reverter o sentido dessa terminologia será algo como ganhar o Mr. Oympia do controle de frame.

      • Mais ou menos Thiago,

        Até antes do neo-ateísmo, o termo cristianismo era associado a um frame muito positivo. Considere meu empreendimento similar ao dos neo-ateus, só que contra a religião política. 😉

        Mas e sempre bom deixar claro que “humanismo não é humanitarianismo, e humanismo não é secularismo”.

        Abs,

        LH

Deixe uma resposta