Glossário: Neo-iluminismo

5
176

Última atualização: 27 de abril de 2013 – [Índice de Termos][Página Principal]

Este blog defende o paradigma neo-iluminista, que, embora seja considerado de direita, não se atém aos princípios libertários, liberais ou conservadores. Ao contrário, ele é definido por aquilo que nega, no caso, o esquerdismo e o humanismo.

Para facilitar a apreensão deste conceito, nada melhor que observar a fonte de inspiração para ele: o movimento neo-ateu. Os neo-ateus se caracterizaram pelo ataque à religião tradicional, sempre demonstrando aquilo que entendiam serem suas consequências e vulnerabilidades. A essência do discurso neo-ateu é de superação da religião, e, mais ainda, de superação por qualquer respeito ou pudor em relação às críticas à religião.

Isso assustou muita gente no início. A meu ver, o problema do neo-ateísmo não está em sua postura, mas nas fraudes que eles utilizam. Mas o neo-iluminismo pode resolver até este problema, pelo seu questionamento assertivo a quaisquer afirmações injustificadas à obtenção de autoridade moral.

Em termos práticos, pode-se dizer que o neo-ateísmo é uma postura radical em comparação ao iluminismo original. Ao invés de lutarem para que a religião não influencie suas vidas, lutam para a eliminação da religião do cenário público. Para os neo-ateus, religião deve ser mantida no âmbito privado, da mesma forma que se tratam os vídeos pornográficos.

O que o neo-iluminismo tem a ver com isso? Simplesmente, o mesmo modelo de ceticismo assertivo (isto é, não apenas de questionamento, mas de ataque à crença sob mira) é aplicado à religião política. É quando surge a grande ironia da coisa: se todo o esquerdismo é parte da religião política, e se o próprio neo-ateísmo também (por ser uma versão do humanismo radical, e o humanismo é a forma fundamental das religiões políticas, assim como são positivismo e cientificismo), os próprios influenciadores indiretos do neo-iluminismo são as principais vítimas deste novo paradigma.

O que podemos fazer com o neo-iluminismo? São realmente muitas coisas.

Podemos, de forma justificada, mostrar como a religião política é a causa central de todos os genocídios deste século. Podemos demonstrar que a crença na “bondade inata do homem” é corresponsável por muitos crimes que são tolerados hoje. No Brasil, por exemplo, a crença de que um menor de idade não pode ser punido é consequência da religião política. Em suma, a religião política mata. Seja em genocídios contra o seu próprio povo (em situações de estado inchado, como sempre), seja em menores matando impunemente nas ruas.

Podemos demonstrar que assim como existiam antigos clérigos que deveriam ter sua autoridade moral contestada, na época do iluminismo original, hoje temos novas figuras de autoridade, em especial o professor doutrinador, de acordo com a estratégia gramsciana. Não importa se a doutrinação é humanista ou marxista, a mera existência de doutrinação em salas de aula é um crime contra a humanidade. Isso significa o uso de dinheiro dos outros para conspirar contra os que financiam as escolas. Nesse caso, eu proponho a filmagem de todas as aulas, e as escolas privadas deveriam indenizar os pais caso ocorra doutrinação. No caso das escolas públicas, isso deveria ser resolvido com protestos e processos contra o estado.

Muitos poderiam dizer que existe o esquerdismo moderado. Mas, reconstruindo a argumentação neo-ateísta, a versão moderada de uma crença deve ser tão criticada quanto a versão fundamentalista dela. Dessa forma, um esquerdista moderado estilo obamista (como é Arnaldo Jabor, por exemplo) deve estar sob o mesmo escrutínio que um esquerdista marxista. A versão moderada de uma crença costuma servir como uma fachada para esconder as culpas de sua versão fundamentalista. Esta é uma lição que não podemos esquecer.

De acordo com os neo-ateus, a maior abominação é a influência de uma crença na vida daqueles que nela não creem, e, neste quesito, a religião política influencia muito mais a vida dos descrentes do que a religião tradicional. Exemplo: se um ateu não quiser ir a Igreja, não precisa ir, mas se um descrente quanto a religião política não quiser pagar impostos excessivos, ele é obrigado a pagar. Logo, o descrente paga pelo crente. Isso é abominável, e devemos lutar contra isso.

Se a esquerda disser que o neo-iluminismo é “extremo” em suas críticas, pode-se rebater dizendo que lutar pela liberdade nunca é uma ação extremada, mas algo justificável moralmente e biologicamente. Mas aí vemos outro problema seríssimo da religião política: a não aceitação às críticas. Quando os esquerdistas dizem “Como você ousa criticar isso?”, estão impondo tabus, que, em essência, são inimigos da liberdade. Por isso, hoje em dia o gayzismo, um movimento de humanistas e esquerdista, quer proibir o direito de crítica. Em suma, a incapacidade de religiosos políticos em aceitarem críticas deve ser um motivo ADICIONAL para nos os criticarmos, pois eles confessam seu totalitarismo.

Daniel Dennett dizia que a religião tradicional deveria ser objeto de extensivo estudo, e conscientização pública de seus danos. Assim, a religião política deve sofrer o mesmo destino. Temos que estudar todos os “blocos” de discurso que eles utilizam (as rotinas), entender suas agendas, as fraudes que eles cometem, e os princípios de propaganda que usam para vender suas idéias. Tudo deve ser avaliado, de forma que aqueles que não creem em formas de humanismo e esquerdismo sejam conscientizados.

Todas essas possibilidades, e muito mais, sempre com foco na investigação assertiva e o desmascaramento combatido (livres de tabus como tolerância com a intolerância, que a direita sempre demonstrava ao tratar com a esquerda, e que os não-humanistas sempre demonstravam ao tratar os humanistas), são oportunidades geradas pelo que defino como postura neo-iluministas. Temos um universo muito mais ampliado no momento de colocarmos nossos oponentes sob escrutínio cético.

Se a religião política é uma atrocidade por si só (e suas ações ao longo dos séculos tem comprovado isso), ela deve ser tratada como tal. Se os funcionais doutrinados em escolas e universidades perderam seu senso crítico e qualquer noção de racionalidade para aceitarem discursos padrão, eles não devem ser poupados de ridicularização. Podemos dizer que a tolerância com a religião política é corresponsável por eventos como o Holocausto Judeu e o ataque às torres gêmeas do 11 de setembro. (Pois, como já demonstrado aqui, a culpa do 11 de setembro é da religião política, e não da religião tradicional)

Além de tudo isso, temos um fato fundamental: a responsabilidade de criticar uma crença perigosa é do oponente, não do proponente dela. Esta visão nos diz que, se nós que estamos fora da religião política não a criticarmos, então eles poderão fazer tudo o que quiserem em suas ações de conquista pelo poder.

A definição para neo-iluminismo padrão é: “ação de questionamento a autoridades morais injustificadas que sejam utilizadas para fins de ganho político”.

Esse objetivo de questionamento, com um alvo claramente delimitado, junto com a noção de responsabilidade (do oponente de uma crença, ao invés do proponente, fundamentado pelo que defino como duelo cético), é, enfim, o que defino como neo-iluminismo.

Dá para notar que é muito mais do que sair defendendo ideais liberais, conservadores ou libertários. Quem pertence a essas escolas de pensamento obviamente vai gostar de ver a ação neo-iluminista (a não ser aqueles de direita que sejam humanistas, mas isso é problema deles), mas o neo-iluminismo não precisa se ater a princípios particulares de nenhuma filosofia de direita para questionar a esquerda e o humanismo.

Ao mesmo tempo, toda e qualquer denúncia ao esquerdismo (ou ao humanismo), lançada por um autor libertário ou conservador, pode ser útil para a criação de conteúdo contra a esquerda.

Isso mostra que o neo-iluminismo também é extremamente pragmático em seu ataque à religião política.

Por fim, é importante falar do símbolo dos óculos “night vision” (como se pode ver na seção About, deste blog), que foi uma sugestão do leitor JMK.

Explica-se: se a vela no escuro era o símbolo do iluminismo, na superação do que chamavam das “era das trevas”, podemos ver que nunca tivemos uma era com tantas trevas e ignorância como agora. Agora, a era das trevas é mantida por truques, rotinas e diversas formas de exploração de vulnerabilidades mentais, todas estudas por profissionais de neurolinguística, neurociência e psicologia linguística. Precisamos levar o esclarecimento ao público em uma era de combate, que podemos denominar de guerra política. A vela não é suficiente. Os óculos night vision se encaixam melhor.

Estas trevas são causadas pela lógica bizarra dos humanistas e esquerdistas, que substituíram o debate por truques psicológicos e propaganda. Para piorar, o politicamente correto definitivamente definiu a era corrente como a maior era de trevas da história humana.

O antídoto é o neo-iluminismo!

Anúncios

5 COMMENTS

  1. As possibilidades realmente são múltiplas e é algo que não vimos no debate político, seria com certeza muito mais potente que qualquer ataque ao esquerdismo do passado. Mas a esquerda não pode retrucar dizendo que isso é campanha de ódio? Quero deixar claro que não considero o neo-iluminismo uma campanha de ódio igual aos neo-ateus, mas estou preocupado com o que podem dizer a respeito.

    • Não é campanha de ódio, pois basicamente faço o apontamento dos fatos. A distorção de fatos históricos, feitas pelos neo-ateus, configuram uma campanha de ódio. Mas refutar essas distorções é o inverso: eu diria que neste ponto o neo-iluminismo ataca discursos de ódio.

Deixe uma resposta